Jerusalém

Quando comecei a pensar no roteiro da viagem para escrever aqui no blog já tinha uma certeza: haveria um post 100% dedicado à Jerusalém. A cidade, que respira fé, é palco de um espetáculo cultural indescritível e, com certeza, foi um dos roteiros mais interessantes que já fiz.

 A Divisão da Cidade

A cidade de Jerusalém tem história que não cabe nem em mil posts. É sagrada para as três grandes religiões monoteístas: judaica, cristã e muçulmana e reinvidicada como capital por dois países (Jordânia e Israel), por isso, sempre esteve no centro de disputas. Foi conquistada por judeus, babilônicos, romanos, bizantinos, assírios, árabes, otomanos, ingleses. O plano da ONU quando da criação do Estado de Israel era submeter a cidade a um controle internacional, porém, Israel e Jordânia dominaram a área e, após a Guerra dos Seis Dias, o domínio integralizou-se israelense.

Esse mosaico de influências na história da cidade está estampado em todos os cantos e fica ainda mais evidente na parte denominada Cidade Velha (dentro das muralhas), onde vivem cerca de 40.000 pessoas. Fora das muralhas está a Cidade Nova, com construções modernas, mas que obrigatoriamente seguem os padrões estéticos sóbrios da cidade.

As muralhas são uma atração por si só. São enormes (a altura média é 12m e a espessura média 2,5 m) e se estendem por 4 km. É possível subir e caminhar por elas.

A Cidade Velha é cortada por diversas ruas bem estreitas e é dividida em 4 bairros (denominados “quarters”) o judeu, muçulmano, cristão e armênio.

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O maior deles é o Bairro Muçulmano, onde estão várias igrejas (sim, igrejas cristãs), o início da Via Dolorosa, a Cúpula da Rocha (mesquita) e o mercado central (Souk Central). A cidade de Jerusalém é a terceira mais importante para os muçulmanos, atrás apenas de Meca e Medina. Um detalhe interessante de se observar é que, na porta da casa de algumas famílias muçulmanas há um cartaz que indica que um membro daquela família já foi à Meca, o que é um motivo de muito orgulho para eles.

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O Bairro Judeu é, na minha opinião, o mais bonitinho, acho que porque é um pouco mais amplo. É onde fica o Muro das Lamentações.

O Bairro Cristão tem mais de quarenta igrejas e mosteiros. No centro encontra-se a famosa Basílica do Santo Sepulcro. Um guia nos disse que muitas das propriedades foram adquiridas pela Igreja Católica do império turco-otomano que, passando por dificuldades financeiras, precisou vendê-las.

O Bairro Armênio é o menor de todos e o mais calmo. Os armênios fixaram-se em Jerusalém por volta do ano 300 d.C. e algumas famílias lá se mantiveram até hoje.

– Onde ficar

A maior parte dos pontos turísticos está dentro das muralhas e há hotéis super bem localizados por lá.

Se estiver sem carro, vale a pena a experiência de ficar dentro da cidade velha. Como estávamos de carro e praticamente não há hotéis com estacionamento dentro da cidade antiga, optamos por ficar fora, mas muito perto do Portão de Damasco, um dos mais movimentados para acessar o interior das muralhas. Ficamos no Hotel Addar  que ocupa um prédio histórico restaurado. Nota 7,0..nada de mais nem de menos, quase não parávamos lá.

Achei nossa localização ótima, dava para ir e voltar da cidade velha a pé tranquilamente. Porém, se me perguntarem a melhor localização, diria que é próxima ao portão seguinte, o Jaffa Gate. O motivo é meio tosco, mas como é um blog de dicas, não vou ficar miguelando as percepções né? Preferi o Jaffa porque achei a entrada mais bonita, próxima ao shopping a céu aberto Mamilla Mall que merece uma passadinha rápida. O Portão de Damasco fica próximo à rodoviária então é bem movimentado e com muito comércio de rua (barraquinhas barulhentas).

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PASSEIOS

Abaixo segue a listinha dos principais pontos e o tempo aproximado que levei pra fazer cada uma das visitas. Vale lembrar que esse tempo é só pra dar uma ideia, pois é bem pessoal, depende bastante do interesse de cada um – e também das filas dos lugares. Eu, por exemplo, não sou adepta da “slow travel” então não costumo fazer muitas paradas para descanso durante o dia.

* Dica importante: praticamente nenhum lugar pode ser acessado com roupas curtas, cabeça descoberta, regata…tenha sempre à mão um lenço ou uma pashimina.

DENTRO DA CIDADE VELHA

– City tour (2h30)

Pra ter uma ideia geral de tudo e decidir o melhor roteiro, resolvemos iniciar com o roteiro guiado da Sandeman’s. É uma empresa de guias autônomos que fazem roteiros gratuitos ou bem baratos. Recomendo muito! Os guias são ótimos e o roteiro é perfeito para ter uma visão geral da cidade velha.

A rota passa pelos quatro bairros e inclui um passeio pelos telhados das casas com uma vista privilegiada para a Cúpula da Rocha, cartão postal da cidade.

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– Via Sacra (2h, incluindo entrada no Santo Sepulcro)

Corresponde ao caminho que peregrinação que Jesus percorreu com a cruz, desde o local onde foi condenado à morte até onde foi crucificado. O caminho tem cerca de 600 m e 9 das 14 estações estão marcadas nas paredes (é só uma plaquinha mesmo que, em alguns pontos, é até difícil de enxergar, as outras estão dentro da Igreja do Santo Sepulcro).

