Auschwitz (e Cracóvia)

Esse post faz parte da série Europa em 20 Dias.

Não vou mentir que nosso desvio pra Polônia, mais especificamente pra Cracóvia, tinha um único objetivo: conhecer Auschwitz e Birkenau.

Eu tenho muito interesse pela Segunda Guerra Mundial, já li muitos livros, assisti diversos documentários sobre o assunto e há muito tempo queria conhecer esses campos de concentração, onde foram escritos capítulos sombrios da nossa história.

Chegamos na Cracóvia às 7am, com um trem noturno vindo de Praga. O plano inicial era pegar outro trem noturno no final do dia, já com destino à Alemanha, mas depois achamos que iria ficar muito cansativo e corrido.

Como não iriamos passar a noite, reservamos um hostel qualquer, só pra deixar a mala. O motivo da escolha foi que esse era um dos hostels em que o passeio que pegamos para Auschwitz fazia pick-up. Quando decidimos de última hora dormir na cidade, só mudamos nossa reserva de quarto compartilhado pra quarto privativo, porque já tínhamos dado esse endereço pra agência que iria nos pegar. Enfim, era o Mosquito Hostel (hahahah o marketing é ótimo), ficava em um prédio ZUADO, com uma entrada que dava medo. Mas até que, por dentro, não foi dos piores que ficamos (mas já ficamos em muita coisa ruim rs!).

Pra não ser injusta, o hostel ficava muito perto da estação de trem (Kraków Glówny) e da Praça do Mercado, uma localização privilegiada.

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Mapa turístico da cidade. Clicando na foto, ela fica maior.

– Auschwitz e Birkenau

Contratamos o tour com a empresa See Krakow, que li boas indicações na internet. Ela parece ser bem famosa mesmo, porque era muita gente com ela! Já estava até um pouco desesperada, mas eles dividiram o pessoal em vários grupos pequenos. Acho que o nosso não chegou a 10 pessoas.

** Dá pra fazer sozinho, pegando um trem até Oswiecim, um ônibus até o campo de concentração e o ônibus entre os campos. Como nós só tínhamos aquele dia, fiquei com medo de perdermos muito tempo com isso ou algo dar errado e acabamos optando pela agência.

No final, gostei de ter ido com o guia, porque o grupo não era grande, não precisava ficar colado neles pra ouvir porque tinha fone e nosso guia era ótimo, sabia vários fatos históricos e histórias do lugar.

Acho que Auschwitz dispensa apresentações e é o mais famoso campo de concentração nazista. Quando cheguei, mal conseguia acreditar que estava pisando naquele lugar.

O dia que fomos, estava a maior chuva, o que deixou o campo ainda mais sombrio. A hora que passamos pelo portão de entrada com a frase “Arbeit Match Frei” ou “O Trabalho Liberta”, todos os pelos do meu corpo arrepiaram.

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O campo, hoje, é um museu e gostei muito do esquema sério da visitação, que respeita as vítimas do local. Portanto, logo de início, eles avisam: nada de falar alto, comer ou beber, lembre-se que muitas pessoas sofreram e morreram nesse lugar.

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Dentro do museu, cada antigo bloco tem um “tema”. Uns contem objetos das vítimas, outros os cabelos raspados, outros contam histórias de alguns dos prisioneiros dos campos, tem um dedicado às experiências genéticas etc. É muito, muito interessante pelo lado histórico, mas é muito, muito triste pelo lado humano.

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Eu geralmente não sou muito sensível e consigo ver cenas fortes sem ter que fechar os olhos. Mas quando entramos em um dos prédios que tinha uma exposição dos cabelos das vítimas, eu passei mal. Aquela quantidade absurda na minha frente era só a que tinha sido encontrada quando o campo foi abandonado (a enorme maioria já tinha sido usada). Quando nós ouvimos números, é assustador, mas só quando esses números são traduzidos em pedaços humanos é que dá pra ter a real dimensão da coisa. O guia falou que já perto do final da 2ª Guerra, todos os tecidos alemães eram fabricados com cabelos de prisioneiros de campos de concentração, então, todos alemães da época usavam roupas de cabelo humano sem nem saber.

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Uma das partes de cabelos – assustador

Os prisioneiros chegavam em massa nos trens que serviam aos campos e eram orientados a deixar suas malas na estação. Os guardas pediam para que eles escrevessem seus nomes nos pertences, que assim poderiam ser entregues quando eles já estivessem alojados. A estratégia era para não criar pânico ou causar tumulto, tornando as coisas o mais fácil possível para os nazistas.

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Malas nomeadas

Obviamente, os proprietários nunca mais veriam suas coisas novamente. Tudo o que tinha valor era separado e vendido.

