Aproveitando a Conexão em Doha

Com os vôos da Qatar Airways ligando o Brasil a diversos países da Ásia e fazendo conexões em Doha, muita gente aproveita para passar pelo menos um diazinho na cidade e ver o que há de bom por lá.

Eu cheguei em Doha por volta de meio dia. Fiz imigração, fui para o hotel com calma deixar as malas e por volta das 16:00 saí para ir conhecer o MIA – Museum of Islamic Arts, a atração turística mais famosa de Doha.

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MIA

O MIA fica no final da Corniche, a avenida a beira mar da cidade. No final da tarde o calor dá uma trégua e ela fica cheia de gente, principalmente nas sextas e nos sábados. Vale a pena dar uma caminhada por ela antes de entrar no museu.

Ao lado do prédio do museu também está o MIA Park, com gramados bem cuidados e vistas para a área de West Bay, onde ficam os prédio modernos.

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MIA Park

O prédio do museu foi projetado pelo famoso arquiteto I. M. Pei e o café do seu interior foi desenhado por Philippe Starck. Já dá para perceber de arquitetura você estará muito bem servido, obrigado.

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Exterior do prédio

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Interior do museu

Ainda antes de entrar, vale a pena dar uma passadinha nos terraços do museu, que têm vista para a água e para o skyline da cidade.

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A grande maioria das pessoas se amontoa para uma foto no terraço que fica à esquerda de quem entra no museu, pois é o mais sinalizado. Mas, se você pegar o corredor que sai à direita de quem entra no museu, vai cair em um outro terraço maior e muito menos cheio.

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Os arcos tradicionais do museu e os prédios modernos ao fundo

A coleção do museu cobre 1400 anos de história e reúne objetos de diversas partes do mundo. Há muita coisa do Império Turco Otomano. As salas são divididas por datas e regiões e a grande maioria dos objetos é ligada à religião. Como eu não sou muito fã de arte religiosa, minhas partes favoritas da coleção foram a tapeçaria, os azulejos e as portas mostradas ao longo do museu.

Vale a pena deixar a visita ao museu para o final da tarde, assim, na hora de sair do museu, você vê o skyline de West Bay iluminado.

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West Bay vista do MIA

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Os horários de funcionamento do museu e maiores informações podem ser obtidos aqui. Fique atento pois ele fecha às terças e muitos dias abre só a tarde.

Além disso, à noite é o melhor horário para visitar outra atração famosa da cidade e que fica logo ali petinho do MIA (dá para ir tranquilamente à pé): o Souq Waqif.

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Souq Waqif

O mercado está construído na antiga área onde os beduínos faziam troca de mercadorias. Embora tenha a arquitetura tradicional, as construções são novas e não datam daquela época.

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Souq Waqif

Lá é possível encontrar de tudo um pouco. A parte que eu mais gostei foi a de especiarias. Outra parte famosa do mercado é a de pássaros, onde é possível encontrar as mais diversas aves, muitas delas com as penas pintadas para chamar mais atenção. Eu só passei na frente, mas não parei e nem tirei foto de nenhuma ave específica porque, particularmente, não sou muio fã desse tipo de comércio.

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Comércio de aves no Souq Waqif

Perto do Souq Waqif fica o Falcon Souq, especializado no comércio dessas aves e de objetos relacionados a essa atividade tão popular no Oriente Médio. O falcão é o animal de estimação preferido dos milionários da região e geralmente são adestrados para caça. As aves são caríssimas e no local há até um hospital especializado no tratamento do animal. Embora entenda que seja uma atividade cultural muito forte na região, confesso que também não consegui ficar muito por ali, vendo os falcões acorrentados e vendados.

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Falcon Souq

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Tinha lido em muitos lugares que não é recomendado mulheres andarem sozinhas no Souq, mas eu me senti bem segura. Em todo o perímetro do Souq encontrei a polícia turística, vestida com roupinhas tipo Indiana Jones rs! Além disso, visitei o Souq em uma sexta-feira, dia em que muitas famílias vão para o local.

Se essa for sua primeira visita ao Oriente Médio, você vai se impressionar com os homens usando a roupa típica (túnica branca e turbante) e com as mulheres cobertas de preto da cabeça aos pés (o que nós chamamos de burqa, mas na verdade é niqab ou abaya). A minha impressão foi que Doha ainda é um pouco mais “tradicional” que Dubai e vi muito mais gente vestida dessa maneira.

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Eu estava cansada do voo e estava sozinha, mas em outras condições teria aproveitado para jantar em alguns dos muitos restaurantes do mercado que colocam mesas na varanda, para ficar observando o vai e vem.

