Delhi: a capital do subcontinente indiano

Nossa passagem por Delhi foi picada em vários dias. Tivemos um dia inteiro logo depois da nossa chegada, meio dia depois do retorno do Butão e mais meio dia antes de ir embora (o roteiro completo está nesse post). Então, para o post não ficar muito truncado, achamos melhor escrever em tópicos os lugares que visitamos.

Duas cidades em uma

Delhi geralmente é a primeira cidade de contato dos estrangeiros com a Índia (as nossas impressões sobre o país foram até tema desse post). Ao chegar em Delhi, o primeiro contato não é muito amigável: sujeira, poluição sonora, trânsito louco. Nesse caso, a primeira impressão não é a que fica. Depois de começar a conhecer os pontos turísticos da cidade, vamos tendo contato com história e arquitetura do país, nos acostumando um pouco com a vida local e passamos a apreciar o que ela nos oferece de bom. 

Entretanto,  não seria mentira dizer que Delhi foi a cidade menos surpreendente na nossa viagem. No nosso roteiro, achamos que a parte mais bonita da Índia está no Rajastão e a parte mais espiritual em Varanasi. O lado bom é que, ao voltar dessas partes para a capital, Delhi parece super organizada e, dependendo do parâmetro, até limpa. Tudo é questão de perspectiva rs!! No final da viagem, fazendo um balanço, chegamos à conclusão que Delhi é uma grande cidade metropolitana que mistura tradição e modernidade, fica no meio do caminho entre uma capital desenvolvida e a real essência espiritual da Índia e retrata uma sociedade fortemente tradicional tentando se adaptar à modernidade trazida por uma economia em constante e rápido desenvolvimento.

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3 gerações em uma moto – e as roupas vão ficando cada vez mais modernas

Vale a pena conhecer Delhi? Vale sim, mas, se possível, programe sua visita à cidade ANTES de partir para outras regiões da Índia, assim você pode aproveitar o encantamento e todas as sensações que a capital poderá lhe causar. Deixar para conhecer a cidade após ter voltado de outras partes do país pode te deixar decepcionado com a metrópole.

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Surpresas no trânsito de Delhi

A cidade de Delhi é dividida em várias partes, mas as principais podem ser chamadas de Old Delhi e New Delhi.

A parte de Old Delhi fica dentro dos limites da antiga cidade murada, que foi capital da Dinastia Mongol. Hoje em dia, embora seja marcada por ruas estreitas e caóticas, Old Delhi ainda é o coração da Delhi metropolitana. Em New Delhi está a parte da Índia colônia, com as características da cidade planejada pelos britânicos, com avenidas largas e arborizadas e com a grande maioria de prédios administrativos, ocupados por embaixadas, hotéis e consulados.

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Old Delhi

Pontos Turísticos

OLD DELHI

– Mesquita Jama Masjid

Essa é a maior mesquita da Índia e foi construída no século 17 pelo imperador Shah Jahan – o mesmo que construiu o Taj Mahal. O título de maior mesquita fica por conta do enorme pátio que fica entre as construções, que em si não são tão grandes. A porta de entrada fica praticamente no meio do mercado principal da cidade, então é bastante movimentada. Prepare-se para ser um pouco atacado por vendedores de souvenirs!

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O interior não impressionou tanto, mas o exterior é enorme e muito bonito! Embora nós estivéssemos de calça e mangas compridas, nos pediram para colocar uma espécie de vestido que cobria todo o corpo. Eles entregam na entrada e é de graça.

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No pátio há uma espécie de tanque de água, que serve para os muçulmanos fazerem sua ablução antes da reza. Não é difícil encontrar muitos indianos lavando pés, mãos, rostos e até bebendo uma água de limpeza um pouco duvidosa.

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A visita se faz sem sapato, como na grande maioria dos lugares turísticos, principalmente templos. Como o chão é bem sujo, uma dica boa é levar uma meia velha dedicada aos templos. A nossa ficava na mochila, dentro de um saquinho, e colocávamos no pé para não pisar descalços ou em cima da meia limpa se estávamos de tênis. Não é frescura, você vai perceber logo na primeira tirada de sapato rs!

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Foto bônus. Quem resiste?

– Chandi Chowki e Khari Baoli

Saindo da Jama Masjid, você logo verá vários motoristas de rickshaw (uma bicicleta com dois assentos atrás) se oferecendo para levar você para fazer um tour pela região de Chandi Chowk. Chandi Chowk é a principal rua de Old Delhi e nas ruas perpendiculares e paralelas a ela estão diversas lojas que formam um enorme mercado, dividido em várias partes. Há a parte do ouro, a parte dos sáris (que é super colorida) etc. O preço médio de uma volta pelo mercado quando fomos era cerca de 200 rúpias.

