Udaipur – A Primeira Parada no Rajastão

Voltando do Butão, nossa próxima parada na Índia seria a região do Rajastão. Muita gente, por pura falta de tempo, acaba deixando de incluir o Rajastão no roteiro, mas é ali que está a Índia que todos imaginam. Saris coloridos, turbantes, vacas e elefantes no meio da rua e aqueles palácios lindos de morrer da época dos antigos marajás. Se a primeira coisa que vem à sua cabeça quando você pensa na Índia é o Taj Mahal, com certeza a cidade que você imagina ao redor dele estaria no Rajastão (Agra, sede do Taj, fica no estado de Uttar Pradesh). Talvez se não tivéssemos conhecido o Rajastão, não teríamos gostado tanto da Índia. Talvez, não, com certeza!

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Uma curiosidade que nosso guia contou é que quando o nome das cidades indianas termina com “pur”, significa que era uma cidade hindu. Quando terminar com “ad”, era uma cidade islâmica. Geralmente, as cidades de maioria hindu tendem a ser mais coloridas e alegres e no Rajastão as principais delas tem essa denominação: Udaipur, Jodhpur e Jaipur.

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A nossa primeira cidade a ser visitada seria Udaipur, a cidade dos lagos. São alguns espalhados por ela, mas o maior e mais famoso é o Lago Pichola. Como nosso voo chegava de Delhi por volta das 17:00, nossos planos originais eram deixar as malas no hotel e já partir para a região do lago, descolar algum restaurante rooftop que passasse “007 contra Octopussy” e ficar por lá até o fim do dia. O filme que foi rodado em Udaipur é sucesso absoluto e um programa tradicional na cidade é assisti-lo no final da tarde em um dos muitos restaurantes com terraço e vista para os telhados brancos das casas lá embaixo.

O hotel que havíamos reservado era o Trident Udaipur, rede “irmã mais pobre” da ótima Oberoi. Chegamos no hotel e fomos recepcionados por um mar de indianas lindas em sáris coloridos e um monte de homens de turbante. Estava para acontecer um casamento no hotel e a recepção estava sendo exatamente na recepção de hóspedes. Enquanto a gente esperava pelo check-in, olhávamos maravilhados o mar de cores e brilhos que estava ao nosso redor. De repente, chega o funcionário do hotel avisando que o casamento poderia deixar o hotel um pouco agitado, razão pela qual ele nos daria um upgrade aquela noite para o hotel deles de rede superior. No começo fizemos cara feia, porque fazia dias (tipo desde o começo da viagem hehe) que passávamos um dia em cada hotel e aquela seria a primeira oportunidade de dormirmos dois dias no mesmo quarto. Mas logo depois nos tocamos que o upgrade era para o próprio Oberoi e, obvio, aceitamos felizes da vida.

Logo que chegamos no Oberoi Udaivilas nossos planos originais foram por água abaixo! O hotel é simplesmente maravilhoso, colorido, com uma arquitetura típica da época dos marajás e fica na beira do próprio Lago Pichola, com uma vista super privilegiada para as principais atrações da cidade. Então desistimos de sair para a cidade e ficamos rodando pelo hotel mesmo, para conhecer.  Acho que as fotos falam por si só  …

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No final da tarde, fomos para a beira do lago e ficamos por lá, olhando de longe os antigos palácios, tirando muitas fotos e jogando conversa fora.

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Lago Pichola

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Se o complexo do hotel é maravilhoso, os quartos não ficam atrás, com todos os tipos de mimos (menu de travesseiros, um super café da manhã no quarto, dentre outros). Se tiver uma graninha sobrando para investir, vale muito a pena se hospedar por lá, não tanto pelo luxo, mas pela própria experiência de ficar num lugar tão lindo e se sentir como um marajá.

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No dia seguinte, acordamos bem cedinho e fomos fazer a aula de yoga oferecida gratuitamente pelo hotel. A aula acontece com vista para o lago e foi um ótimo jeito de começar o dia (já cansados rs!).

