Vietnã – Ho Chi Minh e Túneis de Cu Chi

Esse post faz parte do nosso roteiro pelo Sudeste Asiático, com informações gerais aqui.

* obs. Débora: Antes de passar a descrevermos o roteiro em Ho chi Minh, uma dica prática para os brasileiros que forem ao Vietnã: é necessário tirar o visto!

Uma das formas de obtê-lo (e sem depender de agências) é ir pessoalmente na embaixada do país, que fica em Brasília ou solicitá-lo pelo correio. Eu tive que optar pela última forma e, apesar do medo de mandar meu passaporte original pelo correio, foi bem fácil! Para saber os valores atualizados da taxa, mande um email para a embaixada vnconsular@gmail.com (pois é, é do GMAIL, mas é oficial!hehe). A lista dos documentos que devem ser encaminhados, juntamente com o comprovante do pagamento da taxa, está disponível no site da embaixada. Em um pouco mais de uma semana, recebi em casa meu passaporte de volta com o visto pronto.

*há relatos de pessoas que optaram por pagar um “pré-visto” com algumas empresas que oferecem o serviço (como essa aqui) e concluir o procedimento no aeroporto na hora do desembarque. Todavia, por não ser oficialmente reconhecido pelo governo, preferi o método descrito acima!

HO CHI MINH

Chegamos a Ho Chi Mihn (antiga Saigon) por Bangkok, pra passar dois dias por lá. Ainda quero voltar para o Vietnã, conhecer a parte de Sapa e a Baía de Ha Long. Nessa visita, ficamos só em Ho Chi Minh e Cu Chi.

Como nós pegamos a visita a Cu Chi com a Diethelm e fechamos vários outros passeios de outros países com eles, eles nos deram os transfers de chagada e saída em Ho Chi Minh. Nosso primeiro dia era livre, mas o motorista do transfer veio nos pegar com um guia e ele nos avisou que nos daria um city tour. No começo, fiquei mal humorada, porque queria fazer por conta. Gosto de fazer as coisas mais rápidas e geralmente os guias demoram muito nas explicações, contando coisas que eu já li antes da viagem. Mas minha impressão ia mudar logo logo: nosso guia no Vietnam foi um achado!!

O Dinh (pronuncia Din) é uma das pessoas mais fofas que já conheci e é uma história viva! Ele serviu na guerra do Vietnã e foi um dos 4 vietnamitas enviados a Cuba para estudar engenharia e ajudar a reconstruir o país após os bombardeios (por isso, o tour em espanhol fluente e limpo). Nós contratamos o carro e o guia particulares, então íamos conversando muito com ele durante todos os trajetos, perguntando sobre como foi a guerra, como era o país na época do socialismo, etc. Ele, com certeza, foi uma das surpresas boas do país. Fica aqui o contato dele, que indico com total tranquilidade!

NGUYEN VAN DINH – dinhespanhol@yahoo.com.vn 

Update: bastante gente tentou mandar e-mail para o Dinh e voltou. Infelizmente, não temos outro contato dele. 

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Eu e Dinh vistos de um dos esconderijos de Cu Chi

O Dinh é mega agilizado e com as malas no carro mesmo fomos para o Museu da Guerra. Ele logo sacou que nós preferíamos ler as placas do museu do que ele nos falasse (não vejo sentido em ter um guia te falando “essa era uma bomba blablabla” se tem um placa embaixo explicando a mesma coisa!), então ficava só nos acompanhando, dando alguma explicação realmente útil além das que já tinham no museu.

O museu é muito, muito interessante. O conteúdo é bem pesado, mas a visita vale a pena!

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Tem uma coleção incrível de fotos, com antes e depois dos lugares, dos efeitos nas pessoas das bombas químicas utilizadas e cenas da guerra, entre elas o original dessa foto mundialmente conhecida.

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No quadro pequeno, a menina atualmente.

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Além disso, são diversos fragmentos de bombas expostos, além de algumas armas, tanques e aviões.

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Lá tem uma placa com uma citação americana que dizia, resumidamente, que seria melhor falar aos vietnamitas que desistissem da guerra, caso contrário, eles os levariam de volta à Idade da Pedra.

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A resposta vietnamita foi que se eles fizessem isso, o Vietnã construiria outro país mais bonito ainda. Assim foi feito, com o envio dos engenheiros a Cuba, dentre eles o Dinh. Quando ele nos contou essa história, fiquei até emocionada de estar ao lado de uma pessoa que fez parte da história do país.

