Deserto do Atacama: um dos destinos mais lindos da América do Sul (e do mundo).

O Deserto do Atacama é um dos lugares mais lindos que já fui. Quando se fala em viagens, é difícil chegar a uma unanimidade, mas, no caso dessa área do Chile, não conheço ninguém que foi e não gostou.

A diversidade de paisagens da região faz com que sejam várias viagens em uma só. E é isso que torna o lugar tão especial. Sabe quando você viaja, se deslumbra com a beleza no primeiro dia, no segundo, mas depois já começa a acostumar? Isso não acontece por lá! A cada passeio, a paisagem muda completamente e a cada nova saída você está de boca aberta, sem conseguir decidir de qual lugar gosta mais. 

O Atacama é uma das regiões mais áridas e secas do mundo, com temperaturas que variam do negativo durante a noite até 40o C durante o dia. Mesmo assim, não é uma viagem de muitos perrengues. A estrutura turística é bem desenvolvida e, ao menos que você esteja com seu carro e conheça muito bem a região, a maioria dos passeios precisa ser feita com uma agência ou ao menos um guia.

COMO CHEGAR

Chegar até o Atacama é relativamente fácil. Diariamente, saem voos da LAN de Santiago para o aeroporto de Calama, que fica a aproximadamente 150kms de San Pedro do Atacama. Caso seu hotel não ofereça, é possível contratar uma das muitas agências que fazem serviço de transfer Calama/San Pedro. Esse site pode te ajudar com muitas das buscas.

*Update: voltei ao Atacama agora em 2016 e fechei os traslados com a Transvip. Dá pra fazer a reserva pelo internet e os transfers foram super pontuais. 

Se o seu perfil é mais aventureiro, também é possível fazer o trajeto por terra. O percurso, que dura 2h de avião, leva 24h para ser vencido de carro, mas li que as estradas são boas e que a paisagem compensa (disso, não tenho dúvidas).

HOSPEDAGEM

A maioria dos hotéis fica na cidade de San Pedro do Atacama, embora os mais luxuosos (como Explora, o Awasi e o Tierra) fiquem em regiões um pouco mais afastadas, bem no meio do deserto.

O lado bom dos hotéis de luxo é a ótima infraestrutura e, acima de tudo, o fato de cada quarto contar com seu carro e motorista. Assim, você pode escolher os passeios (individuais) que quer fazer naquele dia. Esse serviço pode ou não estar incluído na diária do hotel (que é all-inclusive).

Para mim, o lado negativo (além, óbvio, do preço mais salgado) é justamente o isolamento. Embora a maioria das pessoas volte elogiando muito a comida desses hotéis, acho um pouco entediante almoçar e jantar sempre no mesmo lugar (não cheguei a verificar se eles oferecem serviço de transfer para a cidade de San Pedro, caso queria jantar por lá).

Nós ficamos na própria cidade de San Pedro do Atacama, em uma opção bem mais econômica heheh. Pegamos um quarto privado com banheiro privado no Hostel Don Raul. As acomodações eram simples, mas confortáveis (isso em novembro de 2012). Outro ponto positivo é a localização: ele fica exatamente na rua principal, um pouco mais para baixo do agito, o que faz com que seja perto o suficiente para ir a pé a todos os restaurantes/agências e longe o suficiente para não ter tanto barulho.

Update: agora em 2016 fiquei no Hotel Pat’ta Hoiri, que também é simples, mas com um custo x benefício bem bom. A localização é perfeita, a uma quadra da Caracoles. A poucos passos da parte mais agitada da rua, mas numa área super tranquila e pouco barulhenta. 

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San Pedro do Atacama

PASSEIOS

O ideal é deixar para reservar os passeios em San Pedro do Atacama. Na rua principal (Rua Caracoles), ficam diversas agências lado a lado e é possível comparar preço e qualidade.

Caso vá em feriados ou alguma data em que a cidade fique muito cheia, recomendo reservar todos os passeios já no primeiro dia. Quando fomos, era feriado no Brasil e no Chile (Corpus Christi). Chegamos um dia antes do início do feriado e conseguimos reservar tudo, mas, já no segundo dia, a maioria das agências estava com seus passeios esgotados.

