Jaipur – A cidade rosa do Rajastão

Nossa próxima parada, ainda no Rajastão, foi a capital do estado: a cidade de Jaipur, uma viagem terrestre de cerca de 6 horas desde Jodhpur.

Jaipur é a maior cidade do Rajastão, tem cerca de 2,5 milhões de habitantes. A cidade, fundada no século XVIII, é conhecida como “Cidade Rosa”, por um motivo curioso:  o marajá que estava no poder em 1876 mandou pintar todas as casas do centro da cidade dessa cor para uma visita do Príncipe de Gales.

Outra curiosidade é que a cidade de Jaipur foi planejada, construída para abrigar a capital do Estado e, apesar de não ter resistido ao impacto do crescimento, o planejamento ainda é notado nas ruas retas e divididas em setores, principalmente no centro antigo.

Nós ficamos no Hotel Trident (mais um da Rede Oberoi), que achamos bom, mas nada demais até porque praticamente não ficamos no hotel. A localização é um pouco distante do centro, fica na frente do lago Man Sagar Lake que abriga o Water Palace (Jal Mahal) um dos palácios dos Marajás que não é aberto a turistas. Embora a vista seja bonita, o lago atrai bastante mosquitos o que deixa o passeio por lá um pouco desagradável.

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JAa Mahal

Como estávamos num tour, não houve problemas com a distância, mas para explorar melhor a cidade por conta, talvez valha a pena ficar mais perto do centro antigo (na região  do Hawa Mahal).

Jaipur era uma cidade em que teríamos mais tempo livre, então aproveitamos para fazer programas além do roteiro turístico tradicional, por isso vamos dividir as atrações em principais (mais turísticas) e adicionais (um plus para tornar a “experiência Índia” mais completa!):

– ATRAÇÕES PRINCIPAIS:

1) Amber Fort

Uma das principais e mais visitadas atrações da cidade, na verdade fica um pouco distante do centro, a cerca de 15 quilômetros. Vale a pena chegar cedo porque é uma atração bem procurada.

Construído pelo marajá Raja Man Singh I em 1592, o forte é um dos mais fascinantes da Índia. É uma enorme construção que fica no topo de uma colina com vista para o lago Maota e abriga lindos jardins, salas espelhadas.

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Chegar lá já é uma atração à parte. A subida montanha acima pode ser à pé ou de elefantes, mas, caso queira fazer a subida com os animais, vale a pena chegar cedo. A fila para pegar os elefantes é bem grande e chegar cedo pode significar um grande economia de tempo.

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A “pequena” fila para subir de elefante…vale a pena chegar cedo!

Nós subimos até a entrada do forte de elefante e adoramos. Há dezenas deles que em fila formam um verdadeiro congestionamento de elefantes…a experiência é bem legal, além da vista linda que vamos tendo no caminho.

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No caminho até o forte, vários fotógrafos tiram fotos para oferecer na saída do passeio. As fotos mais bonitas são as últimas, tiradas quando já se está quase entrando no complexo, com a vista do lago. Os vendedores de fotos gritam seus nomes (na verdade apelidos) para que, caso eles não te encontrem no final, você possa encontrá-los. Lembre-se que o preço começa lá no alto e pechinchar até o fim é a regra!

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Já dentro do forte, reserve um tempo para se perder entre as salas. Vale levar ou contratar um guia para entender melhor o significado de cada ambiente…são muitos!!

A parte da entrada é a mais impressionante, com um portal mega colorido e trabalhado.

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Passando o portal, à esquerda está uma antiga sala de cair o queixo. A impressão é de estar dentro de uma caixa de jóias (e, na verdade, é quase isso, com a diferença que as jóias estão na própria parede).

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Continuando-se passa-se pelos jardins internos, até chegar-se a um páteo onde eram celebradas as festividades, com lugares para que as mulheres da corte pudessem assisti-las em um local mais reservado.

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Jardim interno

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Partes reservadas às mulheres no pátio interno

2) Hawa Mahal

Cartão postal da cidade, conhecido também como Palácio dos Ventos foi construído exclusivamente para as mulheres da corte. Como elas não podiam ser vistas pelas pessoas “normais”, podiam observar a movimentação da cidade através das quase mil janelas do palácio.

