Barcelona, a cidade de Gaudí.

** Esse post faz parte da série Europa em 20 Dias.

Barcelona é a capital catalã da Espanha e o dialeto falado pelos habitantes é por muitas vezes difícil de entender. A fama da cidade deve-se principalmente a Gaudí, mas os jogos olímpicos realizados em 1992 também trouxeram bastante visibilidade. BBarcelona é uma cidade única, que não se parece com qualquer outra da Europa.

Nós passamos dois dias por lá. Chegamos em um trem noturno vindo de Madrid às 07:30am. 

Nosso hotel foi o Hotel Moderno, que ficava a um quarteirão da Las Ramblas, avenida para pedestres que é o coração da cidade em termos turísticos. O hotel era bem simples, mas o preço era em conta e a localização era ótima, colada no metrô Liceu.

Aproveitando que chegamos bem cedo com o trem, deixamos as malas no hotel (o quarto ainda não estava pronto), sentamos em um café e ficamos fazendo hora até chegar perto do horário de abertura do Park Guell, a primeira atração que visitaríamos.

O Park Guell é obra de Gaudí e é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco. Foi encomendado ao artista pelo conde Guell, de onde saiu seu nome. Fica um pouco mais afastado do resto dos pontos turísticos da cidade, mas isso não impede que seja invadido por ondas de turistas, principalmente durante o verão. Por causa disso, surgiu nossa estratégia de visitá-lo bem cedo, logo no horário de abertura, para ver se conseguíamos curtir o parque um pouco mais vazio.  Os horários variam de acordo com a época do ano e é possível checá-los aqui.

Para chegar até lá, a melhor estratégia é pegar o metrô até a estação Lesseps ou Vallarca e ir caminhando até o parque. Algumas escadas rolantes ajudam na subida.

O parque é bem grande e é possível passar um dia inteiro por lá. Se você tiver poucos dias na cidade e precisar escolher algumas partes, as mais conhecidas são o dragão da entrada, a Sala Hipóstila, os pavilhões na entrada e a Plaça de la Natura.

Na entrada, há dois pavilhões, ambos cobertos de mosaicos coloridos. Um com uma grande chaminé na ponta, o outro com uma espécie de torre azul e branca.

Passando os pavilhões, chega-se à escada de entrada, com um dragão no meio, onde muitos visitantes tiram fotos (e nós não fomos exceção).

Ao fim da escada, está a Sala Hipóstila, um grande salão coberto, com 84 pilares tortos. A arquitetura é completada com mosaicos de cerâmica e de vidro.

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Caminhando para a esquerda, está outra atração que, embora não tão famosa, merece destaque. O El Pórtico de la Lavandera é uma parede circular toda feita de pedras que simula o formato de uma onda.

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No alto do parque está a atração mais famosa: a Plaça de la Natura. É um grande espaço aberto, cercado por uma bancada curva, cheia de mosaicos. A obra não é do próprio Gaudí, mas de Josep Jujol, um de seus principais colaboradores.

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Para entrar nessa zona dos monumentos, é necessário pagar. Se quiser evitar filas, é possível comprar o ingresso online aqui. A visita ao resto do parque é de graça.

ParkGuell

Mapinha tirado do site

Principalmente após o filme Vicky Cristina Barcelona, muitos turistas resolveram incluir em seu roteiro o Parc d’Atraccions, parque de diversões com atrações antigas e novas. Vale também pela vista, pois fica a 517 metros de altura. Nós não fomos, mas caso o parque esteja em seu roteiro, é uma boa combiná-lo com o Park Guell, pois ambos ficam mais ao norte do centro turístico da cidade.

Saindo do Park Guell, pegamos o metrô até a estação Diagonal, que fica na intersecção da Avenida Diagonal com a Passeig de Gracia.

É nessa última que está o Quadrat d’Or. O nome quadrado de ouro é porque nos quarteirões da Passeig de Gracia (em direção às Ramblas) estão os melhores prédios modernistas da cidade. A região foi a preferida da burguesia, que adotou esse novo estilo arquitetônico para residências e edifícios comerciais.

