Ilha do Marajó – Território dos Búfalos

Confesso que se você me perguntasse se eu tinha vontade de conhecer a Ilha do Marajó, a resposta seria sim. Se ela estava no topo da minha lista de viagens? Não. Mas no carnaval desse ano alguns amigos acharam uma passagem por um preço imperdível para Belém e a ilha entrou no nosso roteiro de viagem.

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Como Chegar

Chegar até a Ilha do Marajó ficou bem mais fácil com a inauguração de uma linha de catamarã que sai do Terminal Hidroviário de Belém e chega ao porto de Soure em 2 horas. As passagens podem ser compradas online (não com muita antecedência) por esse site aqui. O barco possui ar condicionado e o valor de cada trecho foi R$60,00. Na nossa ida, o catamarã balançou muito mesmo e bastante gente passou mal, então, caso você tenha tendência a enjoar, vale a pena se prevenir. A volta foi tranquila. Depende muito das condições do dia.

Uma opção mais econômica é a balsa, que sai do Terminal Hidroviário de Belém e chega ao porto de Salvaterra em 3 horas e meia. Caso sua opção de hospedagem seja Soure, você ainda precisará se deslocar para essa cidade. É possível ir de carro (30kms), de balsa (que sai aproximadamente de hora em hora) ou com pequenos barcos chamados de rabeta (que saem o tempo todo). O valor de ticket é de R$20,00 para a parte sem ar e R$35,00 para a parte com ar-condicionado. Arapari Navegação – (91) 3242-1870 e (91) 3242-1570

Obs.: caso você queira fazer o trecho Belém/Marajó de carro, é necessário pegar a balsa que sai do Terminal Hidroviário de Icoaraci (uns 20kms de Belém). O valor é de R$108,00 por carro + R$15,00 por passageiro. Henvil Navegação – (91) 3246-7472

Onde se Hospedar

As duas “principais” cidades da ilha são Salvaterra e Soure. Essa última tem o centrinho comercial mais agitado, com mais opções de restaurantes e hospedagem. A maioria das atrações turísticas também fica mais perto de Soure do que de Salvaterra, então não precisou de muito para decidirmos por Soure.

As pousadas da Ilha do Marajó são ainda bem simples e a estrutura turística do local ainda é bem precária. O Hotel Casarão da Amazônia é considerado o melhor da ilha e nós nos hospedamos por lá.

A estrutura do hotel é boa, com quartos e banheiros ótimos. Não tivemos nenhum problema com bichos ou sujeira, relatos que lemos de outras hospedagens. O preço, entretanto, é um pouco salgado pelo que o hotel oferece, principalmente em termos de serviço. Embora o pessoal do atendimento seja muito simpático, o hotel tem algumas regras meio econômicas demais, como trocar as toalhas só no terceiro dia (eles trocam antes se você pedir) e desligar o ar-condicionado no exato momento que você sai do quarto.

*observação: vale a pena checar se o hotel que você vai ficar aceita cartão. A maioria dos estabelecimentos da ilha aceita apenas dinheiro e é recomendável levar bastante dinheiro em espécie. Há um Banco do Brasil em Soure, mas é bem comum o caixa eletrônico estar quebrado ou sem reservas. 

O Que Fazer

A Ilha do Marajó tem basicamente dois tipos de programas: o turismo de praia ou o turismo de fazendas.

– Praia Joanes

No dia em que chegamos (perto da hora do almoço), deixamos nossas malas no hotel e fomos para a Praia de Joanes, porque tínhamos lido que a praia tinha algumas ruínas de uma igreja jesuíta.

Para chegar até lá desde Soure pegamos um taxi até a rabeta (o sol torna qualquer deslocamento à pé de 1 ou 2kms impossível), a rabeta até Salvaterra e depois um táxi até a Praia de Joanes.

Confesso que todo esse deslocamento não vale taaaanto a pena, considerando que as ruínas resumem-se a uma torre da igreja, que não fica exatamente na praia, mas na pracinha principal.

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Ruína de Joanes

De lá, fomos com o mesmo táxi até a praia e combinamos de ele nos buscar no final da tarde. A Praia de Joanes possui dois restaurantes que espalham suas mesas embaixo das árvores, um pouco para trás da areia.

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A paisagem da praia em si não é nada imperdível, mas uma vantagem dela em relação às demais que visitamos é não precisar andar tanto até chegar na água.

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Praia de Joanes

Ficamos por lá o resto do dia e, no horário combinado, nosso taxista foi nos buscar. Ele ainda deu uma voltinha com a gente em Salvaterra para conhecermos (rola uma certa “rivalidade” entre os moradores de Soure e Salvaterra, cada um valorizando mais sua cidade) e passamos pela Praia Barra Grande de Salvaterra, que muitos locais recomendam, mas que, sinceramente, não achamos nada demais.

– Fazenda São Jerônimo

No dia seguinte já tínhamos deixado agendada nossa visita à Fazenda São Jerônimo, a que oferece o passeio mais completo da ilha. Caso queira fazê-lo (as vagas são limitadas por dia), é possível ligar para o telefone (91) 98227-0682. Outra opção é checar se a fazenda já disponibilizou a agenda de passeios no site (aqui) e mandar um e-mail para fazenda.saojeronimo@hotmail.com para reservar.

