São Luís do Maranhão

São Luís do Maranhão foi fundada por franceses em sua origem, mas é só dar uma volta pelo centrinho histórico que as fachadas de azulejos não deixam dúvidas de que foi mesmo colonizada pelos portugueses. E os casarões históricos são o maior charme da cidade.

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Guaraná Jesus e azulejos: chegamos em São Luís!

O centro histórico de São Luís foi restaurado com o projeto Reviver há alguns anos, mas ultimamente há quem reclame que as fachadas estão precisando de uma nova revigorada. Eu, particularmente, acho que uma casa um pouquinho envelhecida tem seu charme e garante à região seu ar histórico.

Embora o centrinho não seja a região mais segura da cidade e durante a noite muitas de suas ruas fique bem desertas, é por lá que estão as principais atrações turísticas. Como nosso tempo na cidade estava contado (tiramos 1 dia para conhecer São Luís e 1 dia para conhecer Alcântara), a hospedagem no próprio centro histórico foi nossa melhor opção.

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Pelas ruas do centro histórico

Ficamos na Pousada Portas da Amazônia. A pousada é bem charmosa, num casarão antigo restaurado, e os quartos são bons. Entretanto, tivemos vários problemas com a infraestrurura: um dos quartos estava com o ar-condicionado quebrado, outro acabava a água depois de 5 minutos de banho.

Caso opte por ficar no centro histórico, deixo uma informação. Nós viajamos em um grupo de 6 e chegamos em dias diversos em São Luís, todo mundo de madrugada. Para ir do aeroporto até a pousada, pegamos táxi e todos os taxis que pegamos fizeram o maior terrorismo no caminho até a pousada, falando que o centro histórico era muito perigoso, que não poderiam nos deixar na porta da pousada e nos recomendando outra acomodação em outra região da cidade. Meu taxista, por exemplo, falou que eu precisaria andar uns 500 metros até a pousada.

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Era mentira. A rua da nossa pousada era realmente exclusiva para pedestres, mas o taxi me deixou na esquina e bastou uma caminhadinha de 50 metros para estar na porta da pousada. Para me sentir mais segura, liguei para a pousada quando estava chegando e pedi para a pessoa da recepção já me esperar na porta.

Nós não tivemos nenhum problema com segurança e, no final, acabamos desconfiando que os taxistas devem ganhar comissão de algum outro hotel para levar turistas. Mas vale ressaltar – novamente – que algumas ruas do centro ficam bem vazias à noite e é muito importante não dar bobeira.

Enfim. No dia seguinte acordamos bem cedo para turistar e a localização da pousada não podia ser melhor. Fizemos todo o centro histórico à pé.

Para ver o mapa interativo no GMaps, clique aqui.

Começamos nosso dia na Casa da Festa (Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho), um centro cultural dedicado às festas religiosas do Maranhão. Ali você encontra várias informações sobre o tambor-de-mina (um tipo de derivação do candomblé que é típica do Maranhão), além de vestimentas de festas como bumba meu boi, festa do divino etc. Embora o acervo seja pequeno, as visitas (grátis) são guiadas e os monitores geralmente são estudantes de história que dão várias informações interessantes.

Saindo da Casa da Festa, fomos em direção à Rua da Estrela, onde fica a Casa das Tulhas. O lugar é um pequeno mercado com várias bancas vendendo artesanato e produtos típicos nordestinos.

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Exterior da Casa das Tulhas

Dentre eles, o mais típico do Estado do Maranhão é a tiquira, uma aguardente de mandioca de cor roxa. Para os fortes!

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Barracas no interior da Casa das Tulhas

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Tiquiras

A poucos passos da Casa da Tulha já está a Rua Portugal, conhecida por manter as fachadas mais bem conservadas de azulejos. A rua é toda enfeitada com bandeiras e as casas históricas são realmente lindas. Entretanto, nenhuma delas está como nova. Vários sinais de desgaste aqui ou acolá, o que, na minha opinião, não tira o charme do lugar.

