Yangon – introdução a Myanmar

Apesar de não ser a capital, Yangon é a cidade mais importante de Myanmar e principal porta de entrada no país. Assim, muita gente acaba passando pelo menos um dia por lá, o que, na minha opinião, é bem suficiente para conhecer as principais atrações turísticas da cidade.

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Yangon vista do quarto do hotel

Nós fizemos Yangon com um guia e carro privados, o que, no final, acabou sendo uma ótima opção. Logo que chegamos na cidade, descobrimos que o transporte público na cidade é uma loucura. Os ônibus não possuem horário nem itinerário fixo! As pessoas vão para o ponto e ficam ali esperando. Os ônibus vão passando e falando qual rota vão seguir naquele dia.

Assim, se você for turista e estiver sem um guia/carro para você, a melhor forma de locomoção é mesmo táxi. Prepare-se  também para o trânsito da cidade, que é uma loucura. Vale a pena pegar um mapa de manhã, dar uma olhada na localização do que você quer visitar e montar um roteiro de acordo com as proximidades, para (tentar) não perder tanto tempo no deslocamento.

*obs Débora: outra opção é pegar taxi: achei o preço bem barato! saímos sempre com um cartão do hotel para não ter erro de o taxista não entender onde estávamos hospedados.

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Nós conhecemos várias coisas em Yangon, mas, sinceramente, na minha opinião, a única que eu realmente gostei foi a Shwedagon Pagoda, então começo por ela.

Por mais que eu não tenha gostado tanto assim da cidade no geral, é em Yangon que fica uma das atrações que eu mais gostei de visitar em Myanmar inteiro: a Shwedagon Pagoda.

A pagoda é um dos lugares mais sagrados para o budismo e diz a lenda que dentro da stupa principal estão enterrados 8 fios de cabelo de Gautama Buddha, além de relíquias dos outros 3 budas anteriores.

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Uma das entradas da Shwedagon Pagoda

Um dos templos budistas mais lindos que eu já vi na minha vida, a Shwedagon Pagoda tem 4 entradas diferentes, todas levando ao terraço principal, que é enorme e com decoração impressionante. As 4 estupas maiores marcam os pontos cardinais, 4 médias marcam as esquinas e outras 60 menores decoram o local.

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Stupa principal e as diversas stupas subjacentes – a fot não mostra a enorme quantidade

Essas estupas centrais estão em uma base octagonal e em cada canto há um buda, representando o dia da semana. Embora a semana em Myanmar também tenha apenas 7 dias, a quarta feira é dividida entre manhã/tarde e há um buda para cada período. Explico.

Em Myanmar, o dia da semana em que você nasceu é muito importante. Segundo a crença local, pessoas nascidas no mesmo dia da semana possuem um conjunto de características de personalidade similares, em uma coisa parecida com o nosso horóscopo (aliás, cada dia da semana é regido por um planeta).

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Banhando o buda do meu nascimento: sábado é o mais concorrido

Cada dia da semana também corresponde a alguma(s) letra(s). O alfabeto birmanês é silabário, ou seja, cada letra representa uma sílaba. Se você nasceu no sábado, como eu, seu nome poderá começar em “ta”, “hta”, “da” ou “na”. A coisa é levada tão a sério pela população que em Myanmar não há sequer nomes (sobrenomes) de família, mas só pela primeira sílaba do nome da pessoa eles já podem dizer em que dia da semana ela nasceu.

A tradição manda que você visite o Buda correspondente ao seu dia da semana e o lave. Pode ser 8 vezes ou pode ser a quantidade de vezes correspondente à sua idade. Se você nasceu num sábado, prepare-se para filas. Sábado é o dia regido por Saturno. Eu não entendo muito de astrologia, mas parece que Saturno é um mês meio do mal. Então, se os birmaneses estão com algum problema na vida deles, eles também regam o Buda do sábado, como forma de acalmar o planeta e solucionar seu problema.

