A região de Inle Lake

O Inle Lake é um lago na região Shan de Myanmar, com 116 km² de área e paisagens montanhosas ao seu redor.

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O turismo por lá é feito totalmente por meio de passeios de barco. As paisagens ao longo do passeio são lindas, mas Inle entrou no radar dos turistas por outra peculiaridade: a forma tradicional de pesca da população local. As fotos dos pescadores em pé no barco com a rede de pesca em seus pés já estamparam capas e capas de revista.

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Para ficar com as suas mãos livres, os pescadores desenvolveram uma técnica de remar e jogar suas redes com os pés. Eles vão da frente do barco, olhando com cuidado a água para ver se acham bolhas – o que mostra a existências de peixes no local. Quando encontram, jogam suas redes na água e enfiam pelo meio uma espécie de lança, não para machucar os peixes, mas para assustá-los.

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Um deles espantando os peixes

Os peixes, então, tentam fugir para fora da estrutura de madeira, ficando presos na parede das redes. Aí é só soltar a rede da estrutura de madeira e puxá-la para cima, já com os peixes no seu interior.

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Para a nossa decepção, chegando no lago acabamos percebendo que, atualmente,  essa rede tradicional com estrutura de madeira é utilizada por pouquíssimos pescadores, que tiram mais seu sustento fazendo pose para fotografias de turistas do que pela pescaria em si.

Mas o estilo de pesca continua o mesmo e vimos muitas e muitas pessoas remando com os pés nos barcos , embora os pescadores mais “modernos” usem redes moles e roupas mais atuais.

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Pescadores atuais. O método é o mesmo, mas as roupas, quanta diferença!

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Só que Inle não vive apenas de pescaria. Ao longo do lago há mais de 150 vilarejos, a grande maioria deles flutuantes, com casas e comércio construídos em palafitas sobre a água. O lago é uma verdadeira cidade. As vielas formadas pelo lago e que levam para suas diferentes direções possuem até placas de trânsito indicando o caminho de cada vila.

Apesar de ser mais ou menos a mesma ideia da aldeia flutuante de Siem Reap, as vilas do Inle são bem mais estruturadas, com casarões de até dois andares, restaurantes, escolas, fábricas e, lógico, muitas pagodas.

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Restaurante de 2 andares com um barco de monges à sua frente

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A vida por ali é tão estruturada que há até plantações flutuantes. Vimos muitas plantações de tomate. Os agricultores montam uma espécie de ilha flutuante com vegetação de boia, colocam terra sobre tudo e plantam as sementes. Caso queira deslocar sua plantação, basta retirar as estacas que prendem suas bordas ao fundo do lago e ir puxando. Prático, né?

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A primeira vila que visitamos logo no nosso dia de chegada foi a de Indaing, que fica à margem do lago. Ali ficava a pagoda Shwe Inn Thein, que tem uma espécie de quintal cheio de stupas do século 17 e 18, a maioria delas renovadas.

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Pagodas da Shwe Inn Thein

Mas o mais legal dessa pagoda é seus arredores. Ali estão pagodas em ruínas dos séculos 14 ao 18, numa área que era antes habitada pelo povo Cham. O rei Cham que invadiu Ayuthaiya, antiga capital da Tailândia, para celebrar a vitória mandou construir no local um templo e várias pagodas), com estátuas e arquitetos trazidos da Tailândia.

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As pagodas originais somavam um total de 3mil, mas muitas foram destruídas e a maioria que restou está em ruínas.

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Eu, particularmente, gosto bastante de monumentos não restaurados, de pensar que estou vendo exatamente o que foi construído há séculos atrás e de ver a natureza tomando de volta o lugar que lhe pertencia.

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No dia seguinte acordamos cedo para visitar o mercado rotativo. Inle possui também um mercado rotativo de 5 dias por semana. A cada dia ele está em uma vila diferente, retornando ao mesmo local após 5 dias.

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Mercado rotativo

De longe, foi o mercado mais interessante que visitamos. A população local resolve a vida nesse mercado, que vende de tudo e mais um pouco.

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Jeito tradicional para pesagem dos produtos

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Snacks populares feitos de arroz

Tem peixe, frango, verduras e até formigas, tudo vendido ali, a céu aberto. Uma das coisas que mais me impressionou foi que o mercado não tem cheiros fortes e a ausência de moscas.

