Pokhara

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De Chitwan, eu e o guia da agência que havia contratado pegamos um ônibus que, num calor absurdo, nos levaria em cinco horas até Pokhara, de onde partiríamos para iniciar meu trekking (faria o Ghorepani Poon Hill Trek, até o pé do Himalaia).

Pokhara é cidade base para diversos trekkings e, por isso, além de ser bastante cheia de turistas, é repleta de lojas vendendo e alugando tudo que fosse preciso para quem fosse fazer o esporte. Há, também, diversas agências que oferecem os pacotes para o trekking. Mas tudo isso com uma tranquilidade bem diferente do caos de Kathmandu.

O passeio mais típico da cidade é pegar uma canoa e ia até o templo Barahi, no meio do lago Phewa, o segundo maior do Nepal. Mas, pra mim, o melhor não era nem chegar ao templo; era poder olhar para o lado e ver o Himalaia despontando por detrás das montanhas.

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Depois, é praticamente obrigatório o passeio de canoa até a outra margem do rio, onde começa a trilha até o topo de uma montanha onde está a “World Peace Pagoda” – uma estupa feita para disseminar a paz mundial e que fica a mais de mil metros de altura. Mas a vista que se tem lá de cima é recompensadora.

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A cidade conta também com vários restaurantes (que servem peixes ótimos) e, como no resto do Nepal, a um preço ainda melhor – gastava, em média, o equivalente a seis dólares em uma refeição.

um dos restaurantes a beira do lago

Restaurante T’hic T’hak em Pokhara: refeição completa por 6 dólares

 Fiquei hospedada no hotel Lake Star. Mas não gostei. Primeiro porque fiquei no 6º andar e não tinha elevador. Ele também não era tão perto assim do centro (uns 15 minutos a pé – mas a noite, ficava bem escuro e fazia a distância se tornar um inconveniente) e limpeza também não era seu ponto forte. Mas, o pior ainda foi o gerente – mas aí acho que foi um “bônus” por eu estar sozinha e ser mulher: tinha que ouvir cantadas sem graça e risadinhas desnecessárias. Mas um ponto favorável (pra não ser injusta!rs) – o hotel contava com gerador e, considerando que a luz na cidade acabava diversas vezes, era um fator importante.

o hotel em que fiquei…e que não recomendo!

Mas, infelizmente, minha única tristeza com Pohkara não se limitou ao hotel. No segundo dia em que estava lá, começou uma greve geral no país, por uma questão política em torno da mudança da Constituição. Os ônibus e carros pararam de circular e todas as lojas fecharam – só conseguia almoçar em restaurantes funcionando a meia luz para não chamar atenção. Achei que só teria que adiar o início do trekking por um dia – mas a greve durou três.

Até outras atrações da cidade, com a cachoeira conhecida como Pokhara Devi’s Fall Nepal estavam com o acesso interditado. Consegui alugar uma bicicleta de uma menina local para conhecer melhor a região, mas a parte mais bonita era em torno do rio; mais para o interior da cidade, era só pobreza e muita sujeira.

a pobreza e sujeira no caminho de volta à Kathmandu

Quando a greve encerrou, apesar de ainda admirada com as paisagens da região, eu tinha começado a ficar um pouco decepcionada com o Nepal e preocupada com a possibilidade de a greve voltar nos próximos dias e eu, quando precisasse, sequer conseguir chegar ao aeroporto por falta de transporte. Desisti do trekking e decidi ir embora do país. Voltei para Kathmandu (mais seis horas sofríveis de ônibus pra atravessar uma distância de cerca de 200km) e alterei, com muito custo, meu voo de volta para a Europa. O final da minha viagem, infelizmente, não foi como eu esperava – mas tudo bem, fica a desculpa de um dia voltar e fazer o trekking que eu não fiz.

Final da tarde em Pokhara

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Kathmandu – o que conhecer!