Além das stupas do centro, todos os portões e construções ao redor são muito lindos. O lugar é enorme e de uma arquitetura incrível, as fotos não conseguem traduzir o conjunto da obra inteira.

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Outras construções da pagoda

Separe o final da tarde para visitar a Shwedagon Pagoda, assim você pode vê-la dourada com o sol do final do dia e ficar por lá esperando o sol se pôr. Durante a noite ela fica ainda mais linda (se é que isso é possível) iluminada.

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Estupa central no cair da noite

Ainda falando sobre a Shwedagon, o Kandawgyi (Royal) Lake tem uma visão panorâmica bem legal da pagoda.

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Lago Kandawgyi e Shwedagon ao fundo

E, como ela é mesmo a atração principal da cidade, aí vai mais uma dica. O Vista Bar é instalado no rooftop de um prédio, tem um clima legal durante a noite e oferece a Shwedagon Pagoda iluminada como pano de fundo para seus drinks.

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Vista bar

Outra pagoda que visitamos foi a Botathaung Pagoda. Sua principal atração sãos os corredores revestidos de folhas de ouro, que levam até uma espécie de urna – que também acredita-se conter fios de cabelo do Buda.

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Corredores folhados a ouro da Botathaung Paya

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Relíquias na Botathaung Paya

Passamos também pela Chaukhtatgyi Paya, que contém o Buda reclinado de Yangon. Sinceramente, não achei nada demais, mas é interessante ver o orgulho que a população local tem da estátua.

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Chaukhtatgyi Paya

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Chaukhtatgyi Paya

Para finalizar, fizemos uma caminhada à pé pelo centro histórico de Yangon, que ainda tem vários prédios (pouco conservados) construídos na época e no estilo da colonização britânica. Começamos nosso tour na frente do prédio da prefeitura, que mistura o estilo birmanês com o estilo colonial.

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Prédio do city hall

Logo à esquerda de quem olha para a prefeitura, está a Sule Paya. Só num país em que sobram pagodas uma stupa seria o centro de uma das principais rotatórias da cidade rs!

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É uma pagoda ou uma rotatória? Sule Paya.

Passamos por vários prédios históricos, uns em melhor, outros em pior estado de conservação. O que achei mais legal, no entanto, foi andar à pé pelo centro e observar os hábitos da população local. As ruas são cheias de comida de rua.

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Comidas de rua no centro de Myanmar. O pato inteiro está em todos os lugares.

A maioria das barraquinhas é de teahouses – o chá da tarde em Myanmar dura a tarde toda e é um hábito bem difundido entre a população. Duas coisas chamam bastante a atenção: as mesas e bancos baixos e o fato dos fregueses chamarem os garçons mandando beijinhos!

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Teahouses em Yangon. Reparem no tamanho das cadeiras e mesas.

Nosso tour terminou no Strand Hotel, construído em 1901 pelos mesmos donos do Raffles Hotel em Singapura (outro clássico da colonização britânica). Mesmo que não esteja hospedado lá, vale a pena entrar para tomar um drink no bar, que recria a atmosfera original do hotel.

Outro lugar que visitamos na cidade foi o Mercado Bogyoke. Embora ele seja menos autêntico que os mercados que vimos posteriormente em Bagan e Inle Lake, foi bom para nos dar uma introdução ao artesanato local.

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Um dos muitos monges que vimos na viagem.

Aliás, se pudesse dar um conselho, seria visitar Yangon logo que chegasse em Myanmar – e não deixar para antes de ir embora. Se deixar seu turismo na cidade para depois de conhecer outras regiões do país, pode ser que ache as coisas meio sem graça!

Veja também:

Myanmar na Prática e Visão Geral do País

Bagan – O Jardim de Templos de Myanmar

Yangon – introdução a Myanmar

A região de Inle Lake

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3 thoughts on “Yangon – introdução a Myanmar

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