Cusco e Machu Picchu em 4 Dias

No ano passado, aproveitamos que o feriado de 09 de julho caiu em uma terça-feira para conhecer um lugar que queria ir há muito tempo: Machu Picchu.

A Débora tinha ido aquele ano com uma agência lá do Peru mesmo, com um pacote super em conta, então resolvi aproveitar. A agência chama NC Travel Cusco e tem várias opções de tour, dependendo de quantos dias você tem disponível.

A Karine também já foi pra Machu Picchu, mas em um esquema meio furado, que ela não recomenda hehehe.

Então vamos aproveitar que nós 3 já fomos pro lugar pra adicionar fotos e dicas de todas nós por aqui!

Como eu disse, nós tínhamos apenas os 4 dias do feriado, então optamos pelo tour de 4 dias overnight, que tem o seguinte roteiro:

Dia 1 – Transfer Aeroporto-Hotel e City Tour em Cusco

Dia 2 – Vale Sagrado dos Incas e Trem no final do dia para Águas Calientes

Dia 3 – Machu Picchu com retorno a Cusco à noite

Dia 4 – Transfer Hotel-Aeroporto

No DIA 1, chegamos em Cusco perto do horários do almoço e já tinha um motorista nos esperando no aeroporto, pra nos levar ao nosso hotel. Ficamos no Hotel San Augustin International, sem luxo, mas confortável, recomendamos!

Foi o tempo de deixar as malas no hotel, tomar um chá de coca e saímos para conhecer a Plaza de Armas e o Templo do Sol.

Pra quem chega com mais tempo, geralmente eles dão um tempo maior pra aclimatação, porque a altitude em Cusco é bem alta. Não tive problemas (mas a recepção do hotel tinha chá de coca à vontade e nós usamos e abusamos). A Dé sofreu um pouco e ela pode contar melhor!

Dica da Débora: na verdade, eu tenho pressão bem baixa… e talvez tenha sentido mais os efeitos da altitude por isso, mesmo tomando bastante chá de coca! De toda forma, deu pra aproveitar bem, só fiquei meio enjoada e não conseguia comer direito… ou seja, não consegui aproveitar  nada da culinária local (por exemplo, a carne de alpaca!)

O tour da empresa inclui mais coisas do que a Plaza de Armas e o Templo do Sol, mas como chegamos mais tarde em Cusco, optamos por fazer esses dois, que são os principais.

A Plaza de Armas é o ponto turístico mais conhecido de Cusco e era usada pelos Incas para fins cerimoniais. O Festival do Sol (Inti Raymi) era comemorado ali. Os principais prédios são a Catedral e a Igreja Jesuíta, mas a praça também abriga várias construções com arcos de pedras, refletindo a colonização espanhola. A praça tem bandeiras do Peru e bandeiras coloridas com as cores do arco-íris, que representam o Império Inca.

Dica da Débora: o festival do Inti Raymi, relembrando o original, ainda hoje é comemorado em Cusco (em 24 de junho). Se alguém pretender visitar Machu Picchu nesta época, é bom reservar tudo com muita antecedência e se preparar pra multidões nas praças!

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A Igreja Jesuíta (olhando pra foto, à direita) tem uma arquitetura tão ou mais bonita que a Catedral (à esquerda), mas o interior dessa última vale a visita! Além do painel de madeira lindo atrás do altar principal, a catedral tem uma pintura da última ceia com toques andinos, na qual Cristo e os discípulos comem um porquinho-da-índia e tomam chicha, super interessante!

O Templo do Sol (ou Koricancha) foi o que mais gostamos de conhecer. Foi construído em honra do deus-sol (Inti) e era o templo Inca mais rico, com paredes revestidas de outro e pedras preciosas. Após a conquista espanhola, em cima do templo foi construído o convento de Santo Domingo, então no local é possível ver bem a diferença entre as duas arquiteturas, sendo as partes incas construídas com pedras encaixadas, enquanto a espanhola tem pedras menores.

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 * Dica da Karine: Se tiver tempo, vale incluir neste city tour do primeiro dia o sitio arqueológico que fica logo ao lado de Cusco – SAQSAYWAMAN. O local funcionou como centro cerimonial e foi construído com pedras enormes. Da estrada, dá pra ter uma visão panorâmica da cidade de Cusco

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À noite, fizemos reserva para um restaurante famosinho de lá, chamado Chicha, do chef famoso Gastón Acurio. O restaurante leva o nome da bebida tradicional peruana e é bem bonitinho e gostoso, vale provar!

* Dica da Karine: Em Cusco vale a pena conhecer o restaurante Cicciolina, fica perto da praça central e é do mesmo dono do também bonitinho Bacco Food & Wine. Os dois são de culinária internacional, mas oferecem pratos típicos como o ceviche.

