Amazônia – Como Programar a Viagem, Onde Ficar

A Amazônia é cheia de superlativos: é lá que está a maior bacia hidrográfica do mundo, a maior floresta tropical do mundo, a maior biodiversidade do planeta e, embora esteja situada praticamente inteira no Brasil, é pouco explorada pelos turistas brasileiros. De fato, não ouvimos muito português por lá e, diferentemente de outros lugares turísticos do Brasil, havia guias que falavam fluentemente inglês, alemão, francês, japonês!

Acho que isso se dá em parte pela cultura dos brasileiros, que não curtem muito a ideia de se enfiar no meio do mato e parte pelo preço já que não é aquela pechincha….gastamos, em fevereiro de 2013, cerca de R$ 2.500,00 por pessoa para o período do Carnaval, tirando o preço da passagem (Tks multiplus! J),

Eu, que tenho um interesse enorme em conhecer os pontos turísticos do Brasil, não podia perder a oportunidade que apareceu de ir pra lá. Conseguimos de ultima hora passagem com milhas para Manaus e fechamos tudo assim, 1 semana antes!

QUANDO IR?

O clima da Amazônia não muda muito durante o ano. É sempre quente e úmido, mas dá pra fugir um pouco das chuvas nos meses entre junho e setembro. Como só tínhamos o carnaval pra ir, fomos em fevereiro mesmo! Choveu e não foi pouco! Mas a chuva não durava o dia todo, não chegou a atrapalhar em nenhum momento e até era bom pra dar uma refrescada!

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Obs Maíra: eu fui em junho. De fato, não pegamos chuvas, mas o calo não foi pouco. Por outro lado, entre junho e setembro (época em que não chove muito) o rio fica muito cheio, o que dificulta um pouco ver a vida animal nas margens. Em fevereiro o rio está baixo e há mais vida visível. 

FORMAS DE CONHECER

Para conhecer a Floresta Amazônica do lado brasileiro há, basicamente, três formas diferentes: com passeios partindo de Manaus, com passeios fechados por você mesmo partindo do seu hotel de selva, com passeios oferecidos pelo seu hotel de selva no esquema all inclusive.

Embora ficar em um hotel de selva possa potencializar a experiência de se sentir no meio da floresta, a verdade é que a maioria dos passeios que são oferecidos por esses hotéis podem ser realizados também partindo de Manaus (os passeios estão descritos detalhadamente neste post aqui). É o caso do Encontro das Águas, Nadar com os Botos, Visita a Comunidades Indígenas e Passeio por Igarapós. De exclusivo dos hotéis de selva, ficam as caminhadas pelo meio da floresta (que geralmente partem de algum ponto do hotel e são bem legais), pescaria de piranhas, focagem noturna de jacarés e algumas outras atividades variam de acordo com o hotel escolhido.

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Ficando em Manaus

O primeiro ponto positivo de escolher a hospedagem em Manaus é o preço das diários do hotéis, que são mais em conta do que os preços dos hotéis de selva. Além disso, como você não estará isolado no hotel no meio da floresta, durante a noite há maior variedade de programação e bons restaurantes para jantar. Por fim, para quem tem pouco tempo na região, é uma boa opção para conhecer também um pouco de Manaus (post aqui) ao voltar dos passeios. Os pontos negativos são perder a experiência de ficar hospedado no meio da floresta e perder alguns passeios que são oferecidos exclusivamente por alguns hotéis de selva.

O Hotel Tropical, que fica em Ponta Negra, tem um porto do qual partem muitos passeios pela Floresta Amazônica. Não conhecemos o hotel e não sabemos da qualidade ou não, mas talvez ficar hospedado lá pode significar economia de tempo e o preço da diária pode ficar mais barato devida à economia com táxis (os táxis em Manaus são caros).

Ficando no Hotel de Selva 

A maioria dos hotéis de selva oferece uma diária all inclusive, na qual já estão incluídas as principais refeições e a maioria dos passeios (fique atento porque muitos não são incluídos e devem ser pagos à parte pelo hotel). Entretanto, embora não divulguem tanto, alguns deles também oferecem apenas a diária com o café da manhã, sem nenhum passeio incluído e sem almoço e jantar (o que vamos chamar de “diária seca“). Nesses casos, a estadia fica bem mais barata (e você talvez consiga até um hotel mais bacana), mas você terá que pagar pelos seus passeios e refeições.

