Berlim em 4 Dias

** Esse post faz parte da série Europa em 20 dias.

Berlim é uma das minhas capitais preferidas na Europa. A cidade é cheia de história nas ruas e moderna ao mesmo tempo. Mesmo que não goste de ir para a Europa na alta temporada, considere conhecê-la no verão: a cidade ganha vida com os biergartens e os restaurantes colocam suas mesinhas nas calçadas.

O nosso hotel ficava no Bairro de Mitte, perto da Alexander Platz, onde fica uma estação com conexão para várias linhas de metrô (U-Bahn) e de trem urbano (S-Bahn). Não que o lugar seja central para fazer várias coisas à pé, mas o transporte de metrô/trem de Berlim é ótimo e é só pegá-lo para chegar fácil e rápido ao seu destino.

Mitte  também é o bairro da noite. No antigo lado oriental da cidade, estão restaurantes e bares. Ficamos no H2 Hotel, que era sem luxo, mas bem novo e moderno, com um preço ok. Gostei bastante.

MapaBerlim (800x538)

Mapa da cidade – clique para aumentar.

Nosso DIA 1 começou por lá. O trem chegou da Cracóvia às 11:30 e da estação foi tranquilo pegar o metrô e chegar ao hotel. Depois de deixar as malas, voltamos para a Alexander Platz para ver a Fonte da Amizade Entre os Povos e o Relógio Universal.

Ali do ladinho da praça, está a Fernsehturm, a torre de televisão construída pelos socialistas em 1969 e símbolo de poder da Alemanha Oriental. É possível subir na torre para avistar Berlim de sua plataforma panorâmica. Sugiro comprar o ingresso online aqui, porque as filas podem ser grandes. Para pular a fila, os tipos de ingresso são VIP, Fast View, Early Bird, Late Night. Nós não subimos porque reservamos uma noite para jantar no restaurante giratório que fica na esfera de aço.

IMG_8020 (533x800)

De lá, pegamos a Avenida Karl-Liebknecht e fomos descendo em direção ao centro da cidade. Não demora muito para chegar ao Rio Spree e à Museum Island (Museumsinsel). O nome deve-se ao fato daquele pedaço de terra abrigar 5 dos principais museus da cidade: Bodemuseum, Pergamonmuseum, Alte Nationalgalerie, Neus Meseum e Altes Museum. Nesse dia, não entramos em nenhum.

IMG_8055 (800x533)

Também na ilha ,está a linda Berliner Dom, uma das maiores catedrais protestantes da Europa. O interior da catedral é bem decorado e os destaques são as criptas imperiais da família Hohenzollern (que dominou Berlim por quase 500 anos), com mais de 100 sarcófagos, dentre eles o de Frederico I e sua esposa. Na frente da catedral, fica uma praça gramada com uma fonte, onde no verão sempre há gente curtindo um sol.

IMG_8041 (800x533)

Passando o rio, a Avenida Karl-Liebknecht passa a se chamar Unter den Linden. O nome em português (embaixo das árvores tílias) reflete a realidade: a avenida é toda arborizada e tem um calcadão de pedestres no meio.

IMG_8059 (800x533)

De qualquer forma, é mais provável que você queira andar pelas calçadas, principalmente se for homem: a avenida tem muitas lojas de carros, inclusive uma loja conceito da Mercedes.

IMG_8058 (800x533)

A Unter den Linden vai terminar no Bradenburg Tor, símbolo da cidade, que testemunhou diversos acontecimentos, como o nascimento do Reich e o hasteamento da bandeira soviética em 1945.

IMG_8060 (800x533)

Apesar do Parque Tiergarten estar logo atrás do portão, deixamos para visitá-lo em outro dia com mais calma e viramos à esquerda na Av. Ebertstrasse.

A poucos metros, está o Monumento do Holocausto (Holocaust Mahnmal), construído em homenagem às vítimas da política de Hitler. As formas geométricas abstratas dão espaço a várias interpretações. Eu enxergo várias lápides. Quando fizemos o tour com a empresa Sandemans (vou falar mais para frente), a guia perguntou e foi interessante ver quantos significados aquilo poderia ter, dependendo da pessoa.

IMG_8086 (800x533)

A Postdamer Platz está um pouco mais para frente. A praça toda modernosa coberta por um teto de vidro abriga vários restaurantes, além do famoso Sony Center, que virou símbolo da Berlim moderna.