No DIA 2 saímos bem cedo para conhecer o Vale Sagrado dos Incas. Ao redor de Cusco há vários sítios incas, mas os principais são mesmo as ruínas de Pisac e de Ollantaytambo.

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Depois de Machu Picchu, Ollantaytambo é a ruína inca mais significativa. Ollanta, um general inca, se apaixonou pela filha do governante Pachacútec e foi forçado a fugir da cidade. A cidade é importante na história peruana, pois é onde ocorreu a maior vitória inca sobre os espanhóis. Divide-se em pátios individuais e cada pátio tem uma entrada. Além disso, há a Fortaleza de Araqama Ayullu, formada pelo Templo do Sol, o Salão Real, os Banhos da Princesa e o Intihuatana, usado para traçar a trajetória do sol.

O passeio passou também por Pisac, que começou como um posto militar, mas virou um centro comercial e residencial. Chegando na cidade, se passa pelos terraços agrícolas e depois sobe-se a colina, onde estão edifício militares, residenciais e religiosos, além dos Templo do Sol e Templo da Lua.

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Moray é outro sítio arqueológico muito famoso e é formado por vários círculos agrícolas que, acreditam os pesquisadores, eram usados como um laboratório agrícola inca. Infelizmente, nós não visitamos, mas se tivesse mais tempo com certeza adicionaria ao meu roteiro.

De Ollantaytambo, saem os trens para Águas Calientes, cidade base para quem quer conhecer Machu Picchu. Então no final do tour já ficamos por lá mesmo, para pegar o nosso trem. São três tipo de trem que fazem esse percurso. O trem backpacker, o trem vistadome (que tem janelas no teto) e o luxuoso Hiram Bingham. Nós optamos pela opção do meio, o tem com a janela no teto e achamos que valeu a pena, porque a vista durante o percurso é de tirar o fôlego!

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Além disso, acho que se fosse repetir a experiência, teria optado pelo Vistadome na ida (pra curtir a paisagem) e pelo Hiram Bingham na volta, pra conhecer. A Peru Rail é da Oriente Express e esse trem traz o luxo dos trens daquela companhia nas épocas áureas.

* Dica da Karine: Na verdade é uma dica do que NÃO fazer. Não vale a pena fechar o trajeto de Cusco (ou Ollantaytambo) de van ou carro, a melhor opção mesmo é o trem.  Nós fizemos a besteira de ir de van e, além do susto do nosso pneu ter estourado no caminho, demoramos umas 8 horas para chegar lá..a estrada é horrível e cheia de bloqueios que atrasam a viagem.

Sem título

Chegando em Águas Calientes, tinha uma pessoa nos esperando, que nos levou para o nosso hotel. Não consigo lembrar o nome do hotel, mas não era nada demais.

Há também a opção de ficar em cima da montanha onde fica Machu Picchu, no Hotel Sanctuary Lodge, mas o orçamento da viagem sobe significativamente.

Se for escolher o hotel em Águas Calientes, procure ficar perto de onde saem os ônibus para Machu Picchu, porque é nessa região que se concentra a maioria dos restaurantes para jantar. São vários ao longo das ruas. Tentamos o Tree House, um restaurante super bonitinho, mas estava lotado e só com reserva. Comemos no dia seguinte e vale a pena reservar.

No DIA 3, fomos pra fila do ônibus umas 4:30 da manhã, porque queríamos pegar o primeiro ônibus, que sai às 5:30, pra pegar o nascer do sol em Machu Picchu. Conseguimos e chegamos lá em cima no horário em que o parque estava abrindo. Só de termos entrado no lugar quando ainda estava sem ninguém já teria valido a pena. Mas ver o sol nascer naquele lugar foi indescritível, uma das energias mais fortes que já senti! Aquele lugar é mesmo diferenciado.

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Depois do sol nascer, encontramos com o nosso guia às 7:00 e começamos o tour por lá. Ele contou um pouco da história do lugar, que não foi encontrado pelos espanhóis. Embora tenha escapado de ser saqueada, foi simplesmente abandonada e invadida pela natureza, até ser descoberta por Hiram Bingham. A função da cidade ainda é incerta, mas especula-se que tenha sido um local de culto, um centro de astronomia e a hacienda do nono imperador inca, Pachacútec.

Os principais pontos da cidade são:

– a Intihuana, pedra que servia como um indicador dos dois solstícios, informação importante aos incas para planejamento da agricultura

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– a Praça Sagrada, usada para ritos cerimoniais. É formada pelo Templo das Três Janelas, pela Casa do Alto Sacerdote e pelos fundos do Templo Principal.