Quase na saída do metrô está o mais famoso deles. A Casa Milá ou “La Pedrera”, como ficou conhecida, é obra de Gaudí. A fachada é ondulada e o teto é coberto por chaminés.

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A essa hora já estava uma fila, mas acabamos enfrentando para conhecer seu interior (hoje em dia é possível comprar online e evitar a fila. Link aqui.). É possível subir até o teto o caminhar entre as chaminés, de onde se vê o vão no meio do edifício.

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Antigamente utilizado como prédio residencial (alguns apartamentos foram conservados e é possível visitar), hoje em dia abriga a Fundació Catalunya-La Pedrera e um centro cultural.

Outro edifício icônico da cidade é a Casa Batlló (residência da família de mesmo sobrenome). Embora menor que a La Pedrera, na minha opinião, é mais linda por dentro. Parece saída de um conto de fadas/desenho animado. Como não podia deixar de ser, as filas são enormes e, mesmo que compre online, terá que enfrentá-las. Uma opção é desembolsar mais cinco euros e comprar o fast pass. Aqui.

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A Casa Batlló fica na Passeig de Gracia , entre a Carrer d’Arago e a Carrer del Consell de Cent. Esse quarteirão é chamado de Illa de La Discórdia, pois ali estão quatro das mais famosas casas modernistas construídas em 1900.

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Illa de La Discórdia – Casa Batllò e Casa Amattler lado a lado

Continuamos descendo a Passeig de Gracia em direção à Las Ramblas. Já na altura da Gran via de Les Corts Catalanes as casas modernistas dão lugar a várias lojas. É um bom lugar para compras, caso estiver interessado.

No início da Las Ramblas está a Plaça de Catalunya. A Las Ramblas (ou Les Rambles em catalão) é uma avenida bem larga, cercada de árvores, exclusiva para pedestres, com vários restaurantes e hotéis ao redor.

Como já era final da tarde e estávamos bem cansados, fomos só até a altura do Mercado de La Boquería (que fica mais ou menos na metade) e entramos para conhecê-lo. O La Boquería é um dos mercados mais famosos da Espanha, onde pode-se encontrar de tudo, principalmente frutas, sucos naturais e jamón ibérico.

 

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***

No dia seguinte, acordamos cedo de novo. O dia seria dedicado a conhecer a metade debaixo da Rambla em direção ao mar e a região costeira. Entretanto, no início do roteiro, demos uma desviada total do caminho. Pegamos o metrô Liceu, que fica bem no meio da Rambla e descemos na estação Sagrada Família, para conhecer esse ícone da cidade. Fomos logo de manhã para evitar as filas enormes e demoradas que se formam para conhecer seu interior.

O ticket pode ser comprado online (aqui). Poupa bastante tempo, mas não evita uma fila na entrada.

**obs.: embora a Sagrada Família fique na direção da La Pedrera, optamos por não conhecê-la no dia anterior por causa das filas. Como no dia anterior fomos cedo para o Park Guell, deixamos para ir cedo para a Sagrada Familía no dia seguinte.  

A Sagrada Família foi projetada por Gaudí, mas a obra restou inacabada e está em construção até hoje. A obra foi projeto de vida do arquiteto, que viveu recluso na igreja os últimos anos de sua vida. Quando morreu, apenas uma torre estava completa, mas posteriormente muitas outras foram terminadas de acordo com seu projeto. O projeto original é enorme, mas foi reduzido atualmente. Serão doze torres campanários, uma para cada apóstolo. O projeto inclui ainda uma torre central (bem maior que as já existentes), circundada por outras quatro, representando os evangelistas. Ao visitar a igreja, você perceberá que a finalização ainda está bem longe do fim.

No exterior, a igreja tem duas fachadas originais. A fachada da Natividade é a parte mais completa concluída por Gaudí. Conta com cenas da natividade e infância de Cristo. A fachada da Paixão, concluída por Josep Subirachs tem figuras sinistras e angulosas, representando os últimos dias de sua vida.

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Fachada da Natividade

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Fachada da Paixão

O interior da igreja é lindíssimo, com várias colunas representando árvores e vitrais coloridos, com simbolismos da natureza. Ainda no interior, está a cripta onde Gaudí está enterrado.