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O passeio de rickshaw é uma ótima oportunidade para tentar se localizar espacialmente e ter uma visão geral do lugar.

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A região é uma loucura de pedestres, rickshaws, motos e tuc tucs. Não é difícil o trânsito dar um nó e ninguém andar para lugar nenhum rs! Feito isso, também vale a pena uma volta à pé pelo lugar. Só preste atenção (ou use o GMaps do celular) para conseguir voltar ao ponto de onde partiu.

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Também evite deixar para conhecer a região num domingo, pois 90% das lojas estão fechadas e você não terá a exata noção de como são as ruas.

Para descobrir o mercado que foi o mais movimentado da Índia e que vendia uma das mercadorias mais valorizadas na época do absolutismo europeu, vá andando por Chandi Chowki e perguntando onde fica a região de Khari Baoli ou mercado de especiarias. Chegar lá é ter quase uma pane no olfato, de tão forte que é o cheiro. Muitos turistas chegam a cobrir o nariz! Os produtos ficam meio ao ar livre mesmo, então não nos arriscamos a comprar nada pra provar…

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Nós ficamos pensando que os europeus deviam ter uma comida muito insossa mesmo para se lançar ao mar em busca de um caminho alternativo para as índias. O que não faziam por canela, cravo etc…

As ruas são repletas de pessoas indo e vindo com sacos enormes lotados de especiarias e é bom sair da frente quando eles pedirem!

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– Red Fort

No começo da rua Chandi Chowk está o Red Fort, também construído pelo mesmo imperador do Taj Mahal. O lugar foi a residência dos imperadores depois da mudança da capital de Agra para Delhi, mas hoje em dia grande parte do local é fechada para assuntos administrativos, embora seja possível a visita turística.

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Nós deixamos passar porque iríamos conhecer diversos outros fortes mais bonitos no Rajastão e nos contentamos em vê-lo de fora, voltando do passeio pelo mercado.

– The Raj Ghat

Este foi o lugar de cremação de Mahatma Gandhi e hoje em dia é um memorial-parque, com um monumento simples ao redor da chama eterna do fogo que cremou seu corpo.

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Interessante, mas nada imperdível, a não ser que você seja muito fã de Gandhi. Pelo que vimos, o local é um ponto bem visitado por grupos de excursões escolares….prepare-se para os olhares curiosos e pedidos de fotos!

– Humayun Tomb

O Mausoléu de Humayun é um dos Patrimônios da Humanidade de Delhi. Humayun foi o segundo imperador mongol e esse foi o primeiro grande cemitério-jardim do país, encomendado após sua morte por sua viúva.

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O mausoléu serviu como fonte de inspiração para muitos outros, inclusive o Taj Mahal, construído cerca de 100 anos depois. A arquitetura exterior é bem impressionante, embora o interior seja relativamente simples. Os jardins e espelhos d’água são bem conservados e contribuem bastante para a grandiosidade e beleza do monumento.

Além do mausoléu, o complexo abrange outras construções menores, já que vários descendentes da dinastia do imperador (dinastia Mughal) também foram enterrados por lá, inclusive sua esposa e seu filho.

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– Qutab Minar

Qutab Minar foi a mesquita erguida pelo imperador Qutab-ud-din, após a derrota do último rei hindu da Índia. Assim, Qutab Minar poderia ser traduzido como minarete de Qutab.

Para afirmar o poder islâmico, o rei construiu a primeira mesquita da Índia com materiais de diversos templos hindus e jainistas destruídos na região. Observe bem as colunas e poderá ver alguns desenhos de deuses hindus esculpidos nas pedras, muitos deles apenas com seus rostos raspados (de acordo com nosso guia, a destruição apenas dos rostos dos deuses hindus era uma forma de exaltar a vitória e supremacia do islamismo no local).

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Decoração típica dos templos hindus nas colunas da mesquita.

O complexo representa um ótimo exemplo da arquitetura indo-islamica, principalmente porque, além das referências hindus, foi construído ao longo de três gerações de reis islâmicos e, é claro, cada um quis dar seu toque particular. Hoje em dia, restam apenas algumas ruínas da mesquita, mas para se ter uma noção do seu tamanho basta observar a torre de 73 metros (é a torre de tijolo mais alta do mundo) que era seu minarete. Por conta de um histórico de acidentes, a subida ao topo do minarete está proibida.

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Outro destaque do local é um pilar de ferro de 7 metros, no patio da mesquita. O pilar fazia parte do templo hindu, data do sec. VI e possui várias inscrições (a tradução de uma delas encontra-se afixada em uma das paredes próximas). Embora antiquíssimo, o pilar não está enferrujado por conta da pureza do material com que foi construído. Ao redor estão as ruínas das construções da mesquita, de dimensões enormes.

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Qutab Minar é hoje um dos monumentos mais visitados da Índia e um importante sitio arqueológico.