Obs Débora: Pra não ter risco (e como já ia fazer um passeio no dia que eu cheguei), preferi reservar pela internet – paguei 50% antecipado com a mesma agência que a Maíra fez, Grado 10. Fechando vários passeios com a mesma agência, dá pra conseguir um desconto.

Update 2016: embora o Atacama tenha sido apenas o ponto de partida/chegada ao Uyuni, ficamos 2 dias por lá e aproveitei para fazer alguns passeios que eu não conhecia.

Nas minhas pesquisas, descobri as agências Flávia Bia e Ayllu, que fazem um turismo um pouco mais de luxo.  Em ambas o esquema é parecido: você dá a lista dos passeios que quer fazer e em quais dias estará lá. Eles vão encaixando seus passeios de acordo com a disponibilidade.  

Fiz um passeio com a Flavia Bia, o das Lagunas Altiplânicas + Piedras Rojas. Achei o guia excelente, o veículo e a comida idem. Entretanto, pra mim, isso não compensa pagar tão mais caro. Uma das coisas que achei que valeram a pena o preço é o fato das excursões da agência tentarem sempre pegar os lugares mais vazios e menos lotados de gente. Isso realmente fez a diferença. 

Outra agência que utilizei foi a Atacama Connection. Estava bem preocupada pois nosso passeio sairia no dia 01/jan e muita gente fez terrorismo falando que provavelmente o motorista estaria bêbado. Não só o motorista não estava bêbado, como nosso guia/motorista foi um italiano montanhista que mora há 22 anos no Atacama e nos deu ótimas explicações sobre as formações do local, funcionamento de atividade vulcânica etc. Gostei bastante.  

Em geral, os passeios duram uma manhã ou uma tarde, então dá para conhecer duas regiões por dia. Nós passamos 2 dias inteiros e 2 meios, o que foi suficiente para fazer os principais.

Nosso roteiro ficou assim, mas você pode montar de várias formas:

Dia 1. Manhã: Santiago/Atacama. Tarde: Laguna Cejar.

Dia 2. Manhã: Lagunas Altiplânicas e Salar do Atacama. Tarde: Vale de la Luna e Vale de La Muerte.

Dia 3. Sala de Tara (dia inteiro).

Dia 4.  Manhã: Geysers del Tatio. Tarde: retorno a SP.

Laguna Cejar

* Esse passeio geralmente é feito pelas agências à tarde, para ver o pôr do sol na Laguna Tebinquiche, que é lindo. Mas acho que nada impede de fazê-lo de manhã. Se tiver um motorista particular ou estiver com o seu carro, cheque a possibilidade de inverter os horários para pegar os lugares vazios (caso não faça questão do pôr do sol).

A Laguna Cejar é uma lagoa no meio do deserto, com uma grande concentração de sal, estilo Mar Morto, fazendo tudo boiar. Se você não conhece aquela parte do mundo, está aí uma boa oportunidade para experimentar a sensação. É só tomar cuidado com os olhos, porque a água muito salgada faz arder. Outro cuidado é entrar de chinelo. O fundo de sal pode cortar o pé.

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Eu e Ka boiando sem esforço

Pode ser um bônus caso a agência de passeios ofereça um pouco de água doce para tirar o sal do corpo após o mergulho. A Laguna Cejar é a primeira atração da tarde e, acredite, você vai ficar com MUITO sal pelo corpo.

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Cabelo duro e branco de sal

Update 2016: a Laguna Cejar estava fechada quando fui devido à grande concentração de arsênico em suas águas. Uma opção a esse passeio é o da Lagunas Escondidas, Vou falar mais para frente. 

A maioria das agências segue o mesmo roteiro e nossa próxima parada foi nos Ojos del Salar, dois buracos redondos cheios de água, parecidos com “olhos”, que se formam no meio do deserto. É possível pular para nadar (e é uma boa oportunidade para tirar todo o sal do corpo), mas prepare-se para uma água muito gelada. A maioria das pessoas não tem coragem.

