O Principal de Bonito em 4 Dias

Bonito estava na minha lista de viagens há muito tempo, mas é aquele tipo de destino que você não quer tirar férias para conhecer, mas também acha que um feriado será pouco tempo.

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Na estrada

Até que um dia recebi um email desses sites de viagens baratas com um preço muito em conta para um pacote de passagem+hotel. Sempre que vejo essas promoções, fico com o radar ligado. Se os sites estão fazendo promoção, é porque provavelmente as passagens estão em conta.

Dito e feito. Uma pesquisa no skyscanner e vi que o voo de ida e volta de SP para Campo Grande estava por R$227,00. Se 4 dias não eram suficientes para conhecer todas as atrações de Bonito, era melhor do que ficar postergando o destino eternamente.

Hotel

O próximo passo foi reservar o hotel. Ficamos no CLH Hotel, que não tem nada de luxo, mas tem um custo x benefício excelente e uma localização também ótima, bem no meio do centrinho, perto de todos os restaurantes da rua principal para sair jantar à pé.

A rua principal de Bonito é a Cel Pilad Rebua e a parte mais agitada fica nos quarteirões perto da praça, que está entre a rua principal e a Rua Quinze de Novembro. Qualquer hotel nessa região terá uma boa localização.

Alugar ou Não Alugar Carro

De Campo Grande até a cidade de Bonito são cerca de 300Kms, por uma estrada reta e bem conservada, embora seja 100% do tempo de apenas uma faixa, com caminhões no caminho. Outra informação a se levar em consideração é que os passeios são realizados em fazendas nos arredores da cidade de Bonito, entre 20 e 40kms de distância, então você precisará de um meio de transporte até eles.

Assim,  caso você não se importe de dirigir, a melhor opção é alugar um carro. Lembro que dei uma olhada nos preços dos transfers e só o valor para 1 pessoa de ida e volta aeroporto/bonito já sairia quase o preço total que pagamos pelo carro para os 4 dias. Além disso, você fica com ele para os passeios e não depende daquelas vans que vão passando de hotel em hotel para buscar/deixar outras pessoas.

Nosso Roteiro e os Passeios

Desenrolada a parte mais burocrática, foi hora de escolher nossos passeios. Teríamos 2 dias e meio livres na cidade, então dei uma boa pesquisada para otimizar ao máximo nosso tempo fazendo os principais. Nosso roteiro ficou assim:

Dia 1 – Dia inteiro de deslocamento SP/Campo Grande/Bonito.

Dia 2 – Abismo Anhumas

Dia 3 – Gruta do Lago Azul (manhã) e flutuação no Rio da Prata (tarde)

Dia 4 – Flutuação no Aquário Natural (manhã). Tarde e noite para volta a SP.

Abismo Anhumas

O Abismo Anhumas foi o passeio que mais gostei de todos, mas ele não é tão fácil assim de ser realizado. Como o próprio nome diz, o passeio começa em um buraco no meio do mato. 72 metros abaixo da superfície está uma caverna com um lago de águas cristalinas. Para chegar até lá não há outro jeito: é preciso descer os 72 metros de rapel. A descida é bem tranquila, o pessoal do local coloca todo o equipamento de segurança em você e seu único trabalho é ir apertando uma manivela para descer.

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Início do rapel. A descida é pelo buraco pequeno que está logo atrás da gente.

A dificuldade é depois para voltar. Agora os 72 metros são para cima, por meio do que eles chama de ascensão em corda. Há um treinamento no dia anterior que é obrigatório para quem deseja realizar o passeio. Ali eles verificam se você tem condições de fazer todo o trabalho na corda e explicam direitinho as técnicas. Basicamente, você fica preso por três pontos: uma alça nos pés, uma espécie de cadeirinha de cordas no quadril e um fecho no peito. Para subir, o truque é colocar o máximo de força nas pernas e tentar não sobrecarregar os braços. É cansativo (a subida leva mais ou menos 30 minutos), mas eu não achei muito difícil. Se você tiver medo de altura as coisas podem ficar um pouco mais complicadas rs!

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Por aqui se sobe e por aqui se desce! Dá pra ver as pessoas pequenininhas penduradas na corda?

