2 Dias Inteiros no Parque de Torres Del Paine

A Karine também foi para Torres Del Paine e fez um esquema diferente do meu, sem usar carro. Para ver o post dela, clique aqui.

Embora muita gente pense (e visite) apenas a Argentina quando se fala em Patagônia, a única certeza que eu tinha quando comecei a planejar minha viagem era a de que não queria deixar de conhecer a parte da Patagônia Chilena. O motivo era bem definido: o Parque de Torres Del Paine.

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As torres que dão nome ao parque

O Parque de Torres Del Paine tem fama internacional por abrigar alguns dos circuitos mais bonitos de trekking do mundo. Os dois principais são o O e o W, que são obviamente percorridos inteiros à pé e a hospedagem é realizada nos próprios postos de acampamento do parque, que estão espalhados pelo circuito. Caso essa seja sua opção, não há muito segredo em termos de organização da viagem em si. Basta chegar até o parque (muito) bem preparado fisicamente e com os equipamentos necessários ao trekking/acampamento. Há um ótimo relato sobre o circuito W (que é metade do O) nesse post aqui.

Mas não é preciso ser assim tão aventureiro para conhecer alguns dos pontos mais bonitos do parque, que podem ser acessados de carro, por trilhas curtas, médias e longas.

Como Chegar, Onde se Hospedar e Como Visitar o Parque

O aeroporto mais perto do parque fica na cidade de Punta Arenas (post sobre a cidade aqui). De lá, caso vá se hospedar dentro do parque, a forma mais fácil de chegar é de transfer, táxi ou carro.

Caso sua hospedagem seja em Puerto Natales, cidade que muitos utilizam como base para conhecer o parque, há também ônibus que partem desde o aeroporto. Para chegar em Puerto Natales, também é possível vir de ônibus desde El Calafate, como a Karine fez e contou aqui.

Como eu queria liberdade para conhecer o parque por conta própria, sem depender de tours, acabamos alugando um carro no próprio aeroporto de Punta Arenas e fizemos todos os deslocamentos necessários com ele.

Há poucas opções de hospedagem dentro do parque em si e quando fui tentar reservar, encontrei apenas hotéis de luxo, com preços bem altos (embora geralmente a estadia nesses hotéis já inclua alguns passeios).  Caso não queira dor de cabeça e dinheiro não seja problema, uma ótima opção é escolher algum hotel no estilo do (ótimo) Explora, que já inclui no preço (salgado) da hospedagem os passeios pelo parque. Nessa opção, acho que nem vale a pena alugar carro.

Uma opção mais econômica é hospedar-se em Puerto Natales e fazer deslocamentos diários ao parque. Embora a cidade fique a apenas uns 60 kms da entrada da área do parque, para chegar de fato até as suas atrações o percurso pode demorar até 2 horas. Caso não esteja de carro, há vans regulares que partem da rodoviária de Puerto Natales e circulam pelos principais pontos do parque.

Para mais informações sobre hospedagem, achei esse post muito bom.

No meu roteiro, o dia em que fizemos a trilha para a base das torres (vou contar mais pra frente) esse deslocamento Puerto Natales/Torres Del Paine pesou muito e, se pudesse refazer,  teria aberto o bolso e me hospedado pelo menos essa noite no parque.

Por outro lado, me hospedar dentro do parque todos os dias poderia me dar alguma agonia, porque à noite não tem nada para fazer. Acho que o ideal teria sido me hospedar em Puerto Natales nos Dias 1 e 3 e ficar no parque na noite do dia 2. Vamos ao roteiro.

Meu Roteiro

Dia 1

Chegamos no aeroporto de Punta Arenas, pegamos nosso carro alugado e fomos para Puerto Natales, onde nos hospedamos. Como estávamos de carro e a cidade é pequena, acabei abrindo mão de uma localização extremamente central para pegar um hotel mais barato e bonitinho. Ficamos no We Are Patagonia, que recomendo caso esteja de carro. Caso esteja à pé, vai precisar de táxi para ir até os restaurantes do centrinho.

Deixamos nossas coisas no hotel e partimos para dar uma volta pela cidade. Passamos pela Avenida Pedro Montt, que fica à beira da água e oferece vistas bem bonitas, além de algumas esculturas, dentre ela um grande Milodón, bicho pré-histórico símbolo da cidade.