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Após os Ojos del Salar, os partimos para a Laguna Tebinquiche, outra lagoa com fundo de sal. É possível ir andando pelo espelho d’agua quase até a metade sem nem molhar os joelhos. Ali é feita a parada para observar o pôr-do-sol. Conforme o sol vai se pondo, os tons avermelhados vão refletindo na lagoa, criando um cenário lindo de se ver, com o vulcão Licancabur ao fundo.

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Laguna Tebinquiche ao final da tarde

Dica: nós fizemos esse passeio com a agência Grado 10, que não tem uma vã, mas um caminhão 4×4 adaptado para virar um ônibus (chamado “overland”). Não vimos muita vantagem, porque o negócio balançava muito e era bem mais lerdo que os veículos menores, o que fazia com que chegássemos nos lugares quando eles já estavam lotados com os tours de outras agências. Por outro lado, o ônibus vale muito a pena no passeio do Vale de La Muerte, quando falar dele explico o porquê.

Obs. Débora: pra visualizar o que a Má esta se referindo, segue a foto do “Overland”:

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Lagunas Altiplânicas 

* Há o passeio apenas para as Lagunas Altiplânicas, que geralmente é feito de manhã. Atualmente, várias agências oferecem a opção Lagunas Altiplânicas + Piedras Rojas, que dura o dia inteiro. 

Antes de contar sobre as lagunas, preciso explicar que nosso passeio para lá foi meio improvisado. A princípio, nesse dia iríamos para os Geysers del Tatio na parte da manhã. Tínhamos fechado o passeio com a agência de turismo do nosso hostel (gostamos muito da hospedagem, mas não recomendamos a agência), que simplesmente nos esqueceu lá!

No final, esse esquecimento foi muito providencial, porque Jesus entrou na nossa vida rs! Para encurtar a história, o recepcionista do hostel, vendo nossa situação, ligou para um amigo (chamado Jesus), que tinha acabado de montar uma agência de viagens. O Jesus foi nos encontrar no hostel mas, naquele horário, já não seria mais possível fazer o passeio dos Geysers. Para não perdermos o dia, perguntamos se poderíamos fazer as Lagunas Altiplânicas (passeio que dura só meio dia) naquela manhã, já que para a tarde tínhamos reservado o Vale de La Luna e Vale de La Muerte.

Todos os carros do Jesus já estavam ocupados para aquele dia, mas ele disse que o senhor que tinha ensinado para ele todos os caminhos do Atacama agora fazia serviço de táxi em San Pedro – e que poderíamos ver se ele não topava uma corrida (muito) mais longa. O Jesus, que era muito gente boa, rodou a cidade com a gente até encontrá-lo. O Tata era um senhor de muitos anos, com um carro sedan normal e baixo, mas que topou nos levar. Era aquilo ou nada e lá fomos nós!

Dica: hoje em dia, a agência do Jesus já teve upgrade de está na rua principal, chama Lickan Antay.   

Para chegar até as Lagunas Altiplânicas é uma subida pela encosta de um morro, 100% na terra e com ladeiras que você jura que sem um 4×4 o carro não vai aderir. Mas o Tata realmente sabia das coisas e chegamos sãos e salvos, não sem antes todas as pessoas que estavam por lá com suas picapes ficarem boquiabertas a hora que viram o nosso sedan chegando hahaha. Muita gente veio perguntar como ele conseguiu chegar lá com aquele carro. Acho que só aí fomos ter a dimensão da nossa aventura e do nosso perrengue.

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No caminho para as Lagunas, passamos pelo Camino del Inca e o Tata parou para batermos algumas fotos

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Tata e seu possante

Mas tudo compensou a hora que vimos as Lagunas Miscanti e Meñiques. É uma paisagem que não parece real. Juro que as fotos não tem nenhum tratamento e que o lugar é ainda muito mais bonito ao vivo.

