Conhecendo Lisboa

Com certeza eu herdei o gosto de viagem dos meus pais, que não perdem a oportunidade de pular num avião quando tem a chance. O vício de já partir com o maior número de coisas prontas veio do meu pai, que já esquematiza toda a viagem antes de sair de casa. O jeito de aproveitar os dias no destino veio da minha mãe, que pula da cama cedinho e se recusa a voltar pro hotel enquanto há luz do dia.

Então, quando decidi viajar a um país da Europa que eu ainda não conhecia, achei que ela fosse uma boa companhia: “Mãe, vou aproveitar os feriados de novembro pra conhecer um pouco de Portugal. Quer ir comigo? Mas vou fazer um roteiro bem corrido e preciso economizar em hotéis, topa?”. Minha mãe, que não é de recusar uma viagem, disse sim na mesma hora.

No total, eu tinha quase 5 dias inteiros, que com uma ajudinha da minha mãe, que já conhecia os destinos a serem visitados, ficaram divididos entre 2 e meio para Lisboa, 1 para Sintra e 2 para o Porto.

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Disposição dos bairros de Lisboa

Nosso roteiro em Lisboa ficou esquematizado como conto a seguir.

DIA 1 

Castelo, Alfama, Sé, Elevador Santa Justa, Convento do Carmo, Praça do Rossio, Rua Augusta e Praça do Comércio

Lisboa

Castelo, Alfama, Baixa, Rossio, Chiado e Bairro Alto. O mapa de Belém está no DIA 2.

 Para acessar o mapa interativo do GMaps, onde estão marcados todos esses pontos, basta clicar aqui

Como a viagem era corrida, nosso vôo chegou em Lisboa, pegamos um táxi do aeroporto até o hotel, deixamos as malas e já saímos para turistar rs!

Nosso primeiro destino foi o Castelo São Jorge. A construção data da época em que os Mouros habitavam a cidade e ali construíram um forte. Em 1147 os cruzados e o Rei Afonso reconquistaram Lisboa após quatro séculos de controle Mouro. Como o ataque danificou a estrutura, as fortificações foram reconstruídas e, a partir do século XIV, os reis portugueses passaram a morar no antigo palácio mouro ali construído.

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Castelo São Jorge

Posteriormente, no século XVI, o palácio real mudou-se para o palácio da Praça do Comércio e o local passou a funcionar como prisão.

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Castelo São Jorge em 2015, com sol.

Hoje em dia, os turistas podem visitar as muralhas, seus jardins e seus mirantes. Embora não seja a colina mais alta da cidade, a vista do Castelo é linda, com todas as casinhas de telha lá embaixo.

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Vista desde o castelo

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Muralhas do castelo

É possível visitar também a Alcáçova, antigo palácio mouro do qual só restou a parte externa, que foi submetida a várias restaurações. Hoje em dia, o lugar abriga a Olispónia, uma exposição multimídia sobre a história de Portugal, que não nos chamou muita atenção e nós deixamos passar.

Aos pés do Castelo está o bairro de Alfama. Nós fomos descendo à pé as ruazinhas estreitas, com casinhas brancas e roupas penduradas nas janelas. O bairro parece que parou no tempo.

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Alfama

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Nos perdemos um pouquinho entre as ruas tortas e sem nome, mas conseguimos chegar ao Miradouro de Santa Luzia, que é uma graça de lugar, além de oferecer bonitas vistas da cidade.

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Miradouro de Santa Luzia

De lá, descemos mais um pouquinho em direção à . A Igreja em si não tem nada demais, mas para os paulistanos é impossível não dar uma passadinha para conhecer a Sé “original”.

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Interior da Igreja

Terminada essa parte da cidade, pegamos um ônibus de linha (há um ponto logo em frente à Igreja e é só perguntar qual vai para o local que você quer) em direção ao Elevador Santa Justa.

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Elevador Santa Justa

O Elevador de Santa Justa foi construído em 1902 por um discípulo de Gustav Eiffel e liga a Baixa ao Bairro Alto. Chegando ao último andar, há uma plataforma, da qual também se tem vistas lindas de Lisboa, dessa vez com o Castelo ao fundo! Da plataforma também sai uma escada que leva direto a um café que, embora carinho, tem vistas bem bonitas.