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Como já era final do dia, pegamos o carro e fomos tomar um drink no bar/restaurante do Hotel The Singular. Geralmente só gosto de gastar com comida em viagem quando o restaurante é um turismo em si e é exatamente o caso.

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The Singular

O The Singular é um hotel que está localizado nas antigas instalações de um frigorífico de ovelhas, construído em 1901. Indo jantar no restaurante (ou pelo menos tomar um drink no bar), depois é possível passear pelas instalações do hotel, onde estão vários maquinários da época do frigorífico, além de uma galeria de arte. É muito bacana e vale muito a pena conhecer!

É indispensável  fazer reserva – o que nós não tínhamos -, então ficamos apenas para os drinks mesmo. Saindo de lá, fomos jantar no Restaurante Afrigônia, que mescla comida africana com comida típica da região da Patagônia. Eu comi um cordeiro ao molho de menta que estava delicioso!

De lá, direto para a cama, pois o dia seguinte seria cansativo.

Dia 2

Nosso segundo dia inteiro foi dedicado para fazer a trilha até a Base das Torres, que parte do Hotel Las Torres e corta montanhas até um lago lindo que fica na base das pedras que dão nome ao parque.

Apesar de termos acordado bem cedo, fomos parando em vários pontos lindos da estrada para tirar fotos e acabamos começando nossa trilha apenas por volta das 10:00.

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Dirigindo pelo parque dá vontade de parar para fotos a cada 100m!

Tinha visto que a trilha era pesada e que durava umas 5:30 horas montanha acima, mas – muito idiota – não dei muita importância. Achei que fosse ser uma trilha do estilo da do Butão, cansativa, mas que daria para fazer de boa.

Só não me atentei que a estimativa de 5:30h é SÓ DE IDA. A trilha tem um total de aproximadamente 19kms e se divide, basicamente, em 3 partes.

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A primeira começas no Hotel Las Torres e vai até o Refúgio e Camping El Chileno, tem 5.5 kms e aproximadamente 2:00h. É um trilha fácil, porém cansativa, porque é basicamente subida o tempo todo e, no nosso caso, embaixo de sol.

É possível fazer essa primeira parte de trilha de cavalo, mas eu, particularmente, sou meio contra essa opção e minha opinião só ficou mais forte depois de ver um cavalo simplesmente cair de cansaço na nossa frente.

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Embora seja pesadinha, essa primeira parte da trilha passa rápido, porque é aberta e há vistas bem bonitas no caminho, como as fotos abaixo.

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Chegando no Refúgio El Chileno, há uma pequena lanchonete e vale a pena parar por lá e dar uma descansada, admirando as torres que já começam a dar o ar da graça pela janela.

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A segunda parte eu achei mais tranquila, porque é feita sob árvores e não há tantas subidas ou descidas íngremes. Na época em que fiz, 90% dessa parte era pura lama e valeu muito a pena estar de bota de trekking. Essa parte vai do Refúgio El Chileno até o Camping Torres, tem 3.2 Kms e dura aproximadamente 1:45h.

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Vá preparado. Quem estava de tênis sofreu.

Aí chega a terceira parte, que é a parte da MORTE. Chegando no Camping Torres, há indicação de que falta apenas 1km para chegar. O que eles não contam é que esse 1km é feito totalmente sobre pedras, sem nada de sombra e com quase nada de trilha demarcada, em uma subida muito, muito íngreme. O resultado é que esse último quilômetro leva aproximadamente uma hora para ser vencido. Por não haver linha reta, o 1km dobra facilmente de metragem.  Tanto é que, na plaquinha, a estimativa é de 1h para andar esse trecho relativamente curto*. Nós demoramos isso, se não mais.

*não há uniformização entre as placas que indicam o caminho e os mapas do parque, tanto em termos de quilometragem, quanto em termos de tempo. Cada lugar dá uma estimativa.  

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Tava tão cansada que nem tirei foto haha. Só tenho essa e a subida é por essas pedras mesmo!

Entretanto, todo o esforço é recompensado ao chegar-se ao fim da trilha. À sua frente estará um lago azul de água de degelo, emoldurado pelas 3 torres que são nome ao parque ao fundo. É lindo demais.

