Joanesburgo (e um oi de Pretória)

Antes de ir, tinha lido em mil lugares e escutado de várias pessoas que Joanesburgo é uma cidade muito perigosa. Então, ficamos meio receosos e decidimos pegar um hotel no Emperors Palace, um complexo com casino, lojas e muitas opções de restaurantes para jantar à noite. Nós tínhamos reservado o Mondior, mas chegando lá recebemos um upgrade pra o D’oreale Grande, um 5 estrelas muito bom.

O complexo fica pertinho do aeroporto e oferece um serviço de shuttle regular para lá.

** outra opção de área que pesquisei é a região de Sandton, que tem vários hotéis além de um shopping bem grande, o Sandton City.

Durante o período que ficamos na cidade, acabei percebendo que, tomando as devidas precauções, não é uma coisa tão absurda e as referências tendem a ser um pouco exageradas. Acho que é uma coisa tipo Rio ou São Paulo (um pouco pior), que você tem que saber em que regiões pode andar. Também jantamos todos os dias no complexo do hotel pra não dar bobeira por aí à noite.

DIA 1

No dia que chegamos, desencanamos de fazer qualquer coisa e, aproveitando nosso upgrade, só ficamos na piscina do hotel o no casino rs!

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A área dos restaurantes é bem grande e com esse teto imitação de Las Vegas

DIA 2

No dia seguinte, pegamos um tour pelo Soweto. Durante o apartheid, foram criadas diversas townships, áreas dedicadas à moradia de negros. O Soweto (abreviação de South West Township) é a mais famosa delas, em decorrência do Levante do Soweto, que foi manchete em vários jornais pelo mundo. Foi um protesto de mais de 10.000 estudantes contra a imposição do Afrikaans como língua primária nas escolas. A polícia abriu fogo contra os estudantes e tal fato abriu os olhos do mundo contra o apartheid, gerando diversas sanções econômicas.

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Achei o passeio muito legal, com muitos lugares e informações históricas.

Nossa primeira parada foi um mercado a céu aberto, com lojas e barracas vendendo todo tipo de coisas.

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De lá, seguimos para o memorial construído em memória de Hector Pieterson, morto durante o Levante do Soweto, eternizado nessa foto.

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No local, há um museu sobre o evento e demais resistências ocorridas no bairro, muito interessante. Adorei visitar.

Outro local famoso é a antiga casa de Nelson Mandela, que hoje foi transformada num museu.

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Nosso motorista/guia era de lá e sabia bastante coisa sobre o lugar. Nós conversamos muito com ele e perguntei tanto sobre como era morar lá durante o apartheid e como era morar agora, que, no final, ele acabou levando a gente até a casa dele, para conhecermos como era por dentro uma das casas construídas pelo governo no Apartheid.

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No caminho para lá, ainda passamos pelo Soccer City e o motorista parou para que déssemos uma olhada de longe ..

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Ao invés de voltar para o hotel, pedimos para o guia nos deixar no Museu do Apartheid. O museu já começa com uma idéia simbólica de como era a segregação. No seu ticket, pode vir tanto a inscrição white como non-white. Dependendo da sua “classificação”, você pega uma entrada específica.

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O conteúdo do museu é muito bacana. Embora tenha diversos objetos da época, o principal mesmo são as fotos do cotidiano, notícias de jornal e os vídeos realizados durante o regime e na luta contra ele. Como não podia deixar de ser, é uma visita que você termina triste, principalmente considerando que esse preconceito ainda não foi completamente extinto.

DIA 3

No nosso roteiro original, ficaríamos esse um dia e meio em Joanesburgo e mais tempo na Cidade do Cabo. Como já falei, precisamos mudar todo o roteiro e decorrência da disponibilidade do Kapama, então ficamos mais tempo do que o planejado em Joanesburgo.

Pesquisando sobre o que poderíamos fazer nesse dia, achei o Lion Park, que é uma espécie de Simba Safari (em escala muito maior). Pode até ser uma boa opção pra quem não vai fazer safári, mas, pra nós que já tínhamos feito, é tudo muito zoológico.

O que me convenceu a ir pra lá é que, além da parte “safári”, eles têm uma parte de zoológico mesmo e entre os animais estão filhotinhos de leões. Como eles estão mais acostumados com pessoas, dá pra entrar na “jaula” deles pra brincar.

Quando li isso e vi algumas fotos, fiquei enlouquecida! Era a hora de matar a vontade que passei de esmagar aqueles filhotes fofos que vimos no Kapama. Lá fomos nós. Logo de manhã, eles ainda estavam meio dorminhocos, então não brincamos tanto assim (tirando que, na primeira vez, dá um certo medinho hehehe).

