Agra e o Taj Mahal

Nossa passagem por Agra foi bastante rápida, apenas 1 dia e meio. A cidade não oferece muitas atrações, mas é o local DA atração. É na cidade que fica o cartão postal da Índia, uma das 7 maravilhas do mundo moderno, patrimônio da UNESCO, enfim, a atração mais cheia de honras e títulos da Índia: o Taj Mahal.

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Nossa visita ao Taj, porém, seria apenas na manhã do dia seguinte, então, ao chegar, fomos conhecer uma outra linda atração da cidade, o Agra Fort, complexo arquitetônico a cerca de 3 quilometros do Taj Mahal que integra um forte e palácio.

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Construído entre 1565 e 1571 e decorado por várias gerações reais, o forte é grandioso. Todo murado, é construído em arenito vermelho e mármore, contando com inúmeros ambientes, jardins, pátios. Também conhecido como Forte Vermelho, havia sido construído para ser um forte militar, mas tornou-se sede dos governos mais poderosos da era Mughal, como o de Akbar, Jahangir e Shah Jahan.

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Sala de audiências com seus muitos arcos e jardins do forte.

Um dos construtores do local foi Shah Jahan, o mesmo imperador que construiu o Taj Mahal, e os prédios por ele construídos também são de mármore branco com decorações em pedra, lembrando muito aquele monumento.

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Construção de estilo similar à do Taj.

Aliás, foi em umas das alas por ele construída que o imperador terminou seus dias, aprisionado pelo filho. A história conta que o imperador praticamente esgotou as riquezas da família com a construção do Taj Mahal e, para evitar que a continuidade desses gastos, quando ele adoeceu o filho mandou prendê-lo. O único desejo do imperador foi que pudesse ficar em um lugar em que pudesse apreciar o túmulo-palácio que mandou construir para sua amada, mas a história completa vai logo abaixo…

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A “prisão”e o Taj Mahal logo ao fundo!

Falando na história de amor, aproveite a visita para apreciar o páteo em que eram realizadas as feiras, pois foi ali que Shah Jahan conheceu a mulher que amaria para o resto da vida e para quem construiria um dos monumentos mais famosos do mundo.

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Onde Shah Jahan conheceu Mumtaz

Do Forte fomos direto ao hotel. Como ficaríamos na cidade apenas um dia e não queríamos perder nenhum minuto da nossa estada longe do Taj Mahal, ficamos no Hotel Oberoi. O hotel fica bem pertinho de uma das entradas do Taj e oferece serviço de transporte em carrinhos de golfe para lá. A qualidade dos hotéis dessa rede já descrevemos no post sobre Udaipur (aqui).

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A beleza da arquitetura dos hotéis da rede Oberoi.

Todos os quartos tem vista para o Taj e vale a pena passar o final da tarde no bar vendo o monumento de mármore branco mudar levemente de cor conforme os tons do sol vão mudando.

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Taj da janela do quarto …

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… Taj do bar ….

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Taj de todos os lugares, até nos reflexos do vidro!

No dia seguinte acordamos beeem cedo para visitar (finalmente!!) O TAJ MAHAL, pois queríamos tirar fotos com o menor número de pessoas possível (sem ninguém é impossível!).

É necessário checar os horários de abertura no site oficial, pois, pelo que entendemos, variam de acordo com a época do ano (quando fomos abriu às 6hs). Logo na abertura é o horário com menor aglomeração de pessoas.

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Nós e ele! Vale a pena acordar cedo!

Dicas práticas:

É importante comprar o ingresso com antecedência para chegar na fila já com ele. Os ingressos podem ser adquiridos nos portões Oeste e Leste, que abrem 1 hora antes da abertura do complexo, ou no Portão Sul, que abre apenas das 08:00 às 17:00. Mais informações aqui. Muita gente perde um tempão na fila principal sem ingresso, para, no final, voltar para trás. *ATENÇÃO: às sextas-feiras o Taj Mahal é fechado!!