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Do celular, sem filtro e sem retoque!

Ficamos por lá descansando uns 30 minutos, mas a falta de sombra nos impediu de ficar mais. Demos muita sorte esse dia porque o dia estava super claro, mas geralmente o tempo no lugar é meio instável e a ponta das torres fica encoberta por nuvens.

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De lá, voltamos direto, sem paradas para descanso e demoramos aproximadamente 2:30 para retornar até o Hotel Las Torres. Chegamos lá mortos, destruídos e esfomeados e acabamos jantando por ali mesmo.

Minha impressão sobre a trilha pode ser um pouco imparcial, porque, pra mim, ela foi muito sofrida. Tínhamos dormido muito pouco nas 2 noites anteriores e acordei meio enjoada no dia, não consegui tomar um café da manhã reforçado nem fazer um lanche bom ao chegarmos no Refúgio Chileno. Quando voltamos, a lanchonete do refúgio já estava fechada e só consegui comer um chocolate.

Ou seja, a trilha que eu achei que duraria apenas 5:30 horas acabou durando um dia inteiro e foi realizada apenas com duas barrinhas de cereal e um chocolate. A conclusão é meio óbvia: senti muita fraqueza e, no final da trilha, já estava com as pernas bambas. Achei a trilha extremamente cansativa (acho que a mais cansativa que já fiz), mas não sei até que ponto o cansaço foi realmente da caminhada, até que ponto foi de falta de comida hehe.

Outra coisa que pode contar bastante: embora não dê para reclamar, porque pegamos um dia lindo (o que é difícil na região), no dia em que fizemos a trilha fez sol forte o tempo todo e bastante calor, o que contribuiu para aumentar a sensação de cansaço.

Minha recomendação, caso decida fazer, é não subestimar e se preparar. Tome um bom café da manhã. Caso o dia seja de sol, passe muito protetor solar e não esqueça de levar um boné.

Nesse dia, me arrependi muito de não ter me hospedado dentro do parque, principalmente porque no dia seguinte de manhã voltaríamos para lá para conhecer os outros pontos principais. Estávamos mortos de cansados e ainda tínhamos cerca de 2 horas de estrada até Puerto Natales.

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Pelo menos vimos esse fim de tarde no caminho.

Dia 3

Acordamos acabados da trilha do dia anterior e, para descansar, fizemos o roteiro pelo resto das atrações do parque quase 100% de carro.

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Clique no mapa para aumentar

Entramos pela Portaria Sarmiento e fomos direto até o Salto Grande, uma cachoeira que não é tão grande mas é lindíssima pela cor esverdeada das suas águas.

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Salto Grande

De lá, sai uma trilha bem tranquila de cerca de 40 minutos até o Mirador dos Cuernos, outra formação rochosa famosa do parque com um lago lindo embaixo.

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Mirador dos Cuernos

Nesse dia o tempo já estava bem mais fechado e os cuernos (chifres) estavam encobertos.

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Essa trilhinha vale muito a pena fazer, seja pela paisagem final, seja pelas lindas paisagens que se descortinam ao longo dela.

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Lagos do maciço azul

A trilha fica no que eles chamam de maciço azul e é rodeada por lagos lindíssimos.

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Pra quem está sentindo falta de praia, tem até uma prainha de água doce com areias pretas no caminho.

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Pertinho do Salto Grande fica uma cafeteria, de onde saem barcos que atravessam o Lago Pehoé em 30 minutos. Na hora não nos passou pela cabeça fazer o passeio, mas, depois que rodeamos o lago de carro e vimos como ele é lindo, me arrependi de não ter feito a travessia de barco.

Nós rodeamos o Lago Pehoé para ir até o Hotel Grey, de onde parte uma trilha de aproximadamente 1h para o mirador do Glaciar Grey. Chegando lá e analisando bem o mapa, percebemos que a trilha dá num mirador que fica meio longe do glaciar e acabamos desistindo de fazer porque, além do cansaço, dali a poucos dias faríamos o trekking por cima de um glaciar em El Calafate (post aqui).

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Pessoas no mirador e o Glaciar Grey lá ao fundo

De lá, decidimos voltar para Puerto Natales e ficar por lá descansando o resto do dia.