NEW DELHI

Sinceramente, como tínhamos pouco tempo em Delhi, dedicamos nossos dias quase exclusivamente para conhecer Old Delhi. Conhecemos New Delhi só de passar na frente com algum transporte ou taxi, com uma exceção.

– Rashtrapati Bhawan e India Gate

O Rashtrapati Bhawan é a casa presidencial e tem uma arquitetura bem bonita do período colonial britânico.

Ali pertinho está o India Gate, uma espécie de arco do triunfo construído em memória dos 70.000 soldados indianos que perderam suas vidas lutando pelo exército britânico na I Guerra Mundial. Os nomes destes soldados  estão inscritos nas paredes do monumento

– Akshardham

Não sabemos se tecnicamente o Akshardham estaria situado na parte de New Delhi, Super New Delhi, enfim, as divisões não são tão precisas…de qualquer forma, ele fica bem afastado das demais atrações turísticas da cidade, na margem oposta do rio. A única certeza é que ele não está em Old Delhi, então incluímos aqui rs! Embora a construção seja o maior templo hindu do mundo, pouquíssimos roteiros turísticos para estrangeiros incluem uma visita até lá, provavelmente por não ter tanta história (a construção foi concluída em 2005).

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Fot da wikipedia, pois é proibido fotografar o templo.

Nós nem sabíamos da sua existência até chegarmos no aeroporto e dar de cara com uma foto do complexo, que tem uma arquitetura muito, muito impressionante. Foi o suficiente para queremos conhecer e usamos o pedaço de tarde livre que teríamos ao chegar do Butão para ir até lá.

O templo é feito de pedra rosada e de mármore branco puro. A arquitetura interior é extremamente impressionante, riquíssima em detalhes, embora tenha pouca coisa preenchendo o enorme espaço.

O lado de fora ainda incluiu jardins com esculturas, cinemas, um lago artificial com passeios de barco e shows de luzes, além de muitas outras atrações voltadas para a população local. É um verdadeiro complexo para as famílias hindus (para eles o templo é atração obrigatória na cidade).

– Restaurante Oriente Express

Outro programa que fizemos em Delhi foi jantar no restaurante Orient Express, que fica dentro do hotel Taj. No restaurante, foi montado um vagão-restaurante do trem exatamente como era na época em que a linha corria pela Índia, com réplicas perfeitas e alguns objetos originais. Como foi mais pelo turismo do que pela comida em si, resolvemos colocar o programa aqui.

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Embora os preços sejam muito caros, a comida é excelente e, para quem gosta de história como nós, poder se sentir dentro de um vagão do Orient Express por uma noite foi super bacana!

Apenas preste atenção quando for reservar, porque o restaurante foi expandido para fora dos vagões. Embora a comida seja ótima, o preço vale mais pela experiência de sentar nas mesas que ficam dentro do trem.

HOTEL

Nosso hotel em Delhi foi o Le Meridien, que era excelente e tinha uma ótima localização em New Delhi, pertinho do India Gate. O café da manhã tinha tanto opções ocidentais como indianas, a limpeza era exemplar, o banheiro era ótimo e tínhamos quase nada de barulho das buzinas nos quartos (esse é um problema bem comum na Índia e em um dos hotéis que ficamos acordávamos todos os dias às 5am com a chamada da mesquita vizinha rsrs!). Recomendamos bastante, embora o orçamento não conte tanto a favor!

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A foto é do site do Le Meridien, mas nossos quartos eram iguaizinhos ao que aparece aqui, sem surpresas negativas.

Como dissemos aqui, também passamos uma noite no Metropolitan, também um hotel 5*, mas que, talvez por azar nosso, tinha uma crosta de poeira em cima do chuveirinho de um dos quartos. Quem acompanha o blog já deve estar cansado de saber que nós não somos frescas com hotéis, mas, na Índia, optar pelo padrão de qualidade de uma rede internacional pode fazer toda a diferença.

Delhi é realmente um bom aperitivo e te prepara para os outros locais que você visitará na Índia! Nossa visita continuou em Udaipur, tema do nossa próximo post.

Veja também:

Nós Vamos Para a Índia!! – o que esperávamos, nosso roteiro e dicas práticas

Nós Fomos Para a Índia …. e Amamos!!! – impressões gerais e mais dicas práticas

Delhi: a capital do subcontinente indiano

Udaipur – A Primeira Parada no Rajastão

Ranakpur – Os Templos Jainistas

Jodhpur – A Cidade Azul

Jaipur – A Cidade Rosa do Rajastão

Fatehpur Sikri – A capital abandonada do Império Mongol

Agra e o Taj Mahal

A cidade sagrada de Varanasi

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9 thoughts on “Delhi: a capital do subcontinente indiano

  1. Pingback: Udaipur – A Primeira Parada no Rajastão | Diários de Férias

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