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Lisboa vista do elevador Santa Justa

Saímos do elevador e pegamos a saída para o Largo do Carmo. Ali estão as ruínas do Convento do Carmo, construído entre 1389 e 1423 e destruído em 1755 pelo famoso terremoto que assolou Lisboa. O convento antes do terremoto tinha a maior igreja de Lisboa, mas a construção ficou ainda mais dramática após o desastre, pois os arcos góticos continuaram em pé, formando um cenário lindo!

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Ruínas do Carmo

Ali também está o Museu Arqueológico do Carmo, com peças de diversos mosteiros portugueses, além de sarcófagos egípcios e múmias pré-colombianas.

O convento fica em outro bairro super famoso de Lisboa: o Bairro Alto, que por sua vez também é vizinho de outro bairro de renome, o Chiado. Como nosso dia tinha começado em São Paulo e a essa altura não teríamos tempo de conhecer muito bem nenhum dos dois, decidimos descer o elevador e ir conhecer o Rossio e a Baixa.

A Baixa é um bairro projetado pelo Marquês de Pombal, com 3 ruas principais (hoje em dia são mais), cortadas por 9 vias menores. Algumas das ruas ainda guardam o nome dos ofícios e profissionais que trabalhavam nelas, como a Rua da Prata, a Rua do Ouro, a Rua dos Sapateiros etc. O elevador desce na própria Rua de Santa Justa e é só continuar por ela até cruzar com a Rua Augusta, que leva direto à Praça do Comércio.

Entretanto, antes de virar à direita na Rua Augusta, vale a pena tomar a esquerda e subir até a Praça Dom Pedro IV, mais conhecida como Rossio. É uma das praças mais importantes de Lisboa desde a época medieval e ainda funciona como núcleo comercial da cidade. Ali estão algumas fontes em estilo barroco e o calçamento é de mosaico.

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Praça do Róssio

Ainda na praça, está a estação de mesmo nome, famosa por suas portas em forma de ferradura, bem decoradas.

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Estação do Róssio

Vizinha a ela está a Praça da Figueira, onde antigamente funcionava o principal mercado de Lisboa. Hoje em dia a praça não tem nada demais.

Voltamos, então, para a Rua Augusta – uma das principais da Baixa exclusiva para pedestres – e fomos descendo em direção ao Rio Tejo.

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Rua Augusta. Minha mãe vai adorar aparecer no blog rs!

A Rua Augusta dá direto na Praça do Comércio, ponto alto do projeto do Marquês de Pombal, decorada com várias arcadas e construções clássicas, uma das quais abrigava o palácio real. Hoje em dia a praça tem uma estátua de Dom José, que reinava na época do terremoto e da reconstrução de Lisboa.

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Praça do Comércio

Da praça já se avista o Tejo e é possível chegar até suas águas, na área chamada de Terreiro do Paço.

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Rio Tejo

De lá, voltamos para o hotel, tomamos um banho e saímos para jantar em um restaurante bem famoso entre os turistas: O Solar dos Presuntos. Eu, particularmente, não achei nada excepcional, mas muita gente fala muito bem!

DIA 2

Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos, Mosteiro São Jerônimo, Pastéis de Belém, Elevador da Glória, Bairro Alto e Chiado

Belém

Belém. O mapa das outras regiões está no DIA 1.

Para acessar o mapa interativo do GMaps, onde estão marcados todos esses pontos, basta clicar aqui

No segundo dia, decidimos visitar a parte de Belém. Apesar de ser um pouco mais afastada das demais regiões turísticas de Lisboa, é tranquilo chegar até lá pelo Bonde nº 15, que parte da Praça do Comércio. Eu aproveitei que estava viajando com a minha mãe e fomos de táxi rs!

Se sua programação incluir Belém de manhã, não adianta pular da cama tão cedo, porque tanto a torre de Belém como o Mosteiro dos Jerônimos abrem somente às 10:00h.

*Caso vá a Portugal na alta temporada e queira pular a fila, é possível comprar ingressos online aqui. O ticket da Torre de Belém + Mosteiro dos Jerônimos custa 12 euros (checado em abr/2015). 

