Inhotim, MG – Você Não Vai se Decepcionar

Procurando um mapa de Inhotim no Google para colocar aqui no blog, encontrei um post do Ricardo Freire e, mesmo já tendo ido ao lugar, resolvi dar uma bisbilhotada, porque tudo o que ele escreve é bom. Ele fez a seguinte descrição do parque/museu:

Inhotim se comunica tanto com o connaisseur de arte contemporânea quanto com o mais por-fora dos leigos (presente!). Você sai do parque com apenas uma dúvida: eu estava mesmo no Brasil?

Resolvi transcrever por aqui porque foi exatamente o que sentimos por lá! Ao longo do post, você descobre porque. 

Inhotim é uma mistura de parque com museu de arte contemporânea. Confesso que não sou a maior fã nem conhecedora de arte moderna, então sempre tive um pé atrás de conhecer. Mas depois de ouvir tanta gente falando bem e de ver tantas fotos lindas do lugar, combinei com a Karine e fomos passar um final de semana por lá.

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Aí já entra a primeira parte da descrição do Ricardo Freire: mesmo que você não seja entendedor e ache que arte contemporânea não faz muito sentido, você irá amar as obras de Inhotim, vai por mim!

A maioria das obras de arte moderna que estão em exposição no parque é em forma de instalações, ou seja, você interage com o lugar e isso é muito interessante! Além do aspecto visual, elas envolvem algum outro sentido, fazendo com que a experiência não fique chata em nenhum momento. Além disso, o parque é lindíssimo, só os lagos e os jardins super bem cuidados já valeriam o passeio!

Dicas Práticas

Começando pela parte prática do parque, ele cobre uma área bem grande e o ideal é separar uns dois dias para conhecer o lugar. Não precisa ser dois dias inteiros: chegando em Belo Horizonte em um sábado bem cedo (ou sexta à noite) e partindo no domingo à noite já dá para fazer bastante coisa.

Nós chegamos em BH num vôo sábado cedinho. Do aeroporto, já alugamos um carro e saímos em direção a Brumadinho, cidade onde fica localizado o instituto. De Confins até Brumadinho são certa de 110 kms. De BH até Brumadinho, o trajeto é de apenas 60km, embora o percurso seja realizado por dentro de várias cidadezinhas e possa demorar mais do que o planejado.

Deixamos as malas no hotel e já partimos para o parque, chegamos por volta de meio dia. No domingo, chegamos no parque logo no horário de abertura e por voltas das 14:30 já tínhamos coberto o resto das atrações, voltando para BH.

Optamos por reservar um hotel na própria cidade de Brumadinho (Ville de Montagne) para poder ter mais liberdade para sair jantar à noite (embora a cidade seja muito pequena e não tenha lá muitas opções e atrações), mas a maioria dos hotéis ao redor do parque fica um pouco afastada do centrinho e funciona em esquema all-inclusive.

Há quem opte também por se hospedar em Belo Horizonte. Essa opção é mais vantajosa para quem vai passar só um dia em Inhotim. Fazer o trajeto 4 vezes (BH/Brumadinho, Brumadinho/BH e depois BH/Brumadinho, Brumadinho/BH de novo) pode ser cansativo.

Chegando no parque, há a opção de comprar o ingresso para 1, 2 ou 3 dias. Há também um ticket que dá direito à utilização do carrinho de golfe. Como o parque é bem grande e algumas atrações são bem afastadas, vale a pena pegar esse ticket. Entretanto, com uma boa estratégia, dá para comprar o ticket só para um dia.  Nós optamos por conhecer as obras mais perto no primeiro dia e comprar o passe do carrinho para o segundo dia, quando visitaríamos as obras mais afastadas.

* obs Débora: para quem for em feriados, ou vésperas de feriado, vale a pena comprar o ingresso pela internet! Evita longas filas… e basta trocar o ingresso na hora (no próprio estacionamento ou na recepção).