Mas todo o esforço é compensado pela beleza do lugar. A caverna é inteira preenchida pelo lago formado por águas de lençol freático, que variam de tonalidade entre o azul e o verde. O sol entrando pelo buraco de abertura e iluminando a água deixa tudo ainda mais lindo.

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Interior do abismo

Lá embaixo, eles montam um deck flutuante para servir de apoio. A primeira atividade é a flutuação no próprio lago, que tem uma temperatura média de 18C. Eles fornecem roupas de neoprene, máscaras e snorkel. Embora o lago não tenha quase nada de vida (só é possível ver pequenos lambaris), o bacana da flutuação é ver as estruturas de calcário do fundo do lago. Os cones chegam a 20 metros de altura e, como a água é transparente, dá para ver tudo lá embaixo.

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Depois de voltar para o deck e colocar uma roupa seca, você vai fazer um passeio de bote pelo lago, com um guia que vai mostrando todas as formações geológicas de milhares de anos e dando algumas explicações. São muitas estalactites, estalagmites e várias outras coisas para te lembrar das aulas de geografia do colégio.

O passeio no Abismo Anhumas tem dois horários, 07:00 e 08:00. Quando o dia está muito cheio, às vezes eles abrem um horário extra do meio dia. Como nós fomos um dos últimos a fazer o treinamento no dia anterior ao do nosso passeio (porque chegamos tarde de São Paulo), eles abriam esse horário pra gente e fomos apenas em 2. Foi ótimo, porque a hora que descemos o pessoal das 07:00 e das 08:00 já estava começando a subir de volta, então fizemos a flutuação e o passeio de bote sozinhos. Tente ver essa possibilidade quando for fazer o treinamento.

Como o interior da caverna não é muito iluminado, as fotos da GoPro embaixo da água não saíram tão boas. Mais fotos, informações detalhadas sobre como fazer o rapel e a subida da corda e explicações técnicas estão no site oficial.

Gruta do Lago Azul

O passeio é rápido e bem tranquilo. Depois de ouvir algumas explicações de segurança e colocar o capacete obrigatório, caminha-se 300 metros até as escadas que descem até a gruta. Todo o percurso tem corrimão e é fácil de ser percorrido.

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Foto do Iphone e sem retoque

Não é possível nadar no Lago Azul, apenas observar de fora. O lugar é muito lindo, mas eu, sinceramente, achei que o tempo que eles nos deixam ficar lá embaixo observando é muito curto. Como são vários grupos por dia, com saída de meia em meia hora, é o tempo de chegar, bater a foto, olhar um pouquinho e tchau. Se você já foi para a Lagoa Azul da Chapada da Diamantina pode acabar se decepcionando um pouco.

Se conseguir, tente agendar seu passeio para às 08:00. Entre 08:30 e 09:00, o sol bate num pedaço do lago e a água nesse lugar fica de um azul neon bem bonito. Nessa viagem eu realmente não quis ficar carregando muita coisa, então levei só o Iphone e a GoPro para fotos. Como a qualidade de nenhum dos dois é das melhores, infelizmente elas não mostram a beleza do lugar.

Flutuações 

A fama de Bonito no ecoturismo deriva mesmo dos inúmeros passeios de flutuação oferecidos na região: Rio da Prata, Barra do Rio Sucuri, Nascente do Rio Sucuri, Nascente Azul e Aquário Natural.

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Flutuação (ou bom e velho snorkel)

Como nós iriamos conseguir fazer só duas, recorri a dois ótimos posts do VnV (aqui e aqui) para escolher entre as opções. O Rio da Prata é o mais famoso de bonito, o percurso mais longo e com um pouco mais de agitação, então sabia que ele não poderia ficar de fora.

Outra flutuação que é mais tranquila e que muita gente aponta como imperdível é a do Aquário Natural, pela enorme quantidade de peixes. Então não precisou muito para bater o martelo para essas duas.

No final, a variedade de peixes não muda muito de uma flutuação para outra. O que muda é mais o tipo de passeio. Eu achei que foi uma boa combinação fazer o Rio da Prata (com águas mais correntes) e o Aquário Natural (esquema mais tranquilo), porque os dois são diferentes entre si. Fiquei bem satisfeita com essas duas flutuações e não senti falta de fazer mais. Minha impressão é que seria mais do mesmo, mas, é só uma impressão. Não fiz as outras flutuações para saber (e não sou a maior entusiasta de peixes).