O caminho fica lotado de turistas, de procissões e termina no local mais concorrido pelos peregrinos, o Santo Sepulcro. Por conta disso vale a pena buscar os horários mais alternativos possíveis, fomos super cedo e conseguimos evitar o tumulto.

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A Igreja do Santo Sepulcro abrange, segundo a tradição cristã, os locais em que Jesus foi crucificado, sepultado e onde ressuscitou.

A Igreja, assim como a Natividade de Belém, é super simples e parece até descuidada. Isso porque também pertence a diversas denominações cristãs, de forma que todas as modificações e reformas dependem de decisão unânime. De acordo com o guia, uma escada que está no alto de uma janela na entrada da igreja permanece lá há um tempão porque estava lá quando foi aprovada a regra do consenso e, desde então, sua retirada nunca foi aprovada por todos.

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– Muro das Lamentações (1h)

Local mais sagrado para os judeus, onde, todos os dias, milhares vão fazer suas orações.

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O muro é o que sobrou do Segundo Templo dos Judeus. Explicando rapidinho, foi construído um templo – o Primeiro – para abrigar as Tábuas com as leis que Deus passou a Moisés. Após a destruição do Primeiro Templo, foi construído um Segundo Templo com o mesmo propósito e que também é completamente destruído, restando apenas a muralha que sustentava a lateral do prédio. O curioso é que as fundações do templo mesmo encontram-se “sob domínio” muçulmano, ficam onde hoje está a Mesquita da Cúpula da Rocha.

O acesso ao Muro é separado por gênero, há uma área para homens e outra para mulheres. É possível entrar e conhecer de perto a tradição de colocar um pedido nas frestas entre os gigantescos blocos.

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Ao lado do muro, fora das muralhas, há algumas ruínas para visitar.

– Cúpula da Rocha (1h30)

A Mesquita é o cartão postal da cidade de Jerusalém. É impressionante. O acesso a ela é restrito para turistas que só podem entrar nos jardins do seu entorno em horários pré-determinados (não é possível visitar o interior da mesquita).

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O acesso fica ao lado do Muro das Lamentações. Recomendo fortemente perguntar aos guardas ou em um posto de informação turística quais os horários de abertura – eles não são fixos – e, com base nisso, programar o passeio pela cidade, de forma a não perder a oportunidade de entrar lá.

Não é possível entrar de bermuda (nem abaixo do joelho) e, para mulheres, com a cabeça descoberta. Eles não avisam isso na entrada, apenas quando se chega no pátio da mesquita, aí, caso você esteja “fora dos padrões” é imediatamente conduzido a uma “lojinha” que está estrategicamente posicionada para vender panos para cobrir os turistas…rsrsrsrsr

OBS: Como pegamos um feriado em Jerusalem (Rosh Hashana), não conseguimos ir ao Museu da Torre de David que conta com uma exposição permanente sobre a história cultural, histórica e arqueológica de Jerusalém e exposições temporárias ao longo do ano. Em algumas noites há, no museu, um espetáculo de luzes.

FORA DA CIDADE VELHA

– Monte das Oliveiras (3hs)

O Monte das Oliveiras é famoso por concentrar as belas igrejas e oferecer algumas das melhores vistas da Cidade Velha. Não é longe do centro, mas é uma subida bem chatinha. Fomos pra lá de carro.

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No começo da subida há a Igreja da Tumba da Virgem Maria e a cripta onde ela teria sido sepultada. Ao lado, há a Basílica da Agonia, construída no local onde Jesus teria passado as ultimas horas antes de ser preso (na lateral da igreja, está o jardim em que teria havido a traição de Judas).

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Mais pra cima há o Domo da Ascenção, local onde Cristo ascendeu aos céus quarenta dias após a ressurreição (e onde há uma pegada que supostamente é de Jesus) e a Igreja Pater Noster, onde ele teria ensinado o Pai-Nosso, oração que está retratada em diversos idiomas nas paredes da igreja.

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No alto do monte, há mirantes que oferecem uma vista linda da cidade e do gigantesco cemitério judeu, super concorrido, pois se acredita que o juízo final acontecerá nesta área e os enterrados lá serão, no dia do juízo, os primeiros a ascenderem ao paraíso.

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– Yad Vashem – o Museu do Holocausto (ficaria o dia todo!! Separe, pelo menos, 1/2 dia)

Sou suspeita para falar deste Museu. Sempre quis conhecê-lo e, para mim, foi sem dúvida um dos pontos altos da viagem. Já falei que gosto muito de História, mas sou fascinada pelos acontecimentos da Segunda Guerra. Pode parecer estranho ou até macabro, mas, na verdade, o que mais me intriga e que não canso de tentar entender é como o conflito pôde tomar proporções tão inimagináveis como as relatadas neste museu.

Independentemente do grau de interesse pelo tema, vale visitar este museu. O complexo é impressionante. É formado pela galeria principal – que abriga o museu com objetos pessoais, vídeos, relatos, etc – galerias menores com diferentes significados (sala da memória, homenagem às crianças judias, etc) e uma extensa área verde, onde se encontra a Avenida dos Justos, com árvores plantadas em homenagem aos não judeus que ajudaram a salvar vidas no período nazista (incluindo o mais famoso deles, Oscar Schindler).

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Há áudio-guias disponíveis em vários idiomas e a entrada é gratuita. Se possível, tente ir bem cedo ou mais tarde para evitar as diversas excursões de escolas.

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4 thoughts on “Jerusalém

  1. Pingback: ISRAEL DIA A DIA | Diários de Férias

  2. Pingback: Planejando a Viagem | Diários de Férias

  3. Parabéns por seus comentários, me senti la em Jerusalém vivendo os momento que você viveu.
    Obrigado por compartilhar.
    Deus abençoe

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