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– o Templo do Sol, única construção redonda de Machu Picchu, tem duas janelas alinhadas com a posição do sol nascente nos dois solstícios

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– a Cabana do Guardião, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade

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– o Templo do Condor. Embora o descobridor tenha o denominado como prisões, os historiadores atuais acreditam que os nichos do local eram altares nos quais as múmias eram colocadas durante as cerimônias dedicadas ao condor.

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O tour terminou e já fomos direto para Huayna Picchu, a montanha considerada sagrada pelos Incas e de onde se tem uma vista panorâmica de Machu Picchu.

Antigamente, não era possível reservar horários para subir na montanha e os poucos ingressos eram distribuídos conforme a ordem de chegada, o que fazia todo mundo madrugar pra chegar em Machu Picchu. Hoje em dia, já é possível reservar um dos dois horários de subida (07:00 e 10:00).

Seguimos a dica do dono da agência e reservamos o segundo horário, porque como o dia muitas vezes amanhece com neblina, no primeiro horário pode acontecer de você não conseguir ver muito bem a cidade lá embaixo.

Tínhamos lido vários relatos sobre como era cansativo subir a montanha e confesso que, como eu não sou das mais esportistas, estava com um pouco de medo de chegar lá em cima morta. Mas não sei se porque estava frio, sofri muito menos do que imaginei e conseguimos chegar ao topo em uns 45 minutos. E, nossa, a vista e a energia lá de cima compensam todo o cansaço!

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Fomos até o topinho pra não falar que não chegamos até o ponto mais alto e depois descemos um pouco pra onde existe algumas construções, arrumamos uma ruína de uma casinha onde estávamos só nós dois e fizemos nosso segundo café da manhã (um lanche de queijo e presunto que levamos do café da manhã do hotel) por lá. Que delícia e que silêncio.

Como nosso trem de volta pra Águas Calientes era só às 17:10, depois que descemos da montanha ainda ficamos um tempão na cidade, às vezes passando pela segunda vez pelos lugares que mais gostamos, às vezes parando em algum lugar mais altinho pra ver a cidade de cima e relaxar.

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Ficamos um tempão por lá aproveitando e quando deu umas 15:30, pegamos o ônibus e voltamos pra Águas Calientes, dessa vez pra almoçar de verdade. Como estava vazio, conseguimos almoçar no Tree House e ficamos por lá mesmo esperando dar o horário do nosso trem.

Como eu sempre tive muita vontade de conhecer Machu Picchu, queria conhecer cada lugarzinho da cidade e sempre ficava desconfiada quando lia que até menos de um dia é suficiente pra visitação. Mas garanto que das 6:00 às 15:30 foi tempo suficiente para ver e rever tudo com calma. Segue um mapinha se ajudar na visualização.

Mapa

No final do dia, pegamos o trem de volta e o motorista já estava esperando a gente na estação. O trajeto de Ollantaytambo para Cusco foi feito de carro e demora um pouquinho. Chegando em Cusco, voltamos pro mesmo hotel, comemos num restaurante lá na frente e capotamos de tão cansados.

No DIA 4, só deu tempo de tomarmos café da manhã e ir pro aeroporto, porque nosso voo saia cedo. Se conseguir pegar um voo mais tarde, dá pra ficar por Cusco conhecendo mais um pouquinho. Outra opção é pegar um voo cedo e aproveitar a escala necessária em Lima pra dar uma esticadinha por lá. Como nosso voo era de milhas, não tivemos muita opção e voltamos direto pra SP, mas a Dé ficou um tempinho e Lima e pode dar mais dicas pra vocês! Post aqui.

Algumas considerações …

Decidimos por fechar com a agência porque o preço ficou bem mais em conta e também porque nosso tempo estava super escasso, então o esquema do roteiro da agência deu uma boa otimizada. Também fiquei um pouco confusa com a compra dos tickets de trem e não consegui achar horários disponíveis online para a subida em Huayna Picchu. Mas antes de ir pesquisei no VnV e o Ricardo Freire indicou uma sequencia de posts de uma menina que, pelo o que percebi, planejou a viagem por conta. As dicas estão aqui e são completas!

Não fiz a trilha inca porque meu interesse era mesmo conhecer só a cidade, mas todo mundo que fez fala que é o jeito mais incrível de conhecer Machu Picchu.

Pra quem quiser uma ideia de como aproveitar o próximo feriado, fica a dica!

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4 thoughts on “Cusco e Machu Picchu em 4 Dias

  1. Pingback: O Que Vem Por Aí … | Diários de Férias

  2. Pingback: Lima – o que conhecer em um dia! | Diários de Férias

    • Isabella, não tivemos nenhum problema com a agência, foi um bom custo-benefício, mas é bom você ficar atenta aos detalhes porque eles são um pouquinho desorganizados. Um horário de trem estava errado qdo eles nos entregaram o ticket, mas eu vi na hora e eles arrumaram!

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