Na frente da praça, há alguns fragmentos do Muro de Berlim, que servem como suporte para uma exposição de como era a região antes da guerra e como está agora. O significado por trás da instalação é que, antes da II Guerra, a região da Postdamer Platz era uma das mais movimentadas de Berlim. Com os bombardeios de 1945, muitas construções foram destruídas e seus escombros utilizados para levantar o muro.

IMG_8089 (800x533)

À noite, nós ficamos pelo Bairro de Mitte. A rua mais famosa de restaurantes e bares é a Oranienburger Strasse, mas nós jantamos em um restaurante que ficava em uma praça ali nos arredores, na Hackescher Markt. O lugar tinha vários restaurantes, um ao lado do outro, bem animados com música.

IMG_8102 (800x533)

O DIA 2 começou cedo. Ao prédio original do Reichstag (estação de metrô Bundestag), parlamento alemão, foi adicionada uma moderna cúpula de vidro, simbolizando um governo democrático aberto. É possível subir à cúpula (que é incrível por dentro), mas é imprescindível fazer a reserva antecipada por esse site aqui. Sem a reserva, não entra, procedimento de segurança! Eles pedem para chegar uns 15 minutos antes para passar pela revista.

IMG_8074 (800x533)

Nós fizemos apenas a “visit to the dome”, mas no site há a opção de uma visita à cúpula combinada com um tour guiado pelo parlamento, que dura 90 minutos e deve ser super interessante.

IMG_8112 (800x533)

Saindo de lá, focamos no Muro de Berlim. Pegamos o metrô até o Checkpoint Charlie (estação Kochstrasse), área que fazia fronteira entre os domínios soviéticos e americanos. Atualmente, há uma réplica da casinha que servia de checkpoint para a travessia do muro, além da famosa placa que informa a mudança de setor.

IMG_8134 (800x533)

IMG_8138 (800x533)

Ao lado, está o Haus am Checkpoint Charlie, um museu bem-humorado que conta diversas tentativas e sucessos de pessoas que fugiram do lado oriental.

Um pouco mais para baixo, está o Judisched Museum, um edifício em forma da estrela de David desconstituída, que chama a atenção tanto pela arquitetura, como pelo acervo: é o maior museu judaico da europa. Nós não visitamos, mas é uma atração bastante procurada.

Do Checkpoint Charlie, optamos por seguir pela Rua Niederkirchnerstrasse, onde é possível ver a linha do Muro de Berlim. Por ela, chega-se a um pedaço conservado da construção, onde há uma exposição bem interessante sobre alguns fatos do nazismo.

IMG_8151 (800x533)

IMG_8157 (800x533)

Ali na frente, ficava o quartel-general do III Reich (Gestapo, SS). Em 1987, foram descobertas fundações subterrâneas, que hoje abrigam o Museu Topografia do Terror, com uma exposição sobre nazismo e deportação. São muitos documentos e histórias. É possível passar quase um dia inteiro ali.

Voltamos para o Checkpoint Charlie e subimos a Friederichstrasse, onde há várias lojas de roupas, se estiver interessado em compras. Um pouco antes de chegar na Unter den Linden, viramos à direita para chegar à Gendarmenmarkt Square, uma das praças mais bonitas de Berlim, com seus edifício gêmeos.

Mas o dia era do mauer e, para complementar nossa visita, pegamos o metrô até a Gedenkstatte Berliner Mauer (Memorial do Muro). Ali, há partes intocadas do muro.

IMG_8165 (800x533)

O melhor jeito de ver é subindo no mirante que há ali na frente. O centro de documentação mostra a história do Muro de Berlim, chamado pelos soviéticos de “Muro de Proteção Antifacista”, erguido em 1961 pela República Democrática Alemã para por fim ao êxodo de seus cidadãos.

IMG_8172 (800x533)

A parte de trás era um pré-muro. Quem quisesse fugir, teria que atravessar o primeiro muro, o espaço vazio sob vigilância dos guardas e o muro em si.

IMG_8159 (800x533)

De lá, fomos andando pela Bernauer Strasse, que vira Eberswalderstrasse, até chegar ao viaduto da Schonhauser Allee. A razão? Ali embaixo do viaduto, num lugar bem jogado, fica a Konnopkes Imbiss, a mais antiga Curry Wurst da cidade, dirigida pela mesma família desde 1930. A salsicha é uma delícia, de longe, a melhor que provamos. Vale a pena a esticadinha se quiser provar um prato bem típico. O lugar estava lotado de locais na hora do almoço, mas a fila é rápida. Ninguém fala inglês, mas dá para se virar apontando.