O primeiro dia que tive para conhecer Kathmandu era feriado, Vesak – celebrado como aniversário de Buda. Se de um lado eu fiquei infinitamente feliz de, por coincidência, poder estar entre budistas num dos feriados mais importantes para eles, fiquei igualmente assustada com a confusão de gente indo nos templos que eu queria conhecer.

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Fomos primeiro no complexo de Swayambhunath, mais conhecido como “Monkey Temple” em função da quantidade enorme de macacos que vivem por lá. São dois acessos para chegar ao templo: pela estrada ou por uma escadaria de 365 degraus. Como esta alternativa estava absurdamente cheia,  não tínhamos outra opção senão chegar pelo lado da estrada.

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O complexo abrange um monastério, uma estupa com os olhos de Buda pintados,  e vários santuários. O local é um ponto de peregrinação bem relevante para os budistas e ponto imprescindível em uma viagem à Kathmandu.

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Em seguida, fomos conhecer a Durbar Square (Bhaktapur), no centro da cidade velha, considerada Patrimônio Mundial pela Unesco. É preciso pagar uma taxa na hora pra entrar na praça (menos de cinco dólares) e desfrutar daquele lugar tão particular. E ali dá pra ter uma dimensão da importância da religião mais importante do Nepal, o hinduísmo: são diversos templos e estátuas dedicadas às suas divindades.

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Há, inclusive, um dos templos todo esculpido em madeira e com motivos um tanto atípicos (pra um templo, pelo menos!): várias posições do kamasutra. Meu guia me contou que foi feito em uma época pra incentivar o crescimento populacional…

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Na praça fica também o antigo palácio real, hoje um museu interessante para conhecer mais a história política (bem conturbada, aliás) do país.

Ao lado, há a casa onde fica a Kumari, a menina deusa adorada no Nepal. Não pude bater fotos lá dentro, e sem ver pessoalmente a pequena divindade, tive que me contentar em ouvir o guia me contar sobre ela.  A deusa é escolhida entre meninas de quatro a sete anos com certos padrões de beleza e submetidas a um ritual um tanto macabro: colocam as crianças em um quarto escuro com cabeças de animais mortos e aquela que não chorar e melhor controlar seus medos tem mais indícios de ser a divindade. Mas é um título temporário: quando ocorre a primeira menstruação da menina, ela deixa de ser considerada deusa e volta à vida comum.

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Outro personagem importante e bem excêntrico na vida e nas ruas do Nepal: os saddhus, homens de barbas e cabelos longos que abdicaram de todas as tentações mundanas para viver adorando shiva, um dos principais deuses do hinduísmo. Para bater foto (e eu não resisti!), eles cobram uma “colaboração”.

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À tarde, fomos conhecer a Bodhnath Stupa, maior “estupa” do país. E, realmente, é monumental, enorme e com aqueles olhos de Buda pintados de todos os lados que parecem te acompanhar por qualquer lugar que você vá.

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Outra atração igualmente imperdível (que falei no primeiro post!) é passear pelas ruas de Thamel, o bairro mais animado e movimentado de Kathmandu. Caótico, e com tudo em excesso: gente, poeira, placas e lojas. Vendem equipamentos de trekking (tudo que você possa precisar) e joias (com pedras lindas e a maioria em prata), com preços muito mais em conta do que no Brasil, além, claro, de várias lojas de souvenirs e estátuas de Buda e de divindades hindus. Mas precisa pechinchar –  mas nada do que dar aquela chorada, falando que já gastei muito pra ir do Brasil até lá não tenha funcionado um pouco!rs

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Outro ponto positivo de Thamel é reunir uma grande quantidade de restaurantes: dá pra provar da culinária local e, quando cansar da pimenta típica deles, se refugiar em um italiano! Mas não vá de pizza antes de provar os pratos típicos do país: dentre eles, o Momo, um tipo de pastelzinho de carne picante e o “Daal Bhatt Tarkari” – um combinado de sopa de lentilhas, legumes cozidos, molho curry e o meu salvador: arroz branco praticamente sem sal! Única coisa que me salvava de tanta pimenta!hehe

Momo – normalmente é mais bonitinho e não é tão “pálido” assim!

