Istambul

Minha ida à Turquia aconteceu por acaso. Meu sonho sempre foi conhecer o Egito. É um sonho antigo. Quando eu era criança, brincava que era arqueóloga lá (hahah nerd). Então, no começo de 2011 estava tudo arranjado para uma viagem Dubai-Egito, quando começaram as manifestações no país para derrubar o presidente Hosni Mubarak. O resultado foi que 2 meses antes da viagem tivemos que trocar tudo às pressas. Como as passagens de bordas já estavam compradas, a opção foi manter Dubai e colocar a Turquia no lugar do Egito.

Naquela época, a Globo ainda nem sonhava com a novela e confesso que a Turquia não era um país que estava no topo da minha lista de viagens. Talvez por isso tenha me surpreendido tão positivamente.

Se você ama história, não tem como não se apaixonar por Istambul. A cidade, antigamente chamada Bizâncio, foi fundada por povos de origem grega.  No século I a.C. foi incorporada à República Romana. Em 330 d.C., tornou-se oficialmente capital do Império Romano, quando também já era conhecida como Constantinopla. Após a divisão do império, tornou-se capital do Império Bizantino. Caindo o império bizantino, automaticamente foi declarada capital do Império Turco-Otomano. É muito império pra um lugar só rs! Com a instituição da República da Turquia, a capital mudou-se para Ankara, mas Istambul continua sendo a maior cidade do país.

Dicas Práticas

Voo. Não serei a melhor pessoa para dar dicas práticas, porque a Turquia foi meio que encaixada no roteiro de última hora. Como nossas passagens já estavam emitidas pela Emirates, fomos e voltamos via Dubai. Mas, se você vai conhecer só a Turquia (o país tem potencial para uma viagem só pra lá), a Turkish Airlines é ótima e faz voos diretos do Brasil.

*Dica da Karine: Fui em agosto de 2013 e fechei o vôo da Turkish direto de SP à Istambul. Comprei a passagem direto no site da companhia. O voo foi tranquilo, gostei muito do serviço deles.

Onde Ficar. A cidade de Istambul é dividida pelo Bósforo entre o continente europeu e o continente asiático. A parte central do continente Europeu, por sua vez, também é dividida em duas pelo estuário do Corno de Ouro.

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No que eu chamei no mapa de parte europeia sul, principalmente no Bairro Sultanahmet, é onde está a grande maioria de atrações turísticas da cidade e, consequentemente, a parte mais conveniente para se hospedar em termos de turismo. Entretanto, há quem reclame que a região morre um pouco à noite.

*Dica da Karine: Nós fechamos um hotel no Bairro Sultanahmet. O hotel, alías, chama-se Hotel Sultanahmet que recomendo mais pela localização do que pelo hotel, que é simples, mas ajeitado. Achei a localização ótima porque é possível ir às principais atrações a pé. O hotel fica também a 2 quarteirões da avenida por onde passam os trams (definição abaixo) que levam às demais partes da cidade. Nesta avenida, há alguns restaurantes para jantar, a maior parte deles com terraço com vista para a Blue Mosque, que fica linda iluminada à noite.

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Um dos vários restaurantes com terraços no bairro Sultanahmet

Na parte europeia norte, está o Bairro Nisantasi, onde ficam vários restaurantes bons, shoppings e lojas de marca. Nosso hotel ficava nessa parte. Apesar de ser considerada a parte mais “chique” da cidade, achei meio fora de mão pra nós, que estávamos interessados mesmo era no turismo. Chegou uma hora que ficamos tão cansados de pegar trânsito (o trânsito na cidade é um loucura), que acabávamos pegando o tram até o ponto final e, aí sim, um táxi.

Eu não indicaria pela falta de comodidade de chegar e sair, mas se quiser ficar num bairro mais arrumadinho, o nome do nosso hotel era The Sofa. Não dá pra dizer que a localização é ruim, porque é num dos melhores bairros da cidade, então diria que é inconveniente para turismo. Tirando isso, não tem como falar mal da hospedagem. Ele é um hotel boutique/design super gracinha!

Ainda na parte europeia norte, está o Bairro Taksim. É uma parte agitada da cidade e há várias lojas e restaurantes abertos à noite. Fica menos longe do que Nisantasi.