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Laguna Miscanti

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Laguna Miscanti

As lagunas foram formadas por uma erupção do vulcão Meñiques há cerca de um milhão de anos, que provocou o estancamento das águas. Hoje em dia, são mantidas pelo degelo dos montes que as rodeiam.

Chegando lá, não tem muito o que fazer, além de admirar a paisagem, que, não custa repetir, é maravilhosa. Uma pequena trilha ligas as duas lagunas. Você pode descer na Miscanti, caminhar até a Meñiques e lá embarcar de volta no carro ou vice-versa.

Piedras Rojas (update 2016)

*Geralmente combinado com o passeio das Lagunas Altiplânicas, dura o dia inteiro. 

O passeio de Piedras Rojas é relativamente novo no Atacama e não existia da primeira vez que fomos. Então aproveitei meu retorno para tentar repetir o menor número de passeios possível e liberar tempo para conhecer alguns passeios novos.

Não achei um passeio regular somente a Piedras Rojas. Também não são todas as agências que levam a Piedras Rojas. As agências que levavam, faziam o local junto com as Lagunas Altiplânicas.

Esse passeio fiz com a Flavia Bia Expediciones (falei minhas impressões na parte de “passeios” lá em cima). Nosso tour começou às 07:00 e foi direto para a Laguna Tuyacto, o que achei ótimo, pois na nossa primeira parada estávamos sozinhos. Ali tomamos o nosso café da manhã, bem bom, com direito a frutas, bolos, ovos mexidos, cadeiras para sentar e, o melhor, essa vista impagável.

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Laguna Tuyacto

De lá, seguimos para Piedras Rojas, uma paisagem de tirar o fôlego de linda. No dia que fomos não estava ventando, então o vermelho das pedras (que na verdade são rochas vulcânicas, por isso têm essa coloração) contrastava com o verde da lagoa que, por sua vez, era um perfeito espelho dos vulcões ao fundo.

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Piedras Rojas de um lado …

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… Piedras Rojas do outro!

O lugar é tão bonito que era o fundo de tela do sistema de entretenimento da LATAM quando fui 😉 …

De lá, o tour seguiu para as Lagunas Altiplânicas (já tem aqui no post), com uma parada na estrada para tirarmos fotos onde passa o trópico de capricórnio. Pra quem mora em São Paulo isso não é tão novidade assim. O que não passa desapercebido é a paisagem ao redor da estrada. O Atacama é lindo de qualquer ângulo.

Salar do Atacama

*Geralmente feito à tarde para o pôr do sol, mas pode ser feito de manhã.

Nós fizemos de manhã, saindo das Lagunas Altiplânicas. Geralmente esses dois passeios não são feitos juntos, mas, conversando com o Jesus, ele insistiu muito para que liberássemos um dia inteiro para fazer o passeio do Salar de Tara. Como no dia seguinte faríamos o Salar do Atacama à tarde, o Tata deu um jeito de incluir naquela manhã também o Salar do Atacama. Se estiver com tempo curto, cheque essa possibilidade com alguma agência.

O Salar do Atacama é segundo ou terceiro (há controvérsias) maior salar da terra. O destaque do lugar fica por conta da Laguna Chaxa, que forma um espelho d’água refletindo o céu. Para completar a paisagem, a lagoa vive cheia de flamingos, que buscam alimentos nas suas águas.

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Salar do Atacama

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Estrada de volta com essa paisagem linda

De lá, pegamos o caminho de volta pro hotel. Chegamos vivos e sem problemas. Foi o tempo de almoçarmos rapidinho e à tarde já saiu o nosso passeio para o Vale de La Muerte e Vale de la Luna.

Vale de La Luna e Vale de La Muerte

* Pode ser feito de manhã ou à tarde, embora a maioria das agências faça a tarde para ver o pôr do sol no Vale de la Muerte.

Esses dois vales ficam bem pertinho de San Pedro e muita gente opta por fazer de bicicleta. Como iriamos ficar para o pôr do sol, nós optamos por fazer de carro.