Basicamente, cobrimos todos os pontos principais do parque no nosso roteiro. A única atração famosa que não visitamos foi a Cueva do Milodon, que teria encaixado tranquilamente no nosso roteiro aquele dia (passamos na frente na volta), mas que não me interessou muito. Para quem se interessar, a Ká visitou e está nesse post dela.

Eu amei Torres del Paine. Com certeza o lugar mais lindo que vi por lá foi a base das torres, mas mesmo que você não vá fazer a trilha vale muito a pena a visita ao parque. O lugar é lindo, para cada lado que se olhe há uma paisagem digna de foto. Vale muito a pena incluir no seu roteiro pela Patagônia!

Veja também:

Patagônia – Planejamento e Roteiro

El Calafate – Cidade dos Glaciares

Ushuaia – Fim da América

2 Dias Inteiros no Parque de Torres Del Paine – Relato Maíra

Torres del Paine (Puerto Natales e Punta Arenas) – Relato Karine

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18 thoughts on “2 Dias Inteiros no Parque de Torres Del Paine

  1. Pingback: El Calafate – Cidade dos Glaciares | Diários de Férias

  2. Pingback: Ushuaia – Fim da América | Diários de Férias

  3. Pingback: Patagônia – Planejamento e Roteiro | Diários de Férias

  4. Pingback: Torres del Paine (Puerto Natales e Punta Arenas) | Diários de Férias

  5. oi, tudo bem! Adorei os seus relatos, estou usando de base para minha viagem!
    Perguntinha: como alugou o carro? foi pela internet do Brasil? ou chegou lá e pegou o carro no aeroporto? Qual a locadora, as que vi estão extremamente caras!
    Valeu
    Aços
    Katia

  6. OI, eu de novo!!
    Tem que se reservar os alojamentos ou é só chegar e se hospedar? caso sim, vc sabe onde faço as reservas?
    Grata
    Katia

  7. Olá, parabéns pelo post! Fiquei com uma dúvida. No dia do passeio/trilha pelo parque você fez sozinha (sem guia)? Não é perigoso se perder? Rs.

    • Karol, fiz tudo sem guia. Para andar de carro dentro do parque o GPS funciona bem e as estradas são relativamente sinalizadas (mas não deixe de usar GPS). Nas trilhas à pé que fiz não vi muito como se perder. Fiz para os lugares principais do parque, então também sempre tinha gente. Não se como são as trilhas para lugares menos procurados …

  8. Olá! Muito obrigado pelas informações. Eu vou para a região em setembro e devo fazer o mesmo roteiro de vocês, utilizando o carro. Vou seguir a sugestão e dormir no parque no segundo dia. Agora uma dúvida.. Vocês falaram que saíram cedo no primeiro dia e pararam para tirar várias fotos e começaram a trilha às 10 da manhã. Nesse dia vocês passaram por qual entrada? Eu pensei em fazer o seguinte: No primeiro dia no parque, entrar pela Guarderia Serrano, visitar o Hotel Grey, seguir para los Cuernos e dormir no Ecocamp. No outro dia acordar cedo e fazer a caminhada das Torres. Depois da caminhada já sairia pela portaria da Laguna Amarga e voltaria para Puerto Natales. Você acha que é viável?

    • Henrique, nos 2 dias entrei pela portaria Sarmiento pq, quando fui, a da Laguna Amarga estava fechada (mas ela é a mais perto da trilha das torres).

      Quanto ao seu roteiro, em questão de tempo da pra fazer, sim! Vc só precisa pensar no que prefere: acordar já no parque no dia de fazer a trilha (o q te poupa 2h no começo do dia) ou dormir no parque depois de fazer a trilha (o q te poupa 2h na volta).

      Eu acho que faria a trilha das torres no primeiro dia. Se fizer no segundo dia, vc vai chegar cansado da trilha, ainda vai ter que pegar 2h de estrada e provavelmente aproveitará muito pouco Puerto Natales à noite.

      Se eu refizesse meu roteiro hj, entraria pela Laguna Amarga, faria a trilha e dormiria no parque. No segundo dia, faria Hotel Grey, Cuernos e sairia pela portaria Sarmiento para Puerto Natales.

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