Roteiro de Moscou

*Roteiro detalhado e dicas práticas aqui

Sede do poder durante o reinado de Ivan – O Grande e de Ivan – O Terrível, Moscou viu vários edifícios com arquitetura própria nascerem nesse período. Ficou um pouco de lado quando São Petersburgo virou a capital do império de Pedro – O Grande, mas voltou com força total após a Revolução Russa, fazendo com que prédios coloridos dividissem espaço com estruturas de linhas retas e sóbrias.

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Dia 1

**Ao lado de todas as atrações, vou colocar o nome da estação de metro, que foi como nos locomovemos. Sugiro que você marque o nome da atração ao lado da estação no mapa em russo do seu metro (veja porque no post específico sobre o metro de Moscou – aqui).

No primeiro dia, nosso voo para Moscou atrasou e até sair do aeroporto, ir para o hotel e sair de novo, já era final da tarde quase noite. Pegamos o metro que ficava perto do hotel (dicas práticas aqui) e fomos direto para o maior símbolo do país: a Praça Vermelha (metro: Ploshchad Revolutsii).

Como falei no post anterior, foi chegando lá que tivemos nossa primeira decepção. Estavam montando uma arquibancada gigante no meio da praça!!! Eu, que achei que fosse chegar na Praça Vermelha e ver aquela imensidão, com o Kremlin de um lado, o GUM do outro e a catedral ao fundo, tive como primeira visão umas barras horrendas de ferro, uns tapumes e alguns montes de areia.

Todo mundo fala que, quando vê a praça, fica sem fôlego e sem palavras. Eu não sofri desse mal: “o que que é isso aí no meio?” foram minhas primeiras palavras rs!

Enfim, o que não tem remédio, remediado está e fomos acostumando com aquele monstrengo lá no meio, tentando focar o olhar só nas construções que realmente pertenciam ao lugar rs!! E elas são LINDAS, MARAVILHOSAS, TIPO UAU!! Você pode olhar para os quatro lados da praça, nenhum vai te decepcionar!

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O nome “vermelha” não vem da cor dos tijolos do Kremlin, nem do comunismo. Em russo, krasnaya significa tanto vermelho, quanto bonito. A palavra, originalmente, era utilizada para a Catedral São Basílio (significando bonito) e depois acabou passando para a praça.

Logo na entrada principal, tem um portão (Portão da Ressurreição), com um círculo no chão marcando o lugar de fundação de Moscou. Passando a entrada e se posicionando no meio da praça, o edifício à sua direita é o Kremlin, atrás de você está o Museu de História da Rússia, à sua esquerda fica o shopping GUM e a igreja que parece saída do filme João e Maria na sua frente é a Catedral de São Basílio.

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Catedral de São Basílio


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Museu de História da Rússia (ou Museu Estatal Russo)


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Torre do Kremlin

Como sabíamos que voltaríamos no dia seguinte de manhã e já estava ficando noite, decidimos conhecer somente o Shopping GUM. O lugar é muito interessante, porque dá pra ver a Rússia capitalista e a socialista num lugar só. O edifício era um antigo mercado de trocas na época czarista, que foi transformado em armazém de distribuição de bens essenciais à população pelo comunismo (aliás, GUM, em russo, é a abreviação de “lojas de departamento do estado”). Hoje em dia, é um shopping luxuoso, com lojas de marca e cafés caros. De um extremo pra outro!

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GUM, em cirílico: RYM

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Ele é bem bonito por dentro, com o teto todo de vidro e as lojas nas laterais.

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Esse foi nosso primeiro contato com a capital russa. Nossa “viagem” mesmo começaria no dia seguinte.

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Lateral do Kremlin visto da ponte que fica atrás da Catedral

DIA 2

Nosso dia começou com uma visita ao Kremlin (tradução para o russo de fortaleza), sede do poder russo desde os czares. Apesar do complexo ser enorme, como até hoje é escritório do presidente russo e sede administrativa do governo, não são todos os prédios que podem ser visitados. Lembrando que o metrô da Praça Vermelha é o Ploshchad Revolutsii.

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Torres do Kremlin vistas do rio

Dentro de suas muralhas, estão igrejas, palácios, jardins, prédios administrativos e museus.IMG_3722 (533x800)IMG_3729 (800x533)

O lugar foi murado por Ivan, o Terrível, que já aproveitou e mandou construir a Praça Vermelha para limpar o campo de visão em caso de ataques.

