Um dia em Belém

Belém é uma cidade que não tem tanta fama turística, mas surpreende quem se dispõe a visitá-la. Eu já tinha estado na cidade há alguns anos atrás, mas passei por ela novamente nesse carnaval, pois é de lá que partem os barcos para a Ilha de Marajó. Aproveitei que meus amigos nunca tinham estado na capital paraense para fazer o tour pelos principais pontos turísticos com eles e confirmamos que a cidade continua linda e muito atraente.

Além das ruas cercadas e sombreadas por mangueiras, Belém tem diversos casarões históricos, alguns muito conservados e lindos, alguns mais destruídos. Muitos desses casarões são decorados com azulejos portugueses.

Embora os principais pontos turísticos fiquem relativamente perto um do outro, Belém é uma cidade extremamente quente e, infelizmente, não tão segura para andar à pé. Optamos, então, por alugar um carro, seja pelo conforto, seja pela segurança.

Começamos nosso dia no FORTE DO CASTELO, que deu início à colonização de Belém. O prédio original era de madeira e palha, mas depois foi substituído pelas construções que estão por lá, do século XVII. Embora não tenha muita coisa para visitar, o lugar é super bem cuidado e oferece bonitas vistas da Baía do Guajará e do Mercado Ver-o-Peso ao fundo. Se estiver de carro, é possível estacionar logo na pracinha em frente ao forte.

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Forte do Castelo

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Ver-o-Peso visto do Forte

Vizinho ao Forte do Castelo fica o Museu Casa das Onze Janelas, uma construção bem bonita, com um jardim bem cuidado de fundos, bem de frente à água. Nós deixamos passar a visita pelo interior do museu, mas ali estão expostas algumas obras de arte contemporânea. Não sei se era temporária, mas quando fomos também havia uma exposição sobre a comida típica paraense.

Na frente da Casa das Onze Janelas está a Praça Frei Caetano Brandão e a Catedral da Sé de Belém, vale a pena dar uma entradinha para conhecer.

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Praça Frei Caetano Brandão

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Interior da Catedral da Sé

De lá, pegamos o carro e paramos no estacionamento da Estação das Docas, que vou falar mais para frente. Por ora utilizamos só o estacionamento mesmo e fomos andando por dentro da estação em direção ao MERCADO VER-O-PESO.

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Ver-O-Peso

Logo ao final das docas já começa a parte de produtos industrializados do mercado, a menos interessante turisticamente falando.

Passando essa parte, chega-se às barracas de comida e vale a pena observar o pessoal comendo o açaí com peixe. O açaí do Pará é feito da fruta sem adição de açúcar ou xarope de guaraná, como estamos acostumados aqui no sudeste. É um creme de gosto bem forte, parecido com terra, e lá o pessoal come junto com a comida – e não como sobremesa.

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Praça de Alimentação do Ver-O-Peso

Depois das barracas de comida, começam as barracas de frutas e de castanha-do-pará, que são descascadas na hora.

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Ainda antes de chegar ao prédio antigo do mercado, passamos pela parte que eu acho mais interessante do Ver-o-Peso: as barraquinhas que vendem os “feitiços” amazônicos. Parando em alguma barraca o vendedor pode te dar várias explicações sobre os principais. Só se prepare que eles podem ficar um pouco chateados caso você não compre nada.

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Ver-O-Peso

Os produtos ali são os mais diversos, desde folhas naturais até garrafadas, mas os mais diferentes são os pequenos frascos. Os mais famosos são os de óleo da bota e óleo do boto, utilizados para quem quer prender o sexo oposto.

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Obs.: conversando com algumas pessoas, fui informada (não chequei a legislação) que a comercialização de óleo de boto e óleo da bota é proibida pelo IBAMA. 

Por fim, chegamos ao prédio histórico de ferro do Ver-O-Peso, hoje em dia utilizado para a venda de peixes.

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Passamos um pouco a pé e demos uma esticada até a Praça do Relógio, observando as construções antigas (e deterioradas) que estão por ali, além dos tradicionais barcos que rodam pela região da Amazônia e ficam atracados por lá.