O dia seguinte eu tinha separado para conhecer o Katara Cultural Village. O lugar é um complexo com restaurantes, cafés, mesquitas, lojas, exposições e até uma praia. Apesar de todas as opções de entretenimento que o local oferece, o que me interessava mesmo era conhecer as duas mesquitas do complexo: a Katara Masjid e a Golden Masjid.

Peguei um taxi azul com taxímetro para dar uma volta comigo pela The Pearl e depois ele me deixaria no Katara.

A The Pearl é uma ilha artificial em formato de pérola, como o nome diz. Ali estão residências, marinas, shoppings, restaurantes e muito mais. O formato de pérola só dá pra ser notado do alto, mas o lugar é muito bonitinho para visitar.

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The Pearl – com chuva

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The Pearl

Acontece que naquela manhã começou a chover muito forte (sim, eu dei o azar de pegar chuva em Doha, em pleno deserto rs!). Numa certa hora, o céu ficou cinza e nem dava mais para descer do táxi para conhecer as outras atrações da ilha.

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Nem preciso falar que miou a visita a The Peark e também a visita ao Katara, né?

Para não ficar sem fazer nada, fui até o Villagio Mall. Muita gente o coloca como uma das principais atrações da cidade, mas ele não estava nem no meu roteiro. O shopping tem alguns canais artificiais em seu interior, onde é possível fazer até passeios de gôndola, além de um teto com pintura que simula céu aberto.

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Villagio Mall

Fui mais pela chuva, porque, sinceramente, não achei que a visita vale a pena. O shopping fica bem longe de onde ficam os demais pontos turísticos, é pequeno e nem é tão bonito assim. Se você estiver esperando algo como o Venetian, de Las Vegas, ele perde feio.

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Villagio Mall

Por fim, eu não fiz porque já tinha feito em Dubai, mas caso você não tenha feito nada parecido antes, um ótimo programa para ser feito desde Doha são os passeios pelo deserto. São várias as opções: meio dia, dia inteiro, jantar. No tripadvisor há várias sugestões de empresa.

Doha na prática

Como eu estaria sozinha num país muçulmano que ainda não conhecia, preferi não arriscar e optei por um hotel de rede internacional. Fiquei no Meliá Doha, que segue o excelente padrão dos demais hotéis da rede e fica em West Bay. A maioria dos hotéis internacionais fica por lá, mas, se eu voltasse para Doha numa próxima viagem, procuraria algo na altura do MIA e do Souq Waqif.

Para os brasileiros, é necessário visto para conhecer Doha e a forma mais fácil de tirá-lo é pelo seu hotel (veja se o seu oferece esse serviço). Essa foi outra razão pela qual procurei um hotel “confiável”. Você manda seu passaporte e seus dados de cartão (medo) e o hotel faz todo o trâmite para você. O visto chega no seu e-mail e basta imprimi-lo e mostrá-lo na imigração. O Melia cobrou QR300,00 pelo serviço, que funcionou muito bem.

No transporte, não há muito como fugir dos táxis. O metrô está ainda em fase de construção (a primeira parte está com previsão de entrega para a Copa de 2022) e a cidade é inteirinha construída para carros. As distâncias são longas, o sol é forte e em alguns lugares nem calçada existe. Li em vários lugares que o sistema de ônibus também é bem confuso. Ou seja, o taxi é o melhor amigo do turista.

No aeroporto ficam os taxis cadastrados, brancos e azuis. Eles funcionam com taxímetro e são muito bons. Cheque se o seu hotel não oferece transfer incluído na tarifa (muitos tem).

Para andar na cidade, há dois tipos diferentes de táxi. Os táxis azuis são da empresa Karwa e regulamentados pelo governo. Andam com taxímetro, são mais baratos e um pouco mais caídos. Peguei motoristas super bons e motoristas piores, mas todos seguiram o trajeto certinho que eu acompanhava no Google maps.

Uma outra opção são os taxis mais executivos, que eles chamam de limousine, mas que são carros normais. Os carros geralmente são mais novos e o preço é fixo (e varia de acordo com o motorista e com o lugar que você vai).

A maioria dos motoristas é de indianos, então, embora seja difícil engatar uma conversa mais longa em inglês, dificilmente você terá problemas de eles não entenderem para onde você quer ir.

O Uber também funciona em Doha mas, como eu estava sem internet no celular, acabei não usando.

Por fim, é bom dar atenção às roupas, que devem cobrir os joelhos e os ombros, principalmente em lugares religiosos. Isso também vale para o MIA, que, por ter muitas peças de cunho religioso, obriga os visitantes a seguirem essas restrições. Nos hotéis e restaurante internacionais é mais tranquilo, mas quando for sair na rua preste atenção no que está vestindo se não quiser atrair no mínimo olhares curiosos.

 

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