Daal – pela quantidade de arroz, já dá pra ter uma ideia porque eu devo ter engordado uns 5kgs nesta viagem!rs

 

Chitwan

De Kathamandu, peguei o ônibus até  Chitwan Nacional Park. Embora a distância não fosse tão grande, o trajeto demorou cinco horas – a partir daí já dá pra ter uma ideia da condição da estrada e do ônibus! Foram feitas algumas paradas pra almoçar e outras para o banheiro (em lugares beeem simples).

 

Mas Chitwan é a cidade dos elefantes e pra mim, valeu muito a viagem até lá! Fiquei no Hotel Parkland e como acho que acontece com todos os hotéis da cidade, o pacote inclui todos os passeios e as refeições (vegetarianas, mas gostosas). Assim, é o próprio hotel que organiza os tours com os demais hóspedes.

No primeiro dia fomos conhecer o local onde os elefantes são criados (Breeding Center) – e vimos elefantes de todas as idades!

 

 

Demos uma volta pela cidade e não era raro ver elefantes sendo usados normalmente como meio de transporte dos habitantes locais. No final da tarde, paramos para desfrutar o pôr do sol.

 

 

No dia seguinte, pela manhã fizemos um passeio de canoa pelo rio. Eles achavam que a graça maior era ver os crocodilos ao longo de todo o trajeto – pra mim, na verdade, não era. Só achei que valeu a pena pelo resto da paisagem.

 

 

À tarde, fizemos o  “Elephant Ride”, que consistia em ir passear pela mata sentados em cima dos elefantes  e, com sorte, ver hipopótamos, macacos e rinocerontes. Depois, veio a parte em que mais me diverti – era opcional, e precisava dar uma contribuição extra para o “treinador” (acho que dei em torno de cinco dólares, se não me engano, e ele parecia ter ficado satisfeito): “tomar banho” com os elefantes.

 

 

Após o jantar, fomos até o centro da cidade para conhecer mais da cultura local, Tharu, e assistir a uma apresentação das danças típicas. No dia seguinte, ainda tinha a opção do “Bird Watching”, uma caminhada para observar passarinhos. Mas como era muito cedo (acho que começava às cinco ou seis da manhã), eu deixei passar… e me preparei psicologicamente para pegar o ônibus para a próxima cidade nepalesa: Pokhara.

 

Nepal – a chegada

Decidi ir para o Nepal em maio de 2012, aproveitando a viagem para conhecer também o Butão e o Tibet. A ideia inicial, na verdade, era ir pra Índia, mas como fiquei com medo de ir pra lá, sendo mulher e estando sozinha, acabei mudando os planos para o país vizinho.

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Embora já tivesse viajado sozinha outras vezes, seria a primeira na Ásia e, por isso, achei melhor contratar uma agência para me dar um amparo maior. Como achei os preços das agencias brasileiras muito caros, fechei por email com uma nepalesa chamada Angel Nepal que fez o roteiro que eu havia solicitado, juntando os três países. Paguei uma parte por cartão de crédito antes de viajar (relativa ao Butão e ao Tibet), e a parte do Nepal assim que cheguei – que custou U$ 560,00, para uma semana com o guia, translados e hotéis. Mas até então o receio de contratar uma empresa que eu só sabia da existência virtual, me deixava com uma dose extra de preocupação.

Peguei um voo de SP/Roma e depois de ficar uns dias por lá, um voo da Qatar Airlines pra Kathmandu com conexão de três horas em Doha, no Qatar.

Tirei o visto para o Nepal no próprio aeroporto de Kathmandu, assim que cheguei (custou U$30,00). É necessária uma foto 3×4, que já levei do Brasil pra facilitar. Troquei um pouco do dinheiro na única agência aberta no aeroporto e, no meio de uma multidão de guias, saí a procura do meu. Quase chorei de felicidade quando vi uma plaquinha com meu nome! A agência nepali existia!!!