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Escovas de barbear

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Óculos

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Sapatos

Mulheres, crianças, idosos e deficientes, após terem seus cabelos raspados e seus bens retirados, eram encaminhados diretamente às câmaras de gás, sob o pretexto de tomar banhos. A dissimulação era tanta que eles chegavam a fornecer toalhas e sabonetes. Dentro de uma câmara de gás, o guia nos mostrou as marcas de unhas criadas nas portas pelo desespero das vítimas pra sair, quando se davam conta do que iria acontecer.

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Latas de gás usadas

Os corpos já eram imediatamente recolhidos por carrinhos sobre trilhos e levados aos crematórios adjacentes.

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Fornos para cremação

Para os que ficavam no campo, o destino não era melhor. Eram submetidos a cargas sobrehumanas de trabalho, com quase nada de comida. Não era raro alguém morrer durante o trabalho de exaustão ou fome e os próprios prisioneiros eram obrigados a carregar os corpos para os crematórios ou para as valas comuns.

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Além da pouca comida, é impossível não pensar como uma pessoa podia trabalhar do lado de fora na neve com apenas aquele uniforme fininho listrado e muita gente morria de hipotermia ou outras doenças.

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Enter a caption

Se você conseguia sobreviver a tudo isso, ainda corria o risco de ser simplesmente assassinado por um guarda, porque ele não foi com a sua cara, achou que você não estava trabalhando bem ou porque alguém do seu grupo saiu para o trabalho e não voltou.

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Local de fuzilamento

 A parte de Auschwitz é mais de dedicada aos museus. De lá, nós voltamos para o ônibus e fomos para Birkenau. Todo mundo em silêncio.

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Birkenau

Em Birkenau, estão preservados alguns pavilhões para mostrar a vida no campo, como os vagões dos trens por onde chegavam os judeus, ciganos, homossexuais e outras raças consideradas inferiores, além de alguns dormitórios.

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A visita é muito pesada. Apesar de já ter lido muito sobre tudo aquilo, ia ouvindo as histórias do guia e não dá pra imaginar como alguém pode ter feito uma coisa daquelas. É muita crueldade. O intuito do museu é exatamente esse: relembrar as crueldades realizadas para que isso não volte a se repetir.

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Se você for muito sensível, pense duas vezes antes de ir. Se não, está aí uma ótima forma de conhecer nossa história e prestar homenagem às vítimas, vendo de perto o horror que elas passaram, pra garantir que isso não seja reproduzido nos dias atuais (vale lembrar que todo esse absurdo foi baseado em uma forma de preconceito e na ideia de que um povo pode ser melhor do que o outro).

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– Cracóvia

Como decidimos dormir na cidade, tivemos em tempo mínimo pra andar por lá e ver um pouquinho .

Depois da visita a Auschwitz, achei que não fosse conseguir fazer mais nada, mas no ônibus de volta já foi dando tempo de ir se acalmando e nosso almoço, que começou em silêncio, foi aos poucos voltando ao normal.

Não vou dar dicas do que fazer, porque realmente fizemos quase nada e sequer nos programamos achando que não teríamos tempo de conhecer alguma coisa. Vou só contar o que vimos.

Antes de ir pra Auschwitz, nós já tínhamos dado um pulo na Praça do Mercado (Rynek Glówny) e aproveitado pra conhecer o edifício que dá nome ao local. Ele é bem bonito por dentro e tem lojas vendendo de tudo. Na praça, ainda há uma igreja gótica super bem decorada por dentro, que não tiramos fotos porque estava tendo missa.  Outro edifício famoso do lugar é a antiga Torre da Prefeitura.

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Fomos descendo pela Rua Grodzka em direção ao Wawel Castle. Essa rua tem prédios que me lembraram muito Praga. Aliás, Cracóvia, pelo menos ao redor da praça, é muito linda!

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15C e tempo bom em pleno verão rs!

Chegamos no Castelo, mas o pique pra entrar não veio junto com a gente. Nem tinha lido nada sobre ele e achei que entrar por entrar não valeria a pena. Acabamos nos contentando em vagar ali por perto da praça mais um pouquinho.

À noite, ainda fomos jantar num dos famosos Milk Bars da cidade, pequenos restaurantes que oferecem comida típica da região a preços bem baixos. Eram cantinas de trabalhadores na época do regime comunista. Nós fomos no Milkbar Tomasza, mais famosinho e bonitinho, mas achei que a experiência não foi tão original assim. Se quiser ver como eram originalmente, sugiro procurar um menos turístico (cheguei a ver a indicação do U Stasi, mas não fomos. Esse site também tem outras indicações).

Assim terminou nossa rápida passagem pela Polônia. De lá, nosso destino era a Alemanha.

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3 thoughts on “Auschwitz (e Cracóvia)

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