Os relatos de qualquer guerra são muito tristes e não dá pra terminar feliz ou tranquila uma visita como essa.

Saindo do museu, fomos conhecer a Catedral e os Correios, construídos na época da colonização.

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Prédio dos Correios

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Interior do prédio dos correios com a figura de Ho Chi Mihn ao fundo

 Só aí fomos pro hotel deixar as malas. Chegando na recepção, perguntamos a senha o wi-fi e, pro nosso espanto, o Dinh (lembrando: que lutou na guerra e passou pelo socialismo) saca um IPhone e confirma que a senha era aquela mesma, que ele já estava navegando. Caraca, minha mãe que é mais nova que ele não faz isso!

Saímos para almoçar, ainda impressionados com o volume de motos naquela cidade. Você vai ver de tudo! Desde famílias inteiras até mudança numa moto. O trânsito é uma loucura e cada um vira pra onde quer (tentei, mas não entendi se tem alguma regra maluca, eu acho que não). A sorte é que é tudo tão devagarzinho, que não dá medo. São algumas poucas faixas de pedestres. No resto, você levanta a mão e vai andando. No começo, dá aflição, mas na terceira vez você já está acostumado.

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À tarde o Dinh voltou pra nos pegar, pra irmos conhecer o Palácio da Reunificação, antigo palácio presidencial, onde ficava o escritório do presidente do Vietnam do Sul durante a guerra. O lugar é um dos pontos históricos mais importantes da cidade, pois foi lá que um tanque do Vietnam do Norte derrubou o portão de entrada, marcando a tomada de Saigon e o fim da Guerra do Vietnam.

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Palácio da Reunificação

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Tanque original

O palácio é cheio de história e é possível visitar as instalações, inclusive as salas de mapas onde eram traçadas estratégias durante a guerra, uns bunkers, as salas de comunicação, etc.  É muito legal!

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*obs. Débora: o Palácio e o Museu da Guerra fecham entre 12h e 13h30. Então, não adianta querer visitá-los na hora do almoço

Lá terminou o mini tour do Dinh e nós ainda fomos a pé conhecer algumas outras partes da cidade, como o teatro, a Prefeitura e a Praça Nguyen Hue, além do Mercado Ben Tanh. É tudo ali pertinho e, com um mapa da cidade que pegamos no hotel, achamos facinho.

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Prédio da Prefeitura

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*Obs Débora: além de um bom lugar para comprar souvenirs (sempre pechinchando o preço, claro!), achei que vale muito a pena pedir um dos sucos de frutas típicas em uma das barraquinhas deste mercado Ben Tanh. As combinações sugeridas são ótimas e custam menos de 2 dólares!

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Voltamos pro hotel no final da tarde, tomamos um banho e fomos jantar no Nha Hang Ngon, um restaurante de comida vietnamita bem popular entre os turistas. Não porque a comida seja excelente, mas é gostosa e o restaurante oferece pequenas porções baratas, te permitindo experimentar várias coisas. Se estiver no clima da comida vietnamita, não deixe de provar o Pho, a sopa que a é a comida mais popular do país. Li no Frommers que abriram uma cópia no antigo endereço do restaurante, que não pertence ao original, então, se quiser ir, vá ao localizado na Rua Pasteur, 160.

CU CHI

No dia seguinte, fomos visitar os Túneis de Cu Chi e pedimos pro Dinh passar bem cedo no hotel, porque queríamos pegar o lugar ainda vazio. Dito e feito, fomos os primeiros a entrar lá. Tente chegar cedo, porque a visita tem tipo um circuito e é mais legal quando não tem um monte de gente junto com você.

O lugar abriga um complexo de túneis utilizados na Guerra do Vietnã. Logo na entrada, eles passam um vídeo que explica como era o funcionamento do lugar, os diversos níveis de túneis, etc. A vida ali era toda subterrânea. Era no primeiro nível que tudo acontecia, os acampamentos, cozinhas, hospitais, etc. Tem várias simulações por lá, com objetos da época da guerra.

A nossa primeira experiência foi entrando num esconderijo. Um cara faz a demonstração e, se você quiser, pode repetir. Nós fomos!

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Resultado final.

O lugar era muito pequeno, abafado, escuro e úmido. Fiquei imaginando como deveria ser ficar ali em pé (não da pra sentar) por horas.

