Pequim

Algumas dicas

Não dá pra mentir que a primeira viagem pra China dá alguns medos. A diferença da língua e se dá pra se virar sozinho são os maiores deles.

Por essa razão, apesar de não curtir muito, acabamos optando por pegar uma agência e contratar um guia em Pequim antes de ir. Fechamos com a Latitudes.

** Para entrar em Pequim é necessário visto, que pode ser de entrada única ou múltipla. Como já fechamos com a agência, eles providenciaram o nosso. 

No 1º dia, decidimos pegar o guia o dia inteiro. No 2º, que fomos visitar uma parte mais afastada da muralha, também. Como no 3º dia já achei que estaríamos mais descolados na cidade, deixamos o dia livre e por conta própria.

Depois de ter passado 3 dias em Pequim, confirmo: dá pra se virar tranquilo sozinho!!

Só teria pegado um carro pra parte mais afastada da muralha, meio difícil de chegar porque precisa pegar a estrada e não sei se tem ônibus que vai pra lá. Outra opção é pegar um passeio, mas aí você tem que ir em grupo e fica preso à programação e aos horários deles.

Todas as outras atrações são perto das estações de metro e você chega fácil, fácil.

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Todas as atrações com um M perto

Tente já sair do hotel com o máximo de informações. Mapa da cidade e nome da estação perto do seu destino são imprescindíveis. Se você depender de pedir informações, a coisa já não fica tão fácil assim. A comunicação pega forte! Até o pessoal da recepção do hotel sofria um pouco pra falar inglês…

O metro de Pequim é uma beleza e tem todas as indicações também em inglês. Durante o dia e noite, ele é tranquilo, só no final da tarde que lota bem. Nesse horário, nos vimos no meio da multidão, andando sem precisar andar rs! Mesmo assim, achei melhor que SP, horário de pico. A muvuca em Pequim é dentro do vagão, mas nas estações não chega nem perto de uma Sé, por exemplo. No máximo dos máximos, você vai esperar só um próximo trem.

Todas as estações tem máquinas automáticas, onde você seleciona o idioma, seleciona a estação que quer ir, coloca o dinheiro e recolhe o bilhete. Moleza, sem precisar se comunicar com ninguém.

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A tranquilidade, entretanto, acaba na hora de conseguir um táxi. Os taxistas tem medo de estrangeiros, acho que porque quase nenhum fala inglês, então eles não param pra nós, não param mesmo. Na hora de sair do hotel, era tranquilo, porque pegávamos os que ficavam na porta.

Na hora de voltar, era guerra. Depois de ficar um tempão esperando algum táxi parar, chegamos ao absurdo de pular pra dentro de um deles logo que o passageiro que ele estava deixando desceu. O motorista ficou muito bravo e falou mil coisas que não entendemos, a gente só mostrava o papelzinho com o nome do hotel em mandarim hahahah. No final, ele nos levou. Coitado, não teve opção.

Ficamos hospedados no Jianguo Hotel Beijing, que fica do lado de uma estação de metro e não muito longe de carro dos outros lugares que fomos, achei a localização boa. Não pesquisei muito e fui na indicação da agência que contratamos.

Mas vamos às atrações da cidade!

Nosso Roteiro

DIA 1

Logo de manhã cedo, o guia nos pegou no hotel e fomos para a Cidade Proibida.

Na China, se prepare pra muitas pessoas com você nos principais lugares, na maioria, os próprios chineses. Prepare-se também para o choque de cultura. Eles não tem costume de fila e vê quem consegue chegar perto, entra quem empurrar mais.

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Olha a situação. Os chineses pertinho e o gringo lá atrás.

Depois que você se acostuma com isso e passa a agir como eles, tudo melhora, no turismo e, principalmente, no metrô rs!! E não adianta reclamar, afinal, lá você é o visitante, tente se adaptar!

Embora a gente tenha chegado cedo, a Cidade Proibida já estava lotada e os 5 primeiros minutos foram difíceis pra mim. Esperava todo mundo passar pra tirar fotos. Ficava atrás de alguém que estava vendo algo pra ver em seguida, mas 30 pessoas entravam na minha frente heheh. Conclusão, não consegui fazer nada! Foi tratamento de choque. Já me adaptei logo e comecei a agir como eles. Em 5 minutos, já estava aproveitando tudo o que o lugar tinha pra oferecer – e não era pouco!

