Safáris no Massai Mara

O Quênia é considerado um dos melhores países do mundo para fazer safáris e, dentro dos seus vários parques, o Massai Mara é tido como a melhor escolha. O parque fica no sul do país, na divisa com a Tanzânia, mais especificamente com outro parque bem conhecido para a atividade, o Serengueti.

Quando ir

O que tornou ambos os parques tão famosos foi a imensa migração de gnus que ocorre entre julho e setembro – e essa é considerada alta temporada para visitar o parque.

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A divisa entre o Quênia e a Tanzânia quase coincide com a linha do equador. O primeiro fica no hemisfério norte, o segundo, no hemisfério sul. Por estarem em hemisférios opostos, o verão (época das chuvas) e o inverno (época das secas) acontecem em períodos também opostos. Por volta de julho, o inverno vai chegando no Serengueti e o verão no Massai Mara. Os animais, por sua vez, migram em busca das pastagens verdes que nascem com as chuvas.

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Durante a migração, é nas margens do Rio Mara que rola o ponto crítico da jornada. Os gnus alcançam o rio e ficam esperando o melhor momento para cruzar, todos de uma vez. Obstáculos como crocodilos, o cansaço contra a corrente e os afogamentos vão criando uma cena que deve ser incrível de presenciar.

Nós fomos fora de temporada (fomos em fevereiro, quando a maioria dos herbívoros está no Serengueti) e já fiquei impressionada com a quantidade de animais. Os predadores não costumam migrar e são mais territorialistas, mantendo-se nos parques.

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Trânsito da manhã

Os Safáris

Apesar do Massai Mara e do Serengueti terem uma fauna e flora bastante semelhantes (se pensarmos bem, são o mesmo parque, apenas dividido por uma fronteira fictícia de países), o Massai Mara é considerado melhor para safáris do que o Serengueti porque, nesse último, é obrigatório que os carros mantenham-se nas estradas principais, enquanto o primeiro permite que os veículos cortem por dentro de subrotas. Isso aumenta a chance de encontrar os animais mais tímidos, como os felinos, além de permitir ver tudo mais de perto.

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Eu já tinha feito safári na África do Sul e estava com medo de ter perdido aquele deslumbramento inicial, mas o Massai Mara foi muito mais do que eu podia ter imaginado. Quando a maioria das pessoas pensa na natureza africana, a primeira imagem que vem à mente é da savana, com algumas árvores esparsas e animais no horizonte.

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Pôr do sol incrível no Massai Mara

E são exatamente essas imagens que o Massai Mara te entrega de bandeja, além de uma quantidade absurda de animais. As grandes áreas planas do Massai Mara são a pastagem perfeita, o que atrai muitos herbívoros e, como consequência, seus predadores. Um dia, voltando de uma visita curta à escola regional, nos pegamos respondendo a um casal de escoceses que tínhamos visto “só dois leões” no caminho.

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Como já disse no post do Kruguer, são 5 os big-five dos safáris africanos: leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte. A grande maioria dos rinocerontes do Quênia foi extinta pela caça para extração dos chifres e o governo houve por bem transferir os animais da espécie para reservas mais seguras. Hoje em dia, apenas dois rinocerontes habitam o Massai Mara. Os animais transitam entre o Massai Mara e o Serengueti e, quando fomos, os rinocerontes estavam no parque da Tanzânia.

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Mas nós vimos tanta coisa incrível no tempo que passamos por lá que os rinocerontes não fizeram falta. E o mais legal dos safáris é exatamente isso: não ter a certeza do que você vai encontrar e quando vai encontrar.

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Os leopardos geralmente são os animais mais difíceis de serem encontrados. Quando fiz safári na África do Sul, por exemplo, não vi nenhum. Nosso motorista do Massai Mara contou que já aconteceu de ter passado 1 mês sem os leopardos aparecerem. Já estava me contentando em não ver de novo esse animal, quando nossa sorte mudou e vimos nada menos que 6 leopardos diferentes, sendo 2 deles filhotes, se alimentado de um impala recém-caçado pela mãe.

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Aliás, eu queria muito ter visto uma caça ao vivo, mas aí você precisa ter muita sorte, já que a maioria delas é feita à noite. Eu já fiquei bastante satisfeita tendo visto os animais se alimentando pela manhã com as caças da noite – e vimos vários: leões em duas oportunidades, leopardos e hienas.

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O nosso hotel oferecia 3 safaris por dia. Um antes do café da manhã, outro após o café e um último no final da tarde. Como alternativa, era possível fazer os 2 safáris da manhã juntos, não voltando para o hotel para o café-da-manhã que, nesse caso, é servido em uma luchbox.