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O ingresso na igreja não inclui a subida às torres, que deverá ser paga separadamente. A subida se dá apenas a uma das torres, por elevador. A descida é por uma escada em caracol (a altura equivale a um prédio de aproximadamente 20 andares).

Saindo da Sagrada Família, fizemos o caminho inverso de metrô, voltando para a estação Liceu. Ainda antes de completar a outra metade da Rambla, fizemos um pequeno desvio para a direita de quem olha pro mapa, para visitar o Barri Gòtic. A visita ao bairro mais antigo da cidade não tem roteiro certo, vale caminhar por suas ruazinhas de pedestres e admirar os edifícios antigos.

Nós resolvemos seguir o roteiro sugerido pelo Guia da Folha, que foi mais ou menos esse aqui:

BarriGotic

Chegamos pela Catedral de Barcelona, mas não entramos. Fomos em direção à Plaça del Rei, com arquitetura bem medieval.

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Ali, fica o Museu d’Historia de la Ciutat, onde estão as ruínas subterrâneas romanas mais extensas do mundo. Por passarelas acima das ruínas, pudemos passar pelas ruas de Barcelona da época romana. Eu achei legal porque amo historia, mas as ruínas são muito pouco conservadas, talvez decepcione alguns. Não achei imperdível.

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Saindo da Plaça del Rei, fomos em direção à Plaça de Sant Jaume, onde está o Palau de la Generalitat (atual o palácio do governador da Catalunha).

Voltamos à Catedral pela Carrer del Bisbe, por onde passa uma ponte suspensa super charmosa.

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De volta à Catedral de Barcelona, ficamos por um tempo admirando seu exterior gótico impressionante. O interior segue o mesmo estilo e também é bem bonito.

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Saindo do Bairro Gótico, voltamos à Rambla e descemos a avenida até o final, onde há uma estátua de Cristóvão Colombo.

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Continuando reto, chega-se à Rambla del Mar, que conecta a um shopping com vários restaurantes no exterior, com vista para o mar. É um lugar bem legal para almoçar.

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Voltando para a avenida da orla e caminhando para esquerda, em pouco tempo chega-se a uma praça, de onde se vê uma torre de ferro. Dessa torre, partem os teleféricos que levam a Montjuic.

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Vista de cima da torre

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Teleférico

No Parque de Montjuic fica o Castell de Montjuic e o Estádio e Piscina Olímpicos. Nosso interesse era apenas no castelo e não visitamos a parte olímpica. Esse teleférico que pegamos leva apenas à base do parque. Como a essa hora já estávamos cansados e mortos de calor, acabamos pegando um táxi que por 5 euros nos deixou na porta do Castelo. Mas é possível ir à pé. Para quem chega ao parque por outro lado, da Plaça del Sol sai um teleférico que leva mais perto do Castelo.

A visita ao castelo em si não tem nada demais, mas a vista das torres de observação é muito linda, tanto para o mar, quanto para a cidade.

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Saindo do Castelo, pegamos o primeiro ônibus que passou e nos deixou pertinho do Museu Nacional d’Art da Catalunya. Se não fosse por isso, nem teríamos conhecido a arquitetura linda do lugar, mesmo que de fora.

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De lá, caminhamos até a Plaça d’Espanya, de onde pegamos o metrô de mesmo nome até a estação Ciutadella-Vila Olimpica. Caminhando mais um pouquinho chega-se ao Passeig Maritim, que beira a famosa Platja Barceloneta.

Nossa intenção não era ir à praia, então só ficamos caminhando no calçadão à beira mar. De um lado, está a famosa escultura na forma de um peixe dourado, construída para os jogos olímpicos. Do outro, o hotel W, na forma de uma vela.

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Passamos o final da tarde por lá e o cansaço (esse dia foi bem puxado, caso queira seguir o nosso roteiro) nos fez pegar um táxi de volta ao hotel.

Foi o tempo de tomarmos um banho, sair para comer alguma coisa e fomos dormir cedo. No dia seguinte, nosso voo saía às seis da manhã em direção a Roma.

*obs.: para quem gosta de futebol, há ainda outra atração bem famosa na cidade: o estádio do Barcelona. 

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2 thoughts on “Barcelona, a cidade de Gaudí.

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