A Cidade Proibida foi o palácio imperial das dinastias chinesas e de domínio exclusivo da corte. Em 1949, após a revolução, passou a ser totalmente aberta ao público.

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A visita começa pelo Pátio Externo, que eu achei muito mais bonito do que os palácios de aposentos imperiais. Após a entrada, já se avista 5 pontes de mármore que cruzam um fio de água (Água Dourada).

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Mais pra frente, está a Porta da Suprema Harmonia, construída para receber visitantes.

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Cruzando essa parte, chega-se no Hall da Suprema Harmonia, acessado por escadas que ladeiam uma rampa toda desenhada, que era reservada ao imperador.

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O Hall da Suprema Harmonia era o maior do palácio e era utilizado em ocasiões especiais, como a entronização de um imperador. O trono ainda está lá.

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Achei legal ter ido com um guia, porque a arquitetura chinesa é cheia de simbolismos e até detalhes – que pra gente passariam totalmente despercebidos – nos telhados, portas e esculturas tem significado. Por exemplo, as portas de uso do imperador, possuem 81 cravos de latão (decorre de toda uma filosofia do yin e yang, que vê o 9 como número fundamental). Se no telhado de determinado edifício havia 9 estatuazinhas, o local era do imperador.

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Andando mais pra frente, você ainda passa por dois halls (Hall da Harmonia Central e Hall da Preservação da Harmonia – é muito harmonia), até chegar na Porta da Pureza Celestial.

Atravessando essa porta, está o Pátio Interno, com três palácios bem ornamentados, onde ficavam os aposentos reais.

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Ali pertinho já fica a saída norte da Cidade Proibida. Se quiser, você pode estender sua visita ao Parque Jing Shan, o que nós não fizemos.

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Saindo de lá, paramos em um restaurante pra almoçar, fiquei super frustrada, mas o guia achou que estava super abafando nos levando num pub irlandês hahaha. Cade minha carne picadinha com cebola e meu molho agridoce?

O próximo destino foi o Palácio de Verão. Não consegui decidir até hoje se gosto mais dele ou da Cidade Proibida.

O Palácio é um grande complexo com muita área verde e vários lagos. Serviu à Dinastia Qing como refúgio para o calor da Cidade Proibida, que era toda em pedras.

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Pra mim, as grandes atrações são o Corredor Longo e o Barco de Mármore.

O Corredor Longo tem 728m de extensão, ladeado e coberto com vigas de madeiras super decoradas.

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O Barco de Mármore, na verdade, é de madeira. Foi mandado construir pela Imperadora Cixi e pintado de branco para parecer de mármore.

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Além disso, passamos por outras construções, como a Colina da Longevidade, e visitamos os lagos.

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Conhecidos os 2 principais ícones de Pequim, nosso guia nos deixou no hotel. Durante o trajeto, já sem medo da cidade, fomos perguntando o que poderíamos fazer à noite por conta própria. Saímos com duas indicações.

Nossa primeira parada foi uma espécie de shopping center, que ficava no quarteirão ao lado no nosso hotel (o nome era Silk Street Market). O negócio tem uns 7 andares e tudo o que você pode imaginar. Lojas e lojas de roupas (desde camisetas legais até imitações de marcas famosas), eletrônicos (de procedência duvidosa), cabos, adaptadores e outras quinquilharias, roupas típicas, vestimentas de cama, mesa e banho, tudo! Lá, com um certo esforço, dá pra se virar em inglês. Se for comprar algo, pechinche muito, o preço pode cair a até 10% do original, dependendo da sua paciência e da cara de pau do vendedor ao chutar o preço inicial. É tipo um Stand Center gigante.

De lá, pegamos o metrô e fomos até a segunda indicação: o Mercado Noturno de Donghuamen. O lugar é cheio de letreiros, luminárias chinesas, barraquinhas com quinquilharias e as barraquinhas com os espetinhos de alguns bichos não convencionais, como escorpião, cobra, cigarras, etc.