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Para optar pela diária all inclusive ou seca, vale a pena checar, em primeiro lugar, se o hotel permite que você faça seus passeios com um barqueiro particular partindo do próprio hotel. Em caso negativo, pergunte os preços que o hotel cobra para os passeios que você pretende fazer e os preços das refeições. Some com os valores da estadia e verifique se realmente vale a pena pegar a diária sem ser all inclusive. Em muitas vezes a resposta é negativa.

Caso o hotel permita os passeios com barqueiro particular, vale a pena ter em mente que geralmente os passeios com esses barqueiros são privados e custam o mesmo ou até menos que os valores cobrados pelo hotel de selva para passeios coletivos. Caso você seja do tipo que não gosta de turismo em grupo, é um ponto positivo e tanto para pensar na diária seca.

Obs Maíra: nós fechamos um passeio com um barqueiro chamado Bigode e pegamos o contato, para ajudar quem esteja planejando uma viagem à região.  Apenas para ideia de comparação, o passeio botos + índios ficou R$200,00 por pessoa, para apenas 2 pessoas no barco. No hotel, o passeio dos botos era R$120,00 e dos índios R$80,00, ambos em barcos compartilhados com outras pessoas. – preços de junho/2015. 

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Por fim, pode parecer besteira, mas caso você escolha a diária seca, terá que se planejar para fazer caber nos seus dias todos os passeios que você quer fazer, combinando os privativos com os oferecidos exclusivamente pelo o hotel. Digo isso, porque no caso do all inclusive o hotel faz o máximo para tentar conciliar os passeios com a disponibilidade dos hóspedes. Caso você não esteja no all inclusive, dificilmente o hotel vai mudar algum passeio marcado por sua causa rs!

Obs. Maíra: eu, particularmente, não dispensaria a experiência de ficar em algum hotel de selva por uns dias, para poder se sentir mais integrado à floresta (embora as expectativas não devam ser tão altas assim). Entretanto, não ficaria tantos dias assim.

Se pudesse refazer a minha viagem, teria pegado de Manaus um passeio que já fizesse o Encontro das Águas e os Igarapós (geralmente esses dois são combinados e o encontro das águas é muito pertinho da cidade). Isso me faria economizar uma diária no hotel de selva. Juntando essa economia com a diária mais barata sem ser all inclusive, talvez até tivesse procurado outro hotel mais bacaninha (fique apaixonada pelo Anavilhanas, mas o preço da diária all inclusive me fez desistir).

COMO ESCOLHER O HOTEL DE SELVA

Sempre que pensava em ir pra Amazônia tinha em mente ficar no meio da selva. Não fazia ideia de como funcionava o esquema desses hotéis até começar a pesquisar. Descobri que há uma variedade enorme de opções e, é claro, de preços! Não sou muito fresca com hotel, mas achei que, dessa vez, a qualidade do hotel iria fazer a diferença já que o próprio hotel era um dos atrativos da viagem.

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Além de verificar a possibilidade/custo x benefício da diária all inclusive ou não (muitos hotéis só trabalham com all inclusive) que está no tópico acima, outro ponto importante na hora de escolher o hotel é checar qual o rio em que ele fica e a distância pra chegar.

Explicando melhor: há alguns hotéis que ficam na margem do Rio Negro e outros em outros rios do entorno como o Solimões e o próprio Amazonas. Escolhemos ficar perto do Rio Negro por um motivo: é um pouco mais ácido e, por isso, há menos vida e, portanto, menos mosquitos. Achamos melhor deixar para ver a “vida” nos passeios!

Com relação à distância, há hotéis em que você chega em 30 minutos de barco de Manaus e outros em que é necessário andar um trecho de carro e outro de barco e o trajeto pode levar mais de 3 horas. O tempo também foi um critério de escolha. Para chegar no nosso hotel, levamos apenas 30 minutos de lancha.