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Logo após a aula encontramos o Bhawani (nosso guia espetacular pelo Rajastão, que falamos aqui) e partimos para conhecer o Palácio da Cidade, onde moravam o marajá, sua família, suas esposas e seus muitos criados. Hoje em dia, uma parte é aberta a visitação, a outra parte abriga um hotel (o também ótimo Fateh Prakash Palace) e o resto ainda é dedicado à moradia da antiga família real.

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Fachada do City Palace

Apenas como curiosidade, o “acordo” firmado entre britânicos e marajás consistia em estes últimos aceitarem as ordens da Inglaterra. Por outro lado, a administração inglesa garantia a eles a manutenção de todos os seus benefícios e privilégios anteriores. Resumindo: os marajás mantiveram seus títulos reais, com toda a pompa, mas perderam o poder de governar. Posteriormente, todos os benefícios e privilégios foram retirados dos marajás, que atualmente tem os mesmo direitos de todos os cidadãos indianos. Entretanto, eles continuaram com todos os bens que possuíam antes (e sabem explorá-los muito bem), o que ainda faz com que muitos sejam famílias riquíssimas.

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O Palácio da Cidade foi construído ao longo de décadas e é possível distinguir entre vários estilos já na sua fachada. Ao entrar, há um pequeno museu e depois parte-se para as antigas áreas de convivência.

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Uma das salas do interior do palácio

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Quartos

A família real de Udaipur é conhecida por nunca ter aceitado pacificamente alguma invasão externa. Inclusive, quando os marajás do Rajastão se reuniram com os britânicos para reconhecer a supremacia da Inglaterra, a cadeira do marajá de Udaipur foi a única que ficou vazia na reunião. A cadeira é até hoje exibida no palácio.

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A decoração em geral dos palácios do Rajastão é sempre com muitos vidros coloridos e espelhos. Hoje em dia, há luz elétrica, mas séculos atrás esses cômodos eram iluminados por muitas velas, que criavam infinitos reflexos nos espelhos.

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Outra sala de convivência

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Decoração de um dos pátios.

O palácio por dentro não é o que mais se destacou dentre os que conhecemos ao longo da viagem. Mas ele oferece vistas lindíssimas da cidade lá embaixo e é praticamente impossível não fazer muitas fotos.

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Saindo do palácio, fomos para a beira do Lago Pichola para pegar um barco e fazer um passeio por suas águas. Os barcos partem de um ponto bem na saída do palácio e os tickets são vendidos lá mesmo. Há opções de barcos compartilhados (vão cerca de 30 pessoas em cada embarcação) e barcos privados. Nós optamos por fazer o passeio privado, pois teríamos o nosso tempo em cada lugar – o preço foi US$ 30,00 por pessoa (em 4) contra US$15,00 na embarcação compartilhada. Logo em frente ao Palácio da Cidade está o Jag Nivas, um palácio branco que fica no meio do lago e era utilizado como Palácio de Verão da família do marajá. Hoje em dia, o palácio é um hotel da rede TAJ e deve ser maravilhoso se hospedar por lá (link aqui).

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Lake Palace

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Onde há água, há hindus se purificando.

Passamos por muitos mini palácios ao longo do lago e paramos no maior deles, o Jagmandir. Atualmente ele é utilizado apenas para eventos e naquele dia estavam o arrumando para um casamento (quando fomos, era uma época auspiciosa para casamentos no país e vimos muitos e muitos deles acontecendo).

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Jagmandir

Voltando do lago, fizemos um pitstop para almoço e partimos para  Sahelion ki Bari (Jardim das Donzelas), construído por um dos antigos marajás no Século 18, para que as mulheres de sua corte pudessem aproveitar um enorme jardim com fontes. O local era cercado por muros, assim ninguém poderia vê-las (àquela época, não era comum que as mulheres dos marajás fossem vistas em público). É interessante, mas não imperdível.

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De lá, pegamos a estrada em direção a Nagda, uma antiga capital do Reino Mewar. Embora a pequena cidade fique a apenas 23Kms de Udaipur, as estradas não são tão boas e o trajeto demora um pouquinho. Sua principal atração são os templos Sas-Bahu (Templos Sogra e Nora), que datam do Século 10. O local é uma espécie de mini Angkor Wat e a maioria das construções está em ruínas.

