A Cidade de Piranhas e A Rota do Cangaço

Piranhas – AL

Como disse no outro post (aqui), embora o ponto mais comum para pernoite de quem decide conhecer os Cânions do Xingó seja Canindé de São Francisco (em Sergipe), nós optamos por nos hospedar na Cidade de Piranhas (em Alagoas).

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A cidade fica a pouco menos de 15 minutos de carro de Canindé do São Francisco, por estrada tranquila e asfaltada, de forma que o acesso à saída dos catamarãs também é super fácil. Por   outro lado, a cidade é super charmosa e vale a pena conhecer.

Durante 1882 e 1964 esteve em funcionamento a estrada de ferro Paulo Afonso, que tinha uma estação na cidade, o que acabou por torná-la um importante ponto comercial do sertão nordestino. O lugar recebeu até uma visita de D. Pedro II em 1859.

Isso explica as diversas construções históricas dos séculos XVIII e XIX, em estilo colonial, às margens do Rio São Francisco – a cidade é tombada como Patrimônio Histórico e Paisagístico Nacional. E a conservação das casas é exemplar, cada uma pintada de uma cor que, junto com as ruas de paralepípedos, foram um cenário muito parecido com as cidades históricas de Minas Gerais.

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Praça da R. Antônio Rodrigues

Não deixe de passar pela Praça da R. Antônio Rodrigues, que concentra várias delas. Um pouco mais acima está a torre do relógio, que tem um café do topo.

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Torre do Relógio

Em frente à torre, está o Museu do Sertão, localizado no prédio da antiga estação ferroviária, que tem alguns objetos, armas e roupas da época em que Lampião era o rei do cangaço, inclusive a famosa foto tirada das cabeças do grupo expostas na escadaria da prefeitura da cidade como troféus. O museu abre de 3ª a domingo, das 8 às 17h, entrada gratis.

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Carta escrita por Lampião

Descendo as ruas do centro velho chega-se às margens do Rio São Francisco e ao atracadouro  de Piranhas, de onde é possível embarcar em passeios pelo rio.

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Há também o Mirante Secular, que dá uma vista panorâmica da cidade e do rio, mas que não subimos.  É possível subir de carro ou pelas escadas.

Caso se interesse pelo tema, entre 26 e 27 de julho a cidade é sede da Semana do Cangaço, com debates, shows e apresentações culturais. No dia 28/07 é celebrada a Missa do Cangaço, na Grota do Angico (vou falar mais para frente sobre o lugar).

É na praça da R. Antônio Rodrigues que estão alguns restaurantes da cidade (a cachaçaria, a pizzaria e o japonês Altermar Dutra), com mesinhas espalhadas ao ar livre pelos paralelepípedos da praça.

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Aos sábados, a partir das 21:00h, acontece uma apresentação do grupo de xaxado Altemar Dutra e depois o forró rola solto até 24:00h. É um clima super animado!

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Há várias pousadas na cidade, mas como acabamos demorando para fazer nossas reservas, quase todas estavam esgotadas. Acabamos ficando no Flats do Pedro, em uma casinha de banheiro e quarto. Embora o lugar fosse bem simples mesmo, o ar-condicionado contava muitos pontos a favor. Outra super vantagem do lugar é a localização, perto o suficiente do “agito” noturno para chegar à pé em 1 minuto, longe o suficiente para não ser atrapalhado pela música. Mais opiniões aqui no TripAdvisor.

*Pelo o que pesquisei, o Hotel Pedra do Sino é o com mais estrutura da cidade, mas estava esgotado quando pesquisamos.

** No post sobre os Canions do Xingo (aqui) há um pequena explicação de como chegar em Piranhas.

A Rota do Cangaço

É da cidade de Piranhas que parte um outro passeio bem popular na região: a Rota do Cangaço, que consiste numa trilha até a gruta onde Lampião e seu bando foram apanhados, mortos e decapitados. Diariamente, saem catamarãs em direção ao Restaurante Angico, onde começa a trilha que leva à gruta de mesmo nome.

Caso queira fazer o passeio por conta, é possível alugar pequenas lanchinhas/barcos de pescadores no quiosque que fica à beira do Rio São Francisco, por R$150,00 (preço de abril/2015). Assim você fica livre para determinar seu horário de chegada e de saída.