Nós optamos pelo Passeio 1, que é dividido em 4 principais partes. O dia começou com um passeio sobre os búfalos, por um caminho de terra de aproximadamente 20 minutos.

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Apesar dos búfalos serem uma coisa super típica da Ilha do Marajó e serem domesticados, nós topamos o passeio porque achamos que eles fossem acostumados tipo cavalos. Uma vez em cima dos búfalos, os funcionários da fazenda te ensinam como controlá-lo e a guia passa por dentro do nariz do animal. Em outras palavras: para você ir para a direita ou para a esquerda, vai precisar puxar o nariz do bichinho (alguns tem até a parte do meio do nariz já arrebentada). Percebi também que o búfalos não estão tão à vontade naquela situação e os funcionários vão atrás dando pequenas batidinhas para eles avançarem. Enfim, EU me senti um pouco desconfortável fazendo e não repetiria a experiência.

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Meu búfalo chamava Joanes e foi pra onde  ele quis, porque não tive coragem de puxar a corda hehehe

Uma dica bem valiosa é ir com muito repelente, porque esse trajeto tem muitos mosquitos e eles atacam bastante. Várias pessoas optam por ir de calça, inclusive para a pele não ficar tão em contato com o couro da cela e a pele do búfalo. Como é muito calor, uma alternativa é levar uma canga para jogar por cima de tudo antes de montar.

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Avançado o caminho com os búfalos, começa a segunda parte do passeio, realizada por cima de passarelas construídas sobre um mangue lindo.

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A trilha sobre as passarelas acaba na praia particular da fazenda e aí começa a 3ª parte do passeio – e a que eu mais gostei. A extensão toda da praia é percorrida à pé e o lugar é diferente de todas as praias que eu já tinha visto.

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Por ter um manguezal logo atrás, muitas das árvores avançaram para a areia e até para o mar e é muito bonito vez aquelas raízes expostas sobre a água.

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Chegando ao final da praia, embarcamos em uma canoa e percorremos a 4ª parte por igarapés.

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O passeio dura aproximadamente 4 horas e pode ser realizado de manhã ou à tarde, dependendo do cronograma do mês.

– Praia do Pesqueiro

Para mesclar um pouco as atividades, optamos por fazer uma fazenda e uma praia por dia. Saindo da Fazenda São Jerônimo, fomos para a Praia do Pesqueiro, mais afastada de Soure. Pegamos a maré baixa, então a faixa de areia estava bem extensa, com algumas lagoas naturais formadas pela água que ficou estancada na vazão.

Aliás, caso vá passar por alguma dessas lagoas, é recomendado ir chutando a areia, porque algumas arraias (o mar da ilha tem muitas) ficam represadas por lá.

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Praia do Pesqueiro

Logo que você chega na praia, várias barracas já começam a te chamar e até seu taxista pode tentar te indicar alguma. Para evitar a muvuca, nós andamos até o final e ficamos na última barraca, que tem os guarda-sóis pintados de vermelho. A comida não era excelente, mas o lugar era bem mais sossegado do que o resto da praia e pudemos curtir tranquilos.

– Passeio de Barco/Furo do Miguelão

No dia seguinte, fechamos uma rabeta só para a gente para fazermos um passeio pelo Furo do Miguelão. Há alguns passeios de barco que cobram R$50,00/70,00 por pessoa para fazer o mesmo trajeto, mas nós optamos por ir até o porto das rabetas e negociar com um barqueiro para fazer um passeio privativo. O passeio dura 2h e o valor por hora da rabeta foi de R$60,00. Fizemos o passeio em 6 pessoas, então a rabeta compensou tanto pelo valor, quanto por termos o barco só pra gente. Nosso barqueiro (Paulinho – tel 91 99816-4924) até deu uma paradinha para abastecermos nosso barco com cerpas geladinhas heheh.

O Furo do Miguelão é uma passagem natural que foi se formando pelo meio da vegetação e pode ser percorrida de barco. A paisagem é muito bonita e gostamos bastante de conhecer, apesar do trajeto de ida e volta até lá durar mais do que o passeio pelo local em si.

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Furo do Miguelão

– Praia de Barra Velha

A praia de Barra Velha fica bem perto de Soure e por isso é um pouco mais cheia que a do Pesqueiro. A paisagem é bem bonita, com um mangue atrás e algumas árvores espalhadas pela areia.

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As barracas colocam um tecnobrega no último volume, exceto a barraca do Jorge, a última e mais tranquila delas.

– Fazenda Bom Jesus

Outro passeio de fazenda famoso na ilha é o da Fazenda Bom Jesus. Apesar do passeio pela São Jerônimo ser bem mais completo, o tour pela Bom Jesus tem como diferencial uma revoada de Guarás, aqueles pássaros de um vermelho intenso que falei no post de Belém.