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Conversando com nosso guia, ele nos contou que o escorpião, por exemplo, não é um prato muito comido em Pequim, mas em regiões no interior onde a comida é escassa e eles comem de tudo. De fato, vimos os bichos exóticos saindo mais para turistas. Os chineses comiam muito o espeto de lula.

Os escorpiões ficam vivos nos palitinhos e quando você pede, a pessoa frita na hora. Eu relutei um pouquinho no começo, fiz (muita) cara de nojo, mas provei! Aeeeee!

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O mercado fica numa travessa de uma avenida de pedestres, com vários restaurantes fast food e marcas estrangeiras, um lugar bom pra frequentar à noite. Acho que é uma boa região pra se hospedar, também.

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DIA 2

O segundo dia inteiro foi dedicado à visita da Muralha da China e às Ming Tombs, que vou falar num post específico. AQUI.

Voltando para Pequim, demos uma passada na Praça Tian’an Men. No fundo da Praça, está o Portão com o mesmo nome, onde Mao proclamou a República Popular da China, em 1949. Ali fica seu famoso retrato.

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Do lado direito de quem olha pro portão, fica o Museu Nacional da China, com arquitetura tipicamente socialista. Nós só vimos por fora.

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Do lado oposto, está o Grande Hall do Povo, sede do Governo Chinês. Parte do local é aberto à visitação, mas nós não pudemos visitar porque estava tendo algum evento político. Gostaria de ter ido.

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O outro edifício que forma a praça é o Mausoléu de Mao, que contém seu corpo embalsamado.

Mas para os chineses, a maior atração turística do local é mesmo os estrangeiros. Vimos muita gente tirando fotos nossas e um deles, que estava fazendo um book com um dos fotógrafos profissionais que ficam na praça, veio pedir se uma das fotos não podia ser com a gente. Vai saber se estamos em algum porta-retratos da casa dele rs!

À noite, fomos provar o Pato Laqueado de Pequim na origem! Seguimos a dica da Drieverywhere e escolhemos o restaurante Da Dong. É super bonito e grande, mas percebi ser mais voltado ao público local. Tinha uma pessoa que até tentou falar inglês com a gente, mas não dava pra entender nada. Foi tudo na base da mímica, mas rolou. O cardápio, pelo menos, tinha em inglês. A gente apontava, ela comparava com a versão em mandarim e no fim deu tudo certo! São várias unidades, escolhemos a mais perto do nosso hotel, que ficava num edifício com um shopping embaixo.

O pato chegou inteiro na nossa mesa e o chef vai fatiando na hora. Como acompanhamento, eles servem tipo umas panquequinhas bem fininhas, com alguns vegetais fatiados, assim você pode montar seu rolinho. Eu AMEI!

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DIA 3

Liberdade finalmente hahahah! Já adaptados à cidade, ao modo chinês e sem nosso guia, saímos para desbravar Pequim por conta própria!

Fomos de novo até a praça vermelha, porque queríamos visitar o Mausoléu do Mao. Não rolou, porque naquele dia estava fechado. Descobrimos depois de entrar e sair das grades de fila por todos os lugares possíveis (achamos que estavam vazias porque era cedo hahah). A gente levava bronca dos guardas e concluíamos que era porque estávamos entrando pelo lugar errado. Até que um fez uma mímica que a gente entendeu. Falando nisso, a mímica e a lógica dos chineses são muito diferentes das nossas, o que dificulta também a comunicação gestual hahah.

Então, nossa primeira visita foi ao Templo do Céu (Tian Tian), onde o imperador rezava e fazia sacrifícios por boas colheitas. O templo é formado pela pela esplanada de mármore (ou altar dos sacrifícios) e pela torre de orações (que é lindíssima por dentro, mas só dá pra ser vista por uma portinha, a entrada é proibida).

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Além do templo ser lindo, fica dentro de um parque (Parque Tian Tian) onde os chineses mais de idade ficam jogando, fazendo aulas de dança ou de lutas. Gostei muito!

Entramos no metro pra conhecer outro templo e quando saímos: NEVE. A cidade é tão poluída que os primeiros flocos que caiam eram marrons! Eu estava com um casaco branco que ficou todo sujo. Conforme a neve foi limpando a poluição do ar, os floquinhos começaram a cair brancos.

obs.: no hotel, você consegue acessar a internet sem problemas, porque eles tem acesso de visitante. Mas tentei pesquisar sobre a poluição de Pequim no Google e, quando clicava nos sites, eles não abriam. A internet é mesmo controlada por lá.

