Sossusvlei – Algumas das Maiores Dunas do Mundo e Muito Mais

Como disse nesse post aqui, foi Sossusvlei que despertou meu interesse pela Namíbia.

Foi bem difícil conseguir juntar informações e ganhar confiança para montar a viagem sozinha, sem ter que recorrer a agências. Demorou para eu descobrir, inclusive, que, embora o nome da área de conservação onde ficam as dunas seja Sossusvlei, a área mais famosa, mais fotogênica e a que todo mundo quer visitar chama-se Deadvlei. É lá que está o lago seco, com as árvores petrificadas, rodeados por dunas alaranjadas.

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Deadvlei

“Sossus vlei” significa algo como vale onde a água se acumula. Antigamente, por ali passava o enorme Rio Tsauchab (que hoje ainda existe, pequeno e quase seco). Ao longo dos anos, o rio foi trazendo areia e sedimentos até a costa da Namíbia. Quando a maré baixava e o vento batia, essa areia era soprada de volta ao continente. Esse processo contínuo, ao longo dos anos, foi formando as imensas dunas. As dunas, por sua vez, foram estancando o curso do rio. Num primeiro momento, foram formados lagos – os chamados “vleis’, espécies de piscinas entre as dunas. Depois disso, o rio diminuiu de tamanho consideravelmente.

A área de Sossusvlei forma uma espécie de subparque dentro do Parque Naukluft. Ali no que vou chamar de Sossusvlei Park  estão as dunas alaranjadas, o Deadvlei, o Sossuvlei e o Sesriem Canion.

As dunas são a primeira coisa que você avista ao entrar no parque. A estrada que parte do portão principal é rodeada dos dois lados de dunas enormes, perfeitas e de um laranja inacreditável.

A mais conhecida delas é a Duna 45, que ficou famosa por ser o point para assistir o nascer/pôr do sol. Depois que você visita o parque, percebe que a Duna 45 na verdade é só mais uma das muitas outras que existem no parque – e é possível subir em todas elas. Talvez a popularidade da Duna 45 entre as excursões deva-se ao fato de que é possível chegar bem perto dela de carro, por uma estradinha que sai da estrada principal.

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Os portões do parque abrem apenas no nascer do sol e fecham ao pôr do sol. Assim, ao menos que você esteja hospedado dentro do parque, não é possível assistir o sol nascer do topo das dunas. Da entrada do parque até chegar à região onde elas ficam mais bonitas, o trajeto é de mais ou menos 20 minutos. Como o portão abre só depois do sol nascer, isso inviabiliza a atividade para quem não dormiu no parque na noite anterior.

Mas o mais bonito desses horários  não é o nascer do sol em si (a não ser que você seja fã de ver o sol saindo e descendo na linha do horizonte), mas o jogo de cores e sombras das primeiras e ultimas horas de sol do dia. Programando-se para estar no portão bem no horário da abertura do parque, você terá tempo suficiente para curtir as dunas assim.

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Se você estiver com algum guia que conheça bem as dunas do parque, é um bom negócio subir em outra duna. A visão é a mesma, sem a superlotação das excursões na Duna 45.

A estrada que corta o parque pelo meio das dunas é asfaltada e tranquila de ser percorrida com veículos 4×2. Ela termina em um lugar lindo, onde as dunas se juntam. Ali há um estacionamento e é possível continuar o caminho apenas com carros 4×4.

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Estrada que corta o parque

Caso não esteja com um, há jeeps do parque que fazem esse transporte por um preço extra. É depois desse percurso na areia fofa que se chega ao estacionamento do Deadvlei. Para chegar ao Deadvlei em si, há 2 opções. A primeira é ir por um caminho relativamente plano, pela areia fofa.

O outro, mais emocionante, é ir pelas dunas, de onde é possível ter uma visão panorâmica do Deadvlei (e das dunas ao redor) antes de chegar à sua superfície.

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É “só” cruzar as dunas e chegou

Entre o estacionamento e o vale está uma das dunas mais famosas e altas do parque: a Big Daddy. Foi a nossa opção de caminho. Caso opte por escalar a Big Daddy, vá preparado, porque a duna é realmente alta e a areia é bem fofa. O esforço físico é grande, além do calor.

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No caminho – a areia fofa é tensa!

Nós não fizemos questão de ir até o cume. Quando passamos o topo das outras dunas que estavam ao redor e avistamos o Deadvlei de cima, já foi suficiente. Mais do que isso seria só pelo espírito de conquista – que naquele calor passava bem longe.

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Recompensa – a visão de cima da Big Daddy

Uma opção à Big Daddy é uma duna vizinha mais baixa, que também oferece a sensação de escalar uma duna e a visão panorâmica do Deadvlei.

Ultrapassadas as dunas, chega-se ao Deadvlei em si. Foi ele que me fez ir até a Namíbia e na noite anterior eu tinha até comentado que as fotos eram tão surreais que eu achava que eram tratadas e que o lugar podia não ser tudo o que eu esperava. Mas foi tudo e muito mais.

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Deadvlei

As árvores que antigamente se alimentavam das águas do Rio Tsauchab morreram há cerca de 600 a 900 anos. O chão que antigamente era barro secou. Mas graças ao clima desértico, tudo ainda está lá conservado, as árvores retorcidas, emolduradas pelo chão branco, pelas dunas laranjas e pelo céu azul.