Para reservar o passeio com antecedência, você pode mandar um e-mail para o Jedilson (jediguia@hotmail.com), guia que faz o tour na fazenda. Ficamos na dúvida se íamos fazer ou não, porque estávamos em época de chuva e o Jedilson nos falou por e-mail que não veríamos muitos pássaros. No final, acabamos agendando, mas a fazenda (ou o Jedilson, não sabemos bem heheh) acabou desmarcando de última hora.

De qualquer forma, caso você vá em época de seca, li que a revoada é linda e que o céu fica pintado de vermelho no final da tarde com os pássaros voltando para suas casas.

– Cerâmica Marajoara

A cerâmica marajoara é bem famosa por ser a arte em cerâmica mais antiga do Brasil, com origem na tribo indígena que habitava a ilha entre 600 e 1200 d.C. Hoje em dia, as peças são confeccionadas seguindo a mesma técnica de antigamente.

É possível ver peças originais no Museu Histórico do Marajó, que fica a aproximadamente 60Kms de Soure.

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Como não fomos ao museu, passamos no atelier do Ronaldo Guedes, principal artesão da ilha para conhecer um pouco do processo de confecção. O lugar é bem simples, mas é possível vê-lo trabalhando e os materiais naturais que são usados na produção. Ali também há uma lojinha e alguns poucos objetos de cerâmica originais indígenas expostos.

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– Fazenda Mironga

Não fizemos, mas a fazenda é a principal produtora do queijo marajoara (feito com o leite das búfalas da ilha) e é possível acompanhar o processo de produção, além de comprar alguns direto da fonte para levar para casa.

Onde Comer

O restaurante mais famoso da ilha é o Delícias da Nalva. Após a morte da dona, o restaurante ficou fechado por algum tempo, mas agora foi reaberto pelas suas filhas. O preço da comida é um pouco acima da média e, sendo bem sincera, ninguém viu tanto diferencial assim.

Outro restaurante que foi muito recomendado pelos locais foi o Solar do Bola. Nós gostamos tanto que repetimos. Comida muito bem feita (o filé marajoara à cavalo é bom demais!) e preço excelente.

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Tranquilidade em Soure

Obviamente, estando na Ilha do Marajó, você não pode deixar de provar o queijo marajoara, que é ridículo de bom. Desmancha na boca e é um pouco mais forte que a mussarela de búfala.

O filé marajoara é feito do filé mignon dos búfalos com o queijo marajoara derretido por cima. Super típico da ilha, vale a pena provar e é muito gostoso.

Por fim, caso queira esgotar as iguarias da ilha e não tiver frescura, outra comida muito típica é o caldo de turu. O turu é um verme (sim!) bem comum nos troncos das árvores de manguezais, mas que tem gosto de marisco. O restaurante mais famoso para comer o caldo de turu é o Paraíso Verde. Nós experimentamos no Solar do Bola e estava gostoso – embora, obviamente, não se compare a um filé marajoara rs!

*observação: muitos restaurantes não aceitam cartão, então vale a observação que deixei para os hotéis de levar bastante dinheiro vivo para a ilha. 

Como se Locomover

Se você não estiver de carro, vai ter que arcar com os preços salgados dos táxis na ilha. Uma corrida de cerca de 5 quarteirões não sai por menos de R$20,00. O traslado de Soure até as fazendas ou praias mais afastadas fica em média R$35,00 o trecho.

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Soure

Vale a pena colocar tudo na balança na hora de decidir se vai de carro até a ilha (não é possível alugar lá, só em Belém) ou não: preços (do táxi x da diária da locação + valor da balsa) e comodidades (liberdade do carro x traslado mais lento Belém/Marajó).

Pro nosso roteiro, valeu mais a pena ir sem carro. Chegando lá já pegamos o contato de um taxista e ligávamos para ele sempre que precisávamos. Só fique esperto porque algumas pessoas da ilha são bem espertas e tentam tirar vantagem de tudo, principalmente com indicações de passeios.

Eu gostei bastante de conhecer a ilha, embora não tenha achado um lugar imperdível, mas, caso você esteja planejando uma viagem pelo Pará, pode ser interessante incluí-la no seu roteiro e visitar um lugar que ainda preserva muitas características próprias.

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2 thoughts on “Ilha do Marajó – Território dos Búfalos

  1. Oi! Adorei seu post! A Ilha parece ser maravilhosa!
    Eu confesso que fiquei com um pouco de dó dos búfalos, também… 😦 Mesma coisa que senti quando fui para Porto de Galinhas e alguns pescadores nos levam para ver os cavalos marinhos, eles pegam os cavalos marinhos do fundo mar e colocam em um vidro para tirarmos fotos.
    Dias depois fiquei sabendo que isso era proibido na região, porém não fomos alertados sobre isso quando compramos o passeio que nos conduzia até lá. Me senti muito mal.
    Mas, como eu disse acima, adorei seu post e seu blog! Quando puder passa no meu para conhecer, assim podemos trocar informações. Aproveito para informar que sou nova por aqui! Só fiz um post e ainda não sei mexer muito bem no wordpress, então não repara alguns deslizes… rsrs
    Abraços.

  2. Pingback: Um dia em Belém | Diários de Férias

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