Canions do Xingo (ou do Rio São Francisco)

Os Canions do Xingó (ou Cânions do Rio São Francisco) formam uma paisagem que qualquer país faria a maior propaganda turística, mas que, dentre os tantos lugares lindos que o Brasil tem, fica meio esquecido. Esquecido e até mesmo desconhecido. Acho que 90% das pessoas que me perguntaram para onde eu ia no feriado responderam à minha resposta com algo do tipo “onde é isso”?

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Esse lugar maravilhoso, para o nosso orgulho, fica no Brasil, mais especificamente no Estado do Sergipe, quase na divisa com Alagoas. Aliás, para chegar até lá há duas principais opções: ir de Aracaju ou de Maceió. Do mesmo jeito, as cidades base para o passeio podem ser escolhidas nos dois estados.

Os cânions são uma paisagem natural, mas formada com a intervenção humana. Com a construção da usina hidrelétrica do Xingó, o leito do Rio São Francisco foi represado e o nível das águas subiu quase até o topo das montanhas. Assim, o chamado “canion” não é formado por uma erosão nas rochas, como pode sugerir o nome, mas pelos topos das montanhas alagadas após a subida do nível do rio.

Como visitar

Apesar de ser no interior do Sergipe, em pleno sertão nordestino – e muita gente achar que pode ser um perrengue o esquema para visitar o lugar -, nós fizemos uma viagem super tranquila.

Há duas formas diferentes de visitar:

Bate-e-volta de Aracaju. A grande maioria dos turistas visita o lugar com passeios bate-e-volta contratados em Aracajú, mas, sinceramente, acho que deve ser bem corrido e cansativo enfrentar o percurso de estrada de ida e volta. A empresa mais famosa que faz  passeio é o NozesTur, que não usamos, então não posso dar opinião.

De carro e hospedando-se uma noite na região. Nós optamos por ir de carro e partimos de Aracajú, seguindo o caminho do Google Maps e chegamos até lá em menos de 3 horas, percorrendo estradas asfaltadas e em estado de conservação regularmente bom.

O percurso de carro já é um turismo em si, pois ao chegar na parte do sertão nordestino a estrada vai cortando diversas cidades e é possível observar um Brasil totalmente diferente do que quem vive em grandes cidades está acostumado.

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Cortando o Sertão Sergipano

As duas cidades mais populares e com melhor infraestrutura turística para hospedagem na região são Canindé do São Francisco, no lado sergipano, e Piranhas, no lado alagoano.

Caso vá se hospedar em Canindé do São Francisco, sem problemas, porque o Google Maps acha tranquilamente.

Caso seu destino final seja Piranhas, tome cuidado porque o lugar que o Google Maps localiza como Piranhas é um pouco mais a frente da cidade em si.

Piranhas

Se for ficar em Piranhas, o melhor local para se hospedar é na cidade velha, então uma opção é colocar a Rua Campo Grande. Você chegará em Piranhas nova, aí é só ir seguindo em frente pela mesma estrada que você chegará em Piranhas velha, que fica perto da beira do Rio São Francisco. O Google Maps dá uma volta muito grande caso você coloque algum endereço de Piranhas velha. Outra opção pode ser jogar o Museu do Cangaço.

Caso você não esteja em um passeio bate-e-volta de Aracajú, surgem outras duas formas de realizar o passeio em si:

 – De catamarã: diariamente e em vários horários saem catamarãs para percorrer o rio e os cânions, com ponto de partida e chegada no restaurante Karrancas, na cidade de Canindé do São Francisco. O passeio custa R$84,00 por pessoa (todos os valores mencionados são de abril/2015) e o catamarã pode chegar a acomodar 60 pessoas ou mais nos períodos de alta temporada.

O trajeto de ida dura 1 hora, há 1 hora para aproveitar o lugar e o trajeto de volta dura mais 1 hora.

– De lancha: a opção por um passeio mais privado é contratar uma lancha. As lanchas acomodam até 10 pessoas e fazem o mesmo trajeto do catamarã. A diferença é que o trajeto de ida dura 30 minutos, há uma hora para aproveitar o lugar e o trajeto de volta dura mais 30 minutos.

O valor da lancha é de R$125,00 por pessoa e a lancha não sai com menos de 4 pessoas, ao menos que você frete a lancha inteira. O primeiro horário de partida é o mesmo do catamarã, ou seja, apesar do seu trajeto ser um pouco mais privado, no lugar você estará com todas as pessoas que optaram pelo catamarã.

O valor para fretar a lancha privativa é de R$1.250,00 e, nesse caso, o horário de partida pode ser escolhido por você.

Nossa viagem:

Como disse, nós optamos por ir de carro e seguimos o caminho do GMaps.