O passeio começa com o Vale de La Luna. O nome vem da similaridade do terreno com a superfície da lua. No começo do passeio é possível descer à pé e fazer uma parte do caminho, mas hoje em dia, é proibido descer do carro em grande parte do trajeto.

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No caminho, passa-se por diversas formações rochosas e uma paisagem incrível. Aqui sim achei que valeu muito a pena pegar o overland da Grado 10, porque ele tem uma janela no teto, na qual é possível colocar a cabeça para fora e ir observando (se optar por fazer esse passeio com eles, tente descolar os assentos da frente para ir olhando).

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Anfiteatro natural. Parte percorrida de carro, que usamos a janela para ver.

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Ju na janela panorâmica.

No final do caminho, os veículos param e é possível percorrer mais algumas partes à pé.

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Vale de La Luna

Pegando a estrada de novo, chega-se ao Vale de La Muerte. As origens da denominação variam. Há quem diga que é pela ausência de vida na região, há quem diga que é porque Gustave de La Paige (descobridor da região) encontrou esqueletos por ali. Uma terceira corrente sustenta que a denominação original era Vale de Marte, pela semelhança com o terreno daquele planeta, mas ao longo do tempo foi se transformando em espanhol para Vale de la Muerte.

Origens à parte, a vista do vale é impressionante. Ele é enorme, de um vermelho que se torna cada vez mais intenso à medida que o sol baixa.

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Vale de La Muerte


Ao redor, há várias montanhas e sobre uma delas sempre há uma nuvem oval. Essa nuvem é chamada de Língua Del Diablo, porque no final do dia ganha uma coloração avermelhada.

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Salar de Tara

* Passeio de dia inteiro

Quando falo que no final a furada da agência do hostel foi uma sorte, é por causa desse passeio. Em 2012, quando fomos para o Atacama, o Salar de Tara ainda não era muito conhecido e eram poucas as agências que faziam esse roteiro.

Ele nem estava incluído na nossa programação original. Nesse dia, faríamos as Lagunas Altiplânicas (de manhã) e o Salar do Atacama (à tarde). Como nossa programação acabou mudando toda e já tínhamos feito as duas coisas no dia anterior, ficamos com o dia livre para o Salar de Tara (o passeio dura o dia inteiro).

O Jesus tinha nos recomendado o passeio e garanto que realmente vale muito a pena.

Embora a atração principal seja o Salar de Tara em si, achei as outras atrações pelas quais passamos no caminho melhores que ele!

A altitude do passeio pode chegar perto de 5.000m, então é bom se preparar com muito chá de coca antes, que o guia também nos serviu em abundância no caminho. No meio da altura, a vã para um lanche leve e aclimatação.

Obs Débora: uma amiga me deu a dica e eu repasso: se puder escolher, deixe para fazer este passeio no último dia para ajudar na aclimatação!

 primeira atração são algumas lagonas andinas, cercadas de diversas montanhas que refletem no espelho d’agua, uma paisagem muito bonita.

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Depois disso, chega-se ao Reserva Nacional de Los Flamingos, onde fica o Salar de Tara. Entrando-se no parque, acaba a estrada e todo o caminho é feito pela areia. A vã vai serpenteando pelas dunas e vai todo mundo grudado na janela para não perder a paisagem.

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Uma das atrações no meio das dunas é o Monge de Pedras, uma pedra no formato do que parece um índio com seu cocar.

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O ponto alto da viagem, pra mim, foi quando começamos a avistar uns pontos brancos em cima de uma das dunas. No começo todo mundo pensou que era sal, mas não, era NEVE. Isso mesmo, neve em pleno deserto. Coisas que só o Atacama pode te propiciar. A altitude é tanta que subir a duna em direção a neve dá o cansaço de uma meia-maratona, mas vale a pena o esforço.

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Depois de passar por tudo isso, chega-se a uns paredões de pedra, as chamadas Catedrales de Tara. Ali, todos descem da vã e o caminho até o Salar de Tara é feito à pé.

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Nós demos azar porque o salar estava um pouco seco e sem os flamingos, mas, depois de te visto tanta coisa linda, nem nos importamos.