Obs: há opções de “visitas mediadas” que são tours guiados temáticos – panorâmico, ambiental ou de arte – que saem diariamente em horários pré-determinados (confira no site as opções e horários). Nós não fizemos nenhum desses, fomos por conta própria mesmo 100% do tempo. O mapa é muito bem explicado.

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Você pode planejar seu roteiro, como nós estamos fazendo, nesse lugar horrível

Nosso roteiro ficou da seguinte forma:

No primeiro dia, fizemos a parte direita do mapa (eixo rosa e amarelo – que não usam tanto carrinho), exceto as instalações G10, G12 e G16, que eram mais afastadas e deixamos para conhecer no dia seguinte.

No segundo dia, chegamos logo no horário de abertura do parque. Fomos direto até o ponto para pegar o carrinho para a instalação G10 (que vale muito a pena ser visitada cedo, com poucos visitantes). Na volta, aproveitamos para conhecer as obras G12 e G16 e partimos para o lado esquerdo (rota laranja – que usa muito o carrinho).

Mapa Inhotim

Mapa do complexo  com os destaques das obras abaixo citadas – clique para aumentar

** Como o mapa está meio ruim, segue o link para o mapa no site oficial: aqui.

As obras

Em pouco mais de dois “meios” dias, tivemos tempo de conhecer todas as obras. Isso não significa que teríamos conhecido o parque todo em um dia inteiro, primeiro porque o cansaço seria enorme, segundo porque os “meios dias” que passamos por lá, somados, dão mais do que o horário de funcionamento do parque em um dia só.

Vou colocar aqui as que mais gostamos (na ordem que conhecemos), como leigos. Lembrando que não somos mega entendedoras de arte e as descrições são totalmente não técnicas hehehe.

Os pontos denominados com A no mapa são obras de arte, que levam menos tempo para serem visitadas. Os pontos denominados com G são galerias, nas quais provavelmente você perderá mais tempo.

1º Dia

** A obra Jardim de Narciso, da artista Yayoi Kusama – A17, embora seja uma das mais interessantes do parque (e a única exposição permanente da artista), está em reforma há muito tempo e não conseguimos conhecer, mas vale checar se já terminou. Bisbilhotando no insta, vi várias fotos recentes da obra e até perguntei para uma das pessoas que publicaram para checar se tinha reaberto: e sim, reabriu!! Não deixaria de conhecer.

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Narcisus Garden – foto do site oficial

– Penetrável Magic Square, de Helio Oiticica (A12)

Essa é uma das obras que mais tinha visto foto antes de ir a Inhotim, provavelmente por ser bem perto da entrada. O quadrado todo colorido não tem muita interação, embora seja possível andar por dentro dele. Fica bem bonito em contraste com a paisagem natural em volta.

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– Galeria True Rouge (G2)

Apesar de termos gostado da obra no interior da galeria (de mesmo nome, da artista Tunga), gostamos mesmo é do exterior, com um lago e uma vegetação lindos.

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– Galeria Mata (G1)

A visita à Galeria Mata já vale a pena só pela vista linda que se tem do lago a partir dela. Mas dentro ela também é muito interessante! Essa galeria recebe exposições temporárias e permanentes. Quando fomos, havia uma instalação com espelhos interessantíssima. Ficar andando por ela e ver as imagens formadas em diversos ângulos foi bem divertido. Outra instalação muito legal era a de um falso espelho, formada pelos ângulos e cores nas paredes.

????????????? image1 By Means of a Sudden Intuitive Realization, de Olafur Eliasson (A8)

Dentro de um iglu, fica uma fonte de água iluminada por uma luz estroboscópica, que dá a impressão de as gotas de água estão “congeladas”, paradas no ar.

– Inmensa, Cildo Meireles (A3)

O que pra mim pareceu várias cadeiras e mesas gigantes, pode tomar vários significados dependendo do visitante.

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– Galeria Cildo Meireles (G5)

Sem dúvida, uma das galerias mais interessantes do parque. São três instalações do artista.