IMG_8174 (800x533)

Ainda não satisfeitos com o “tema” muro rs, pegamos o metrô ali mesmo (estação Eberswalder Str.) e fomos até a East Side Gallery (estação Warschauer Str.), que nada mais é do que o Muro de Berlim usado como tela para manifestações artísticas. Com 1,3km, é a galeria de pintura mais longa do mundo.

IMG_8194 (800x533)

IMG_8198 (800x533)

Da galeria, avista-se a Oberbaumbrücke ou Ponte Oberbaum.

IMG_8187 (800x533)

À noite, nós tinhamos feito reserva para o Sphere, restaurante giratório que fica no topo da Torre de TV da cidade. Vale pelo ambiente, por jantar com uma vista panorâmica de Berlim à sua janela, mas não achei a comida nada demais.

IMG_8220 (800x533)

Relógio Universal iluminado à noite, na Alexander Platz.

No DIA 3, finalmente conseguimos fazer uma coisa que estava esperando ansiosamente: visitar os bunkers da II Guerra. A associação Berliner Unterwelten (site aqui) fica logo na saída da estação de metrô Gesundbrunnen e oferece tours por diversos subterrâneos da cidade.

O que fizemos naquele dia foi o nº1, chamado Dark Worlds. O trajeto, que começa na própria estação de metrô, passa por bunkers originais antibombas da II Guerra Mundial, como eram na época. É bem interessante e mostra hospitais, abrigos e outras instalações utilizadas pela população durante os bombardeios aliados. O guia chama a atenção para vários detalhes, como a ausência de qualquer palavra que tivesse origem estrangeira, mesmo que para isso tivesse que ser escrita uma palavra enorme alemã de séculos atrás.

IMG_8225 (800x533)

Única sala em que era permitido fotografar.

IMG_8228 (800x533)

O ponto negativo é que os tickets só podem ser comprados no dia do tour e acabam rápido, então, tem que chegar com uma certa antecedência para garantir o seu. Uma boa tática é ir bem antes, comprar para um horário x e depois voltar para lá só na hora estipulada.

** Há poucas coisas relacionadas ao nazismo em Berlim. A grande maioria foi destruída e as que sobraram não são muito divulgadas, com o intuito de evitar torná-las santuários e pontos de encontro neonazistas. A principal preocupação foi com o bunker de Hitler (Fuherbunker). Destruído após a guerra, por muitos anos nada indicava o local onde ele ficava. Apenas em 2006 foi colocado um painel indicativo, onde é atualmente um estacionamento. Não tem muito (nada) o que ver, mas se fizer questão de ir até um dos lugares mais importantes do fim da II Guerra, fica na esquina das ruas Gertrud-Kolmar-Strasse e In den Ministergarten. Nós passamos com a guia da Sandemans.

Aquele foi o dia dos tours. Saindo dos bunkers, almoçamos e fomos às 14:00 até o Portão de Brademburgo, de onde partem vários passeios grátis guiados pela cidade, inclusive os da empresa Sandemans, que sempre usamos na Europa.

A idéia inicial era fazê-lo no primeiro dia, mas como ele é relativamente rápido, achei que não fosse gostar de passar pela primeira vez pelos lugares muito depressa. Optamos, então, por fazer os principais lugares por nós mesmos antes e depois pegar o tour como complementação, para ouvir as curiosidades contadas pela guia (que, aliás, era ótima).

O trajeto dura 2:30 horas e termina em frente à Berliner Dom. Como ainda estava bem claro, pegamos o metrô para (tentar) visitar a Kaiser Wilhelm Memorial Church, mantida de propósito com sua torre destruída, no estado em que ficou depois dos bombardeios da II Guerra. Infelizmente, ela estava fechada para reforma, cheia de tapumes e não conseguimos ver nem o exterior – mas é um ponto turístico famoso da cidade para incluir no seu roteiro.

Decidimos, então, ir caminhando até o Tiergarten. Visitamos a Siegessaule (coluna que abriga o Anjo Dourado e celebra vitórias militares da Prússia) e ficamos andando sem rumo pelo parque.

IMG_8274 (533x800)

Chegamos a um ótimo biergarten, indicado pela guia da Sandemans, chamado Café am Neuen See. O lugar é lindo e fica à beira de canais do Rio Spree que cortam o parque. É possível alugar barquinhos a remo para dar uma volta pela água. Indico muito a visita se estiver por lá no verão.