Mas ainda não era hora de comemorar… Segui o rapaz que estava segurando o papel enquanto íamos até o carro, enquanto outro pegava minha mala, e outros vários nos seguiam falando tão rápido e embolado que eu não entendia nada. Chegamos em frente ao carro e todos eles – um que levou minha bagagem, outro que abriu o porta-malas, outro que abriu a porta pra mim, outro que não sei o que fazia – me pediam alguma gorjeta. Eu não tinha dinheiro trocado. Quer dizer, tinha o que acabara de trocar, mas eles, óbvio, queriam em dólares ou euros. A menor nota que tinha era de dez euros e quando mostrei, um deles pegou e praticamente saiu correndo. Falei pros outros que tinham que dividir, que não tinha mais, que era uma absurdo dar tudo isso só por abrirem a porta do carro pra mim, mas eles reclamaram até não mais poder.

A primeira dica é essa: seja mais esperto do que eu e vá munido de muitas notas de um dólar ou euro trocadas. Muitas mesmo. Entrei no carro e meu guia – que me acompanharia no resto da viagem – estava sentado, assistindo a cena passivelmente. Como se fosse normal –e, pra ele, era mesmo.

O carro era bem simples, sem ar e, num calor absurdo, fomos em direção ao hotel. O trânsito era caótico, cheio de motociclistas, sem nenhum semáforo e todas as vias, por mais estreitas que fossem, eram dupla mão – acho que lá não existe o conceito de contramão! Pra complicar, às vezes passava alguma vaca no meio da rua. Enquanto escolhia se passava calor ou se abria a janela e respirava a poeira que subia, olhava ao redor e me perguntava o que estava fazendo lá. Sozinha, num país estranho, longe e pobre, muito pobre.

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Chegamos então no bairro de Thamel, onde ficava meu hotel, Hotel Mandap, que era bom, na medida do possível – tinha uma área externa gostosa com restaurante, e era bem localizado.

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Deixei minhas malas lá pra poder dar uma volta pela rua. Peguei um cartão do hotel porque fiquei com medo sério de me perder: as ruas me pareciam todas iguais e nenhuma tinha nome. Em contrapartida, todas eram dupla mão e entulhadas de lojas. E, detalhe: sem calçada, o que me obrigava a andar na beirada pra não ter que ouvir as buzinas dos tuk tuks ou das motos que passavam –  as quais, alias, levantavam tanta poeira que no começo sequer conseguia respirar com facilidade.

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Mas Thamel é pulsante; cheia de pessoas de todos os lugares do mundo, em especial mochileiros, indianos e hippies. Eu não tinha levado shorts ou saia por achar que não seria culturalmente apropriado, que eles não estariam acostumados, etc… Mas eram tantos gringos, e todos com a roupa que fosse mais confortável, independente de qual fosse, que parecia que só eu estava sofrendo com o calor de usar calça jeans ali. Ou seja, me arrependi muito de não ter levado uma mala inteira com roupas mais leves.

Além disso, Thamel conta com uma oferta incrível de hotéis, agências de turismo (podia ter deixado pra fechar lá o roteiro da minha viagem também) e restaurantes de todos os tipos (a maioria, inclusive, com wifi grátis e com uma conexão ótima!).

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E, aos poucos, depois de algum tempo andando ali, acabei me acostumando com a logística das ruas, achando graça na poluição visual e sonora – além das buzinas incessantes, tinham várias lojas vendendo CDs com músicas locais intercaladas com as estrangeiras -, me acostumando com o cheiro da poeira misturado com o incenso, e me encantando com tantas lojas de souvernis vendendo estátuas do Buda em todas as posições. E voltei para o hotel, já bem mais feliz com a opção de férias que tinha feito. A primeira impressão que tive do Nepal não foi a que ficou. Ainda bem.