A primeira a chamar mais atenção é a Através. O monitor do parque está lá para explicar com muito conhecimento que o espaço – com chão cheio de cacos de vidro e barreiras físicas (como cercas, arame farpado, cortina de chuveiro etc.) – representa as barreiras da nossa vida. Convida a entrar no espaço e ir ultrapassando essas barreiras. Bem simbólico e muito legal.

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Dentro de algumas galerias, é proibido fotografar. Foto do site oficial.

A outra instalação que chama bastante atenção é a Desvio para o vermelho, um quarto onde só as paredes são brancas, todo o resto é vermelho vivo. Nos fundos desse quarto, está um ambiente escuro, com uma pia torta e uma torneira jorrando um liquido vermelho. Sinceramente, não entendemos ao certo o sentido (acho que nem deve ter um específico), mas achamos muito interessante.

– Galeria Praça (G3)

Dentre outras obras, está a Forty Part Motet, de Janet Cardiff. Uma das nossas preferidas em todo o museu, consiste na reprodução de uma composição feita para a Rainha Elizabeth I, em 1575, para oito coros de cinco vozes. A artista gravou com microfones individuais cada integrante de um coral. Cada voz é reproduzida em uma caixa de som, em círculo. Assim, passando por cada caixa, você ouve uma voz isolada em destaque. Ficando no centro, escuta-se a composição em conjunto. É lindo!

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2º Dia

– Galeria Doug Aitken (G10)

O Sonic Pavillion, como é denominada a obra, também está nas nossas favoritas. O artista cravou um cano centenas de metros dentro da terra, com microfones geológicos captando os sons que a terra faz. Os sons são reproduzidos por caixas de som na galeria, muito, muito interessante. Como foi a primeira obra que visitamos no segundo dia (bem cedo), estava vazia e acho que o silêncio absoluto deixou nossa experiência ainda mais legal. Além de poder ouvir os sons da terra, a galeria oferece uma visão 360 graus do lugar, que é lindo. Vale a pena notar que, do centro da galeria, é possível ter a visão geral. Conforme você se aproxima do vidro, a visão periférica vai se desfocando, permitindo ver só o ponto da frente.

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– Galeria Matthew Barney (G12)

Essa galeria é um edifício todo moderno, anguloso e espelhado, que surge no meio da mata, em contraste com a vegetação. Nos divertimos horrores com as diversas deformações que os espelhos causam nos reflexo antes de entrar rs!

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Lá dentro, um gigantesco trator sujo de terra ergue uma árvore artificial, refletindo a briga homem x natureza. É legal olhar para cima também. Os ângulos dos espelhos dão a impressão que você está em uma cidade cheia de pessoas, quando, na verdade, é apenas seu reflexo repetido várias vezes.

– Galeria Miguel Rio Branco (G16)

Outra galeria com arquitetura linda. No interior está a exposição do fotógrafo, com cliques tirados no Pelourinho nos últimos 30 anos. É tocante.

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– Troca Troca, de Jarbas Lopes (A6)

Os conhecidos fusquinhas coloridos, com peças trocadas, estavam em reforma quando fomos e não conseguimos ver. Mas é uma das atrações mais conhecidas do parque e fica logo no ponto 4 da linha laranja do carrinho.

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Foto do site oficial.

– Galeria Cosmococa (G15)

A galeria mais divertida do parque!! É um galpão com várias instalações que mexem com nossos sentidos e são destinadas à interação com o público. Tem colchões para guerra de travesseiros, piscina que toca sons e gera iluminação conforme você mexe, etc. Nós nos divertimos demais.

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Print horrível, tirado do filme da máquina, mas estávamos no divertindo demais para nos preocupar com foto.

– Elevazione, por Giuseppe Penone (A22)

A escultura é uma enorme árvore de metal (que você jura ser de verdade), elevada do chão por vigas de aço. Ao lado das vigas, foram plantadas cinco árvores que estão crescendo e chegarão até a altura da árvore artificial, como se a sustentassem. Acho que vai ficar mais legal quando as árvores naturais crescerem, mas já é bem interessante.