Outro hotel muito famoso é o Ciragan Palace, situado num antigo palácio otomano do século 19. O palácio é de cair o queixo e fica às margens do Bósforo. A parte ruim é que também é na parte europeia norte, um pouco mais pra cima do Dolmabahce Palace.

Transporte Público. O transporte público de Istambul é complicado. É um conjunto de metro de superfície (tram), metro subterrâneo e furniculares. Algumas estações são interligadas, outras não.

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Nós acabamos nos limitando ao tram (linha azul escura do mapa – T1), que passa pelo Grand Bazaar (estação Beyazit-Kapaliçarsi), pelo Mercado de Especiarias (estação Eminonu), Santa Sofia/Mesquita Azul (estação Sultanahmet) e cruza a ponte até o Dolmabahce Palace (estação Kabatas).

Apesar de muito lotado de manhã e no final da tarde/noite, pegar o tram já ajuda muito, porque o trânsito para cruzar as pontes entre a parte europeia norte e a sul é bem caótico e te faz perder muito tempo. Da estação do tram, nós íamos andando ou pegávamos um taxi.

Locais Para Conhecer

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Clicando no mapa, ele aumenta.

* Dica da Karine: tente chegar cedo (um pouco antes do horário de abertura) nas principais atrações, pois as filas para entrar são imensas nos horários de pico (por volta de 11hs da manha e 15hs da tarde). Deixe os horários de pico para visitar os locais abertos como o Grand Bazaar, Spicy Bazaar.

Mesquita Azul (Sultanahmet Camii). A mesquita símbolo de Istambul foi construída pelo Sultão Ahmet I. Sua localização bem em frente à Santa Sofia foi proposital. Ele queria construir uma mesquita mais imponente e mais bonita que essa última. É inteira revestida de azulejos azuis, motivo de seu nome. Outra característica é que ela possui 6 minaretes, enquanto as outras da cidade possuem, no máximo, cinco. Para visitar seu interior, é necessários estar com joelhos, ombros e cabeça cobertos. Durante os horários de prece dos muçulmanos, não é possível visitá-la.

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** As mesquitas mais turísticas de Istambul fornecem saias e pashminas para cobrir o joelho e a cabeça, mas aconselho que leve a sua. Você vai precisar para entrar em todas as (muitas) mesquitas da cidade. 

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Com a minha pashmina e a saia da mesquita

Santa Sofia (Hagya Sofia). A Santa Sofia fica exatamente na frente da Mesquita Azul. Foi construída durante o Império Bizantino para ser a Basílica de Constantinopla, que foi por muito tempo a maior do mundo. Após a conquista pelo Império Turco-Otomano, foi convertida numa mesquita. Os sinos e o altar foram retirados e alguns mosaicos cobertos. Foram adicionados quatro minaretes. Com a república, foi fechada e depois reaberta como museu, o que permanece até hoje. Atualmente, convivem símbolos muçulmanos e cristãos. Vários dos mosaicos destruídos foram restaurados. Os lustres também são um show à parte. Tanta história dá pra sentir na hora que você coloca o pé lá dentro. O lugar tem uma energia incrível. O interior é lindo lindo lindo! Subindo no mezanino, dá pra ter uma vista panorâmica do local. Outro ponto de destaque é o círculo onde eram coroados os imperadores bizantinos. Cuidado porque não abre às segundas.

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Hipódromo. Bem atrás da Mesquita Azul está o Hipódromo, que era o centro esportivo e social de Constantinopla. Na praça, vê-se a Coluna das Serpentes, construída para celebrar a vitória dos gregos sobre os persas nas Guerras Médicas. Constantino ordenou que fosse retirada do Templo de Apolo, em Delfos, e fosse levada para ornamentar o Hipódromo. Também na praça está um obelisco do Egito, trazido por Teodoro, o Grande.

Observando esses monumentos, dá para ter uma noção de como as cidades vão subindo de nível ao longo dos anos. Nessa foto da Coluna das Serpentes, dá para ver o nível de Constantinopla, lá embaixo!