Com base em todos esses critérios: preço, localização, estrutura… escolhemos oAMAZON ECOPARK JUNGLE LODGE. Não era o mais caro, tinha uma estrutura legal, era perto, enfim…recomendamos! Cheguei a ver o Ariaú, mais antigo e famoso, mas ouvi vários relatos de que ele estava meio velhinho, mal conservado e desisti.

Obs Maíra: também fiquei com Ecopark e perguntando lá descobri que eles também oferecem diárias sem ser all inclusive. 

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Fechamos o pacote de 3 dias que incluía o translado de ida e volta (eles te buscam e levam de/para o hotel ou o aeroporto de Manaus), refeições e passeios. Achei o hotel uma graça. Super integrado à floresta com uma prainha particular e decoração toda rústica. Tinha uma piscina natural com água do rio, um restaurante gostoso e os quartos eram, na verdade, chalés bem no meio do mato, bem decorados e confortáveis. A comida era gostosa e, no fim da tarde, sempre tinha a visita de alguma arara ou macaquinho.

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Obs Maíra: eu achei o hotel um bom custo x benefício (para os padrões Amazônia em que a maioria dos turistas paga em euro ou dolar). Os quartos eram confortáveis e a comida do restaurante era ok (aquele esquema all inclusive que você  – ou pelo menos eu – depois de um tempo não aguenta mais o mesmo tempero rs!!). O único porém por mim fica por conta do banheiro do nosso quarto, que estava precisando de um reforminha (ou pelo menos uma mão de tinta), Mas conversei com outros hóspedes que disseram que o banheiro era novinho. Outro ponto negativo da nossa estadia foi que era feriado e alta temporada da Amazônia (junho a agosto), então o hotel estava lotado e o pessoal da recepção ficou um pouco desorganizado com o planejamento dos passeios. Além disso, os próprios passeios (que são coletivos) estavam sempre com muita gente, razão pela qual se pudesse voltar no tempo teria pegado a diária sem ser all inclusive e reservado passeios privativos com algum barqueiro.  

Um dos hotéis de selva mais modernos, charmosos e bonitos atualmente é oANAVILHANAS, que também fica no Rio Negro e pode-se chegar de carro, sem necessidade de barcos. Oferece hospedagem em chalés e bangalôs que tem as paredes todas de vidro, aumentando ainda mais a impressão de estar integrado na floresta. Não ficamos, mas as fotos no site são realmente de fazer babar.  Se dinheiro não for problema, essa é uma excelente opção.

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Para finalizar as dicas de hotel, outra opção tradicional de hospedagem é oIBEROSTAR. O hotel fica na verdade em um barco, com toda a infraestrutura de um hotel de cidade. Embora não tenha a experiência de estar “no meio da selva”, a floresta está o tempo todo na margem do rio.  O barco vai navegando o rio e dele saem passeios para praticar as mesmas atividades dos demais hotéis.

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QUANTO TEMPO FICAR?

Ficamos, no total, 5 dias na Amazônia: 1 dia em Manaus e 4 na floresta. Achei bem suficiente, mas para quem quiser conhecer outros pontos da cidade, sugiro colocar mais um diazinho na capital! Para verifica quanto tempo será suficiente para você, sugiro dar uma olhada no post com os passeios (aqui), lembrando que na maioria das vezes é possível fazer dois por dia.

O QUE LEVAR?

O clima é quente e úmido…Então é bom levar roupas leves e, de preferência, claras (atraem menos mosquitos). Tênis confortáveis para caminhadas na selva, chapéu ou boné, capa de chuva, roupa de banho e é claro, repelente.

É bom também levar um pouco de dinheiro em espécie. Cartões são aceitos nos hotéis, mas não nas aldeias indígenas que dá pra visitar!

* IMPORTANTE: Caso não tenha tomado a vacina de febre amarela, é recomendado (mas não obrigatório) tomar com 10 dias de antecedência. A vacina vale por 10 anos. Se estiver em dúvida se tomou (sim, isso aconteceu comigo) ou perdeu o comprovante é só ir a algum posto da Anvisa que eles verificam se você já tomou e emitem 2ª via do certificado.

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3 thoughts on “Amazônia – Como Programar a Viagem, Onde Ficar

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