Myanmar na Prática e Visão Geral do País

Uma historinha bem rápida: o Myanmar era o antigo Reino de Pagan, império budista que foi responsável pela construção dos milhares (literalmente!) de templos na cidade de Bagan, que atualmente enlouquecem os turistas.  Ali também viveu o povo Shan, aquele que invadiu o Reino do Sião (antiga Tailândia) e destruiu a capital Ayuthaya.

Posteriormente, o país foi colonizado pelos britânicos (época em que se chamava Birmânia) e diversos edifícios da época da colonização ainda podem ser vistos no centro histórico de Yangon. Em 1948, o país tornou-se uma republica independente e logo em 1962 foi instalado um regime ditatorial militar que manteve o país fechado até o ano 2010, quando tiveram lugar as eleições democráticas.

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Talvez em razão do país ter sido aberto ao turismo há não tanto tempo, ainda não é tão fácil planejar a sua viagem inteira pela internet de forma independente, embora não seja impossível.

Por outro lado, é exatamente o fato de ter ficado fechado por tanto tempo que torna o país tão especial de ser visitado, com seus costumes e cultura ainda bem preservados. 

Para Chegar Em Myanmar

Apesar de parecer muito longe, é possível chegar em Myanmar com apenas dois voos desde o Brasil, com a Emirates e/ou a Qatar. Entretanto, pegar Myanmar como destino final nessas companhias aéreas faz fácil o preço da sua passagem (na econômica) subir para a casa dos 6mil reais.

Uma opção mais em conta é pegar sua passagem do Brasil para Bangkok, para onde sempre saem promoções de passagens com preço bem conta. De Bangkok para Yangon, há várias opções de voos de Air Asia, low cost asiática. Aliás, o país é uma excelente dobradinha com a Tailândia, embora seja pouco incluído pelos turistas numa primeira visita ao sudeste asiático.

Se optar por pegar o vôo via Bangkok, só fique esperto no tempo entre o seu horário de chegada em Bangkok e o horário do voo de saída. Você provavelmente chegará em Bangkok pelo aeroporto BKK e os voos da Air Asia saem de outro aeroporto, o DMK. O tempo de deslocamento entre eles é de 1h/1:30h, mas pode variar bastante de acordo com o trânsito da cidade (que não é pouco). É possível pegar um ônibus de shuttle grátis entre os dois aeroportos, basta seguir as placas de “shuttle” (é bem sinalizado nos dois aeroportos) e apresentar sua passagem para o próximo voo.

Vale lembrar que você terá que fazer imigração na Tâilandia, passar pelo health control, pegar malas etc, então leve tudo isso em consideração na hora de coordenar os horários dos voos (caso você não vá parar em Bangkok por uns dias antes).

Como se Deslocar Internamente

O principal empecilho para o turismo independente no país são os voos internos. As companhias aéreas de Myanmar ainda não fazem vendas online em seus websites.

É possível driblar esse problema fazendo os trajetos de ônibus. O ônibus entre Yangon e Bagan, por exemplo, é noturno e relativamente confortável. Duas amigas minhas utilizaram e falaram que os bancos reclinam e que eles fornecem cobertores. É possível comprar o ticket na hora na rodoviária, mas, se puder garanti-lo com um dia de antecedência, melhor. Mais informações nesse site.

*obs Débora: eu comprei o ticket do ônibus neste site http://www.myanmarbusticket.com/ com a empresa “JJ” (pelo que havia lido, achei a mais confiável). Comprei tickets para a primeira classe com cerca de um mês de antecedência. Uns dias antes, eles te mandam o email com a confirmação (se não mandarem, é só mandar um email cobrando!). A viagem é longa, mas confortável e são feitas duas paradas rápidas para banheiro e alimentação.

Como nós iríamos também para Inle Lake, decidimos fazer os percursos de avião mesmo e achamos mais fácil apelar para uma agência. Optamos pelo meio termo: reservamos as passagens de borda e hotéis por conta própria e usamos a Diethelm (empresa que sempre uso na Ásia) para pegar os guias e as passagens internas.

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E esse cartão de embarque preenchido à mão?

Todos os nossos voos foram feitos pela Yangon Air. Os aviões eram bem velhinhos, mas – segundo quem entende um pouco – de uma fabricante francesa confiável.

Caso queira fazer por conta própria, eles possuem um website e um esquema de reserva por e-mail. Também li nesse post da Drieverywhere que ela fez as reservas por e-mail e usou a empresa Air KBZ.

O esquema todo dos aeroportos ainda é um pouco precário: os bilhetes são distribuídos sem nome ou com o nome preenchido à mão, o esquema de embarque é feito por adesivos com cores que eles colam em vocês, a entrega das bagagens é totalmente manual etc. O lado bom é que são poucos voos por dia, então não há tanta muvuca e os voos saem relativamente no horário.

Fique atento caso compre os voos por conta própria porque é sempre necessário reconfirmar sua passagem no dia anterior ao do voo.

Visto*

Brasileiros (e várias outras nacionalidades) precisam de visto para entrar em Myanmar. Entretanto, é possível obter online um e-visa, que é uma espécie de carta de pré-aprovação para retirada do visto na chegada ao país.

O procedimento é bem simples. Basta entrar nesse site, clicar em “apply your evisa now”, preencher os dados solicitados e fazer upload de uma foto.