IMG_8234 (800x533)

IMG_8269 (800x533)

No DIA 4, voltamos à Museumsinsel. Berlim é uma cidade muito grande e com muitos museus. A cidade é espalhada e, para conhecer suas atrações turísticas, é necessário usar o metrô e perder um pouquinho de tempo. Digo isso porque em quatro dias fica difícil conhecer absolutamente tudo o que a cidade tem a oferecer. É preciso fazer escolhas e nós escolhemos deixar os museus de lado. Abrimos uma exceção apenas ao mais famoso (e, na minha opinião, mais interessante) deles: o Pergamon.

O acervo é organizado em três partes: Antiguidades Clássicas, Antigo Oriente Médio e Arte Islâmica. A Coleção de Antiguidades Clássicas traz como destaque o Altar de Pérgamo, estrutura do século II a.C., construída para Zeus na antiga cidade grega de Pérgamo.

IMG_8301 (800x533)

A parte do Antigo Oriente Médio é uma das maiores coleções  de antiguidades da Babilônia, Suméria e Assíria. Os destaques são a fachada da sala de trono do Rei Nabucodonosor II e a Porta de Ishtar, uma das oito portas da muralha que cercava a Babilônia. Para mim, essa é a atração mais incrível: estar de frente a um portão de entrada para uma das cidade mais famosas da história não tem preço!

IMG_8283 (800x533)

Por fim, na parte de artes Islâmicas, os destaques são: a  Fachada de Mshatta (que fazia parte do palácio Qasr Mshatta na Jordânia); a Sala Aleppo (com painéis coloridos de madeira, parte da antiga casa de um comerciante na cidade de mesmo nome) e as Mihrabs (nicho que há na parede de todas as mesquitas, para indicar a direção de Meca) das cidades de Kaschan (Irã) e Konya (Turquia).

oriente (800x600) As dimensões das reconstruções históricas é de impressionar. Se sua visita for restrita a esse museu, vale a pena comprar o ticket online aqui, pois há filas grandes na entrada.

Se for visitar mais de dois museus da ilha, já vale a pena comprar o area ticket, que dá direito à entrada em todos por 6 euros a mais. Se quiser abranger ainda mais sua visita, cheque a opção do Berlin Pass.

Os planos para aquele dia eram ir para o Tiergarten e passar o resto do tempo lá (o parque não estava nos nossos planos no dia anterior). Como já tínhamos passado por lá e nesse dia estava uma garoa meio chata, decidimos fazer um outro tour pelo underground. Voltamos à loja da Berliner Unterwelten e compramos o ticket para o próximo tour que iria sair: o Flak Towers.

Em 1940, Hitler ordenou a construção de seis torres de proteção anti-aéreas, conhecidas como “Flak Towers”. Apenas três foram construídas e, após a Guerra, foram demolidas. Mas a torre do parque Humboldthain foi apenas parcialmente destruída e hoje em dia é possível visitar suas ruínas com esse tour. Achei interessante, mas não imperdível, porque a torre em si não tem nada dentro.

** Não fosse a chuva, teria optando por conhecer Schloss Charlottenburg, palácio da família Hohenzollern. Foi dedicado por Frederico I à sua mulher Sophie-Charlotte. O Palácio é todo em estilo barroco e tem jardins no mesmo estilo. 

Ao lado do nosso hotel, ficava o biergarten da Hofbrau, super famoso, embora bem mais turístico e menos charmoso do que o do Tiergarten. Os atendentes usam aquelas roupinhas típicas, tentando lembrar um pouco a Oktoberfest. Esse site aqui traz uma seleção bacana desses locais. Passamos o final da tarde e a noite por lá, esperando dar o horário para pegarmos nossa mala no hotel e partir para a estação de trem.

Berlim é incrível. Para quem é fã de história, a cidade tem resquícios do famoso Império da Prússia e foi cenário importante da II Guerra Mundial e da Guerra Fria. Se você é da atualidade, ela não parou no tempo e só renasceu mais bonita e moderninha após o fim da guerra. Difícil mesmo é não gostar!

Advertisements

7 thoughts on “Berlim em 4 Dias

  1. Pingback: Europa em 20 Dias – Considerações e Roteiro | Diários de Férias

  2. Pingback: O Que Vem Por Aí … | Diários de Férias

    • Juliana, desculpe pela demora na resposta! O blog não estava notificando os comentários 😦 … O restaurante não era barato, mas também não era impraticável! Sim, eu fiz reserva acho que um dia antes por e-mail!

  3. Oi. Quero parabenizá-la pelas dicas e rigor de detalhes pois passamos 3 dias e meio em Berlim e pudemos visitar tudo o que aqui foi recomendado com bastante facilidade. Tudo é imperdoável mas a visita ao bunker foi excepcional e o jantar na taberna também.Abraços, Cristina

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s