Nós visitamos várias igrejas, todas com as suas cúpulas redondas e douradas, muito decoradas por dentro, com pinturas em todas as paredes. A principal e mais bonita é a Catedral da Anunciação, onde os Czares frequentavam as missas. A Catedral do Arcanjo Miguel contém a tumba de Ivan, O Terrível.

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Outra estrutura histórica é a Torre do Sino de Ivan, o Terrível, que foi o prédio mais alto de Moscou por muitos anos. O sino construído para torre nunca chegou a ser usado, porque era tão pesado que quebrou logo na instalação. Ele fica exposto hoje em dia e dá para ter uma ideia do tamanho comparando comigo.

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Mas de tudo, o que eu não deixaria de visitar seria o Palácio do Arsenal, onde estão expostas as armas, as jóias e até carruagens dos czares! Dá pra ter uma ideia de quão luxuosa era a vida que eles levavam. Lá dentro, estão expostos também alguns ovos Fabergé que sobreviveram à revolução (muitos foram vendidos pela União Soviética).

Li em vários lugares para dedicar o dia inteiro ao Kremlin. Isso é muito particular, mas, pro meu ritmo, uma manhã é mais do que suficiente.

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Jardins na saída do Kremlin

Saindo de lá, voltamos para a Praça Vermelha, passando pelo Portão da Ressurreição. Dessa vez, aproveitei para jogar uma moedinha no centro do círculo que marca o ponto zero de Moscou. Dá sorte ou você voltará para a cidade, conforme a lenda que escolher.

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Portão da Ressurreição: entrada da Praça Vermelha

Entrando na praça, fomos direto visitar a Catedral de São Basílio. Acho que não há quem não tenha visto pelo menos uma foto daquela igreja com as abóbodas arredondadas e coloridas.

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Sua construção foi ordenada por Ivan IV, que não levava o apelido de O Terrível à toa. Diz a lenda que ele mandou cegar o arquiteto que construiu a igreja, para que ele nunca mais pudesse construir algo tão bonito. Eu acho que o tal do arquiteto era bom mesmo, porque, pra mim, nada é tão lindo quanto aquilo. Nenhuma foto vai te preparar para o que ela é ao vivo!

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O interior, relativamente ao exterior, é simples, com muitas pinturas na parede.

Dá para perceber que O Terrível tinha uma obsessão com altura, porque antes de ele construir seu campanário no Kremlin, a igreja era o prédio mais alto de Moscou.

Ainda na Praça Vermelha, demos um pulo no Museu de História da Rússia – ou Museu Estatal Russo. Até pegamos áudio guia e tal, mas não achei muito interessante, ele cobre a história desde a idade da pedra e acaba não focando direito em nada.

Saindo de lá, fomos em direção ao Teatro Bolshoi (metro Teatralnaya, mas à pé é muito perto) que, segunda grande decepção da viagem, estava fechado em temporada de férias! Pelo menos isso eu já sabia antes de ir, quando tentei de todas as formas comprar ingresso para uma apresentação de ballet. Não consegui conhecer o teatro por dentro, mas já vi diversas fotos e é lindo!

**se tiver interesse, é possível fazer uma visita aos bastidores, inclusive passando pelos salões particulares dos czares.

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Na frente do teatro, fica uma estátua de Karl Marx com a inscrição (em russo) da famosa frase “trabalhadores de todos os países, uni-vos”. Sempre há flores depositadas na estátua.

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Saindo dessa região, pegamos o metro e fomos para a antiga sede da KGB, que fica na Praça Lubyanka (metro Lubyanka). O prédio que abrigou a principal organização de serviços secretos da União Soviética, hoje, é do exército militar russo e, por isso, é extremamente proibido tirar foto. Já sabíamos que no prédio não existe nenhum museu (uma pena, imagina um museu com aqueles objetos de espionagem e contando algumas histórias de presos políticos?). Mas, mesmo assim, queria passar pelo menos na frente para conhecer.

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Foto antes da bronca do guarda

Voltamos pro metro e partimos em direção à Biblioteca Estatal Russa ou Biblioteca Lenina (metrô Biblioteka Imeni Lenina), que foi fundada em 1862 e já era pública desde então. É possível visitá-la, basta preencher uma fichinha na porta. O tamanho impressiona! Na entrada da biblioteca, fica uma grande estátua de Lênin, já que ela levava seu nome durante a época da União Soviética.

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Nossa próxima parada foi a Rua Arbat (metrô Arbatskaya ou Smolenskaya – fica cada um em um extremidade), uma rua de pedestres com várias lojinhas de souvenires e restaurantes. Lá você encontra de tudo, matrioshkas, típicos chapéus de pele com orelhinhas, ladas pintados, etc.