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A mãe, o bebê e os frangos destrinchados

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Peixes cortados na hora

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E formigas sendo vendidas com os outros temperos

Muitos vendedores são da etnia Pa’O, a segunda maior população de Myanmar, facilmente identificados pela sua vestimenta. A roupa tradicional das mulheres Pa’o consiste em um look todo preto, com turbantes coloridos na cabeça. Segundo a lenda, esse povo é descendente de um xaman e de uma fêmea de dragão. O turbante colorido representa a cabeça do dragão e suas origens.

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Melhores da etnia Pa’O

Para nossa sorte, no dia da nossa visita o mercado estava na mesma vila em que fica a Pagoda Phaung Daw, considerada a mais famosa do lago. Em seu interior estão 3 estátuas de Buda, que sobreviveram a alguns ataques na região e hoje em dia são consideradas sagradas.

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Phaung Daw Pagoda vista de longe

O costume da população local é colar folhas de ouro em seus objetos sagrados e já foram coladas tantas folhas nessas estatuazinhas que elas já estão praticamente em forma de bola rs!

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As estátuas que eram Budas

A semelhança do que acontece com a Kyaiktiyo Pagoda (que eu queria muito visitar, mas não coube no roteiro), apenas homens podem se aproximar para colar as folhas. A presença de mulheres no interior do “altar” é proibida.

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Ali também fica o barco todo decorado que sai em procissão pelo lago com as 3 estátuas sagradas num festival anual que acontece na região.

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Depois do almoço não tivemos muito como fugir do tour das fábricas. Os passeios de barco são todos meio pré-programados e, fora isso, eles não tem muito mais o que mostrar nas vilas. Visitamos uma fábrica de seda, uma fábrica de barcos, de facas, de prata e de cigarros.

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Cigarros sendo feitos à mão

Apesar de parecer bastante aquela típica pegadinha de turista (veja como fazemos e depois visite a nossa loja para comprar alguma coisa), as fábricas de Inle Lake são tão simples que em nenhum momento sentimos que estavam tentando nos pressionar para comprar algo. Além disso, é bacana para ver como o comércio de bens na região ainda depende tanto da manufatura.

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Cada vila é especializada na manufatura de algum produto

Foi em uma dessas lojas que encontramos algumas mulheres Kayan, conhecida por alongar os pescoços com muitas argolas. Embora o grupo etnico tenha se popularizado entre os turistas na Tailândia, sua vila de origem fica no estado Shan, em Myanmar, o mesmo de Inle Lake.

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Mulher kayan

Quando fui para a Tailândia, optei por não ir até a vila das mulheres pescoçudas, porque me incomoda um pouco esse tipo de turismo em que pessoas são expostas. Mas, dessa vez, tendo encontrado um grupinho dessas mulheres em suas atividades cotidianas (elas trabalham fazendo tecido nessa loja que visitamos), não resisti às fotos.

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Nosso dia terminou no Nga Phe Kyaung Monastery, um monastério flutuante e bem bonito, todo construído em madeira. As estátuas de Buda do seu interior possuem mais de 200 anos.

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Interior do Nga Phe Kyaung Monastery

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Como chegar e onde se hospedar

Nós nos hospedamos na própria cidade de Nyaunshwe, que fica à beira do Inle. Embora alguns hotéis fiquem no próprio lago, caso opte por esse tipo de hospedagem você ficará bem isolado após o fim do seu passeio de barco. Já a cidade de Nyaunshwe  é até que agitada, com várias lojas de ruas, opções de restaurantes e hotéis. Nós ficamos no Cassiopeia, bem simples, mas suficiente para o tempo que passávamos por lá.

Para chegar até lá é possível ir de avião até Heho (há voos desde Yangon, Bagan e Mandalay), aeroporto a cerca de 46kms de Nyaungshwe. Dessas 3 cidades também saem ônibus, que já descem direto em Nyaungshwe.

Veja também:

Myanmar na Prática e Visão Geral do País

Bagan – O Jardim de Templos de Myanmar

Yangon – introdução a Myanmar

A região de Inle Lake

 

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3 thoughts on “A região de Inle Lake

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