Escolhemos a cidade de Piranhas por ela ser super bonitinha (contei dela em outro post – aqui) e por ser o ponto de partida de outro passeio que iriamos fazer: a Rota do Cangaço (também em outro post – aqui).

Em todos os blogs de viagem que pesquisei, todas as pessoas que fizeram o passeio com o catamarã disseram que os barcos tem boa infraestrutura, mas que a bagunça é generalizada, com muita música alta, pessoas dançando, bebendo, se espremendo pela sombra etc.

Confesso que sou um pouco fresca para muita aglomeração de gente e sempre acabo optando por coisas mais privativas se elas me permitirem aproveitar o lugar com mais calma e menos tumulto. Para mim, a experiência faz o lugar, então acabamos optando por reservar uma lancha só para gente.

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Já reservamos com antecedência pelo email reservas@mturxingo.com.br  – Tels.: (79) 3346-1184/ (79) 9972-1320 / (82) 9986-2038

Como o primeiro passeio de catamarã saía às 8:30h (e chegava nos cânions às 09:30), nós marcamos a saída da nossa lancha para as 8:00 (com chegada nos cânions às 08:30), assim teríamos nossa 1 hora no local com os cânions todinhos para a gente.

E foi exatamente o que aconteceu!!!

O próprio trajeto até lá já é lindíssimo, com a paisagem ao longo do Rio São Francisco.

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Mas é ao chegar ao Paraíso do Talhado que a paisagem fica espetacular! Eu tinha visto as fotos, algumas com cores mais verdes, outras menos verdes e não sabia direito se eram truques de imagens. Entendi ao chegar lá que todos esses tons são reais e a cor do rio muda dependendo do lugar, da posição do sol etc.

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Paraíso do Tralhado

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O ponto final do catamarã é um pequeno deck flutuante, onde há uma área delimitada para natação e de onde se embarca em pequenas canoas para percorrer a Gruta do Talhado.

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Deck visto de cima

 Nossa lancha passou um pouquinho do deck e navegou mais um pouco rio abaixo, onde também há lindas paisagens.

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O verde parece de mentira, não?

Depois voltamos para o deck, ainda sem ninguém. Como chegamos cedo, não tinha nenhum fila para embarcar nas canoas e nosso canoeiro estava com zero pressa. Percorremos todo o percurso da gruta, com aquela água verde e paredões alaranjados, lindo, lindo, lindo!

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Várias imagens de São Francisco em nichos nos paredões

No final da passagem, há uma espécie da prainha de areia. Ali a canoa dá meia volta e retorna para o deck, mas nosso canoeiro falou que de lá saia uma escada que dava acesso ao topo dos paredões e perguntou se queríamos subir. Obvio que a resposta foi positiva e lá fomos nós, totalmente despreparados para a trilha e descalços.

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Valeu muito a pena porque a paisagem é linda, mas caso queira fazer a mesma coisa, não esqueça de levar ao menos um chinelo, porque a trilha se dá no meio da caatinga, entre as diversas espécies de cactus e nosso pé voltou que era só espinho!

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Por cima dos paredões

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Paraíso do Talhado visto de cima

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Paraíso do talhado visto de cima

Para compensar a trilha, o canoeiro deixou a gente cair na água ali mesmo e ficamos nadando entre os paredões estreitos, com o lugar só para gente. Maravilhoso!

A hora que estávamos voltando as primeiras canoas com turistas começaram a chegar. O primeiro catamarã do dia tinha desembarcado. Ainda passamos mais um tempinho na área delimitada para mergulho, mas ficar ali entre muitos macarrões e boias, depois de ter tido a própria gruta só pra gente não teve muita graça!

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Então voltamos para a nossa lancha e fizemos o trajeto de volta, muito felizes por ter conhecido esse pedaço maravilhoso do Brasil!

No percurso de volta para Piranhas passamos, ainda, no Museu de Arqueologia do Xingo – MAX. O museu é pequeno, mas tem coisas bastante interessantes, como artefatos e esqueletos de habitantes da região da época paleolítica.

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A visita é guiada e os monitores dão explicações bem interessantes. Pelos objetos encontrados junto aos esqueletos, os arqueólogos deduziram que a população acreditava em vida após a morte, deixando alguns objetos para que o morto usasse quando retornasse.

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Além dos descobrimentos arqueológicos, há uma exposição de fotos e de alguns fragmentos de pinturas rupestres encontradas na região nordeste.

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Logo de frente para o museu estão as barragens da Usina do Xingó e do museu mesmo já é possível observá-la.

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Usina Hidrelétrica do Xingó

Se o dia tivesse terminado aí já teria sido maravilhoso, mas ainda eram 11:00 da manhã e para a tarde tínhamos o passeio pela Rota do Cangaço.

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One thought on “Canions do Xingo (ou do Rio São Francisco)

  1. Pingback:  A Cidade de Piranhas e A Rota do Cangaço | Diários de Férias

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