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Pit stop pro café da manhã

A rotina no hotel é bem definida. Às 05:30 o pessoal do hotel nos acordava na tenda, com café, chá e algumas bolachas e nós nos aprontávamos para fazer o(s) safari(s) da manhã, que começa(m) às 06:00. Voltávamos para o hotel já perto do horário do almoço (que era das 12:30 às 14:30). Durante a tarde, tínhamos um tempo livre para descansar na piscina/quarto ou fazer alguma atividade extra. Às 03:30 já saímos para o safári da tarde, que volta por volta das 18:30. Era o tempo de tomar um banho e já íamos jantar (19:30 às 21:30) e dormir cedo. No dia seguinte começa tudo de novo.

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E os safáris sempre terminam com um pôr do sol mais lindo que o outro

Os melhores horários para ver os animais em atividade são logo no começo da manhã ou mais para o final da tarde. Quando o sol está muito alto e o clima muito quente, os leões e leopardos geralmente estão dormindo.

Além dos Safaris

O passeio de balão sobre o Massai Mara é considerado pela National Geographic um dos 5 melhores do mundo (entre nomes de peso como Capadócia, Myanmar e Namíbia), principalmente na época da migração dos gnus. Como nós não estávamos nos meses da migração, optamos por não fazer o balão. O preço seria muito caro para ver o parque de cima com pouca atividade e também perderíamos um safári matinal.

Além do balão, outra atividade ganhou bastante fama no parque. O Massai Mara empresta sua denominação de uma das tribos africanas mais conhecidas mundialmente: os Massai Mara. Grande parte da população ainda é bem tradicional e vive em aldeias de casas construídas de madeira e barro. Muitos hoteis oferecem como atividade extra ao safári visitas a tribos massais. A atividade divide opiniões. Nós fizemos e não gostamos tanto.

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A visita basicamente se divide em 3 partes. Na chegada os guerreiros Massai fazem a dança de boas-vindas (dando pulos bem altos) e o ritual que fazem para caçar.

Depois disso, uma pessoa da tribo que fala inglês te leva pela aldeia para conhecer as casas e vai contando um pouco sobre os costumes e modo de vida. Eles também são bem abertos a perguntas.

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No final, há a dança das mulheres, desejando um bom retorno para casa.

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Eu, honestamente, achei toda a atividade bem pouco autêntica e que o pessoal estava fazendo as danças com a mesma boa vontade que a gente levanta da cama quando o despertador toca. Minha impressão era que, logo que a gente fosse embora, eles iriam voltar pra suas casas, trocar de roupa e pegar seus celulares – e, de fato, o celular de um deles tocou enquanto eles demonstravam o jeito tradicional de fazer fogo sem fósforo rs!

Por outro lado, sabendo filtrar um pouco o que é feito só para turista ver, acho sempre válida a oportunidade de conhecer um modo de vida totalmente diferente do nosso e expandir os horizontes.

Ah! No final das visitas sempre tem uma lojinha para você comprar os produtos típicos massai. Compre só se quiser ajudar a comunidade mesmo ou se gostar muito de algum produto específico. A grande maioria deles é vendida em lojas de souvenir por todo o Quênia, com preços muito (muito mesmo) mais baixos do que nas tribos. Conversamos ao longo da viagem com várias pessoas que visitaram tribos massais diversas (eles se espalham pelo Quênia e pela Tanzânia) e todo mundo falou que o roteiro da visita é o mesmo (com término na lojinha).

Onde Se Hospedar

O parque é enorme e são várias as opções de hospedagem. Há desde hotéis luxuosos até acampamentos. Caso não dispense o luxo, alguns bem famosos são o Mara Plains (eles são selecionados pela NatGeo) e o Cottar’s 1920 Camp. Nós escolhemos o Mara Intrepids Tented Camp por duas razões principais. A primeira pelo custo x benefício. Apesar do hotel não ter nada de luxo, as instalações eram bem boas e o preço estava muito bom quando pesquisamos. Outra coisa que contou muito para batermos o martelo foi a localização. O Mara Intrepids (e o Mara Explorer, do mesmo grupo) fica localizado bem no meio do parque, o que facilita bastante na hora de fazer os safáris por todas as partes do Massai Mara.

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Nossa casa por 4 dias

Além dos hotéis que ficam no próprio Massai Mara, há hoteis localizados em áreas privadas de conservação que lhe são logo vizinhas, como a Olare Orok e a Naboisho. Um dos lodges mais famosos nessas áreas privadas é o Porini Lion Camp, conhecido por seus guias habilidosos e grandes oportunidades de ver felinos.

No parque é proibido dirigir à noite, então, dependendo da localização do seu hotel, o trajeto de retorno pode te tirar algum tempo do safári, lembrando que a maior atividade dos animais ocorre bem cedo pela manhã ou bem no final da tarde.

Achei esse post (em inglês) bem legal com informações sobre o parque, os vários hotéis e como evitar as multidões.

O nosso hotel tinha 30 tendas que serviam como quartos. As tendas são praticamente quartos de hotéis, com banheiros com água quente e encanada, chão de madeira e cama. A única coisa é que as paredes são de lona. O estilo decorre das condições de conservação do próprio parque, que deve ter o mínimo de edificações fixas possível.