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Ali no próprio Salar foi servida uma refeição bem simples numa casinha, um arroz com frango assado, mas o suficiente para matar nossa fome. Depois do almoço (que já acontece tarde), todo o resto do dia é utilizado para fazer o caminho de volta, só com parada para ir ao banheiro.

O passeio é bem cansativo, mas gratificante, a paisagem foi uma das mais lindas que vimos na viagem.

Tour Astronômico/Tour de Las Estrellas

* Passeio feito à noite.

O Atacama é um dos melhores lugares do mundo para ver as estrelas, razão pela qual algumas agências oferecem tours astronômicos (ou Tour de Las Estrellas).

Confesso que li sobre isso antes de ir, mas deixei passar: eu realmente não sou uma pessoa muito ligada em astronomia, horóscopo e outras coisas relacionadas a constelações. Mas chegando lá, a Ka e o Ju iam fazer o passeio e acabamos comprando para acompanhá-los. Ainda bem!

Mesmo que você, como eu, não seja ligado nesse assunto, tente não deixar de fazer esse tour: MAS FAÇA COM O ASTRONOMO FRANCÊS (página pessoal aqui).

Explico. O céu é lindo, bem estrelado, mas isso não seria o suficiente para eu recomendar tanto. O francês que faz o tour (confirme se o tour será feito por ele mesmo, porque há outros guias que fazem na mesma agência – chamada SPACE) é um showman. Ele vai mostrando as constelações de um jeito tão legal, fazendo várias piadas, que a explicação fica muito interessante, mesmo pra quem, como eu, não está nem aí para esse assunto.

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Céu estrelado e um dos telescópios

Depois da explicação, somos direcionados a vários telescópios (não sei se esse é bem o nome técnico) super poderosos para ver a lua, Saturno e outras constelações bem de pertinho. Foi bem legal!

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A lua vista do telescópio.

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Saturno e seus anéis. Foto tirada do visor do telescópio (o francês ensina como faz!).

Tente marcar logo para os primeiros dias da sua viagem, porque ele só faz o tour quando o céu está 100% em condições. Nosso tour foi cancelado vários dias e só conseguimos fazer na nossa última noite.

Obs Débora: tente agendar pela internet antes mesmo de ir! Quando fui, tentei reservar no primeiro dia e já não tinha mais disponibilidade. Fiz com outra empresa que escolhemos na hora, que embora não tão recomendada quanto esta, foi bem bacana.

Geysers del Tatio

* O passeio é feito necessariamente de manhã e na hora do almoço todos já estão de volta a seus hotéis.

Depois da nossa primeira tentativa furada, finalmente conseguimos fazer esse passeio tão típico do Atacama.

Os Geysers del Tatio são colunas de vapor e água fervente que se erguem da terra e chegam a 10 metros de altura e a 80C. Entram em atividade logo no amanhecer, devido às variações de temperatura que acontecem nesse horário.

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Só para dar a dimensão do tamanho das colunas.

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Por isso, os passeios saem de San Pedro antes das 5:00am. Prepare-se para ir bem agasalhado, porque a temperatura é bem fria. Quando chegamos, estava por volta de -4C, mas dependendo da época do ano pode chegar a -20C. Pode ir com casaco de nylon grosso, cachecol e tudo mais.

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Depois que os geysers param de “funcionar”, ainda há tempo para uma jacuzzi natural. As fontes termais formam ali do lado uma lagoa de água bem quente, por volta de 40C. Quem quiser pode entrar. Nós tomamos coragem e fomos. Depois de passar tanto frio de manhã, foi uma delícia esquentar o corpo!

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Geysers já saindo de funcionamento. Quanto mais claro fica, menos fortes eles estão.

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No tour que fizemos, ainda estavam incluídas mais duas paradas. A primeira delas foi no Pueblo de Machuca, um povoado de uma rua, bem típico do Atacama, com uma lojinha para comprar souvenires.

Também dá pra provar o espetinho de lhama!