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Cisterna de Yerebatan. Fica à esquerda da Santa Sofia, olhando o museu de frente. É um antigo reservatório de água, que foi construído com colunas reaproveitadas de templos pagãos, por isso as imagens no topo ou na base de muitas delas. Um bom exemplo é a coluna que tem uma Medusa, colocada de ponta cabeça por precaução, para evitar virar pedra ao olhar pra ela.

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Parque Sultanahmet. O parque, na verdade, é um jardim que fica entre a Mesquita Azul e a Santa Sofia. Há um chafariz e diversos bancos no local, de onde dá pra tirar fotos lindíssimas dos edifícios que circundam a praça. É bem comum encontrar turcos fazendo pique-niques nos finais de semana.

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Topkapi. O palácio de diversos sultões do Império Turco-Otomano é enorme e muito decorado com azulejos turcos. Vale a pena pegar o audio guide, porque você pode ficar meio perdido com o que conhecer, com os diversos edifícios e cômodos do lugar. Não deixaria de conhecer a parte com as jóias e a cozinhas. Além disso, um ticket separado é vendido para o Harem, o ponto alto da visita, na minha opinião. O Harem era o local onde moravam as esposas e as concubinas do sultão. As mulheres tinham que ser trazidas de fora, porque a lei islâmica não permite a escravização de muçulmanos. Mas o Harem não tinha a conotação que tem a palavra aqui no ocidente. Ali, as moças eram educadas e recebiam aulas do islã, de turco, de boas-maneiras, etc. O sultão poderia ter 4 esposas oficiais e quantas concubinas quisesse. A primeira esposa era a chefe do Harem e quem mandava por lá.

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Além disso, de trás do palácio se tem uma vista linda do Bósforo, que separa a Istambul europeia da asiática.

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Loja de Cerâmicas. É uma experiência bem legal você conhecer uma fabriquinha de cerâmica, já que a turca é tão famosa. Muitas lojas tem sua própria fábrica atrás e você pode ver a produção sem pagar nada por isso. Nós fomos a uma que ficava bem na frente na Cisterna.

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Ruas de Sultanahmet. Além dos pontos turísticos em si, vale a pena andar ao redor da praça da Mesquita Azul e da Santa Sofia. Algumas são só para pedestres. Nessas ruas, você pode encontrar barraquinhas que vendem o sorvete turco, diferente do nosso porque é uma espécie de massa. O sorveteiro vai fazer vários malabarismos e gracinhas antes de te servir. É legal também procurar uma casa de doces turcos para provar aquelas delícias.

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Ali também está o Million, uma coluna de pedra que fazia parte de um Arco do Triunfo Bizantino, de onde eram medidas todas as distâncias de estrada do Império Bizantino.

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Aproveite para ver as tulipas, presentes em muitos lugares da cidade. A Turquia é o pais de  origem dessa flor, que de lá foi levava para a Holanda.

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Grand Bazaar (Kapali Carsi). Com mais de 4.000 lojas, você vai encontrar de tudo por lá. De cerâmicas lindas, tapetes de seda feitos à mão, até bolsas de marca falsificadas. O melhor é andar sem rumo, mas cada parte do bazar tem meio que uma especificação. Se for comprar alguma coisa, negocie muito. Os preços caem absurdamente. A melhor técnica é começar a falar em português com quem está com você e sair da loja. O vendedor vem atrás e você consegue um preço razoável.

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Spicy Bazaar. O mercado de especiarias fica pertinho da Ponte Gálata (que passa sobre o Chifre de Ouro) e tem uma parte coberta e uma parte aberta. Se decidir se aventurar pela parte aberta, guarde bem o caminho, nós quase nos perdemos. Além de especiarias, são vendidos chás (não deixe de provar o chá de maçã turco, servido em todos os lugares, uma delícia), sais, algumas cerâmicas e muitas outras coisas.

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Mesquita Süleymaniye (Süleymaniye Camii). Após a desativação da Santa Sofia, passou a ser a maior de Istambul. Apesar de não ser tão famosa como a Mesquita Azul, também é bonita e importante, eu gostei de visitar. É ali perto que fica o Haman que fomos, vou contar mais pra frente.

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Todas as mesquitas têm torneiras, para que os muçulmanos possam se lavar antes das preces.