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Rua Portugal

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Na própria rua está a Casa de Nhozinho, outro centro cultural voltado à obra de mestre Nhozinho, um conhecido artista popular do estado. As visitas são guiadas e chegamos no horário do almoço dos monitores. Até tentamos fazer a visita por conta própria, mas é necessário que alguém te acompanhe, então desencanamos.

Seguimos a Rua Portugal até o final, para irmos até o porto comprar os tickets do barco para Alcântara, lugar que iriamos conhecer no dia seguinte e que conto nesse post.

A essa hora, tudo já começou a fechar para o almoço e o calor começou a apertar. Fizemos, então, uma parada estratégica para reabastecer as energias. Quase todos os relatos de viagem que li indicavam o Restaurante-Escola do Senac como a melhor opção para almoço no centro histórico. Nós não achamos nada de especial, mas o ar-condicionado e boa estrutura do restaurante foram bem-vindos!

Voltando para o turismo, fomos até o Palácio dos Leões, sede do governo do estado. O exterior do prédio é bem bonito e algumas partes do interior são abertas à visitação (guiada). Vale a pena fazer porque o mobiliário das salas é original e os ambientes possuem algumas peças francesas dos séculos 17-19. É proibido fotografar o interior.

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Palácio dos Leões

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Palácio dos Leões

Ali do lado está a Igreja da Sé, que estava fechada quando tentamos visitar, mas que também não apareceu como must-see em nenhum lugar que tinha lido.

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A cerca de uns 3 quarteirões da Sé está o Teatro Arthur de Azevedo, em estilo neoclássico e rococó, que lembra bastante os teatros municipais de Ouro Preto e de Manaus, embora não seja tão bonito e grande quanto esse último. A visita também é só guiada e passa pelo salão nobre, camarotes e palco.

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Teatro Arthur Azevedo

Do lado do teatro está o Museu Histórico e Artístico do Maranhão, um dos lugares da capital do estado que eu mais gostei de conhecer. É um antigo casarão mantido como era a moradia das casas da elite do século 19. Móveis de diversas casas dessa época foram levados para lá. Infelizmente, não é possível fotografar o interior, mas a visita (guiada) conta muitas curiosidades sobre uma época marcante da história do nosso país. Caso você seja fã de literatura, na biblioteca está o original do livro O Mulato, de Aloísio Azevedo.

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Pátio do casarão – área destinada aos escravos

Muitas dessas atrações fecham domingo e segunda. Para garantir que encontrará tudo funcionando, uma boa estratégia é visitar o centrinho de terça a sexta. Se conseguir programar sua visita numa sexta é melhor ainda, assim você consegue ficar para o happy hour agitado dos barzinhos que colocam suas mesas na rua e para a apresentação de tambor-de-mina que rola na frente da Casa das Tulhas todas as sextas, às 19h.

Como nosso tour pelo centrinho histórico terminou ainda de dia, pegamos um táxi até Igreja dos Remédios, de onde se tem uma vista bem bonita do pôr sol na famosa Ponte José Sarney.

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Igreja dos Remédios

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Pôr-do-sol na Ponte José Sarney

A Ponte José Sarney liga a área do centro histórico à parte onde fica a Lagoa Jansen e a Avenida Litorânea (que abriga as praias mais famosas de São Luís).

Nosso interesse na cidade era mesmo a parte histórica, mas como voltamos cedo de Alcântara no nosso segundo dia, passamos um final de tarde na avenida litorânea. As praias de São Luís costumam estar impróprias para banho e nem nos arriscamos, ficamos só no calcadão da Praia de Calhau. O lugar é gostoso, mas não espere um litoral tão bonito como o de outras capitais nordestinas.

Mesmo que você não pense em conhecer as prais de São Luís, a avenida litorânea ainda merece uma visita (pode ser para o jantar): ali está a segunda unidade (e mais bonitinha) do restaurante Cabana do Sol, o mais famoso de São Luís. A especialidade do lugar é a carne de sol, gigante, deliciosa e com acompanhamentos regionais. A meia porção dá para 2 pessoas tranquilamente.

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Guaraná Jesus no Cabana do Sol

Foi o final perfeito para a nossa passagem por São Luís.

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2 thoughts on “São Luís do Maranhão

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