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A rua antigamente habitada por comerciantes tornou-se endereço de prestígio e residência de muitas famílias ricas, razão das bonitas fachadas dos prédios do século 18.

Se quiser aproveitar para trazer uma vodka russa, a mais famosa é a Russia Standard. Dá para achar em qualquer mercado.

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Nossos souvenires – essa é a Standart Russia

Era quase final do dia e fomos para a Catedral de Cristo Salvador (metro Kropotkinskaya). É uma típica igreja ortodoxa, só que gigante! O exterior é branco com as cúpulas douradas e dentro ela é bem decorada. Estava tendo um missa e notamos que as pessoas ficam o tempo todo em pé, não há bancos. A grade maioria das mulheres também estava com a cabeça coberta.

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Já tínhamos terminado o roteiro do dia e estávamos andando sem rumo por aí quando demos de cara com um prédio enorme, bonito e com um símbolo do comunismo no topo: era um dos 7 edifícios de Stalin (vou falar deles mais pra frente).

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DIA 3

No dia seguinte, às 09:00, já estávamos numa fila formada no canto da praça vermelha por uma razão: queríamos conhecer o Mausoléu de Lênin, onde está seu corpo embalsamado. Como é de graça e o lugar só abre das 10:00 às 13:00 (de terça, quarta, quinta e sábado), as filas ficam gigantes, então chegamos cedo para garantir que iriamos entrar logo e não perder tantas horas do dia. Apesar de termos chegado com uma hora de antecedência, já tinha gente na nossa frente.

O “sarcófago” original de madeira (construído às pressas depois da morte de Lenin) deu lugar à pirâmide de concreto, mármore e granito, numa arquitetura bem soviética. Ele é todo em vermelho e preto, simbolizando sangue e luto, uma coisa meio mórbida! O mausoléu tem temperatura (16C) e umidade controladas para a conservação do corpo.

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A visita é MUITO rápida, você entra, desce umas escadas, dá a volta ao redor do corpo embalsamado e sai. Nem dá pra olhar muito porque os guardas ficam o tempo todo mandando você andar (e, obviamente, não pode tirar foto). Acho que, no total, não dá nem 1 minuto! Mas se for ele mesmo quem está lá, você está olhando para o corpo de um dos caras mais importantes da história!! Eu não conseguiria não ir …

Ao lado do mausoléu, ainda estão enterradas outras pessoas importantes do governo soviete, além do túmulo do soldado desconhecido.

Depois do mausoléu, até fomos até o Monastério de Novodevichiy (metro Sportivnaya), bem bonito à beira do lago, mas deu uma impressão que não veríamos nada muito diferente do Kremlin e desistimos (é, às vezes bate a preguiça).

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Saindo de lá, fomos em direção à Universidade de Moscou (metro Universitet). A universidade fica no mais bonito dos 7 Prédios de Stalin, projetados para serem arranha-céus do que seria a Moscou moderna. Dizem que o desenho dos edifícios foi feito pelo próprio.

Além da universidade, apenas mais um desses prédios é ocupado pelo Ministério de Relações Exteriores. Os outros são residenciais de luxo ou abrigam hotéis. Se soubesse disso antes, com certeza teria me hospedado em um deles. Há opções como o Radisson e o Hilton.

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Prédio da Universidade

Na frente da universidade, fica a Cidade Olímpica mas, apesar de estar no nosso roteiro, também desistimos de visitar a hora que vimos de cima.

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À tarde, nos dedicamos a explorar as estações de metro russas (sim, as estações SÃO um ponto turístico). Tem post específico sobre elas aqui.

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Estação Novoslobodskaya

Saindo do tour do metrô, ainda tentamos conhecer o Museu da Revolução ou Museu Estatal de História Contemporânea (metro Tverskaya). Achei que fosse ser uma coisa super legal, com vários documentos da época, objetos, etc., mas me decepcionei. O museu é bem pequenininho e, pra melhorar, TODAS as explicações estavam em russo e não tinha audio guide (isso foi em 2011, mas considerando que não é um programa incluído nas excursões, acho difícil ter mudado). Só deu pra imaginar o que poderia ser o que.

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Nesse dia, ainda passamos por algumas partes da Rússia medieval, como um resquício da muralha que cercava a cidade.

No dia seguinte, só teriamos um pedaço da manhã livre antes de ir para o aeroporto e decidimos voltar (pela 3a vez hahah) à Praça Vermelha e só ficar namorando aqueles prédios mais um pouquinho!

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4 thoughts on “Roteiro de Moscou

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