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A tenda por dentro – bem confortável

Nossa tenda foi a número 30 e tivemos um caso de amor e ódio pela localização. No começo ficamos de cara virada, porque era bem longe das áreas sociais, o que dava uma inviabilizada de ficar voltando pro quarto toda hora (esquecer alguma coisa no quarto era o fim hehe). Depois acabamos gostando, porque a tenda ficava bem isolada e já no final do hotel, vizinha à cerca eletrificada. Isso aumentou muito nossa sensação de estarmos bem no meio da natureza e vira e mexe víamos bichos do outro lado da cerca.

Uma noite nós ouvimos bem de perto os sons de uns leões caçando algum animal, com as risadas das hienas ao fundo. Foi sinistro! Tentamos sair na sacada da tenda para ver alguma coisa, mas era um breu total. Muito legal ficar sem enxergar nada, só ouvindo os ruídos. A coragem acabou na hora que ouvimos os animais no rio, que era do lado da tenda. Voltamos correndo pra dentro! No dia seguinte, mostramos os áudios que fizemos para o nosso guia e ele confirmou: eram mesmo leões e hienas caçando uma zebra.

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Tusker, a cerveja queniana

A comida do hotel não era nada que se destacasse, mas era gostosa. O serviço era bem atencioso e o preço das bebidas (que não é incluído na diária), era justo.

Por fim, o Mara Intrepids fica bem perto da pista de pouso Olkiombo, então fica bem fácil entrar e sair, caso você decida fazer o deslocamento aéreo.

Como Chegar

O Massai Mara tem várias pistas de pouso e você precisa consultar o seu hotel para descobrir qual delas fica mais próxima à acomodação. As empresas que fazem voos para o parque são a Kenya Airways e a Safarilink. Essa última é a que oferece mais opções de voo e foi a que utilizamos. Foi tudo certo com os nossos voos, mas confesso que o aviãozinho era bem pequeno e deu um certo medo. Além disso, os voos vão parando em quase todas as pistas, então são umas 4 decolagens e pousos. Não tem como fugir muito disso. Se seu hotel for logo o primeiro na ida, você parará em várias outras pistas na volta e vice-versa. O vôo desde/para Nairóbi dura por volta de 1:30h.

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Aqui o esquema é bruto

Fique atento porque o limite de bagagem é de 15kg, contado a mala que você vai despachar e sua mala de mão. Quando você entrar no aviãozinho, vai logo entender porque! A maioria dos hotéis já inclui os transfers de ida e volta para o aeroporto.

Descendo do avião, provavelmente seu guia estará te esperando no “aeroporto” e lá mesmo você paga a taxa de conservação do parque, que é de 70USD por dia, por pessoa – e deve ser paga em dinheiro.

Ir de avião não é obrigatório. É possível ir de carro e o deslocamento dura cerca de 6 horas. São 3 horas em estradas asfaltadas até Narok, uma cidade Massai quase na entrada no parque, e mais 3 horas em estrada de terra a partir daí. Se eu repetisse minha viagem hoje, teria escolhido um dos trajetos para fazer de carro. As paisagens devem ser lindas e deve ter bastante coisa interessante pelo caminho.

O Que Levar

Leve boné, óculos escuros, protetor solar e roupas em camadas. Os jeeps, na maioria, são abertos e você ficará no sol e no vento. Logo de manhã (mesmo no verão) fazia frio e usamos bastante casacos corta-vento. Tente evitar roupas escuras ou muito coloridas, pois elas atraem mais insetos (perfume também).

Embora não tenhamos sentido muitos mosquitos, vale a pena levar um repelente mais potente, tipo o Exposis ou algum comprado fora (o Brasil não libera a maioria dos químicos usados em repelentes estrangeiros).

Máquina de fotografar e binóculos são imprescindíveis. Muitas vezes os animais não estão tão perto e para conseguir fotografar você precisará de um zoom potente. Não dá para negar que o safári é uma atividade bem fotográfica e não é incomum encontrar o pessoal com máquinas super profissionais.

Além disso, uma roupa de banho, para aproveitar a piscina do hotel entre os safáris.

Lembre-se que, se for de avião, o limite de 15kg é conjunto para a mala despachada E a mala de mão.

Feito isso, é só aproveitar!

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3 thoughts on “Safáris no Massai Mara

  1. Pingback: Giraffe Manor – Café Com as Girafas Rothschild | Diários de Férias

  2. Pow, muito bacana! Tow planejando viajar pra lá e fiquei com umas dúvidas:
    1) O safári está incluso na diária do hotel? É uma atividade do hotel inclusa no valor da diária?
    2) Paga algum valor para permanecer no parque?

  3. Vítor, é sempre bom verificar no hotel escolhido. No que ficamos, os safaris e comida já estavam incluídos na diarias. Sim, paga-se uma taxa diária para ficar no parque. O valor total das diárias é cobrada assim q vc chega (no nosso caso, foi no aeroporto) no aeroporto. Não lembro agora de cabeça, mas acho que mencionei o valor no post. Ah, e é só em dinheiro!

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