Nos programamos para chegar umas 09:30 e passar antes pelo Padrão dos Descobrimentos, monumento erguido em homenagem aos exploradores náuticos. Feito na forma de uma caravela, é encabeçado por  Henrique, o Navegador e traz outros heróis portugueses, como Luis Camões.

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Padrão dos Descobrimentos

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Dentro do monumento há uma exposição sobre a história de Lisboa e o ingresso dá direito a subir no elevador e apreciar tanto a vista, como o mosaico que fica no chão em frente a ele, com uma rosa dos ventos e mapas mostrando as rotas percorridas pelos navegadores portugueses.

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Fomos andando pela orla até a Torre de Belém, que embora pareça um monumento de tão bonita, surgiu com a função inicial de defesa da entrada do Rio Tejo. Era de lá que partiam os navios em direção às Índias, China, América etc. Ficamos esperando um pouquinho a torre abrir para visitar o interior, mas começou uma chuva, com vento, frio, minha mãe falou que não era tão imperdível assim e … bom, deixamos passar rs! De qualquer forma, em dias bons, o último andar da torre oferece vistas bonitas do Tejo e de Lisboa.

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Torre de Belém

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Foto com o dia mais bonito, na viagem de 2015.

Passamos pelo jardim da Praça do Império e de lá já se avista o Mosteiro dos Jerônimos, uma das construções mais lindas de Lisboa. Não deixe de parar no Portal Sul, super trabalhado, com as imagens de D. Henrique, Virgem de Belém e São Gabriel.

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Mosteiro dos Jerônimos

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Portal Sul

Lá dentro, um dos destaques é o claustro, construído em arquitetura manuelina e com um jardim no meio.

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Claustro e jardim central

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Outro destaque é a própria igreja. Além da arquitetura linda (também manuelina), ali estão os cenotáfios de Camões e Vasco da Gama.

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Igreja do Mosteiro dos Jerônimos

Saindo de lá, com poucos passos pela Rua Belém chega-se à famosa pastelaria Pastéis de Belém, onde foi criado o famoso doce. Eu que nem sou muito fã desse doce comi até dois dos de lá, que realmente são muito bons e fazem jus à fama! A pastelaria está sempre lotada, mas é enorme e tem vários lugares para sentar.

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Os famosos!

Andando até o fundo do salão, é possível ver o doce sendo preparado.

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Update: em 2015 voltei para Belém com alguns amigos e fomos conhecer a Fundação Champalimaud, que tem uma arquitetura incrível, que me lembrou muito o Getty Image Museum (em Los Angeles). 

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Na fundação está o Darwin`s Café, um restaurante super charmoso, que tem como destaque a vista linda para o Tejo e para a Torre de Belém. Se estiver por lá em um dia de sol, vale a pena conhecer!

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Saindo de Belém, pegamos um táxi (mas é só usar o bondinho nº 15) e fomos em direção ao Elevador da Glória, que nada mais é do que um bondinho que ultrapassa uma ladeira que liga o Róssio ao Bairro Alto.

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Elevador da Glória

Logo na saída do elevador, para a direita, está o Miradouro de São Pedro de Alcântara, que também oferecem uma vista super bonita da cidade.

De lá, fomos andando pelo Bairro Alto, seguindo o trajeto à pé que o guia indicava. O Bairro Alto é a região boêmia da cidade e é conhecido por seus ótimos restaurantes, além de ser um dos bairros mais agitados pela noite.

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Bairro Alto

Se for descendo em direção ao Tejo, um pouco à sua esquerda já estará o bairro do Chiado. Antigamente reduto de escritores, hoje em dia é um importante centro comercial. Para quem se interessa por compras, ali é o local, cheio de lojas de roupas, galerias etc.

Pertinho do Largo do Chiado, na Rua Garret nº 120, está o Café à Brasileira , em atividade desde 1905. O interior tem decoração tradicional e os preços, inclusive, são mais baixos que nas mesas da calçada. Na frente do café, está a famosa figura de Fernando Pessoa e do lado uma cadeira vazia para você tirar aquela famosa foto turística que dá vergonha mas ninguém resiste rs!