Caso você dê sorte de estar em Agra em um dia de lua-cheia do mês, não perca a oportunidade de fazer uma visita noturna ao local. Devido à qualidade do mármore branco, dizem que nas noites de lua cheia o Taj Mahal fica fluorecente e é possível fazer a visita sem qualquer iluminação, apenas a luz da lua e das estrelas por ele refletidas. Para verificar os dias em que haverá a visita noturna, o site oficial traz uma tabela atualizada até 2020 (aqui). Ali também estão os detalhes da visita, horários, como adquirir os tickets e número máximo de visitantes.

Mas antes mesmo de ver o Taj, os próprios portões de entrada já são uma atração à parte. São enormes e decorados com inscrições do Alcorão. No topo, 22 pequenos domos representam a quantidade de anos que o mausoléu levou para ser construído.

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Aliás, aqui, uma dica prática fotográfica. Logo passar pelo portão principal, todo mundo já para ali na plataforma e se aglomera para tirar fotos. Entretanto, a melhor vista fica na segunda plataforma, a que está logo após o término do primeiro espelho de água. Caso você, como a gente, madrugue e entre logo com as primeiras pessoas, passe essa plataforma e vá direto à segunda plataforma lá na frente, que oferece a mesma vista e, provavelmente, estará vazia!

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Foto tirada da 1a plataforma, logo depois de entramos. A 2a plataforma está logo em frente, VAZIA, ao final do 1o espelho d’agua.

Todas as honras e superlativos que sempre ouvimos do Taj geram uma expectativa que, sem dúvida, é superada. Nada te prepara para a beleza e a grandiosidade desse lugar. Um medo nosso era que, depois de ter visto tantas fotos do lugar e ter escutado tantos elogios, não ficássemos tão impressionadas ao estarmos frente a frente com ele. Sabe aquela história de “é lindo”, mas não estou estupefata?! Pois é, isso não acontece. E olha que ao longo da vida somos bombardeadas com imagens de tirar o fôlego e a expectativa dos visitantes geralmente é a maior possível. A verdade é que nada, nada do que você ouvir e ver antes de visitar o Taj Mahal te preparará para o que é o monumento ao vivo.

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O famoso reflexo pode ser visto bem cedo!

Tudo nele é tão simétrico, perfeito e detalhado que o olhar se perde. De longe, o reflexo no espelho d’água parece de mentira (vale a pena chegar cedo também para ver o reflexo, pois depois as fontes são ligadas e o reflexo desaparece). De perto, as paredes com incrustações em pedras preciosas e os detalhes de cada centímetro deixam qualquer um sem palavras.

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Detalhes em alto-relevo e pedras incrustadas.

O monumento, como canta Jorge Ben Jor, é fruto de uma linda história de amor entre o imperador mugal Shah Jahan, que era neto de Akbar, e sua amada Aryumand Banu Begam. Os dois se conheceram em uma feira realizada no palácio do forte de Agra e a paixão era tanta que após o casamento o então príncipe apelidou-a de Mumtaz Mahal, que significa “a eleita do palácio”.

Mumtaz Mahal sempre acompanhava o marido em suas viagens e justamente em uma das viagens que ela, grávida do décimo quarto filho do casal, não resistiu às complicações do parto. Shah Jahan, que estava em combate, no momento em que soube do estado da amada, foi às pressas ao seu encontro e, no seu leito, fez a promessa de que cuidaria de seus sogros, filhos e que construiria algo para tornar seu amor imortal.

Depois da morte, relata-se que todo o reino permaneceu em luto por dois anos, sem músicas e festas. Após esse período, o rei passou a cumprir sua promessa de imortalizar seu amor e ordenou a construção de um monumento-túmulo para que sua rainha sempre fosse lembrada.

Para imortalizar um amor tão grande, o rei não poupou esforços, dinheiro, trabalho. Consultou arquitetos do mundo todo e, nos 22 anos seguintes, ergueu-se o Taj Mahal.

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Nosso tamanho perto de um dos arcos do primeiro plano.