Se optar pela lancha, há um outro restaurante que fica um pouco mais para frente do Angicos (que os barqueiros chamam de “segundo restaurante”), de onde também parte uma trilha para a gruta, embora um pouquinho mais longa.

Existe também opção desse passeio feito como bate-e-volta desde Aracaju, com algumas empresas de turismo.

Como os catamarãs saem de manhã e nós iríamos fazer a rota à tarde (de manhã havíamos feito o passeio pelos Canions do Xingo), alugamos a lancha e fomos em direção ao restaurante Angicos (1º restaurante).

Embora ele seja mais cheio pela parada dos catamarãs, ali fica a antiga casa de taipa (em estilo típico do sertão nordestino), do fazendeiro Pedro Cândido, um dos coiteros (quem dá asilo e/ou proteção) de maior confiança de Lampião. A história é controversa, há quem diga que o coitero entregou o paradeiro do grupo após ser torturado pela polícia de Alagoas, há quem diga que recebeu em troca da delação o posto de subdelegado de Piranhas.

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Casa de Pedro Cândido

 Dentro da casa estão também alguns objetos da época do cangaço.

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O cangaço no nordeste teve início em 1770, mas seu “auge” ocorreu na década de 1920, com o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião. Depois de 20 anos de perseguição pelas polícias de sete estados, em julho de 1938 Lampião e Maria Bonita, junto com mais 9 cangaçeiros, foram alcançados e executados na Grota de Angico.

Após a execução, suas cabeças foram expostas na escada da Prefeitura de Piranhas e  percorreram diversos estados nordestinos para exibição como troféus. Chegaram a ficar em um museu de Salvador até 1969, após o que, a pedido das famílias dos cangaceiros, foram liberadas para serem enterradas.

A trilha é feita com um guia e tem cerca de 600m de ida e mais 600m de volta. Embora a distância seja relativamente pequena, o sol e o calor do sertão nordestinos aumentam o cansaço. Durante todo o percurso, passa-se pelo meio da caatinga, bioma só encontrado no Brasil.

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O destino final não tem nada além da própria gruta, de cruzes e uma placa com o nome dos cangaceiros mortos e de Adrião de Souza, único policial morto na emboscada.

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Gruta do Angico

O local havia sido escolhido por Lampião por ser de difícil acesso e, assim, seguro. A voltante que partiu de Piranhas pegou o grupo desprevenido e a batalha durou apenas 15 minutos, em razão do efeito surpresa e da superioridade de armas dos policiais.

Caso queira comer no restaurante, vale a pena evitar o horário de pico do almoço dos catamarãs, quando não são servidos pratos à la carte, apenas um buffet com uma fila considerável. Você pode encomendar o seu prato antes de sair para a trilha (no período da tarde, a trilha parte entre 13:30 e 14:00h) e no retorno ele estará pronto. Embora a comida não seja excepcional, vale a pena experimentar dois doces do restaurante: o doce feito de cactus (que não é tão fácil de encontrar em outros lugares) e a “bala que matou lampião”, que é uma bala de doce de leite deliciosa!

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Interior do restaurante

Depois do almoço, caso não se incomode com a lotação, é possível ficar na prainha formada  pelas areias do Rio São Francisco. Tem até um tobogã improvisado que dá direto nas águas.

E assim terminou nossa incursão pelo interior do Sergipe/Alagoas. Dormimos mais um dia em Piranhas e no dia seguinte cedinho partimos para Aracajú.

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3 thoughts on “ A Cidade de Piranhas e A Rota do Cangaço

  1. Pingback: Canions do Xingo (ou do Rio São Francisco) | Diários de Férias

  2. Oi!
    Estou planejando minha ida a Aracaju e gostaria de fazer o Cânion e a Rota do Cangaço. Vocês fizeram os dois no mesmo dia?
    Como quero pernoitar em Piranhas, gostaria de saber se conseguimos fazer em um dia.

    Beijos,

    • Olá Livia! Sim, fizemos, mas dormimos em Piranhas na noite anterior aos passeios e na noite posterior. Fizemos cânions de manhã e Rota do cangaço à tarde. Da tempo tranquilo. Bjs

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