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É possível visitar o interior. Fazendo isso, percebe-se que o Hawa Mahal nada mais era do que uma fachada. Além disso, é possível ter lindas vistas de dentro, as mesmas que tinham as moças da corte!

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A construção – apenas uma fachada

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Como as moças da corte viam o mundo externo

O Hawa Mahal fica bem no centro da cidade, em uma avenida movimentada e cheia de lojas turísticas. Vale a pena andar por essa região, que falamos mais detalhadamente nos adicionais!

3) Palácio da Cidade

Construído entre 1729 e 1732, hoje um dos museus mais importantes de Jaipur e antiga residência do Marajá. Fica ao lado do Hawa Mahal. É formado por belos pátios e jardins e abriga um museu com um acervo de objetos, roupas, acessórios que dão uma ideia da vida luxuosa dos marajás. A parte privada, residencial, ainda é utilizada como residência do marajá de Jaipur e não pode ser visitada.

Foi na entrada no palácio que tinha um encantador de cobras com uma naja e não resistimos na tentação de cair no clichê e tirar uma foto com a cobra!

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Medo!

4) Jantar Mantar

Também na região central, ao lado do palácio, está o Jantar Mantar que, particularmente, adoramos! Trata-se de um observatório astronômico gigantesco construído pelo Marajá Jai Singh entre 1727 e 1734.

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Relógio solar

A crença quase que absoluta na astrologia pelos indianos não é nenhuma novidade, então não se admira que o marajá quisesse ter um campo de estudos astrológicos particular. O que impressiona mesmo é o tamanho dos instrumentos, que dão a medida exata do tempo, a inclinação solar, a localização das constelações, a indicação dos fenômenos astronômicos.

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Determinação de signo no dia e hora do nascimento

É bem interessante e vale aceitar a visita orientada pelos guias locais para entender melhor como os aparelhos funcionam.

5) Templo dos Macacos (Galwar Bagh)

O templo fica um pouco distante do centro de Jaipur (uns 10km de carro), então a visita vale a pena só se tiver tempo sobrando!

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Não é chamado de templo dos macacos à toa. Há muitos deles por lá e, ao contrário do qua haviam nos alertado, eles não ficam roubando nada e nem pulando em cima das pessoas (é claro, também não nos arriscamos ficar andando por lá com alguma comida na mão)

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O lugar é bem grande, formado por vários prédios e tanques de purificação (da alma mesmo, porque se depender da limpeza da água). É ali nesses tanques que também são amplamente utilizados pelos macacos que diversas pessoas se banham.

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Há um caminho, tipo uma pequena trilha, que leva a um mirante da onde se vê toda a cidade velha de Jaipur.

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– PROGRAMAS ADICIONAIS

1) Andar pelo mercado

A cidade antiga de Jaipur tem várias ruas comerciais e bazares com setores específicos (onde só se comercializam utensílios de cozinha, tecidos, jóias etc). A parte mais turística fica na rua do Hawa Mahal mesmo, mas vale a pena se aventurar pelas ruas paralelas (como os demais mercados na Índia deve-se estar preparado para o caos – buzinas, vacas, rickshaws, tudo junto e misturado!).

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Vimos cortes de cabelo na rua …

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… disputas por um tuk tuk ….

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… transporte urbano …

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…. uma mistura de construção antiga, venda de legumes, vacas e lixo .. entre muitas outras coisas.

Tivemos a sorte de em uma das ruas principais presenciar uma cerimônia pré-casamento realizada pelas mulheres da família do noivo. Todas vestidas com sáris sofisticados e seguindo diversos rituais.

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E claro que não poderíamos deixar passar em branco a oportunidade de provar nós mesmas um sári, né? O pessoal da loja foi super simpático (mesmo que tivéssemos deixado claro desde o começo que não iríamos comprar) e até “jóais” colocaram na gente rs!

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Para finalizar as experiências maravilhosas que tivemos pelas ruas do centro, andando de carro tivemos a sorte de acompanhar a passagem de uma espécie de procissão (tão animada que aparecia uma festa!) que seguia atrás de um guru…uma quantidade interminável de pessoas seguiam carros de som dançando e cantando. Pura alegria indiana! Puro deleite para os nossos olhos!