Logo após tem início o procedimento de pagamento da taxa de USD 50 (desbloqueie os pop-ups!). Apesar do site falar que aceita Visa, Master e Amex, todas as vezes que eu (e os outros 3 amigos que viajaram comigo) tentei pagar com Master, deu erro no pagamento. Foi só mudar para o cartão Visa que deu tudo certo de primeira.

Você vai receber um e-mail com o protocolo do seu pedido e, dentro de 3 dias úteis (os nossos chegaram já no dia seguinte), outro e-mail com a carta de aprovação. Basta imprimir a carta e apresentar na imigração junto com seu passaporte.

Fique atento apenas porque o e-visa vale para uma única entrada no país e ela precisa ser pelos aeroportos de Yangon, Mandalay ou Nay Pyi Taw (não serve para entrada terrestre).

*informações verificadas em novembro/2016

O Que Visitar e Nosso Roteiro

Os locais mais comumente visitados pelos turistas são Yangon, Bagan, Mandalay e Inle Lake. Yangon e Mandalay são cidades grandes e relativamente mais modernizadas, sendo as principais atrações as pagodas budistas.

Bagan é a antiga capital do Império Pagan e a joia do turismo no país, com os mais de 2 mil templos que ainda restam de pé desde os séculos XI a XIII. Já a região do lago Inle tem como atração as paisagens lindas e as comunidades flutuantes, que ainda conservam muitos costumes tradicionais.

Eu só tinha mais dez dias de férias sobrando esse ano e, como os voos de ida e volta ao Brasil tomam um dia inteiro, sobraram apenas 8 líquidos no país. Embora fosse possível cobrir todos os lugares acima citados, achei que acabaríamos ficando pouco tempo em cada um e o roteiro ficaria muito pinga pinga. Conversando com amigos que já haviam visitado o país, optamos por tirar Mandalay do roteiro – mas viagem é uma coisa muito pessoal e cada um decide pelo o que tem mais interesse.

A divisão dos dias ficou da seguinte forma:

Dia 1 – Bangkok/Yangon

Dia 2 – Yangon

Dia 3 – Yangon/Bagan

Dia 4 – Bagan

Dia 5 – Bagan

Dia 6 – Bagan/Inle Lake

Dia 7 – Inle Lake

Dia 8 – Inle Lake/Yangon/Bangkok

Vou fazer posts específicos para cada uma das regiões.

Quando Ir

A temporada não chuvosa no país vai de outubro a abril. Entre os meses de maio e setembro é a época de chuva e vale lembrar que o país está em área de monções, então as chuvas são consideráveis e podem durar o dia inteiro. Caso queira fazer o passeio de balão em Bagan, o que recomendo muito, as empresas só voam entre outubro e março (que, obviamente, é a alta temporada) em decorrência dos ventos.

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Balões em Bagan

Costumes Locais e Vestimentas

O budismo no país é muito forte e, como a maioria do turismo é entrando e saindo de templos, vale a pena respeitar algumas regrinhas para não ofender a população local: sempre tirar seus sapatos ao entrar nos templos, nunca apontar seus pés para o Buda e não tocar a cabeça das pessoas.

Para entrar nos templos, é necessário estar com roupas que ultrapassem o comprimento dos joelhos e cubram seus ombros (para as mulheres, é tranquilo usar regatas e levar uma pashmina para cobrir os ombros).

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Apesar do calor, saias compridas e ombros cobertos.

Você notará que grande parte da população local usa a Thanaka no rosto. A Thanaka   é uma espécie de cosmético bem típico de Myanmar, que pode ser produzida a partir de algumas espécies de árvores. O jeito mais tradicional de obter a Thanaka é esfregar um pedaço de madeira num disco de pedra umedecido com água. Em cima do disco fica uma espécie de pasta amarela, que é o que eles passam no rosto.

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Troncos de Thanaka vendidos no mercado.

É um costume bem difundido pela população, inclusive nas cidades grandes. A Thanaka é usada como filtro solar, hidrante e anti-idade. A pele do povo birmanês é tão linda que nós até trouxemos para cada para experimentar rs!

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Meninas jovens com a Thanaka no rosto

Hoje em dia já é possível achar a Thanaka em diversas outras formas, como cremes prontos, em barras de argila, em pó etc.

Outro costume do povo local é mascar Paan, uma mistura de folhas, nuts e às vezes até tabaco. O pan deixa uma pasta avermelhada nos dentes, que muitas vezes é cuspida no chão. Segundo pesquisas recentes, a prática é cancerígena, mas vimos muitas pessoas mascando, principalmente no interior.

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Dinheiro

O dólar é bastante aceito em hotéis e restaurantes, mas vale a pena trocar uma certa quantia pela moeda local. As melhores cotações que achamos foram nos aeroportos (1 USD equivale a aproximadamente 1300 kyats). Leve notas de USD novas, sem rasgos ou rasuras, eles são muito chatos com isso e realmente não aceitam caso o dinheiro esteja acabadinho.

Antes de decidir quanto de dinheiro levar, cheque se os hotéis escolhidos aceitam cartão de crédito, muitos deles aceitam apenas dinheiro. Também não eram todos os restaurantes que aceitavam cartões. Nas cidades que passamos, não tivemos problemas em achar ATMs para sacar dinheiro.

Veja também:

Myanmar na Prática e Visão Geral do País

Bagan – O Jardim de Templos de Myanmar

Yangon – introdução a Myanmar

A região de Inle Lake

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3 thoughts on “Myanmar na Prática e Visão Geral do País

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