Visitando Hiroshima e Miyajima

Nós chegamos em Hiroshima vindas de Kuwana por volta das 10 da manhã e partiríamos no dia seguinte cedo para Kyoto, o que significava menos de um dia inteiro da cidade. A princípio, nosso roteiro incluía apenas o Parque da Paz e o Hiroshima Peace Memorial Museum, o que poderia ser feito tranquilamente com esse tempo na cidade.

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Um dos memoriais do Parque da Paz

Mas, como sempre, depois que o roteiro estava montado e que começamos a pesquisar com calma o que fazer na cidade, mais coisas foram adicionadas. No caso, a Ilha de Miyajima, que fica a menos de 1h de Hiroshima e possui um dos toriis mais famosos do Japão.

Como iríamos ficar pouco tempo na cidade e não queríamos perder tempo com deslocamentos até o hotel, escolhemos um bem perto da estação de trem, de onde chegamos, de onde sairíamos e também onde passam os bondes (trams) que levam até o Parque da Paz. Ficamos no Urbain Hiroshima Executive, que não era nada de luxo, mas atendeu super bem ao que precisávamos.  

HIROSHIMA

Chegando na cidade, foi o tempo de deixarmos nossas malas no hotel e já voltamos para a Estação de trem para pegar o bonde que leva ao Parque da Paz. A estação de trem de Hiroshima tem muitos senhores voluntários turismo, que são super atenciosos e te indicam com precisão o lugar do tram e até te acompanham até lá se precisar.

Da estação de trem, basta pegar as linhas 2 ou 6 do tram até o ponto Genbaku-Domu Mae, a cerca de 15 minutos.

Descendo do tram, já se avista o prédio que dá nome à estação: o Genbaku Domu, ou A-Bomb Dome ou Hiroshima Peace Memorial.

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A-Bomb Dome

Em 6 de agosto de 1945 os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima uma bomba atômica deuUrânio, que explodiu na região que é hoje o Parque da Paz, causando destruição direta num raio de 3kms e efeitos colaterais inestimados.

O antigo prédio de promoção da indústria foi um dos únicos prédios a restarem de pé após a explosão da bomba atômica e ver o estado do antes e depois dá uma ideia da força de destruição.

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Antes e depois do prédio

Entretanto, nossa visita ao Parque da Paz foi bem menos pesada do que eu imaginei. O parque de cerca de 120 mil metros quadrados fica onde se localizava o centro a e político da cidade de Hiroshima e, por essa razão, foi o local escolhido como alvo da bomba. Após a explosão, decidiu-se que a área não seria reconstruída, mas destinada à memória das vítimas do incidente trágico.

Apesar de sua destinação, os japoneses conseguiram transformá-lo em um local que lembra a memória da vítimas de uma forma linda: cheio de árvores, caminhos e água.

No parque há vários memoriais diferentes. Os mais famosos são o Memorial da Paz das Crianças e a Chama Eterna.

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Memorial da Paz das Crianças

O memorial das crianças, além da construção em si, abriga diversos boxes com tsurus, enviados por crianças de todo o Japão e também de outras partes do mundo. O origami na forma de um pássaro ficou famoso como símbolo da paz com a história da garotinha Sadako, que foi atingida pela chuva radioativa que caiu sobre Hiroshima após a explosão da bomba. Internada no hospital, Sadako acreditava na lenda japonesa que conta que quem faz mil tsurus de origami tem direito a um desejo atendido pelos deuses. Infelizmente, Sadako conseguiu fazer 646 tsurus de papel. Entretanto, após sua morte, seus amigos completaram os outros 354 e até hoje o origami é símbolo da paz.

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Tsurus no Parque da Paz

Todos os anos, no dia (06/08) em que a bomba foi lançada, ocorrem cerimônias e discursos no parque. No exato horário da explosão (08:15), é respeitado um minuto de silêncio.

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Chama eterna com a A-Bomb Dome ao fundo

A principal construção do parque é o Peace Memorial Museum, composto de dois prédios destinados a contar a história da bomba de Hiroshima.

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Peace Memorial Museum

Pela própria natureza da bomba, não há muita coisa exposta no museu, apenas alguns objetos pessoais que restaram do desastre. O foco é dado na história pessoal das vítimas e por essa razão vale bastante a pena pegar o audio guide.