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Café à Brasileira

Aliás, a Rua Garret é uma das mais famosas do bairro e reúne uma série de lojas e cafés interessantes. No final dela está o Armazéns de Chiado, uma espécie de shopping center. Ali está também a Livraria Bertrand, a primeira da cidade e que tem 280 anos.

Update: nessa visita de 2015 conhecemos um restaurante muito bacana no Chiado, o Pharmacia (não achei o site oficial, mas eles tem página no facebook – aqui). Ele fica dentro do museu da farmácia e é todinho inspirado nessa temática. O menu é um receituário, o couvert vem em frascos tipo de remédio etc. Muito divertido e comida bem gostosa. Vale a pena ir almoçar porque o jardim é uma delícia, além de ser bem mais vazio. Para o jantar, é preciso reservar pata conseguir lugar. 

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Como ainda estávamos com tempo, fomos a um dos pontos do Bonde nº 18, que passa por diversos pontos turísticos da cidade e demos uma volta completa com ele. Afinal, como ir a Lisboa e não andar nesse famoso meio de transporte da cidade?

Quando descemos de volta no Chiado, ficamos por lá passeando e, quando anoiteceu, subimos para o Bairro Alto para jantar e ver o agito. Escolhemos a famosa Cervejaria Trindade, aberta desde 1836 em um antigo mosteiro da cidade. A comida é ótima e barata e a cerveja idem.

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Cervejaria Trindade

Saindo do jantar, ficamos andando pelas ruas cheias de gente, principalmente jovens, e paramos em um bar que estava bem cheio para tomar uma Ginginha. A bebida típica da cidade é um licor da fruta Ginja, que chegou a Portugal trazida da Ásia. É uma delícia e a maioria dos bares serve em um copinho de chocolate. Imperdível! O lugar mais famoso para tomar a bebida é no bar A Ginginha (perto da Praça do Róssio), mas em qualquer lugar é uma delícia.

Update 2015: para quem estiver animado para sair à noite em Lisboa, vale a pena conhecer o bar/balada Pensão do Amor. Super famoso na cidade, ele é tão brega quanto divertido! Com uma decoração do tipo cabaret e até um sex shop dentro, reúne tanto locais quanto gringos. Vale a pena conhecer.  

Assim passamos os nossos 2 dias inteiros na cidade. Os outros dias foram dedicados a Sintra e à Cidade do Porto, cujos posts estão aqui e aqui, e são excelentes viagens para casar com Lisboa, além de Fátima, que fui em outra viagem e conto aqui. Na barra de destinos também há muitas outras cidades que a Débora, expert em Portugal, já visitou!

No dia em que voltaríamos para São Paulo, tínhamos uma manhã livre e tínhamos planejado conhecer o Parque das Nações, que ocupa a área que foi construída para abrigar a Expo 98. A extensa área é dedicada a pedestres e decorada com fontes e construções futuristas. Dentre as várias atrações, a mais famosa é a Oceanário de Lisboa. Como estava chovendo muito no dia, acabamos desistindo do passeio e ficamos pelo Chiado passeando um pouco mais antes de arrumar as malas e partir.

Confesso que demorei a conhecer Lisboa pois nunca foi uma cidade que me atraiu muito. Entretanto, fiquei encantada ao conhecê-la! Pessoas simpáticas, comida deliciosa e ouvir a nossa língua dão em sentimento acolhedor a quem visita a capital.

Update: nessa viagem de 2015 que fui para Lisboa com amigos voltei ainda mais apaixonada pela cidade. Uma cidade boa para se conhecer tanto em família, como em grupo de amigos. No verão ela simplesmente fica em festa, gente na rua o tempo todo, de todos os lugares, até altas horas da noite. Se ela ainda não entrou na sua bucket list, é de se repensar!!

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As fachadas incríveis de Lisboa. Não dá para não se apaixonar!

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3 thoughts on “Conhecendo Lisboa

  1. Pingback: Dois Dias na Cidade do Porto | Diários de Férias

  2. Também sinto o mesmo por Lisboa. Muito acolhedora e cativante esta cidade. Bom roteiro para uma viagem rápida. Pena não ter ido ao oceanario que também é incrível.

  3. Pingback: Como ir a Fátima desde Lisboa | Diários de Férias

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