Torre Gálata (Gálata Tower). É uma torre medieval, na parte europeia norte. Os otomanos usavam o prédio para controlar incêndios na cidade. Vale muito a pena subir: lá de cima se tem uma vista 360 graus da cidade.

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* Dica da Karine: se conseguir, programe sua ida à Torre Gálata no fim da tarde, para apreciar o pôr do sol lá do alto.

Dolmabahce Palace. Muito importante para os turcos, foi onde o Ataturk viveu e morreu. Mustafa Kemal, ou Atatürk (pai dos turcos), fundou a república laica da Turquia. Mudou a escrita para o alfabeto greco-romano e proibiu o uso da burca, promovendo uma maior valorização das mulheres na sociedade. Como prova de que havia libertado o povo turco de governos vitalícios, não teve filhos, para que estes não fossem levados ao poder e se reestabelecesse uma nova dinastia. Ele é muito querido até hoje, tanto que está nas cédulas monetárias do país. Os relógios do palácio até hoje marcam a hora da sua morte. As visitas são todas monitoradas.

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* Obs Karine: O palácio Dolmabahce também é famoso por abrigar a maior coleção de lustres de cristal da Boêmia. No salão central está o maior deles, com 750 lâmpadas e 4,5 toneladas. Vale a pena também dar uma volta pelos lindos jardins e imensos portões que rodeiam o palácio.

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um dos vários portões do palácio. Detalhe dos guardas em cabines com ar-condicionado, por conta do calor (no mês de agosto)

Avenida Istiklal. A avenida que vai da região da Torre Gálata até a Praça Taksim é exclusiva para pedestres e com muitas lojas ao redor.

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Hamman (Banho Turco). Herança dos turco-otomanos, é uma tradição turca que eu não deixaria de experimentar. A maioria dos lugares faz os banhos dos homens e das mulheres separados, mas alguns permitem o banho misto, como o Haman Suleymaniye, que fomos. Veja a experiência completa aqui.

Dança turca. A dança típica turca é feita por homens (Dervishes), vestidos de branco, com um chapéu, que ficam rodando sem parar, numa espécie de transe. Há vários shows para turistas com essa dança, mas nós não fomos a nenhum (a dança é muito chata). No Arasta Bazar (que fica perto da Mesquita Azul), tem um restaurante que traz um dançarino quase todas as noites. Nós ficamos por lá fumando um narguilé para assistir e nos contentamos com isso.

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Cruzeiro pelo Bósforo. Nós fizemos, mas realmente não achei nada demais. Vale pela experiência de passar pelo estreito que divide dois continentes. O barco vai passando pelo Bósforo e mostrando alguns palácios que ficam nas margens. Nós fizemos um bem rapidinho, que não descia do barco, mas alguns param no lado asiático da cidade.

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Restaurantes

Não tenho muitas dicas de restaurantes, mas vou deixar aqui alguns que conheci.

Se você, como eu, não estiver hospedado no Ciragan, vale a pena reservar um jantar no restaurante de lá. É uma oportunidade de conhecer o palácio, que é lindíssimo por dentro. Do restaurante, dá para descer para a varanda do palácio e observar o Bósforo à noite. São alguns restaurantes no palácio, nós fomos no Tugra, um dos mais renomados da Turquia e que serve comida otomana.

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No topo de um prédio da região de Taksim, está o Restaurante 360, com uma vista bem bonita de Istambul. Nós não comemos, apenas petiscamos e bebemos, mas o ambiente é bem legal e animado.

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Uma indicação de vários guias é comer um kebab nos barcos que ficam ancorados perto da Ponte Gálata (lado da europa sul, em Eminonu). Nós fomos para provar, mas nenhum dos dois gostou muito da comida não. De qualquer forma, vale pela experiência, porque é um hábito bem comum entre os locais, apesar de eu desconfiar que equivale a comer um churrasco grego perto da Praça da Sé hehehe.

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Por fim, vou deixar a dica de um restaurante famoso que não fui. O Reina fica às margens do Bósforo e depois vira uma balada. É frequentado tanto por turcos como por turistas.

*Continua com dicas da Capadócia e Pammukale aqui e aqui.

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4 thoughts on “Istambul

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