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O guru

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Procissão com vasos

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Dança com bandeiras

2) Fazer uma massagem ayurvedica

Não podíamos deixar de experimentar algo dessa ciência tão tradicional na Índia. A medicina ayurvedica é oficial no país e há faculdades especializadas em todo lugar (já contamos como nos apaixonamos pelas promessas – e preços – dos produtos ayuverdicos da marca Hymalaia né?).  A Ayurveda foi desenvolvida há cerca de 7 mil anos (é uma das mais antigas da humanidade) e significa Ciência (veda) da Vida (ayur).

Em resumo, eles creem que tudo que existe no universo, inclusive o corpo humano, vem de 5 elementos (terra, água, fogo, ar e éter) e as doenças seriam causadas pelo desequilíbrio entre esses elementos.

Uma das técnicas de buscar o equilíbrio e, por consequência, uma forma de cura, é a massagem ayurvédica. A maior parte dos hotéis oferece essa massagem. Nós decidimos meio em cima da hora e acabamos indo em um centro especializado na cidade. Como há várias opções, vale a pena pesquisar qual seria o mais tradicional, mais recomendado pelos turistas.

3) Assistir a um filme de Bollywood – cinema Raj Mandir

É uma ótima experiência que só da pra ter na Índia. O cinema Raj Mandir fica no centro da cidade e é super tradicional.

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É curioso ver as famílias super arrumadas e todos fazendo poses para fotos no hall do cinema. O filme em si não é a atração principal para os turistas, já que é em hindi (curiosamente com algumas frases no meio em inglês). O interessante mesmo é ver a empolgação dos indianos durante o filme, conhecer o roteiro normalmente surreal e cheio de músicas e danças.

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4) Fazer um mapa astral com um astrólogo indiano

A influência da astrologia hindu é muito forte. Os horóscopos são consultados antes do casamento para verificar a compatibilidade do casal, antes da construção de uma casa para avaliação da energia do terreno e para saber onde exatamente iniciar a construção, enfim, várias decisões importantes da vida dos indianos dependem do que dizem os astros.

Nós havíamos pedido para o nosso guia Bhawani chamar um para fazer nosso mapa astral express no fim do dia. Quando chegamos no hotel, já havia um astrólogo oferecendo os serviços no hall. Eles conversaram entre si e acordaram que o cara do hotel faria o nosso mapa astral. Disseram que não faria diferença afinal era uma ciência exata e não importava o profissional, o resultado seria o mesmo. Apesar de parecer meio turisticão, acabamos topando pela diversão e pela experiência. Não era caro e foi até interessante…descobrimos nossa pedra da sorte, nosso número da sorte.

Com base no mapa astral define-se a pedra de cada pessoa. Observamos que quase todos os indianos possuem pelo menos um anel, com a pedra indicado pelo mapa astral.

5) Jantar no Hotel TAJ

O Hotel TAJ é o mais luxuoso da cidade. Caso não esteja hospedado, vale a pena passar lá para jantar, pois era um antigo palácio do marajá, utilizado para caça.

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O hotel é lindo e seu extremo luxo é um exemplo claro dos contrastes de realidade da Índia que chocam mesmo a nós, acostumados com a desigualdade social do Brasil.

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O preço é bem salgado, mas a comida estava gostosa e há algumas apresentações de danças típicas.

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De Jaipur seguimos em direção a Agra, nos despedindo do estado do Rajastão, já com saudades e com uma certeza: uma viagem à Índia não é completa sem conhecer essa região…

Veja também:

Nós Vamos Para a Índia!! – o que esperávamos, nosso roteiro e dicas práticas

Nós Fomos Para a Índia …. e Amamos!!! – impressões gerais e mais dicas práticas

Delhi: a capital do subcontinente indiano

Udaipur – A Primeira Parada no Rajastão

Ranakpur – Os Templos Jainistas

Jodhpur – A Cidade Azul

Jaipur – A Cidade Rosa do Rajastão

Fatehpur Sikri – A capital abandonada do Império Mongol

Agra e o Taj Mahal

A cidade sagrada de Varanasi

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9 thoughts on “Jaipur – A cidade rosa do Rajastão

  1. Pingback: Fatehpur Sikri – A capital abandonada do Império Mongol | Diários de Férias

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