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Apesar de ser um pouco afastado de Udaipur, achamos a visita super interessante, pois as ruínas dos templos são super detalhadas e contam a história do Ramayana (épico super importante na Índia, que conta a história do príncipe Rama e tem grande influência na cultura e religião do país). Não havia muitos turistas, então deu pra apreciar bem o local.

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Em algumas paredes há também vários desenhos do Kama Sutra esculpidos. Embora para nós possa parecer estranho aquelas figuras desenhadas em um templo, o Kama Sutra é considerado uma ciência para os hindus.

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O do meio está até tapando os olhos de vergonha rs!

Como era ali perto, fizemos uma outra parada em Eklingji, um complexo de 108 templos que recebe muitos indianos por ser o mais famoso templo de Lord Shiva no Rajastão. Foi interessante, até participamos de um ritual, mas nada que seja turisticamente imperdível. Embora o complexo de templo seja bonito, é muito mal cuidado e o acesso de visitantes é restrito a apenas uma parte. Obs.: nesse templo, nem a meia adianta – é necessário entrar descalço.

Voltando para Udaipur, decidimos andar um pouco pelas ruas da cidade. No centrinho não há nada além de algumas lojas turísticas, alguns restaurantes, mas caminhar pelas ruas é uma das melhores formas de observar a vida da população local e conhecer os hábitos da cidade. É uma oportunidade para comprar souvenirs, nada muito elaborado ou super tradicional. E não se esqueça de pechinchar!

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Comemorando um bom negócio!

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Vida local de Udaipur

Nas ruas mais turísticas também há alguns lugares de massagem e é uma boa oportunidade para experimentar a tradicional massagem ayurvédica indiana. Um dos locais recomendados pelo Lonely Planet que passamos na frente é esse aqui, mas nós só fizemos massagem em Jaipur, então não podemos indicar ou não. Mas aproveite que ele vende produtos da marca ayurvédica Himalaya, que gostamos tanto na viagem que trouxemos estoques e mais estoques pro Brasil rs!!

Foi nessas voltas pelas ruas que passamos na frente de uma casa onde acontecia um pequeno casamento e pudemos assistir às mulheres dançando, super alegres, lindas e coloridas!

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Casamento em Udaipur

* Caso não consiga dar play no vídeo (curtinho e do celular) aí embaixo, o link é esse aqui.

Quando escureceu, procuramos lá no centro mesmo um restaurante com rooftop para ter uma vista panorâmica da cidade à noite. Nós paramos em um que o guia indicou, mas qualquer restaurante com varanda no topo deve oferecer a mesma vista.

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Depois do jantar, aproveitamos para pegar nosso primeiro tuc-tuc na Índia e voltamos para o hotel. Ficamos brincando que os seguranças iam olhar pro tuc-tuc chegando e falar certeza que só podia ser daquela galera que recebeu o upgrade de graça. Mal sabíamos que no complexo do Oberoi, onde reina a paz, o luxo e a tranquilidade, tuc-tuc não entra. O veículo foi barrado na porta de entrada e um carrinho de golfe veio buscar a gente. Definitivamente, não nascemos pro luxo rs!

Nosso tuc-tuc sendo barrado na entrada do hotel - ali, tuc-tuc não entra rs!

Nosso tuc-tuc sendo barrado na entrada do hotel.

Nós gostamos muito de Udaipur, principalmente por ter sido nosso primeiro contato com o Rajastão. A cidade é bem bonita, organizada (para os padrões indianos) e o lago dá a ela um clima especial.

Veja também:

Nós Vamos Para a Índia!! – o que esperávamos, nosso roteiro e dicas práticas

Nós Fomos Para a Índia …. e Amamos!!! – impressões gerais e mais dicas práticas

Delhi: a capital do subcontinente indiano

Udaipur – A Primeira Parada no Rajastão

Ranakpur – Os Templos Jainistas

Jodhpur – A Cidade Azul

Jaipur – A Cidade Rosa do Rajastão

Fatehpur Sikri – A capital abandonada do Império Mongol

Agra e o Taj Mahal

A cidade sagrada de Varanasi

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9 thoughts on “Udaipur – A Primeira Parada no Rajastão

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