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Bicicleta infantil e capacete pós explosão

A exposição de fotos e o estado dos objetos que estão ali expostos dá uma noção da força da explosão, embora só quem realmente viveu aquilo possa saber a real dimensão desse episódio tão triste da história da humanidade.

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Marmita de um trabalhador da área e seu conteúdo totalmente queimado pela radição

Um dos fatos mais tristes é que perto do epicentro da bomba muitas crianças estavam trabalhando em áreas de demolição, em grupos mobilizados de estudantes para ajudar na guerra. A grande maioria delas foi afetada na hora pela explosão ou posteriormente pela radiação.

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Roupas de crianças que trabalhavam na área.

Ao todo, a explosão matou entre 90 mil e 166 mil pessoas em Hiroshima. Apenas cerca de metade das mortes ocorreu no primeiro dia. Durante os meses seguintes, várias mortes ocorreram pelos efeitos de queimaduras e da radiação.

A visita ao museu não tem como não ser pesada, mas acho que museus como esses são importantíssimos para a conscientização de novas gerações que vêm por aí.

O foco da nossa visita à Hiroshima era mesmo o Parque da Paz e acabamos nem conhecendo outras áreas da cidade.

**Outras atrações turísticas na cidade são o Museu da Mazda, o Hiroshima Castle e o próprio centro comercial da cidade.

MIYAJIMA

Então voltamos para o ponto de tram de onde tínhamos descido e pegamos a linha 2 até o ponto Miyajima-guchi, de onde partem as balsas para Miyajima. Se você estiver na estação de trem e tiver o JR Railpass, vale mais a pena pegar um trem JR (Sanyo Line) até Miyajimaguchi.

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Linhas do Tram e do JR (Sanyo Line) em cinza

Chegando no terminal de balsas, há duas empresas que operam os ferrys. Nós escolhemos o terminal da JR, pois a viagem é grátis para quem possui o JR Railpass. A viagem até a ilha dura menos de 1h e a paisagem é bem bonita.

Já da balsa se avista o torii gigante que deu fama à ilha e é considerado uma das 3 melhores paisagens do Japão.

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Uma das 3 paisagens mais bonitas do Japão – tenho minhas dúvidas rs!

Descendo da balsa, é só ir seguindo à pé (para a esquerda de quem olha para a água) a avenida à beira da água para chegar até o Itsukushima Shrine, templo onde fica o torii gigante. No caminho você já encontrará muitos bambis que habitam a ilha e estão super acostumados com turistas.

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Lanternas na rua que beira a água

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O Itsukushima Shrine e seu torii são famosos por serem construídos em locais que são inundados durante a maré alta, parecendo que estão flutuando. Durante a nossa visita, apenas o torii estava inundado – os diversos prédios que compõem o complexo do templo estavam no seco.

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Complexo do de prédios do Itsukushima Shrine

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Um pouco mais pra frente do Itsukushima Shrine (cerca de 5 minutos) fica o Templo Daisho-in, construído aos pés do Monte Misen. O lugar parece ser bem bonito, cercado de florestas, mas nós deixamos passar porque, falando a verdade, já estávamos começando a ficar um pouco enjoadas de tantos templos hehe.

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Mapinha de Miyajima do Japan Guide

No caminho de volta do Itsukushima Shrine para as ruas de restaurantes/lojinhas e para a estação dos ferrys, está o Templo Senjokaku (construído em 1587) e decidimos entrar. Não espere muitos detalhes, porque o templo é conhecido exatamente pelo vazio de seu hall e é exatamente isso que deixa sua atmosfera tão agradável. Além disso, a paisagem da sua varanda virada para a água também é bem bonita.

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Vistas do Templo Senjokaku

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Ali do ladinho do templo também está uma pagoda de 5 andares tão bem cuidada que parece um cartão postal.

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Saindo do templo ainda ficamos andando um bom tempo sem rumo pelas ruas de lojas e restaurantes, provamos o waffle típico da ilha e interagimos mais com os bambis.

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As ruas comerciais de Miyajima são cobertas por toldos

Um pouco antes do final da tarde já estávamos de volta à balsa. Apesar de ter sido um dia longo e cheio de atividades, não foi um dia tão corrido e nem tão cansativo. Achei que é tranquilo visitar Hiroshima e Miyajima no mesmo dia, caso seus interesses sejam só os principais pontos turísticos de cada uma das cidades.

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