A flutuação nada mais é do que o bom e velho snorkel. Eles dão roupas de neoprene e máscaras. Em alguns lugares o uso de colete é obrigatório, em outros não. Não tem segredo: é só virar de bruços, colocar a cabeça na água e deixar o rio te levar.

Rio da Prata

Li em vários lugares que a flutuação no Rio da Prata era a mais difícil, por causa da correnteza e da existência de pedras e troncos pelo percurso. Eu estava até um pouco apreensiva, porque meu pai é de Brotas e cresci fazendo a descida do Rio Jacaré, que em algumas partes é bem rápido e chega a dar medo.

O Rio da Prata não chega nem perto disso. Minha opinião pessoal: eu achei muito tranquilo (e olha que estou longe de ser uma nadadora exímia)! Não me senti tensa em nenhum momento e foi uma delícia descer o rio boiando sem ter que fazer o mínimo esforço, só deixando a correnteza levar.

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Rio da Prata

Há sim alguns troncos no caminho, mas a velocidade da correnteza é baixa, dá tempo de desviar. Além disso, a água é tão transparente, mas tão transparente, que você enxerga o que está vindo com muita antecedência.

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Início da flutuação. Da GoPro e sem filtro. O azul é assim mesmo!

A cor do rio de dentro da água é surreal! Um azul lindo, que não parece de verdade. As vagas no Rio da Prata são bem concorridas, então vale a pena reservar com antecedência.

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O passeio do Rio da Prata também pode ser combinado com almoço. Apesar de ser um pouco caro (cerca de 40 reais por pessoa), eu achei que o almoço vale a pena, porque, além de ter sido a melhor comida que comemos (feita no forno à lenha), o lugar é muito gostoso. Depois do almoço você pode ficar nas redes, vendo a natureza e escutando o barulho dos pássaros.

Aquário Natural

Eu amei pela enorme quantidade de peixes e principalmente pelo fato de eles não se assustarem com a presença dos humanos. Eles ficam bem perto e bem tranquilos.

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Os peixes fazem photobomb mesmo!

Gostei muito do início do passeio, quando ficamos numa espécie de piscina com tantos peixes que o nome do lugar não podia ser outro mesmo. A impressão é de ter mergulhado em um aquário.

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Piscina natural no início da flutuação

A hora em que entramos no curso do rio, claro que achei uma delícia e lindo também, mas pode ser um pouquinho entendiante. O curso das águas é muito lento e a profundidade é muito baixa, com muita vegetação no fundo do rio.

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Aquário natural

Principalmente nessa flutuação do Aquário Natural, pelas águas serem muito rasas, vale a pena tentar pegar o primeiro horário. Ninguém terá passado antes de você e a água estará bem mais transparente com menos areia levantada do fundo. O uso de colete é obrigatório, não pelo perigo, mas por te forçar a boiar.

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No final da flutuação ainda há a opção de fazer uma tirolesa bem curta pra cair nas águas do rio.

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Quem vê por fora não imagina que vai ser tão transparente por dentro. 

Circuito Fora dos Passeios

O centrinho da Cidade de Bonito é bem cuidadinho e cheio de restaurantes, sorveterias e lojinhas para  servir os turistas que ficam por lá no final do dia e à noite.

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Praça da cidade

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Centrinho no entardecer

Estava com expectativa altíssima para o que eu achei que seriam comidas deliciosas de fazenda (tipo a do almoço do Rio da Prata), mas Bonito não foi a cidade que comemos melhor em viagens.

Vale a pena conhecer o restaurante Casa do João. Nem tanto pela comida, mas por ser o restaurante mais famoso da cidade, com um ambiente muito gostoso. Ali também há uma lojinha, para quem quer levar algum souvenir.

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Outra tradição de bonito é o sorvete assado. A sorveteria mais famosa é a Delícias do Cerrado, mas estava reformando quando fomos. Outra opção é o Palácio dos Sorvetes. Mais gostoso do que o famoso sorvete assado, é experimentar os sorvetes de massa de sabores regionais.

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O famoso sorvete assado

E pra fechar o turismo gastronômico, a lanchonete Vício da Gula tem os bombons de jaracatiá, fruta típica da região, além de outros doces regionais. Tem também o x-jacaré, para quem quiser provar esse tipo de carne.

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