E se o exterior já é maravilhoso o suficiente para deixar qualquer um sem ar, a decoração do interior do mausoléu é ainda mais detalhada, embora lá dentro não haja nada além do túmulo de Mumtaz Mahal e de Shan Jahan.

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Interior do mausoléu, onde os túmulos do imperador e de sua amada estão lado a lado.

Ao final da construção, o imperador adoeceu e, por conta dos gastos exorbitantes, foi aprisionado pelo filho no forte de Agra, como já contamos acima. Seus planos originais eram construir também o próprio tumulo, uma réplica do Taj Mahal, na outra margem do rio, só que todo em mármore negro (!!!). Imaginem a maravilha…

Quando Shan Jahan morreu, sua filha (a fatídica décima-quarta), contrariando a vontade do irmão, providenciou que o pai fosse enterrado ao lado da amada. Hoje, o túmulo do imperador é a única construção de todo o complexo que está fora de simetria.

Os números do Taj são impressionantes: 20 mil artesãos de todo o oriente, 107 distintos tipos de plantas e árvores para os jardins, 500 quilos de ouro, centenas de diamantes, toneladas de mármore branco puro vindo do Rajastão, 30 tipos de pedras como jade, cristais, turquesas, âmbar, safiras vindas de todo o Oriente e pessoalmente escolhidas pelo imperador.

A construção conta, ainda, com uma estrutura de sustentação antiterremoto e resistente a eventuais cheias do Rio Yamuna que corre logo atrás. Os quatro minaretes de 40 metros de altura que rodeiam o mausoléu são levemente inclinados para fora para que, caso caiam, não afetem a construção principal.

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Além disso, tudo é milimetricamente calculado para aparentar a simetria perfeita. Nos painéis caligráficos com inscrições do Alcorão, o tamanho das letras aumenta conforme a altura, criando a ilusão de que o texto é uniforme. Caso contrário, nossos olhos enxergariam as letras de cima menores do que as debaixo. Cada detalhe foi realmente pensado e mostra o cuidado na construção. Outras ilusões de ótica estão presentes por toda a construção.

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A preocupação com a simetria era tanta que até a mesquita construída ao lado do mausoléu ganhou uma réplica perfeita no outro extremo que, porém, não é utilizada pois não está voltada à Meca.

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As incrustações nas paredes são um espetáculo à parte. O que de longe parece ser um desenho é na verdade um conjunto de pedras preciosas e pedras semi-preciosas, cortadas em fatias e encaixadas nas placas de mármore branco, formando as letras dos trechos do Alcorão e os desenhos.

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Os detalhes de perto mostram que, o que parece desenho sobre mármore, são, na verdade, pedras incrustadas.

Dentro do mausoléu, onde há pouca luz, é possível iluminar os desenhos com uma lanterna e vê-los “acesos”! Embora o vídeo não tenha ficado tão bom, dá para ter uma ideia do que falamos (caso o vídeo não abra, clique aqui):

Como se não bastasse tanta grandiosidade, a brancura e translucidez do mármore com o qual o monumento é construído permite que a luminosidade varie durante o dia e, assim, em cada momento do dia, o mausoléu aparenta uma cor diferente.

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Ao ir embora, um último truque de ilusão de ótica. Conforme você se afasta do portão, o monumento vai parecendo cada vez maior e parece que está te acompanhando, andando atrás de você.

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Impossível não se impressionar! Como dissemos, nenhuma palavra ou imagem te preparará para o que você verá ao vivo. Uma visita para nunca mais esquecer!

Veja também:

Nós Vamos Para a Índia!! – o que esperávamos, nosso roteiro e dicas práticas

Nós Fomos Para a Índia …. e Amamos!!! – impressões gerais e mais dicas práticas

Delhi: a capital do subcontinente indiano

Udaipur – A Primeira Parada no Rajastão

Ranakpur – Os Templos Jainistas

Jodhpur – A Cidade Azul

Jaipur – A Cidade Rosa do Rajastão

Fatehpur Sikri – A capital abandonada do Império Mongol

Agra e o Taj Mahal

A cidade sagrada de Varanasi

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9 thoughts on “Agra e o Taj Mahal

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