Nepal – a chegada

Decidi ir para o Nepal em maio de 2012, aproveitando a viagem para conhecer também o Butão e o Tibet. A ideia inicial, na verdade, era ir pra Índia, mas como fiquei com medo de ir pra lá, sendo mulher e estando sozinha, acabei mudando os planos para o país vizinho.

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Embora já tivesse viajado sozinha outras vezes, seria a primeira na Ásia e, por isso, achei melhor contratar uma agência para me dar um amparo maior. Como achei os preços das agencias brasileiras muito caros, fechei por email com uma nepalesa chamada Angel Nepal que fez o roteiro que eu havia solicitado, juntando os três países. Paguei uma parte por cartão de crédito antes de viajar (relativa ao Butão e ao Tibet), e a parte do Nepal assim que cheguei – que custou U$ 560,00, para uma semana com o guia, translados e hotéis. Mas até então o receio de contratar uma empresa que eu só sabia da existência virtual, me deixava com uma dose extra de preocupação.

Peguei um voo de SP/Roma e depois de ficar uns dias por lá, um voo da Qatar Airlines pra Kathmandu com conexão de três horas em Doha, no Qatar.

Tirei o visto para o Nepal no próprio aeroporto de Kathmandu, assim que cheguei (custou U$30,00). É necessária uma foto 3×4, que já levei do Brasil pra facilitar. Troquei um pouco do dinheiro na única agência aberta no aeroporto e, no meio de uma multidão de guias, saí a procura do meu. Quase chorei de felicidade quando vi uma plaquinha com meu nome! A agência nepali existia!!!

Mas ainda não era hora de comemorar… Segui o rapaz que estava segurando o papel enquanto íamos até o carro, enquanto outro pegava minha mala, e outros vários nos seguiam falando tão rápido e embolado que eu não entendia nada. Chegamos em frente ao carro e todos eles – um que levou minha bagagem, outro que abriu o porta-malas, outro que abriu a porta pra mim, outro que não sei o que fazia – me pediam alguma gorjeta. Eu não tinha dinheiro trocado. Quer dizer, tinha o que acabara de trocar, mas eles, óbvio, queriam em dólares ou euros. A menor nota que tinha era de dez euros e quando mostrei, um deles pegou e praticamente saiu correndo. Falei pros outros que tinham que dividir, que não tinha mais, que era uma absurdo dar tudo isso só por abrirem a porta do carro pra mim, mas eles reclamaram até não mais poder.

A primeira dica é essa: seja mais esperto do que eu e vá munido de muitas notas de um dólar ou euro trocadas. Muitas mesmo. Entrei no carro e meu guia – que me acompanharia no resto da viagem – estava sentado, assistindo a cena passivelmente. Como se fosse normal –e, pra ele, era mesmo.

O carro era bem simples, sem ar e, num calor absurdo, fomos em direção ao hotel. O trânsito era caótico, cheio de motociclistas, sem nenhum semáforo e todas as vias, por mais estreitas que fossem, eram dupla mão – acho que lá não existe o conceito de contramão! Pra complicar, às vezes passava alguma vaca no meio da rua. Enquanto escolhia se passava calor ou se abria a janela e respirava a poeira que subia, olhava ao redor e me perguntava o que estava fazendo lá. Sozinha, num país estranho, longe e pobre, muito pobre.

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Chegamos então no bairro de Thamel, onde ficava meu hotel, Hotel Mandap, que era bom, na medida do possível – tinha uma área externa gostosa com restaurante, e era bem localizado.

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Deixei minhas malas lá pra poder dar uma volta pela rua. Peguei um cartão do hotel porque fiquei com medo sério de me perder: as ruas me pareciam todas iguais e nenhuma tinha nome. Em contrapartida, todas eram dupla mão e entulhadas de lojas. E, detalhe: sem calçada, o que me obrigava a andar na beirada pra não ter que ouvir as buzinas dos tuk tuks ou das motos que passavam –  as quais, alias, levantavam tanta poeira que no começo sequer conseguia respirar com facilidade.

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Mas Thamel é pulsante; cheia de pessoas de todos os lugares do mundo, em especial mochileiros, indianos e hippies. Eu não tinha levado shorts ou saia por achar que não seria culturalmente apropriado, que eles não estariam acostumados, etc… Mas eram tantos gringos, e todos com a roupa que fosse mais confortável, independente de qual fosse, que parecia que só eu estava sofrendo com o calor de usar calça jeans ali. Ou seja, me arrependi muito de não ter levado uma mala inteira com roupas mais leves.

Além disso, Thamel conta com uma oferta incrível de hotéis, agências de turismo (podia ter deixado pra fechar lá o roteiro da minha viagem também) e restaurantes de todos os tipos (a maioria, inclusive, com wifi grátis e com uma conexão ótima!).

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E, aos poucos, depois de algum tempo andando ali, acabei me acostumando com a logística das ruas, achando graça na poluição visual e sonora – além das buzinas incessantes, tinham várias lojas vendendo CDs com músicas locais intercaladas com as estrangeiras -, me acostumando com o cheiro da poeira misturado com o incenso, e me encantando com tantas lojas de souvernis vendendo estátuas do Buda em todas as posições. E voltei para o hotel, já bem mais feliz com a opção de férias que tinha feito. A primeira impressão que tive do Nepal não foi a que ficou. Ainda bem.

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