Depois, tem uma lojinha em que você pode comprar umas balas e atirar com umas armas da guerra. Compramos as balas de uma arma americana e de uma russa, pra sentir a diferença. Ainda bem que as duas estavam presas, porque dá um tranco absurdo no ombro!

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Depois de lá, passamos por uma cratera de bomba que dá uma dimensão dos estragos que eram feitos durante a guerra.

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Foto tirada do nível do chão, comigo dentro da cratera.

O mais legal, entretanto, foi entrar nos túneis. Você pode percorrer 700 metros nos túneis de nível 2 e nível 3 e, nossa, era apertado!! Dentro dos túneis é escuro e muito muito abafado! Entra um vietnamita junto com você e ele vai super rápido, enquanto você tenta acompanhá-lo.

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Chegando no meio do túnel, o cara que estava nos acompanhando começou a falar com a gente, mas a comunicação simplesmente não estava rolando. Ele falava, a gente não entendia. A gente falava, ele não entendia.

Ele começou a ficar meio irritado e apontava pra direita e pra frente. Deduzi que ele estava mandando a gente sair pra direita, que ele iria continuar em frente. Fiquei meio desesperada de ter que ir pra direita sozinha sem ele, mas virei e logo vi a saída. Quando saí, o Dinh perguntou se eu não tinha gostado. Falei que sim e ele perguntou porque eu não continuei, então. Aí que fui entender que o cara estava falando que ia ficar ainda mais apertado lá na frente, que se a gente quisesse, podia sair!

É que nos túneis de nível 2, dá pra ir com as pernas esticadas e só o corpo curvado. No de nível 3, você precisa ir bem agachado. Enfim, voltamos pro túnel de nível 3, nós e o vietnamita que, a essa altura, devia estar achando a gente loucos ou idiotas. Percorremos o que faltava e saímos lá na frente.

Pena que é muito escuro e só dá pra tirar foto na entrada. Eu amo história, então percorrer aqueles túneis foi uma experiência surreal.

Na volta, fomos passando por vários campos de arroz e parando pra tirar fotos.

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Mais Dinh. Aqui mostrando que manja de arroz.

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Tudo o que pode caber numa moto

A essa altura, já tínhamos conversado tanto com o Dinh e o motorista, que ele (motorista) se sentiu à vontade pra perguntar se nós nos incomodávamos de pegar um pequeno desvio e passar pela cidade dele, porque precisava deixar uma coisa para os pais. Falamos que não e foi bem legal entrar num lugar zero turístico e ver como vive a população da região do campo. Além disso, fomos muito bem recebidos pela família dele, que não poupou esforços para nos agradar. Ligaram o ventilador, ofereceram bananas, queriam fazer chá, muito fofos. Aliás, essa é uma característica do povo vietnamita (e cambojano), como eles são simpáticos.

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Voltamos pro hotel, comemos um Burger King lá perto mesmo e fomos dormir. O hotel escolhido foi o Saigon New World. A localização é boa e as instalações, excelentes!

*Obs Débora: à noite, uma boa pedida é ir ao Chill Skybar, um bar/restaurante/balada que fica no 26o andar da AB Tower. Fomos apenas tomar um drink e, apesar de caro (cerca de 10, 15 dólares cada bebida), a vista compensa e o DJ cuida do fundo musical bem animado. Há quem indique para ir mais cedo, para aproveitar o pôr do sol.

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Ali acabava nossa aventura em terras vietnamitas. No dia seguinte, partiríamos para o Camboja.

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16 thoughts on “Vietnã – Ho Chi Minh e Túneis de Cu Chi

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  4. Boa tarde
    Estava lendo sobre a guerra do Vietnã e me veio uma dúvida.
    O hermicida que os EUA jogou e contaminou as plantações e consequentemente crianças nascidas hoje em dia ainda sofrem as consequências pelos pais que podem ter consumido alimentos contaminados.
    Nós, turistas, não temos esse risco de contaminação?
    Att
    Thiago

    • Oi, Thiago. Tudo bem?
      Como essa é uma questão mais técnica, sugerimos que você consulte algum site ou serviço especializado que possa te dar essa informação. Como nosso objetivo é mais turismo, acho até arriscarmos te darmos uma resposta sobre o assunto!
      De qualquer forma, caso você descubra, sinta-se à vontade para comentar aqui no blog e compartilhar com outros leitores que possam ter a mesma dúvida que você ;).
      Obrigada!!

  5. Olá, enviei um email para o Dinh mas o email voltou. Alguém tem o contato dele ou sabe como faço para conseguir?

    Obrigado!

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