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A paisagem e as cores são surreais. Com certeza um dos lugares mais incríveis que já estive na minha vida.

Para sair do Deadvlei, escolhemos o caminho mais curto e plano, pegamos o jeep de volta para o estacionamento e voltamos para o nosso carro.

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Pelo caminho mais fácil

O outro “vale” que dá nome ao parque, o Sossusvlei, nada mais é do que uma área plana com algumas árvores, onde as excursões aproveitam para parar depois do Deadvlei, para descanso e alimentação. Como nós tínhamos visto o lugar de cima das dunas e não achamos nada demais, resolvemos pular direto para a próxima atração.

Voltamos toda a estrada asfaltada até quase a entrada do parque e pegamos a estrada de terra que leva ao Sesriem Canyon.

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O canion também foi formado pelo antigo leito do Rio Tsauchab. Há um estacionamento logo ali perto dele e é possível descer até o fundo por meio de trilhas bem fáceis. Eu achei o lugar bonito, mas não imperdível.

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Lá embaixo

Como tínhamos chegado no parque logo no horário de abertura dos portões (por volta de 6am), voltamos do Sesriem Canion para a entrada do parque por volta de 1pm. Deu super tempo de fazer tudo com calma. Paramos em várias dunas, escalamos a Big Daddy e passamos um tempo considerável no Deadvlei.

Originalmente, nossa programação era voltar para o hotel depois de terminar tudo, mas estávamos tão impressionados com o lugar que queríamos ficar mais. Conversamos com nosso motorista/guia, que topou na hora. Decidimos almoçar no restaurante que fica na entrada do parque, descansar por lá um pouco e depois conhecer lugares um pouco menos explorados, além de ver o final da tarde nas dunas.

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Lugares não tão explorados do parque – e igualmente bonitos

Quando o sol começou a cair, voltamos todo o caminho até o estacionamento dos 4×4. Nosso guia tinha uma duna favorita e queria nos mostrar. Nós topamos, apesar do cansaço, e valeu muito a pena. Como a duna ficava do lado oposto à Big Daddy (para quem olha do estacionamento 4×4), tivemos a oportunidade de ter a visão de outro ângulo das dunas.

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De início, nós tínhamos contratado a Lark Journeys (informações práticas nesse post aqui) só para fazer nossos transfers mesmo. Depois, trocando e-mails com o dono da empresa, ele me sugeriu que fizéssemos o tour pelo parque de Sossuvlei com o nosso motorista. Nossa ideia inicial era fazer esse tour com o próprio hotel, mas, como o carro seria compartilhado, acabamos fechando o privativo com a Lark e foi ótimo.

Como estávamos apenas em dois com o Johnnathan (nosso guia/motorista), foi excelente. O que eu mais gostei no Johnnathan é que ele era muito preocupado em não ficarmos no meio de excursões e estarmos nos lugares relativamente vazios. Ele conhecia muito bem o parque, sempre procurava saber o que queríamos fazer e o que mais nos interessava e montou o esquema de um jeito que nosso tour foi bem privativo mesmo.

O link para o mapa interativo no Gmaps está aqui.

Há dois portões diversos no Sossuvlei Park. O primeiro é o de entrada, perto do qual ficam os lodges que ficam dentro do parque. O segundo portão separa a área dos lodges da área de conservação em si. O primeiro portão abre apenas no nascer do sol e fecha logo que o sol se põe. O segundo portão abre antes e fecha depois. Assim,  quem está hospedado dentro do parque (e portanto já passou o 1o portão) consegue assistir o nascer e o pôr do sol do topo das dunas.

Para aproveitar ao máximo o lugar, minha primeira opção de hospedagem seria o Sossus Dune Lodge, que fica dentro do parque, mas já estava esgotado quando pesquisei. Caso esteja no esquema camping, há também o Sesriem Camp.

Nós nos hospedamos no Le Mirage, que fica a uns 20 minutos do portão do parque. Apesar de eu achar um pouquinho brega hehe, o hotel é bem confortável e a comida (café da manhã e jantar estão incluídos na diária) é muito boa. O hotel também tem uma piscina, que teria sido uma delícia usar naquele calor, se não estivesse tão suja.

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Le Mirage

O Le Mirage fica bem no meio do deserto (embora fora do parque) e o melhor do hotel foi poder aproveitar o visual lindo dos finais de tarde.

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Do hotel

A maneira perfeita de fechar um dia lindo, nesse lugar maravilhoso!

Extra:

No caminho para Sossusvlei, está Solitaire. O lugar começou em 1948 numa antiga casa de campo e ganhou essa denominação pela localização remota. No início do turismo na Namíbia, quando havia pouca estrutura e os viajantes só tinham a opção de acampar, Solitaire foi se transformando em um ótimo ponto de apoio.

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Hoje em dia, ali há um comercinho, com um posto de gasolina, uma hospedagem, uma lojinha e uma padaria que tem a melhor torta de maça da Namíbia (e umas das melhores que já provei).

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Nós demos a sorte de pegar a torta quentinha saindo do forno!

Eu adorei o lugar, que parece um pouco com as cidadezinhas do velho oeste americano e possui vários carros e objetos antigos espalhados por aí.

 

Não perca essa oportunidade de esticar as pernas, alimentar o estômago e adicionar mais algumas fotos ao seu cartão de memória.

 

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One thought on “Sossusvlei – Algumas das Maiores Dunas do Mundo e Muito Mais

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