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– Beam Drop, Chris Burden (A21)

O nome que pode ser traduzido livremente como queda das vigas, é a reprodução de uma obra realizada em 1984 em Nova York, no Art Park. As vigas foram jogadas ao acaso por um guindaste de uma altura de 45 m do chão, dentro de uma vala cheia cimento.

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– Galeria Marilá Dardot (G17)

A obra mais legal dessa galeria está a céu aberto e chama-se A origem da Obra de Arte. São várias letras com terra e mudas plantadas em seu interior. A montagem da obra fica por conta dos visitantes, que criam diversas palavras com as letras soltas.

– Piscina, de Jorge Macchi (A15)

Ao lado da galeria acima, está uma piscina, cuja escada de entrada é na forma de um piano, com as letras do alfabeto. É possível entrar e aproveitar. Ao lado de todas as instalações com água do parque, há vestiários com toalhas disponíveis.

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Foto do site oficial.

– Galpão Cardiff & Miller (G11)

É difícil escolher entre as muitas atrações de Inhotim, mas essa foi a minha (Maíra) preferida. A instalação no galpão conta com várias caixas de som dispostas ao redor de uma plateia de cadeiras. Os visitantes sentam-se nas cadeiras e a artista começa a contar um sonho. Junto com a voz dela, são emitidos sons das coisas que ela está descrevendo, como ondas do mar, passos etc. Mantendo-se de olhos fechados, você se sente dentro do sonho. Achei muito legal!

– Galeria Valeska Soares (G14)

Achamos essa galeria mais legal por fora do que por dentro. Uma hora o Ju percebeu que dava para fazer uma meia figura espelhada e ficamos por quase meia hora nos divertindo com as poses que cada um ia criando hahah. Por dentro, são vários espelhos que projetam a imagem de bailarinos, legal, mas não imperdível.

 

– Viewing Machine, de Olafur Eliasson (A13)

Um enorme caleidoscópio, que pode ser visto de ambos os lados.

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Simples, mas bem legal!

– Galeria Adriana Varejão (G7)

Essa galeria tem uma arquitetura incrível e vale apena ficar observando suas linhas retas e angulosas de fora. Do lado de dentro, são várias obras, sendo a que mais chama atenção a denominada Linda do Rosário. Trata-se da escultura de uma parede “recheada” com vísceras humanas (de mentira, claro). A obra foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio de Janeiro, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal num dos cômodos do prédio.

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Nós visitamos o parque em fevereiro de 2014 e, como o acervo está em constante atualização, vale conferir a lista completa das atrações atuais aqui.

Infraestrutura

A infraestrutura do parque é impressionante. Em todas as obras e nos caminhos, há monitores super dispostos a te dar todas as explicações que você precisa. Os banheiros são um show à parte, todos limpos, alguns contam com projetos arquitetônicos e vista da natureza ao redor. Os carrinhos funcionam pontualmente e super bem.

Aí porque o Ricardo Freire disse ter saído com a impressão de não estar no Brasil. Nós também tivemos essa impressão, infelizmente, porque muitas atrações brasileiras não contam com uma estrutura tão boa quanto Inhotim.

Além das obras, o complexo tem diversos restaurantes, que oferecem desde lanches rápidos até refeições completas.

Como se já não fosse suficiente, no deslocamento entre uma obra e outra, você tem um parque inteiro à sua disposição, com um paisagismo maravilhoso.

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Não conheço ninguém que não tenha gostado de Inhotim, pode ir sem medo que sua visita vai valer a pena!

Obs: No caminho de volta à BH (nosso vôo era à noite) paramos para comer no restaurante Topo do Mundo, que fica no alto de uma cordiheira e dispõe de mesinhas na varanda com vistas lindas! Do lado do restaurante também está uma rampa utilizada por praticantes de vôo livre, o que deixa a paisagem ainda mais colorida!

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