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Praça do Relógio

Voltamos à pé para, agora sim, conhecer uma da atrações turísticas mais famosas de Belém: a ESTAÇÃO DAS DOCAS. As antigas docas do porto foram reformadas e hoje abrigam espaços culturais, restaurantes, bares e lojinhas, num complexo arquitetônico lindo, que lembra bastante Puerto Madero (mas bem melhor!).

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Estação das Docas

Vale a pena conhecer a Estação das Docas tanto de dia como de noite. Ali fica o famoso restaurante Lá em Casa, que serve comida típica. Nós provamos o Menu Paraense, um menu degustação que vem com pato no tucupi e maniçoba, dois pratos típicos da região. O paladar da comida paraense é bem forte, então caso não queira arriscar, vale mais a pena pedir os pratos à la carte do menu.

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Pato no Tucupi e Maniçoba

Também nas docas está uma das lojas da Cairu, a sorveteria mais famosa de Belém, com sorvetes deliciosos de sabores amazônicos. Para mim, os melhores são os de cupuaçu e açaí.

Por fim, o complexo ainda abriga a Amazon Beer, a famosa cervejaria que oferece diversos tipos de cerveja, desde Pilsen até cervejas com cupuaçu, açaí etc. Para quem gosta de cerveja, é uma parada bem interessante.

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Amazon Beer

Das docas, pegamos o carro para conhecer a BASÍLICA NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, de onde parte o famoso Círio de Nazaré. A basílica é bem bonita por dentro e por fora.

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Nossa Senhora de Nazaré

Por ali ainda é possível comprar uma fitinha de Nossa Senhora de Nazaré e amarrar junto às demais nas grades que cercam a imagem da santa na praça que fica em frente à Basílica.

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No caminho de volta, passamos e paramos na bonita Praça da República e aproveitamos para dar uma olhadinha na fachada do TEATRO DA PAZ.

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Teatro da Paz

Para o final da tarde, um dos programas mais interessantes na cidade é ir conhecer o MANGAL DAS GARÇAS, um parque lindo à beira da Baía do Guajará que, como o próprio nome sugere, é repleto de garças. Além das garças, é possível observar muitos guarás (um pássaro de um vermelho vivo), além de uma arara.

Subindo-se na torre de observação do parque, há vistas lindas tanto da baía quanto da cidade.

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Mangal das Garças

À noite, há vários programas legais para serem feitos na cidade. Você pode começar sua noite jantando no renomado Restaurante Remanso do Bosque, dos chefs Thiago e Felipe Castanho, que é o único fora do eixo Rio-São Paulo a figurar na lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina. O restaurante foca em ingredientes locais paraenses com releituras modernas. Confesso que fomos com a expectativa bem alta e acabamos nos decepcionando um pouco. A comida não estava tão extraordinária assim. Os irmãos também comandam o Remanso do Peixe, que pode ser outra opção caso vá passar mais dias na cidade.

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De lá, vale a pena voltar para visitar a Estação das Docas à noite, que fica bem bonita iluminada e vários dias traz danças típicas de diversas regiões do Pará. A Amazon Beer fica bem cheia à noite, com as mesas postas no terraço de fora.

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Estação das Docas

Para finalizar a noite no melhor estilo típico paraense, pertinho das docas fica o Bar Palafita. Estávamos procurando uma balada tecnobrega e naquela noite o bar ia muito mais além: teria uma festa chama Amazônia Latin Brega. Ficamos com medo do lugar ser um pouco perigoso, mas chequei com alguns amigos de Belém e pareceu tranquilo. O lugar é bem roots e não é o bar com mais gente bonita da cidade hehehe, mas nos divertimos demais com as músicas e, claro, com a cachaça de jambu!

Jambu é uma folha amazônica que vai também no pato no tucupi e amortece a boca. Na cachaça, ela fica mais potencializada e é bem interessante a sensação de anestesia de dentista que se tem com a bebida. O lugar mais famoso para experimentar a cachaça é o Bar Meu Garoto. No dia em que estávamos lá ele estava fechado, infelizmente, mas é possível achar a cachaça do Meu Garoto em vários outros pontos de venda, inclusive no aeroporto de Belém.

Nosso dia na cidade foi como não poderia deixar de ser: com muito calor, muita comida típica, muito sorvete cairu, muitas construções históricas lindas e muito tecnobrega. Égua, Belém, é sempre bom te ver!

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One thought on “Um dia em Belém

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