Como estava muito frio, entramos num café pra nos abrigar e ver se a neve passava. Passou, ufa!

Saímos e fomos conhecer o Templo Lama, um dos que mais gostei. É um grande complexo, com vários templos, todos em estilo típico chinês imperial e bem coloridos.

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De lá, saímos andando à pé com o mapa na mão e passamos por varias ruas super típicas. Nosso destino era outras mais típicas ainda: as Hutongs. Fomos do círculo 11 ao 10 do mapa.

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As Hutongs são ruelas formadas pelos muros das casas com pátio. Essas casas antigamente eram de ricos ou de altos funcionários do império, mas atualmente quase todas estão na mão do Estado.

A Mansão do Príncipe (n. 11 do mapa) fica perto dos lagos Quian Hai e Hoi Hai e é nessa região que você encontra a Hutongs. Ao lado do lago, ficam umas espécies de tuk tuks de bicicleta, que fazem um mini tour pela região.

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Algumas estão bem conservadas e restauradas, cheias de lojas e restaurantes onde eram as antigas residências. Outras estão totalmente destruídas. Algumas delas, atualmente, são usadas por mais de uma família.

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De lá, fomos em direção às Torres do Tambor e do Sino, mas não achamos nada demais. Entramos no metro e ainda deu tempo de dar uma esticadinha até à Cidade Olímpica, que não estava no nosso roteiro. Mas, chegando lá, caiu a maior chuva, então só demos uma olhadinha de fora e decidimos voltar pro hotel.

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À noite, estava o maior frio do mundo, então resolvemos jantar no hotel mesmo. Mas começou a me dar um siricutico de sair e decidi procurar na internet algum lugar pra fazer massagem, porque queria conhecer a reflexologia chinesa. Achei a indicação de um lugar que parecia popular na cidade.

Foi uma dificuldade nos entender com a recepção do hotel, mas eles escreveram o endereço pra gente em mandarim, pegamos um táxi e fomos. Que decepção! O negócio de típico não tinha nada, um lugar de massagem estilo ocidental, dentro de um shopping estilo ocidental.

Quando saímos, bateu o desespero! O shopping estava fechado e estava nevando, um frio congelante e ninguém na rua. Fomos andando sozinhos por uma avenida sem saber como iríamos conseguir voltar pro hotel. Passou um táxi e até acenamos descrentes, com 100% de certeza que ele não ia parar (se nenhum tinha parado até agora, não era ali, no meio de uma tempestade de neve, que isso ia acontecer). Nem acreditei quando ele parou!

Pra nossa sorte (acho que ele nem viu que éramos estrangeiros) ou pro nosso azar (dentro do táxi, passamos uma tensão) era um senhorzinho que não conseguia enxergar nem o nome do nosso hotel escrito no papel. Falei mil vezes e tentei centenas de entonações diferentes pro nome do hotel, até que uma hora ele disse que entendeu e saiu dirigindo. A gente estava num misto de “pra onde esse cara tá nos levando” com “mas tudo bem, aqui está quentinho“, até que comecei a ficar feliz quando reconheci a região do hotel e quase dei um grito de felicidade quando entramos na avenida certa!!

No dia seguinte, partiríamos pra Xian.

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6 thoughts on “Pequim

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  4. Olá! Conheci esses dias seu blog e já entrei diversas vezes! Muito bem escrito e detalhado na medida, parabéns! Estou planejando uma viagem para este fim de ano e provável que seja para a China. Sei que é muito frio nessa época (final de dezembro, início de janeiro), no post você fala em neve, chuva e muito frio. Por acaso, essa viagem foi nessa época? Se foi, o clima chegou a atrapalhar e impedir de conhecer os lugares que pretendia?

    • Nadhia, por incrível que pareça a neve foi em abril. Como já era o final da época de frio la, peguei isso só um dia. Os outros todos foram de sol e frio. Seria bom dar uma olhada na previsão de chuva para esses meses.

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