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Mas não me conformei e, no final da visita, resolvemos entrar de novo. Dessa vez eles estavam mais acordados e nós com menos medo. Já chegamos apertando. Fala se não é uma fofurice total?!

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**nem sonhar em fazer isso com os filhotinhos selvagens no safári, hein?

Aproveitando a parte da manhã que os animais estão mais calmos, conseguimos entrar na jaula dos adolescentes, mas não rolou muita interação porque eles estavam capotados. Na dos adolescentes, precisamos entrar com uma mulher do parque, porque eles já são relativamente grandes.

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Também tomamos coragem pra entrar na jaula de uma cheetah, que a mulher jurou que era boazinha, desde que nos limitássemos a passar a mão só na cabeça dela e não encostar no corpo.

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Quem me conhece sabe como eu amo animais. Nas minhas fotos de viagem, sempre tem um cachorro de rua que virou meu amigo, uma gatinha fofa da pousada, algum passarinho que eu achei por aí e até o macaco de bali que resolveu atacar de cabelereiro e me fazer um penteado. Então, só essa interação com os animais já me fez amar esse passeio (embora uma parte de mim tenha muito dó de eles estarem ali presos). O resto, não gostei muito ….

Além de entrar nas jaulas, ainda fomos ver a alimentação dos leões. Os carros formam um círculo em volta de uma parte de grama, chega um caminhão carregando um búfalo/boi inteiro e solta lá. Os leões, a hora que enxergam o caminhão, já vão atrás dele. É legal ver eles se alimentando, o macho alfa empurrando os outros porque ele escolhe as partes que vai comer e tal. O problema é que é muito de longe. Se soubesse, teria levado um binóculo.

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Também fomos conhecer uma caverna bem bonita, mas que realmente não lembro o nome. Se você se interessa muito por cavernas, vale a pena ir. Se não, deixaria passar …

Pelo o que percebi, paga-se a entrada do parque e algumas atrações são pagas à parte. Como nós pegamos no hotel um passeio pra lá, todas as entradas já estavam incluídas.

DIA 4

No caminho para o Lion Park, vimos que a estrada era tranquila e era a mesma que ia a Pretoria, capital da África do Sul. Então, no dia seguinte, como estávamos sem fazer nada, decidimos alugar um carro e ir conhecer a cidade.

Como fomos de última hora, não fizemos um mega roteiro detalhado. Olhei meu guia da África do Sul na hora e fomos colocando os endereços no GPS.

Nossa primeira parada foi a Church Square, onde fica o Raadsaal (parlamento da República do Boêres). Os bôeres eram colonos de origem holandesa e francesa que, após a 1ª Guerra dos Bôeres, garantiram a independência de sua República em relação à Inglaterra. Essa independência só durou até a 2ª Guerra dos Bôeres, que levou à criação da União Sul-Africana. Também na praça, fica o Palácio da Justiça e uma estátua de Paul Kruguer, antigo presidente daquela república.

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Holanda, é você?

Andando pelas ruas da cidade, é comum se deparar com isso.

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Passamos por alguns outros lugares, mas o que mais gostei mesmo foi Union Buildings, contruído para abrigar escritórios da União Sul-Africana. O prédio não é aberto ao público, mas o parque onde está construído sim e a construção é bem bonita.

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Voltando a Joanesburgo, ainda fomos conhecer o Sandton City, um shopping com prédios de escritórios que é legalzinho, mas nada de turístico. Como disse no começo do post, essa também é uma área boa para se hospedar na cidade.

Obs Débora: do lado do Sandton City, fica a Nelson Mandela Square, onde há várias opções gostosas de restaurantes.

Quando fui para Joanesburgo, pegamos o ônibus turístico de dois andares (aquele da mesma empresa que de Cape Town, “hop on, hop off”) e achei ótimo para conhecer a cidade. Passa em diversos pontos turísticos interessantes e ainda é possível combinar com o tour ao Soweto – muito bem organizado e mais barato do que os tours tradicionais.

Um dos lugares que não podem faltar no roteiro é uma visita à Constitution Hill – local que abriga a atual Corte Constitucional do país (é possível visitar a principal sala do Tribunal) e o Complexo Old Fort Prison, prisão pela qual importantes líderes políticos passaram, como Gandhi e Mandela. Conseguimos fazer um tour guiado gratuito e achei muito interessante! Ao lado do Museu do Apartheid e do Soweto, é excelente para entender um pouco da história do país.

E essa foi nossa passagem pela África do Sul! Vai ficar pra sempre no ranking das melhores!

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2 thoughts on “Joanesburgo (e um oi de Pretória)

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