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Pueblo de Machuca

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Antes de voltar a San Pedro, ainda paramos no Vale dos Cactos Gigantes (não sei o nome certo hehe), um vale de um pequeno riacho, todo cercado de enormes cactos, como o nome já indica.

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Lagunas Escondidas (update 2016)

O passeio das Lagunas Escondidas é novinho, começou a ser explorado apenas em 2016. É realizado num conjunto de 7 lagoas salgadas, pertinho da Cordilheira do Sal.

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Uma das lagunas escondidas

As lagoas variam de coloração, algumas mais azuis, outras mais verdes, mas todas muito impressionantes contrastando com as bordas brancas de sal!

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Duas delas são abertas para banho, a primeira e a última. Devida à alta concentração de sal na água, elas possuem a mesma propriedade da Laguna Cejar e te fazem boiar tranquilamente.

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Não estamos sentados em nada, não! Só boiando, apesar de parecer improvável nessas poses. 

Ali mesmo há uma pequena infra-estrutura com chuveiros, onde é possível tirar o sal do corpo, então leve uma muda de roupa. A melhor estratégia para conhecer o lugar é andar até a última lagoa para conhecer todo o conjunto e depois voltar para tomar banho na primeira. De lá você já estará perto do banheiro e não terá que encarar a caminhada desde lá do final com sal no corpo embaixo do sol.

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Lagunas Escondidas

Museu Arqueológico Gustavo Le Paige

Com um tempinho sobrando, vale a pena passear por San Pedro do Atacama. Nós fizemos um pouco antes de ir embora. Visitamos a igrejinha e o Museu Arqueológico Gustavo Le Paige.

O museu já foi mais famoso por conter múmias de cidadãos atacamenhos, mas elas foram transferidas por reclamações dos cidadãos, que se incomodavam com a profanação dos corpos de seus antepassados. Mesmo assim, se você gostar de história, a visita continua interessante. São várias roupas, artesanatos e artigos para consumir alucinógenos dos povos que habitavam a região.

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Obs. Débora:

Quanto custa ir para o Atacama? para quem quiser ter uma ideia de custo, os 4 passeios que a Maíra mencionou (Lagunas Altiplanicas, Lagunas Cejar, Geysers del Tatio e Vale da Luna e de la Muerte) custaram, em outubro de 2015, na agência Grado 10, $99.000,00 pesos. O salar de tara, o mais caro deles, custou 40 mil pesos na agência Atacama Connection.

Mais uma observação: apesar da simplicidade da hospedagem e da própria cidade, além de eventual dificuldade com a temperatura, quando fui vi muitas famílias com crianças por lá! Afinal, não se demanda muito esforço físico nos passeios (a maior parte é feita dentro dos ônibus).

Onde comer no Atacama? Na rua principal de São Pedro de Atacama há diversas opções de restaurantes -e para todos os bolsos. Não deixe de incluir no roteiro o Ckunna, em uma das ruas transversais da Caracoles,  e provar o delicioso risoto de camarão com quinoa.

Outro ponto gastronômico famoso entre os locais é La Franchuteria, onde se vendem croissants fresquinhos de framboesa, jamon ibérico, doce de leite e chocolate. Vá cedo para poder decidir o sabor  (eles acabam rápido). O lugar é escondido, mas vale a visita.

Salar do Uyuni

*Passeio de 3/4 dias.

O Salar do Uyuni, na Bolívia, é outro passeio oferecido por algumas agências de San Pedro do Atacama e é uma dobradinha bem comum para quem visita o Atacama. Nós não fizemos na mesma viagem, mas a Ka depois voltou para conferir. Os posts dela sobre o lugar estão aqui e aqui.

O post ficou longo, mas, como disse no início, são muitas atrações em uma região só. Se você está planejando uma viagem para essa região, pode começar a concretizar seus planos sem medo. O lugar é um dos mais lindos do mundo e está aqui pertinho da gente!

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4 thoughts on “Deserto do Atacama: um dos destinos mais lindos da América do Sul (e do mundo).

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